Na mais luminosa noiterepouso ao corpo não dei
e de meus olhos o sono
nessa noite eu apartei,
aos brincos dela as argolas
dos tornozelos juntei.
Ibn Sâlih al-Shantamararî (Faro séc. XII)
Em 1495, aquando da morte de D. João II, Garcia de Resende escreveu: "Faleceu El Rey fora de Portugal, no Reyno do Algarve, em Alvor".
O turismo sempre foi de massas. Dantes era à bruta. Invadiam-se terras. Conquistavam-se países. Confiscavam-se haveres. Violavam-se mulheres. Escravizavam-se povos.
Esse vento que não pára de soprar. Esse vento que nos magoa a pele. Que se entranha nas sandes de atum. Nas bolas de Berlim...
Muito antes do Infante D. Henrique já havia náufragos. Aliás, os náufragos sempre existiram. Em bom rigor, todos somos náufragos seja lá do que for. A vida não é fácil!
O projecto de uma associação com os exércitos de Preste João não era nova. Já antes a cúria romana pensara numa aliança com esse mítico reino para afrontar mouros e turcos. Afonso V de Aragão manteve, a partir de 1428, relações diplomáticas com Zar'a Yâqob, o verdadeiro Preste João.
Para além da sua abundante religiosidade, o Infante era o homem mais poderoso da sua época: Duque de Viseu; Governador da Ordem de Cristo; comendador da Jarreteira; senhor vitalício da exploração e comércio da Guiné...
Contrariamente às casas alentejanas, de influência berbere e de carácter feminino, em que a cozinha é o sítio por excelência da sociabilidade e em que se assume o isolamento absoluto (vejam-se os "montes"), as casas de fachada, comuns no Algarve, têm carácter masculino, estando ligadas ao complexo de exibicionismo e, portanto, não suportando estar afastadas das vias de trânsito. É tão forte a necessidade de publicitação desse exibicionismo que as ruas ficam sufocadas pelo complexo.
Lamento desiludi-los. É tudo mentira. Tudo embuste... O homem não era navegador. Nunca morou em Sagres. Não houve Escola Naútica!