Dirigida por David Toop, esta "big band" de laptop computers do London College of Communication actua na Tate Britain, em Londres, na 6ª Feira, às 18,30h. São 15 executantes. O meu filho Manuel é um deles.Se alguém passar por lá, a não perder...
Não me lembro de quase nada. Levantei-me pelo meio-dia e soube que tinha havido golpe de estado ao som de "Grândola Vila Morena". Estava de ressaca e ainda fiquei com mais dor de cabeça sem conseguir atingir a profundidade da coisa, perdido em aspirinas de ocasião.
Quem sofre mais é o baterista!
Peça de embalar
Os músicos discutem muito!
Estamos no Monte da Lua ou Mons Sacer, dedicado a mágicas celebrações de culto lunar. Há quem diga que aqui fica uma das sete entradas para a "Terra Oca", onde viveriam os Intraterrestres, essa utópica raça futura que Bulwer Lytton denominou os "Ana"... Eu, francamente, não sei. Mas que a Serra é mágica, é!
Regaleira. Visão extralúcida de Carvalho Monteiro, alucinada pelo arquitecto Luigi Manini. Mansão filosofal de inspiração alquímica. Utopia maçónica de estética gótica no romantismo do renascimento neo-manuelino. Templários adivinhados...
Calcanhares obesos de mulher sulcando a areia molhada. Ao lado chia um carrinho de bébé berrando de calor. Um homem ossudo com tendência para joanetes corre na paisagem. O arrastar corrosivo das alpercatas de um bando de adolescentes excitados na perspectiva do escaldão. Homens barrigudos de bigode carregam geladeiras e cadeiras com guarda-sol. Cães irresponsáveis mijam por todo o lado na ânsia de marcar terreno. Cheiro permanente a Ambre Soler... Ainda bem que não fui à praia!
7 da manhã... Ao fundo o som grave dos três pastores alemães do vizinho ladradando continuamente. Histéricos melros em pios estridentes. Pardais metralham sem parar. Rolas grasnam incessantemente por cima do telhado. Ao longe o uivo do comboio. Mais perto, o marulhar deslizante dos carros na Alameda... Fecho os olhos desesperadamente!
Duas chapadas de água na tromba. A visão melhora. Começo a raciocinar devagarinho. Desço cambaleante. O cheiro ácido de distantes torradas ataca-me as narinas. Alguém se antecipou no pequeno-almoço. Porra! Murmuro um vago "b'dia" e fecho-me em copas para evitar males maiores. Executo gestos mecanizados e ataco o pão com doce. Engulo o café tipo remédio e corro a lavar os dentes. Pelo caminho, a primeira aspirina do dia. A bola de mercúrio dentro da cabeça começa a estabilizar.
A cólica ameaça. Consigo ainda arranhar a cara com a estúpida gilete... A coisa torna-se insuportável. Sento-me com frémito e ouço o som cavo, seguido da cascata com os despojos da véspera. Sensação de alívio. O Sol brilha... Os passarinhos parecem música...
Finalmente saio... Encapsulado e climatizado, aplico a primeira música do dia criteriosamente seleccionada. Notícias nunca. Ainda não estou preparado!
11 horas... Atinjo as Picoas. Evito apertos de mão e beijinhos matinais que me obrigariam a lavar cara e mãos... Há quem insista em usar perfumes e after-shaves!!!
Escapo-me sorrateiramente até à minha secretária. Tento manter o nariz inviolável. Apenas uma leve pitada agri-doce de cigarro mal apagado a que não consigo fugir.
Travo a habitual batalha com o termóstato do ar-condicionado. À terceira tentativa consigo silenciá-lo. Livre do ruído e da intempérie começo a pensar no almoço!
13,30... O suor atenuou já a estridência dos perfumes matinais. Suportável! Almoço com colegas. O pior é o barulho. Tampões em casa. Todos os dias me arrependo...
Depois do almoço quase tudo é suportável, menos trabalhar. Começa francamente a apetecer-me exercitar o tacto. As minhas colegas não estão disponíveis. Enfio uma água das Pedras por desfastio e outra aspirina, pelo sim, pelo não.
Subitamente a segunda vaga de cólicas. Nádegas apertadas, corro ao WC colectivo armado do primeiro jornal que encontro. Irrompo numa das casotas esperando que ninguém tenha mijado com o tampo da retrete para baixo. Tento ler as gordas do jornal... Nada a fazer. A temporização da luz está contra mim. Luta inglória. Sentado, calças em baixo, jornal numa mão e a outra gesticulando freneticamente por cima da cabeça, tentando estimular a célula fotoeléctica. Estafado, desisto! Começo a tentar escapulir-me...
Regresso novamente engarrafado. À chegada quase não registo sentidos. Um banho redentor. Poros abertos entro no quarto onde, finalmente,
Ela era moura, para variar e linda, como de costume. O nome era Maria Alva. Nunca saía de casa. Passava os dias à janela, repetindo sem cessar: "Quem quer casar com a carochinha que é rica e formosinha?"... E o João Ratão, que era sapateiro, candidatou-se.
Seis pessoas sujas, enlameadas e famintas sentam-se à mesa comendo nos mesmos pratos e bebendo nos mesmos copos, religiosamente conservados nos mesmos lugares
. Assim, podemos ter a certeza que aquele ligeiro sarro esverdeado entre os dentes do garfo é, de facto, nosso. E as conversas cruzam-se...





(jp)
Lá fora o Sol brilha translúcido, arrebanhando nuvens brancas que disciplinadamente se reunem a norte. A erva desponta alegre por entre flores prematuras à beira da constipação. Fomos ver a catástrofe!
Canas, troncos, silvas... tudo embaraçado em novelos gigantescos. Jacarés adivinham-se. Hipopótamos pressentem-se. Giboias imaginam-se. Piranhas ocultam-se
O Nero, um "retrevier" bem educado, entra em desvario aquático mergulhando em todos os charcos que encontra, salvando dezenas de paus e lixo diverso de afogamento precoce.
Cogumelos de todas as cores e feitios emergem na humidade vicejante, esperando enganar algum ingénuo citadino
que ambicione refugado.