30.12.07

DESPORTOS RADICAIS

A partir de dia 1 de Janeiro não vale a pena esfalfar-se no "rafting", esfolar as mãos no "boulder" ou no "rapel". Desista de partir uma perna no BMX ou de se afogar no "wakeboard". Para quê a vertigem do parapente ou a loucura da queda livre? Uma trabalheira! "Halfpipe"? "Wrestling"? "Bare-foot"?! Não dá pica suficiente... Nem mesmo o "tunning" com um eventual "carjacking". Zero! Nada, mas mesmo nada lhe vai dar mais adrenalina do que fumar em recintos públicos. Faça desporto radical em qualquer parte. Basta um cigarro e um fósforo. Pratique "smoking" e tenha um 2008 cheio de empolgamento.
jp

29.12.07

FORA DA LINHA




Fábrica de Braço de Prata. Espaço cultural: livrarias; concertos; exposições; performances. Ambiente informal e intelectual, misturado com o habitual voyeurismo de ocasião.

27.12.07

ÁRVORES DE NATAL

O presépio não tem árvores. Há burrinhos, vaquinhas, reis magos, pastores. O menino está nas palhinhas. Nem sequer está na caruma!
Embora não se possa invocar o precedente bíblico, acho muito louvável a tradição do abate dos pinheiros e abetos nesta época festiva e vejo com grande peocupação a substituição por falsas árvores natalícias.
De facto, se o Natal for todos os dias ou mesmo quando um homem quiser, a manutenção desta tradição germanófila permitiria evitar muitos incêndios por exaustão florestal.
jp

26.12.07

EMBRULHOS DE NATAL

Sou um papel de Natal. Fui confeccionado com amor. Transportado com desvelo. Na loja, mãos femininas acariciam-me sensualmente. Embelezam-me. Enfeitam-me com laços. Com orgulho, exibo-me frente à árvore dos desejos. Durante uma semana todos me rodeiam de atenções.
De repente, naquele dia sinistro, mãos enormes abatem-se sobre mim. Rasgam-me selvaticamente. Amarrotam-me com desprezo. Atiram-me para o caixote desleixadamente. No dia seguinte estou no lixo.
Este foi o meu único Natal!
jp

21.12.07

EMBUSTES DE NATAL

Amanhã, 22 de Dezembro, pelas 6 horas e 8 minutos, ocorre o solstício de Inverno.
Amanhã é o dia o menor dia do ano. Isto no hemisfério norte. No sul é exactamente ao contrário.
No hemisfério norte o Inverno começa com o solstício de Dezembro. No hemisfério sul é o Verão que desponta. Já vamos ver a confusão que isto dá!
Em várias culturas ancestrais o solstício de Inverno era festejado, comemorando-se a fertilidade e a fecundidade. A partir do solstício os dias começam a crescer, simbolizando-se, nesses festejos, a vitória da luz sobre a escuridão... Isto no hemisfério norte. No sul é exacta e novamente ao contrário.
A bem dizer, o Natal que nós comemoramos a 25 de Dezembro é o solstício, só que as comemorações foram atrasadas.
Embora objecto de intermináveis disputas teológico-astrológicas, Cristo terá nascido, segundo os melhores cálculos bíblicos, entre Agosto e Setembro de ano 7 antes dele próprio.
Porém, a partir do Concílio de Niceia (325d.C.), toda a história do cristianismo e, de certa forma, da nossa cultura, foi reescrita. Constantino converteu-se, provavelmente por razões políticas, e criou a religião católica apostólica romana como veículo unificador do seu império e das suas ambições. O livro sagrado foi então escrito, misturando e manipulando muitas informações.
No mundo pré-cristão era muito popular oculto da deusa Mitra, com origem provável na Índia ou Pérsia. Chamavam-na "Sol Vencedor". O nascimento de Mitra celebrava-se a 25 de Dezembro, data que os romanos consideravam, erroneamente, coincidir com o solstício. Na madrugada de 24 para 25 comemorava-se o Nascimento do Invicto (o alvorecer de um novo Sol), com o nascimento do Menino Mitra.
Em Niceia mais não se fez do que manipular e integrar este culto pagão, que ainda perdurava fortemente, no ritual cristão. Cristo representa a vida, a luz e a esperança. Então, em vez de festejar o Sol como antigamente, passar-se-ia a celebrar o nascimentode Cristo, absorvendo a festa pagã. Constantino, inteligentemente, viu a forma de consolidar o império e reconverteu o dia do Menino Mitra no dia do Menino Jesus.
Esclarecidos os embustes natalícios, falta dizer que a coisa funciona no hemisfério norte, mas para o sul...
Os povos sul-americanos não festejavam o solstício de Inverno em Dezembro, mas em Junho. Logo, o Natal Americano deveria ser em Junho por aplicação linear do raciocínio de Constantino. As comemorações natalícias foram exportadas à força para as Américas aquando da catequização. O Natal foi, assim, imposto. É mais do que um embuste. É o símbolo vivo do colonialismo que ainda não vi suficientemente combatido pelo inefável Hugo Chavéz.
Mesmo carregado de equívocos, aqui fica uma mensagem de bom Solstício para todos... o mesmo é dizer de bom Natal!
jp

CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

Hoje é a última oportunidade de encomendar peças "Expresso da Linha". Este blogue fecha para Natal às 24 horas.
É claro que se preferirem andar por aí engarrafados e afogueados no meio da maralha num qualquer centro comercial comprando mais do mesmo, a decisão é vossa!

Para além do exposto, há umas boas dezenas de outras peças, algumas de grandes dimensões, que aguardam a vossa visita. Quase todas são para venda. Não se acanhem!
Boas Festas.
jp

A ÚLTIMA CEIA

Na sua qualidade de "Mestre de Festas e de Banquetes" da corte de Ludovico Sforza, em Milão, Leonardo Da Vinci foi encarregado de remodelar as cozinhas do castelo. Uma oportunidade única de Leonardo demonstrar todo o seu génio.
Durante seis meses deitou mãos à obra. Alargou as cozinhas para o dobro da área, ocupando quase metade do pátio do castelo e obrigando a corte dos Sforza a retirar-se para casa de amigos enquanto as obras duraram. Instalou um tapete rolante que transportava, ininterruptamente, do exterior, lenha já cortada. Instalou também um assador automático dentro da chaminé, movimentado pela corrente de ar quente que subia e que fazia girar um hélice ligado ao espeto. Instalou, ainda, uma escova giratória para manter o chão sempre limpo; um picador de vacas inteiras, movido a cavalos; uma máquina de cortar pão movida a energia eólica; um dispositivo de tubos em espiral, aquecido por carvão, para manter a água sempre a ferver; instrumentos musicais automáticos movidos a manivela, para dar alegria no trabalho; uma armadilha sofisticada para eliminar rãs dos barris de água de potável; um engenhoso sistema de aspersão para inundar a cozinha em caso de incêndio; etc, etc. Só que Da Vinci era sempre melhor na teoria do que na prática...

No dia do banquete inaugural tudo correu mal. Passada uma hora sem que nada fosse servido e ouvindo uma arrepiante e interminável série de gritos e explosões, os convidados decidiram ir ver o que se passava. Eis aqui uma descrição do embaixador florentino, Sabba de Castiglione di Pietro Alemani: "A cozinha do mestre Leonardo é um manicómio. Em lugar dos habituais 20 cozinheiros, agora há umas duas centenas de pessoas afadigando-se com grandes engenhos que enchem o chão e as paredes, nenhum dos quais parecendo funcionar de modo útil ou adaptado à finalidade para que fora criado.
Numa das extremidades da cozinha encontrava-se uma roda hidráulica, que, posta em movimento por cascata que se despenhava sobre ela com fragor, salpicava e encharcava tudo e todos, transformando o chão num verdadeiro lago. Foles gigantes, com 4 metros de comprimento, suspensos do tecto, bufando e rugindo, destinados a afastar o fumo dos fogões, apenas conseguiam aumentar as chamas que, entretanto, se tinham propagado de forma incontrolável. E por toda esta área de cataclismo vagueavam cavalos e bois fazendo girar um engenho cuja função não parecia ser outra senão andar meramente às voltas. Também me foi dado ver a grande trituradora de vacas, avariada, com metade de um mamífero ainda presa na engrenagem... Num outro sítio estava o dispositivo de lenha de mestre Leonardo que despejava ininterruptamente a sua carga na cozinha e nada o conseguia parar, aumentando, assim, o fogo que alastrava. Homens gritavam queimados ou sufocados. Explosões de pólvora, que mestre Da Vinci insistia em usar para acender os seus fogos de combustão lenta, atroavam os ares, enquanto os tambores automáticos continuavam a rufar impiedosamente..."
Ludovico Sforza decidiu castigar Leonardo, excluindo-o da corte por três anos e mandando-o pintar um retábulo na igreja de Santa Maria Delle Grazie, sabendo que o mestre detestava pintar. E foi assim que, 3 anos depois, esgotados os mantimentos e completamente seca a adega do prior da dita igreja, Leonardo e os seus seis discípulos acabam, em esfoço, a obra mais reputada de Da Vinci e cujo tema é, mais uma vez, a comida. A obra chama-se a"A Ùltima Ceia".
Para saber mais, ler "Notas de Cozinha de Leonardo Da Vinci", compilado por Shelag e Jonathan Rough.
jp

RECEITAS DA VINCI - PUDIM DE NATAL

Terminamos hoje as sugestões de consoada com um pudim de peixe. Espero que a ementa tenha agradado. Em meu nome pessoal e do Leonardo, desejo Boas Festas!
"Remover a pele e as espinhas a sete peixes brancos grandes, reduzir a carne a uma pasta que se mistura com o moilo de sete pães não muito tostados e uma trufa branca ralada (as melhores são de Alba). Ligar tudo com as claras de sete ovos de galinhas e cozer ao vapor, num saco de pano rijo, durante um dia e uma noite".
Na foto, projecto de Da Vinci para um tambor semimecânico, accionado por manivela, que era um dos instrumentos programados para acompanhar o trabalho nas novas cozinhas por ele projectadas no castelo Sforza. Leonardo acreditava que a música era essencial para a boa confecção culinária, pois os homens trabalhavam melhor e com mais alegria.
jp

20.12.07

CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

ESPERANÇA BUSCA
DANÇA
VAIDADE
IDIOTA

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RECEITAS DA VINCI - DORSO DE SERPENTE

Depois da entrada, da sopa e do pão, chegamos finalmente aos pratos principais. Comecemos por um apetitoso dorso de serpente.
"Tome-se uma espádua de serpente, desossando-a e enchendo a cavidade daí resultante com azeitonas e frutos frescos. Coza-se a mesma, pondo, pondo-a a marinar durante duas noites numa água de ameixas secas, que a cubra completamente. Enfiá-la, então, no espeto fazendo-o girar até que todo o revestimento exterior esteja negro, indicando que se encontra pronta a ser servida - devendo ter como acompanhamento algumas cebolas e cenouras cozidas em separado (embora num caldo de serpente).
Na foto, projecto de DaVinci para uma trituradora gigante de vacas. Também dava para porcos, carneiros e cabras.
Esta máquina foi utilizada nas renovadas cozinhas do palácio Sforza, juntamente com outros equipamentos da autoria de Leonardo, com os resultados caóticos que amanhã descreverei.
jp

19.12.07

BIODIVERSIDADE - EXPOSIÇÃO NO MUSEU DA CIÊNCIA

Em Abril de 2007 a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais (SPCN) completou 100 anos.
Portugal, no seu espaço terrestre e marítimo, está integrado num dos 25 "hotspots" de biodiversidade eleitos em todo o mundo. O nosso "hotspot" é designado Bacia Mediterrânea.
É fundamental evitar a degradação definitiva de habitats e a extinção de espécies, ou seja, a perda da biodiversidade. É indispensável promover políticas para a sua preservação.
Neste sentido a SPCN organiza uma exposição sobre a biodiversidade em Portugal. A exposição está patente no MUSEU DA CIÊNCIA, na Rua da Escola Politécnica, no espaço contíguo à Faculdae e Ciências.
Sem querer, contribuí para o catálogo com uma foto da Cladina mediterranea, um líquene fotografado na Duna Paleolítica de Montalvo (ver post de 14/9/07). É uma distinção que não é só para mim, mas também para quem me convidou para aquele inesquecível passeio.
Não percam a exposição e sintam-se parte deste "hotspot".
jp

CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

SANTIDADEGUERRA
ATLÂNTIDA
PROFUNDIDADE
MERGULHO

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RECEITAS DA VINCI - PÃO DE CÂNHAMO

Não há uma boa refeição sem bom pão. Eis aqui uma variante que até pode dar pedrada.
"Cozam-se as sementes de cânhamo até que a casca caia por si, de natural. Pisem-se no almofariz estas sementes descascadas com a mesma quantidade de amêndoas acabadas de pelar. Passe-se a mistura pelo coador e depois de juntar mel, sal e pimenta, leve-se a cozer. Disponha-se uma camada de fatias de pão no fundo de um tacho. Coloque-se sobre ela uma parte da mistura de cânhamo cozido. Volte-se a dispor uma camada de fatias de pão sobre a mistura anterior e novamente mais cânhamo. Continue-se este procedimento até atingir dez camadas de cada e, nessa altura, salpique-se com ervas aromáticas, colocando sobre ele, durante várias noites, um objecto bastante pesado, de modo a obter uma massa mais ou menos compacta, segundo o gosto de cada um. Comprimi-lo para vossa satisfação." Onde é que eu já vi isto...
Na foto um dispositivo inventado por Da Vinci para testar a resistência do spaghetti à tracção. A verdade é que foi Leonardo que inventou o spaghetti. Marco Polo tinha trazido da China algo semelhante (massa de arroz chinesa), mas não dissera que era para comer. As pessoas julgaram que era mera decoração. A massa existia em Itália, sobretudo no sul, desde tempos imemoriais. Mas era muito densa e larga, tipo lasagna. Leonardo inventou uma máquina que transformou essa massa em tiras estreitas e longas como fios, que, depois de cortadas e mergulhads em água a ferver, se transformavam em spago mangiabile, (fio comestível), como lhe chamava Da Vinci.
É claro que para permitir enrolar o esparguete. Leonardo teve de inventar o garfo de três dentes. Até aí os garfos só tinham dois dentes. Mesmo assim, o espargute não conquistou a população. Foi preciso a chegada do tomate nos fins do séc. XVI, vindo da América, para o espargute se popularizar.
jp

18.12.07

CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

JAZZIE FLYING
IMAGININGNOTHINGWAVING

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RECEITAS DA VINCI - SOPA DE CARACÓIS

Agora sim, vamos a uma verdadeira sopa. De entre uma panóplia de opções escolhi esta por me parecer mais adequada à quadra festiva.
"Partir as conchas de 24 caracóis e retirar dos desperdícios a parte comestível. Levá-la a ferver numa panela durante três horas juntamente com uma alface, meia cachola de vitela, um pouco de flor de salsa e alho. Passar pelo coador antes de verter o líquido na terrina e ir à mesa".
Na foto, o dispositivo de Leonardo para eliminar rãs da água potável. A água potável era um bem raro, mais raro que o vinho, e só acessível, nas cidades, através de aquedutos ou aguadeiros. Daí a enorme importância de, nas cozinhas, a água potável não ser conspurcada por rãs. O dispositivo de Leonardo era prático e eficaz. Quando a rã saltava para a armadilha, atraída por um isco previamente colocado, recebia uma martelada na cabeça, deixando a rã inconsciente!!!... Assim, a rã poderia ser usada para fins culinários sem apresentar sinais de esmagamento. O homem era de facto genial!
jp

17.12.07

EFEMÉRIDE

A 17 de Dezembro de 1734 nasce, em Lisboa, Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, filha de D. José I e de D. Mariana Vitória de Áustria.
D. Maria I, a Piedosa, instaura de imediato um processo contra o ex-primeiro ministro de seu pai, o Marquês de Pombal, que é condenado a retirar-se permanentemente da corte (esta pena desapareceu, entretanto, do CódigoPenal...).
Assina um tratado de comércio com a Rússia, de grande alcance geo-estratégico e que conviria averiguar se ainda está em vigor...
Cria a Casa Pia de Lisboa, para acolhimento de orfâos, presume-se que apenas com boas intenções...
Deu grande impulso à cultura, destacando-se a fundação da Academia Real das Ciências e a Aula Pública de Debuxo(?) e Desenho, no Porto. Manda construir a Basílica da Estrela e o Teatro de S. Carlos, em Lisboa, e o Teatro e S. João no Porto.
Em 1786 morre o marido, D. Pedro III, que era também seu tio. Logo a seguir inicia-se a Revolução Francesa, com a decapitação dos monarcas de França.
Abalada e perturbada, D. Maria I acaba demente e é o filho, futuro D. João VI, que passa a despachar em nome da mãe e assume, formalmente, a regência do reino em 1799.
Em 1807 embarca para o Brasil. Morre no Rio de Janeiro em 1816 aos 82 anos.
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CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

COMPAIXÃO CURIOSIDADE

ESTUPEFACÇÃO


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RECEITAS DA VINCI - SOPA DE AMÊNDOA FELIZ

Nada melhor que esta entrada para começar a noite de consoada.

"Cozem-se uns quantos nabos novos num tacho onde foi colocada uma cabeça de carneiro cozida; reduzem-se depois a puré, que se tempera com sal, pimenta e cominhos, adicionando-lhe depois um ovo, para ligar. Moldam-se em bolas e outras formas, que se passam por pão ralado, e no meio de cada uma coloca-se um testículo de carneiro anteriormente cozido até ficar macio. Coloca-se a totaliade das bolas na frigideira, fritam-se até ficarem rijas e com uma crosta alourada e servem-se assim".

O próprio Da Vinci desconhecia porque se chamava Sopa de Amêndoa Feliz. Nós apenas podemos suspeitar...
Na foto, o desenho de um descascador de alhos projectado por Da Vinci. Bastava apertar uma vez com as mãos e o dente de alho ficava esmagado. Também pode picar salsa. Ainda hoje é usado nas cozinhas italianas praticamente inalterado. É conhecido por "o Leonardo".
jp

16.12.07

CATÁLOGO DE NATAL EXPRESSO DA LINHA

AFECTO CARINHO EXPECTATIVA

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RECEITAS DA VINCI

Leonardo nasceu em 1452. O padrasto, Accatabriga di Piero del Vacca, era pasteleiro. A paixão pela comida, em geral, e pelos doces, em particular, foram uma constante na vida de Leonardo. Muitas obras e muitas outras actividadades ficaram por acabar devido a essa paixão. O "gordo", como era conhecido pelos aprendizes na oficina de mestre Verrochio, passou a trabalhar à noite como cozinheiro na "Taberna dos Três Caracóis", junto à ponte Vecchio, em Florença, para completar o magro salário.
Desgostoso e enojado com a comida usualmente servida na taberna que considerava pouco digna do Renascimento, resolveu "civilizar" as refeições. Inventou a "nouvelle cuisine". Servia pequenas quantidades de requintadas iguarias, artisticamente dispostas nos pratos. Revoltados, os clientes obrigaram-no a precipitada fuga e ao retorno forçado à pintura que, já então, era um sacrifício para ele. Mas não desistiu da restauração!
No Verão de 1478, em parceria com o colega Sandro Botticeli, abriu uma taberna "A Marca das Três Rãs de Sandro e Leonardo". A coisa voltou a não correr bem. A clientela não correspondeu. Preferia as habituais pernas de vaca cozida com polenta (papas de milho) a quatro rodelas de cenoura e uma anchova enrolada em folhas de manjericão.
Falhada a experiência, Leonardo, porém, nunca deixou de pensar em comida. Passou a imaginar aparelhos culinários revolucionários que permitissem poupar tempo e automatizassem funções. Os esboços desses aparelhos foram durante muito tempo confundidos com máquinas de guerra. Não eram. Apenas pretendiam descascar alhos ou esticar esparguete...!
Em 1482 retira-se para Milão e é nomeado por Ludovico Sforza "Mestre de Festas e Banquetes". É então que vai explorar todo o seu talento, remodelando as cozinhas do palácio com introdução de novos conceitos e de novos aparelhos e dando origem a uma verdadeira hecatombe no dia da inauguração. Como castigo, benigno, diga-se, foi destacado para Santa Maria Delle Grazie, onde nos três anos seguintes deveria pintar um graffiti na parede da igreja, mais uma vez dedicado à comida... a "Última Ceia".
Foi também neste período que Leonardo terá dado início aos apontamentos culinários inscritos nos cadernos que hoje constituem o Codex Romanoff.
Durante esta semana dar-vos-ei algumas sugestões, todas com assinatura Da Vinci. Não sejam tradicionalistas. Confiem no Leonardo e terão uma consoada inesquecível!
jp

15.12.07

VEM AÍ O NATAL

A duas semanas do Natal vamos dar algumas sugestões de prendas de última hora e propôr receitas originais para uma consoada diferente. Pelo caminho explicaremos porque o Natal é um completo embuste histórico.
jp

S. JOÃO DO ESTORIL - II

S. João confina, na direcção de Cascais, com a Praia da Poça onde, no séc. XVIII, se construíu um balneário rústico, propriedade da Misericórdia, com tinas de mármore para aproveitar as águas santas de uma nascente que curavam doenças de pele e reumatismo. No local, à beira da Marginal, há agora uma escola primária. A água da nascente corre hoje, infectada, directamente para a praia.
A praia de S. João liga com a do Estoril. No casario também não há quebra de continuidade. Apenas as tabuletas toponímicas e duas estações de comboio distinguem as duas localidades, na verdade uma só.
A minúscula praia da Azarujinha, a meio do povoado, servia os palacetes alcandorados, dos quais se desce por escadas talhadas na rocha. Hoje serve os condomínios fechados, quando a maré cheia permite.
A linha férrea corta a povoação. Para trás fica a parte mais modesta, aquela que já não teve direito a vista de mar e que só recentemente, graças a um novo fôlego urbanístico, recuperou vistas, conquistadas pelo aumento democrático da cércea dos prédios. Esta parte de S. João tem-se expandido brutalmente, absorvendo áreas em direcção à Alapraia e Livramento, numa continuidade muito pouco aristocrática.
Três fortes guarnecem a costa e S. João: o de Stº António da Barra, à entrada da povoação (o tal da cadeira armadilhada); o de S. João da Poça, por cima da praia; e, mais acima, já quase no Estoril, o chamado "Forte Velho", boite desde os anos 60, hoje muito popular junto da emigração de leste.
A 10 minutos de S. João, pela estrada de Caparide, encontramos a Alapraia, hoje repleta de construção e onde já no período eneolítico (à cerca de 4000 anos) habitavam trogloditas em quatro grutas descobertas a partir de 1932. Os vestígios encontrados fazem pensar na existência de uma antiga cultura, anterior aos íberos, que teria penetrado, por via marítima, pelos estuários do Tejo e do Sado. Um crescente lunar encontrado numa das grutas, semelhante ao descoberto nas grutas de Cascais, Trigache e Carenque, pode estar na origem do nome Monte da Lua dado pelos romanos à Serra de Sintra e pode ser o denominador comum desta ancestral cultura. Atlantes? Não sabemos!
O que sabemos é que S. João cresceu muito. Para trás da linha férrea, prédios "dormitório" de raiz burguesa. Para a frente, em direcção ao mar, os palacetes têm vindo a ser substituídos, paulatinamente, por condomínios de luxo. Os trogloditas de agora andam bronzeados nos BMW's que a Euribor permite. O bloqueio visual mantém-se... O mar é só para alguns!
Texto baseado no livro "Memórias da Linha de Cascais"
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14.12.07

S. JOÃO DO ESTORIL - I

Tenho vindo a falar sobre a história da Linha de Cascais. Comecei pelo Estoril (Stº António) que é a localidade mais recente em termos de ocupação moderna. Vamos agora aos outros "Estoris".
A característica especial de S. João é a muralha de moradias apalaçadas, com torreões, assentes nas arribas mesmo sobre o mar. Um biombo que oculta ao povoado o horizonte marítimo. É, felizmente, caso único na Linha de Cascais e remonta ao tempo da fundação do povoado.
Esta situação de total egoísmo urbanístico foi denunciado, por volta de 1889, pelo Almirante Nunes da Mata (um dos primeiros residentes da Parede) ao então Presidente da Câmara de Cascais, Jaime Artur Costa Pinto. Revoltado, o Almirante exigia medidas que preservassem a costa. Depois de muita insistência e já farto, o Presidente da Câmara disse-lhe enfastiado: "Que remédio, meu amigo, que remédio. Os terrenos têm os seus donos e os donos constroem o que querem"! Perante esta visão hiper-liberal, o Almirante Nunes da Mata terá decidido comprar todos os terrenos da Parede, assim salvando aquela povoação de um despautério semelhante.
Foi com esta esclarecida visão urbanística que S. João começou a ser preferido pelos construtores de moradias e luxo muito antes do Estoril e do Monte Estoril.
O povoado foi inaugurado oficialmente no dia de S. João de 1890 pelo referido Jaime Costa Pinto.
Texto baseado no livro "Memórias da Linha de Cascais", de Branca de Gonta Colaço e Maria Archer.
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13.12.07

SOFT MACHINE

Nesse tempo os "Soft Machine" (nome extraído de um romance de William Burroughs), o principal grupo da chamada "escola de Canterbury", interpretava um cool-psicadélico, jazzístico e experimentalista. Perturbava pela intelectualidade dos compassos ímpares. O órgão saturado de "fuzz" do Mike Ratlegde e a voz ausente do baterista Robert Wyatt, no irrepetível "Moon in June": "On a dilema between what I need and what I just want/Between your thigts I feel a sensation/How long can I resist the temptation?". A voz era tão trite e sumida, a orquestração tão abstracta, que nunca ninguém percebeu que eram apenas 19 minutos de puro romantismo!
Com os "King Crimson" aprendemos a intelectualização sinfónica da harmonia mitológica. Com os "Soft Machine", a diletância abstracta do compasso psicadélico.
NOTA: A música "Moon in June" consta do álbum "Third", de 1970, cujo exemplar em vinil me foi dramaticamente roubado e que considero o melhor álbum da banda. Esta foto é do "Fourth", um ábum de 1971, ainda mais experimental. É com agrado que vejo as novas gerações de músicos e de amantes da música repescarem esta extrordinária banda, bem como as mais recentes produções do ex-baterista Robert Wyatt: "Cuckooland", de 2003 e "Comicopera", de 2007".
jp

12.12.07

IN THE WAKE OF POSEIDON

Naquele tempo os "King Crimson" eram, para nós, o máximo.
"In the Court of the Cimson King" e "In the Wake of Poseidon", dois álbuns sucessivos de 1969, são obras de culto absoluto. A exploração até ao limite do "mellotron", um sintetizador analógico que nos faz navegar na profundidade do "twllight zone"; a viola ácida de Robert Fripp, sempre em contraponto; a subtileza do baterista Michael Giles; as flautas cristalinas de Ian McDonald e de Mel Colins; o baixo em suspensão de Greg Lake; as líricas extralúcidas de Pete Sienfield - "... you don't possess me, don't impress me, just upset my mind. Can't instruct me or conduct me, just use up my time...". Os "King Crimson" faziam-nos sonhar com mundos para lá da existência e, ao mesmo tempo, puxavam-nos para a realidade de um cruel quotidiano futurista, bem expresso em "21st Century Schizoid Man".
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11.12.07

PROJECTO JARDIM VIVO - NOVA OEIRAS




ALMOÇO DE NATAL

Junte-se uma data de gente que não se conhece de lado algum. Uns vendem por grosso. Outros a retalho. Alguns dão pareceres. Muitos não sabem o que estão lá a fazer... É uma empresa!
No princípio a competição é feroz. Os anos passam. Uns saem. Outros estão para sair. Alguns não podem. Todos querem... É uma empresa!
Agora a competição é entre o bacalhau e o cabrito. Entre a mousse e o ananás. Agora o retalho fala grosso e o parecer é sempre de grande amizade.
Bom Natal para todos!
jp

ESTRELANDO

Ontem batemos o recorde absoluto de visitantes. O "efeito Bezunga" foi essencial. Ele agradece e merece. É um simpático Serra da Estrela atravessado de Pastor Alemão, bem apessoado, com 55 kg de peso e 1 metro de altura. Um verdadeiro atleta que, no entanto, continua à espera de companhia... para além dos quatro gatos que andam cá por casa.
jp

10.12.07

O PROTAGONISTA

Este é o meu cão Bezunga. É meigo e muito sexy. Procura companhia feminina para partilhar afectos. Contacto para este blogue. Assegura-se confidencialidade. Discrição absoluta.
Esta série foi baseada no blogue inteligenciavisual, cuja visita recomendo. Agradeço ao meu amigo C. C. a inspiração.
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