25.4.07

TATE

Dirigida por David Toop, esta "big band" de laptop computers do London College of Communication actua na Tate Britain, em Londres, na 6ª Feira, às 18,30h. São 15 executantes. O meu filho Manuel é um deles.
Se alguém passar por lá, a não perder...

SOVIET CHIC







24.4.07

AONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?

Não me lembro de quase nada. Levantei-me pelo meio-dia e soube que tinha havido golpe de estado ao som de "Grândola Vila Morena". Estava de ressaca e ainda fiquei com mais dor de cabeça sem conseguir atingir a profundidade da coisa, perdido em aspirinas de ocasião.
Fui ouvindo notícias surrealistas: povo na rua; cravos nas espingardas; calças à boca de sino penduradas no Largo do Carmo; tanques em cada esquina; ministros em fuga desesperada; o Império definitivamente a decair...
À noite, na televisão, apareceu um bando de generais com ar absolutamente sinistro: a Junta de Salvação Nacional...
Naquele ano de 1974 acabei o curso de Direito. Escapei ao MRPP e também não fui à tropa. Passei directamente à reserva territorial de onde, aliás, nunca tinha saído.
(jp)

ODE AO PODER

Posso poder podendo
Posso poder podido
Posso poder podado
Poderosos poderes potentados
Podres domínios possuídos
Pobres quereres dominados
Reis sultões paxás
Tiranos ditadores-gamados
Carrascos algozes cruzados
Papas emires faquires
Generais imperadores brutais
Monarcas barões feudais
Posso poder podendo
Posso poder podido
Posso poder podado
Detidos submetidos forçados
Tomados esmagados espezinhados
Tortura escravos humilhados
Esfaqueados esfolados esventrados
Cravados fuzilados rebentados
Mortos morridos matados
Posso poder podendo
Posso poder podido
Posso poder podado
Quero dominar mandando
Querendo dominar mando
Posso poder podendo.
(jp)

MÚSICOS III

Quem sofre mais é o baterista!
Primeiro vem a montagem daquela parafernália toda. Suportes da tarola, prato de choques, rides, crashs e splashs. Enfiar os pratos nos suportes. Atarrachar os abafadores e as porcas de orelhas. Apertar os timbalões ao bombo e aparafusar o pedal para bombar... Uma canseira!
Depois, o desgraçado ainda tem de tocar e esperar que durante o concerto o bombo não comece com a habitual tendência par deslizar, fugindo cobardemente para a frente, enquanto o prato de choques se tenta esgueirar para a esquerda, impulsionado pelo efeito conjugado das pedaladas por baixo e das marretadas por cima. Os tripés dos pratos fixos adoram deixar-se cair safando-se às porradas mais violentas. As baquettes estão sempre loucas por saltar das mãos e atingir vingativamente o público. No fundo, um baterista está em permanente luta com as leis da física!
(jp)
Excerto de "Filhos do Povo do Sul-Memórias de uma Banda Rock dos Anos 70", ainda sem editor.

LIBERDADE 211

Peça de embalar
Os (versão #2)
Percussão em espelhos suspensos, violoncelo, iluminação e electrónica.
Nuno Torres-sax alto
Ricardo Jacinto-violoncelo
Dino Récio-percussão
Nuno Morão-percussão
João Pinheiro-percussão
André Sier-electrónica
Produção: Ricardo Jacinto e Vera Cortês.
ENTRADA-3 euros
LOTAÇÃO LIMITADA

23.4.07

DIA MUNDIAL DO LIVRO


MÚSICOS II

O material está em permanente revolta com os músicos.
Os cabos são os principais inimigos. Cabos das colunas, dos microfones, das violas.... todos os cabos do mundo se revoltam contra nós. Enrolam-se em convulsões repilóides. Embrulham-se sobre si próprios. Recusam soltar-se. Alguns quase nos tentam estrangular...
As palhetas das violas estão sempre a tentar fugir das cordas. A deslizar entre os dedos. a perder-se na névoa do palco...
As cordas das violas partem-se sem pré-aviso, obrigando a prodígios de alteração harmónica para se notar o menos possível... E primeiro que uma corda nova se deixe afinar, é obra!
Depois há problemas verdadeiramente graves: o fusível de um amplificador p'ro caraças! "Quem é que trouxe a caixa dos fusíveis?". "Não foste tu?". Eu, porra! Sabes perfeitamente que não percebo nada dessas merdas!". "Gaita, sou eu que tenho de tratar de tudo?". "De tudo não... só tinhas de trazer a trampa da caixa!. Ei, pessoal do público, alguém tem um fusível destes lá em casa?"
(jp)
Excerto de "Filhos do Povo do Sul-Memórias de uma Banda Rock do Anos 70", ainda sem editor.

21.4.07

MÚSICOS I

Os músicos discutem muito!
Discutem conceitos, ritmos, harmonia.
Impõem superioridades. Disfarçam inferioridades. Expõe complexos. Psicanalisam-se em grupo...
A música é um divã. Os músicos adoram-se e odeiam-se. Afastam-se e aproximam-se. Entendem-se e desentendem-se. Com a música aprendemos a ser nada ou poder ser tudo... Aprendemos a comunidade, a competição, o sonho, a frustação, a afirmação e a negação.
Se nunca tivesse tocado; se nunca tivesse enfrentado o público; se nunca tivesse ajudado alguém a salvar uma harmonia; se nunca me tivessem amparado ao tropeçar num compasso, quem seria hoje? Certamente um outro eu!
(jp)
Excerto de "Filhos do Povo do Sul-Memórias de uma Banda Rock dos Anos 70", ainda sem editor.

19.4.07

TV RURAL

Amanhã, 6ª feira, os "TV Rural" tocam na Sociedade Guilherme Cossoul, ali a Santos, perto do "Alcóol Puro" (23h).
No Sábado podem vê-los no "Lugar Comum", na Fábrica da Pólvora.

SINTRA

Estamos no Monte da Lua ou Mons Sacer, dedicado a mágicas celebrações de culto lunar. Há quem diga que aqui fica uma das sete entradas para a "Terra Oca", onde viveriam os Intraterrestres, essa utópica raça futura que Bulwer Lytton denominou os "Ana"... Eu, francamente, não sei. Mas que a Serra é mágica, é!
Senão vejam como os prédios se multiplicam como cogumelos... Pura magia! Veja-se como os carros invadem as profundezas serpentárias dos vales em piqueniques incendiários... Pura magia! Observem a profusão de garrafas de plástico colorindo festivamente a estrada da Lagoa Azul... Pura magia! Notem como em pleno Parque Natural surgem virgens florestas de betão armado... Pura magia!
Regaleira. Visão extralúcida de Carvalho Monteiro, alucinada pelo arquitecto Luigi Manini. Mansão filosofal de inspiração alquímica. Utopia maçónica de estética gótica no romantismo do renascimento neo-manuelino. Templários adivinhados...
"Quinto Império".
Capitéis e pináculos. Frisos, grinaldas, gárgulas. Esferas armilares. Poços em escadaria espiral. Grutas labírinticas reflectidas em lagos flamejantes... Nostalgia do paraíso perdido.
No frontão da entrada não percam o pelicano auto flajelando-se em prol dos filhos... Solidariedade mutualista de pedreiros livres, hoje símbolo do "Montepio Geral".
A águia com seios olhando o Sol de frente em transcendência uraniana, aleitando espiritualmente os discípulos com o Leite dos Pássaros, o "orniton gala"dos gregos, referido por Mestre Fulcanelli.
Desçam os 27 metros do poço iniciático em direcção ao "motor imóvel de Aristóteles", no centro do hélice orbicular... Nesta altura já somos todos "Cavaleiros Kadosh" ou, mesmo, "Sublimes Princípes do Real Segredo", quiçá "Inspectores Gerais", isto para quem acredita no "rito esccês rectificado, está claro.
(jp)
Excertos de "Lisboa a Sintra-Uma Perspectiva Saloia", integrado em o "Turista Ocidental", a editar a 19 de Maio.

PRAIA

Calcanhares obesos de mulher sulcando a areia molhada. Ao lado chia um carrinho de bébé berrando de calor. Um homem ossudo com tendência para joanetes corre na paisagem. O arrastar corrosivo das alpercatas de um bando de adolescentes excitados na perspectiva do escaldão. Homens barrigudos de bigode carregam geladeiras e cadeiras com guarda-sol. Cães irresponsáveis mijam por todo o lado na ânsia de marcar terreno. Cheiro permanente a Ambre Soler... Ainda bem que não fui à praia!
(jp)

17.4.07

CADA VEZ MAIS ALÉM

Excesso de imaginação pode fazer perder a cabeça!

AINDA MAIS ALÉM

Nada existe sem imaginação!

MAIS ALÉM

Por detrás da porta, outra porta...

ALÉM

Serão as portas da percepção?

CALOR

A praia não é solução. Só o trabalho redime.

UNDERGROUND

Correm para qualquer coisa que nunca serão.

14.4.07

UM DIA COM SENTIDO

7 da manhã... Ao fundo o som grave dos três pastores alemães do vizinho ladradando continuamente. Histéricos melros em pios estridentes. Pardais metralham sem parar. Rolas grasnam incessantemente por cima do telhado. Ao longe o uivo do comboio. Mais perto, o marulhar deslizante dos carros na Alameda... Fecho os olhos desesperadamente!
8 horas... Desisto! Tiro, finalmente, os tampões dos ouvidos. A coisa complica-se. Os cães ficam subitamente mais perto. Quase mordem. Os pássaros estão absolutamente insuportáveis. O trânsito contorna a minha cama. A betoneira das obras ao lado matraquilha-me a tola sem redenção. O despertador resolve associar-se e leva com toda a força! Das profundezas do cólon, a primeira cólica... Impossível continuar. Rendo-me. Abro os olhos... Visão zero. Tacteio meio cego até encontrar os óculos. Tento acertar nas babuchas que teimam em fugir dos pés.
Duas chapadas de água na tromba. A visão melhora. Começo a raciocinar devagarinho. Desço cambaleante. O cheiro ácido de distantes torradas ataca-me as narinas. Alguém se antecipou no pequeno-almoço. Porra! Murmuro um vago "b'dia" e fecho-me em copas para evitar males maiores. Executo gestos mecanizados e ataco o pão com doce. Engulo o café tipo remédio e corro a lavar os dentes. Pelo caminho, a primeira aspirina do dia. A bola de mercúrio dentro da cabeça começa a estabilizar.


A cólica ameaça. Consigo ainda arranhar a cara com a estúpida gilete... A coisa torna-se insuportável. Sento-me com frémito e ouço o som cavo, seguido da cascata com os despojos da véspera. Sensação de alívio. O Sol brilha... Os passarinhos parecem música...



Finalmente saio... Encapsulado e climatizado, aplico a primeira música do dia criteriosamente seleccionada. Notícias nunca. Ainda não estou preparado!





11 horas... Atinjo as Picoas. Evito apertos de mão e beijinhos matinais que me obrigariam a lavar cara e mãos... Há quem insista em usar perfumes e after-shaves!!!





Escapo-me sorrateiramente até à minha secretária. Tento manter o nariz inviolável. Apenas uma leve pitada agri-doce de cigarro mal apagado a que não consigo fugir.






Travo a habitual batalha com o termóstato do ar-condicionado. À terceira tentativa consigo silenciá-lo. Livre do ruído e da intempérie começo a pensar no almoço!







13,30... O suor atenuou já a estridência dos perfumes matinais. Suportável! Almoço com colegas. O pior é o barulho. Tampões em casa. Todos os dias me arrependo...









Máquinas maquiavélicas inventadas por sádicos completamente surdos tiram expressos sem parar, bufando como locomotivas. Empregados permanentemente suados enfernizam-se a destruir o material, na tentativa desesperada de desalojar bostas de café queimado. Outros, vingativos, atiram pratos e talheres como se nos quisessem agredir fisicamente. Comensais falam com voz de megafone... O ar-condicionado sibila perigosamente... O pipilar constante dos telemóveis... Não fora a fome e retirava com dignidade!

Depois do almoço quase tudo é suportável, menos trabalhar. Começa francamente a apetecer-me exercitar o tacto. As minhas colegas não estão disponíveis. Enfio uma água das Pedras por desfastio e outra aspirina, pelo sim, pelo não.










Subitamente a segunda vaga de cólicas. Nádegas apertadas, corro ao WC colectivo armado do primeiro jornal que encontro. Irrompo numa das casotas esperando que ninguém tenha mijado com o tampo da retrete para baixo. Tento ler as gordas do jornal... Nada a fazer. A temporização da luz está contra mim. Luta inglória. Sentado, calças em baixo, jornal numa mão e a outra gesticulando freneticamente por cima da cabeça, tentando estimular a célula fotoeléctica. Estafado, desisto! Começo a tentar escapulir-me...


Regresso novamente engarrafado. À chegada quase não registo sentidos. Um banho redentor. Poros abertos entro no quarto onde, finalmente,
alguém me desperta o sexto sentido.
(jp)









12.4.07

EM BUSCA DO SOMA PERDIDO

Subitamente, a Régua. Feia como o raio!
O comboio apita em volutas de fumo negro. Agitação na gare... Correria ... Encontrões... Excitações... Bancos de pau até ao Pinhão. São os "combois históricos", iniciativa da CP.
Comboio só para tótós. Entrada estritamente proibida a residentes.
Passam meninas com bola... "O vinho do Porto é com a minha colega". Três carruagens mais tarde, nada de colega. Embuchado, até já água marchava!
Pelo meio circula um mini-rancho folclórico: o inevitável acordeão, cavaquinho e violão. Turistas dançam com sorriso aparvalhado, enquanto mais meninas distribuem inquéritos de "satisfação ao cliente", tentando deliberadamente distrair-nos da paisagem.
Toda a gente tira fotos alarvemente, como se fosse a última hipótese de revisitar o século XIX. Continuo com azia...
Excerto da crónica "Em busca do Soma Perdido", integrado em "O Turita Ocidental", a editar em Maio.

O EXAME

Deixe-me dizer-lhe as habilitações que tenho.
Tenho aqui os certificados que provam.

10.4.07

MARIALVA

Ela era moura, para variar e linda, como de costume. O nome era Maria Alva. Nunca saía de casa. Passava os dias à janela, repetindo sem cessar: "Quem quer casar com a carochinha que é rica e formosinha?"... E o João Ratão, que era sapateiro, candidatou-se.
Conluiado com a empregada da donzela, o sapateiro, por deformação profissional, quis tirar-lhe a medida dos pés. A criada espalhou farinha no chão da casa. No dia seguinte, porém, só apareceram pegadas de cabra. Está claro que o sapateiro já não casou com a carochinha e, desiludido, disse-lhe: "Ai Maria Alva, Maria Alva, cara linda e pés de cabra".
A rapariga, com o trauma, atira-se da janela e, assim, tristemente se fina. A povoação ficou Marialva, quando podia perfeitamente ter ficado Pé de Cabra.
(jp)
Excerto de "Turista Ocidental", a editar em Maio.

9.4.07

NA TERRA DOS LUSITANOS



Viriato era um fedelho insuportável. Manhã cedo saía do tugúrio familiar com um casqueiro de bolota e uma cabaça de aguardente de zimbro para matar o bicho.
Perna curta de montanheiro, envolto em mal curtido bedum de cabra, percorria despenhadeiros graníticos em equilíbrio instável. Sonhava vertigens heróicas de libertação radical.
Estamos em 160 a.C. O tempo é romano... O espaço incerto... O modo troglodita.
Os Lusitanos não sabiam de onde vinham e muito menos para onde iam. Seriam Celtas? Íberos? Atlantes? Os romanos chamavam-lhes pernix lusis (ágeis lusitanos). Nós não nos atrevemos a chamar-lhes o que quer que seja, para não ferir susceptibilidades.
Viviam amontoados em castros de lusalite. Labirintos em chapas de zinco. Vielas enlameadas em fezes de caprino. Cheiro insuportável a urina. Sebes de couve galaica aparadas em caldo verde. As mulheres estavam permanentemente grávidas, lavando pilhas intermináveis de louça, enquanto os homens se divertiam em monumentais hecatombes.
Povo anarca e incivilizado, os romanos bem tentaram discipliná-los. Mas nada!
Viriato deveria ser julgado em acção popular, por gestão danosa da "res publica". Por sua culpa, atrasou-se a entrada na Comunidade Económica Romana em mais de 150 anos. Foram pontes, estradas, aquedutos e, talvez mesmo, um novo aeroporto, que ficaram por fazer. Que diríamos hoje de quem nos tivesse impedido e aderir à União Europeia? No mínimo "albanês"!
Dos Lusitanos ficou o mito. A fama de um povo inquebrantável e "iluminado". A História é mártir do devir e nós idiotas do nacionalismo!
(jp)
Excerto da crónica "Na Terra dos Lusitanos" que integra o livro "Turista Ocidental", a editar em Maio de 2007.

6.4.07

PANTANAIS DE ALGEDA XI

Seis pessoas sujas, enlameadas e famintas sentam-se à mesa comendo nos mesmos pratos e bebendo nos mesmos copos, religiosamente conservados nos mesmos lugares. Assim, podemos ter a certeza que aquele ligeiro sarro esverdeado entre os dentes do garfo é, de facto, nosso. E as conversas cruzam-se...

"Passa o esparguete"... "Uhm, isto está uma delícia"... "Marcha tudo"... "Só se for Fanta"... "E o Pirolito, lembras-te?"... "Caxias?"... "Estive lá na messe"... "Não, a minha mãe é que era de Macau"...
"O meu pai era coronel"... "O meu também"... "Se o meu pai fosse vivo já tinha morrido"..."Olha aí o cão"... "Istambul vai ser porreiro"..."Então devem conhecer-se"..."A minha irmã Filomena é que andou em Odivelas"... "Ainda há café?"..."A Filomena andou na minha turma"..."Odivelas? Eu conheço é a Helena O, mas nunca mais a vi"..."Essa ainda outro dia esteve lá em casa. Agora trabalha em Paris"..."O quê? Tens o telefone dela"..."Claro"..."É pá, há anos que ando para recuperar as ossadas dos meus pais que estão na jazida da família dela!"





Alto! Pára! Rebobina! Por breves mas intemporais segundos faz-se um silêncio de morte. As bocas ficam abertas. Os garfos imóveis. O café pendente.






Como é possível! Duas pessoas que acabaram de se conhecer nos pantanais perdidos de Algeda, conhecem ambas uma terceira que está em Paris, cuja jazida contém os restos mortais dos pais da primeira, cujo qual os quer recuperar e não sabia como?! Isto não é coincidência, não á o acaso... Isto é o Destino!





Mudos de pasmo e sem rede no telemóvel que impediu a recolha de informação quanto ao estado da jazida e do seu precioso conteúdo, deixámos Algeda entregue à putrefacção do tempo e regressámos à civilização, onde a àgua corre nas torneiras e nos é permitido retomar hábitos nocivos à saúde: tomar banho, lavar os dentes ou mesmo a roupa.











Depois deste estágio anseio por nova prova. Comer laburdo nas furdas do Erges!












Passeio ao Moinho de Algeda, a seis quilómetros de Stª Margarida do Sado, em Dezembro de 2006.

(jp)

PANTANAIS DE ALGEDA X

Lá fora o Sol brilha translúcido, arrebanhando nuvens brancas que disciplinadamente se reunem a norte. A erva desponta alegre por entre flores prematuras à beira da constipação. Fomos ver a catástrofe!


Canas, troncos, silvas... tudo embaraçado em novelos gigantescos. Jacarés adivinham-se. Hipopótamos pressentem-se. Giboias imaginam-se. Piranhas ocultam-se




O Nero, um "retrevier" bem educado, entra em desvario aquático mergulhando em todos os charcos que encontra, salvando dezenas de paus e lixo diverso de afogamento precoce.



















Cogumelos de todas as cores e feitios emergem na humidade vicejante, esperando enganar algum ingénuo citadino que ambicione refugado.







Trezentas fotografias mais tarde, regressamos direitos ao almoço.

Há dois dias que cada um mantém os mesmos pratos e talheres que, pese embora a falta de água, conservam uma higiene imaculada graças ao poder mágico dos rolos de papel "Renova", cuja eficácia não é demais realçar. A alternativa seria a língua do cão!