29.9.07

MEDITAÇÃO

"Você acha que há dois mundos para você... dois caminhos. Mas só existe um. O protector mostrou-lhe isso com uma clareza inacreditável. O único mundo possível para você é o mundo dos homens e esse mundo você não pode resolver largar. É um homem! O protector mostrou-lhe o mundo da felicidade, onde não há diferença entre as coisas porque lá não há ninguém que indague pela diferença. O protector sacudiu-o dali para fora e mostrou-lhe como é que o homem pensa e luta. Este é o mundo do homem! E ser um homem é estar condenado a esse mundo. Você tem a presunção de crer que vive em dois mundos, mas isso é apenas vaidade. Só existe um único mundo dos homens para nós. Somos homens e temos de seguir o mundo dos homens satisfeitos."
" A Erva do Diabo", de Carlos Castanheda.

27.9.07

AS MOSCAS

Abriu oficialmente a caça às moscas. No Outono as juvenis moscas estão no seu máximo fulgor. Este ano as condições de desenvolvimento foram ideais. Calor moderado. Pouca chuva.
Os exemplares já monitorizados apresentam-se em excelente condição física. Robustas. Bem alimentadas. Com grande autonomia de voo. Boa resistência ao choque. Óptimos índices de peganhosidade nas patas. 89% passaram no teste de "persistência continuada", que consiste em afugentar a mosca e medir o tempo de retorno ao ponto inicial. O intervalo óptimo é de três segundos. Enfim, temos uma excelente época de caça à mosca em perspectiva.
Por isso, em vez de andares nos blogues a dizer disparates, reune um grupo de amigos e promove uma batida à mosca na tua própria casa. A caça doméstica é o que está a dar. E não havendo baratas ou ratos disponíveis, vamos às moscas. Longe vão os tempos da caçada ao javali, à lebre ou à perdiz. Isso agora é pirosissímo. Finíssimo são as batidas à mosca. Na Linha estão a fazer sucesso as batidas nas Quintas da Marinha ou do Patino. A coisa já chegou mesmo à Beloura.
É, sem dúvida, um desporto radical. Mas eu ensino alguns truques que vos ajudarão a fazer um vistaço. São proibidas armas. Nada de mata-moscas ou insecticidas. É tudo à mão. Molha previamente um pano e conserva-o junto a ti. Vai humedecendo a mão antes de avançar para a mosca (este é o grande truque). Mão em concha, virada para a cabeça do bicho, a uns 15 ou 20 centímetros de distância e sobreelevada uns 2 cm. Nunca se deve tentar apanhar a mosca por trás. Lança o braço com rapidez e decisão num golpe seco e preciso. A mosca levanta voo de frente, elevando-se ligeiramente (os tais 2 cm). Vai esbarrar direitinha com a tua mão húmida e perde a mobilidade porque as asas ficam molhadas. Aprisionada a mosca, podes agora esborrachá-la na mão; atirá-la para o chão num golpe violento ou qualquer outro método imaginativo e divertido. No final recomenda-se lavagem de mãos. Boa caçada!... Ah, não experimentes com varejeiras que isso é só para profissionais.
jp

26.9.07

EPHEDRA

Acordei com falta de inspiração, o que é raro em mim. Não sei que postar. Como seria fácil se tivesse optado pela via política. Não faltam temas todos os dias. Mas não. Armado em intelectual, fiz esta "coisa" que anda por aí numa de pseudo-alternativa, tentando ser original.
Quando, finalmente, me decido a escrever sobre a importância da pimenta na construção do império português, toca o telefone. Dois jornalistas querem entrevistas sobre o "Ephedra", um grupo de rock-progressivo de que faço parte.
Em 1972, quando revolucionámos o panorama musical português numa aproximação aos "Soft Machine" e aos "King Crimson", ninguém ligou nenhuma. Nem sequer gravámos um disco. Agora parece que a moda voltou. Andam todos atrás de nós. Livros. Fotos. Cartazes. Velhas gravações inaudíveis. Propostas para concertos...
Como é bom ser mítico! Começo a sentir-me como o Teseu, o Ícaro ou mesmo o bravo Aquiles. Será que também dá direito à imortalidade? Não é por nada, mas se demorarem 40 anos a descobrir este blogue, dava jeito...
jp

NA LINHA


24.9.07

PÂNICO NA LINHA

A população da Linha anda aterrorizada. Por toda a Marginal estão espalhados "relógios-bomba" indicando o tempo que nos resta... 28 dias apenas!!!
Medo... Horror... Pânico! Será holocausto? Juízo final? Uma "rentrée" absolutamente escatológica. Por mais desmentidos que haja as gentes não sossegam. Muitos acumulam já latas de atum e de feijão frade prevenindo o pior. Apela-se aos responsáveis para accionarem o plano de emergência. A PSP não pára de receber chamadas. Os táxis estão todos reservados. A Linha não é um lugar seguro!

jp

OUTONO QUENTE



23.9.07

ABUSO DE MOBILIDADE

A culminar a Semana Europeia da Mobilidade e após as iniciativas folclóricas do tipo "Mexa-se na Marginal" e "Dia Europeu Sem Carros", recebemos hoje, de fonte governamental, a confirmação de que vão ser introduzidas medidas de fundo que implicam, inclusivamente, alterações ao Código Penal.
Passarão a ser crimes puníveis com imobilidade total ou parcial, de 3 a 8 anos, conforme a gravidade do acto, as seguintes condutas: utilização de Porches, Ferraris ou veículos equiparados; corridas de Fórmula Um ou de qualquer outra fórmula; manipulação de barcos a motor sem o fim específico de pesca profissional; mais do que 4 viagens anuais de avião, salvo casos de força maior, devidamente justificados por atestado médico; posse ou uso de avião ou helicópetero privado. O "passeio dos tristes" (Lisboa-Cascais-Sintra) só poderá ser efectuado uma vez por mês por cada família, sob pena de apreensão do veículo por 1 ano e inibição de condução por igual período.
Por outro lado, como medidas estruturantes para estimular a mobilidade sustentável, serão entregues, gratuitamente, bicicletas com banda larga e patins em linha com wi-fi incorporado. A Marginal passará a Caminho Pedonal Principal (CPP) e a A5 será definitivamente transformada em esgoto primordial. Os táxis só poderão circular com um mínimo de 3 pessoas por corrida, sendo uma o Prof. J. M. Viegas. Tudo a bem da nação...!
jp

22.9.07

TV RURAL - CASCAIS





www.myspace.com/tvrural

MEDITAÇÃO

"O crescimento da velocidade dos acontecimentos, à medida que nos aproximamos do final do ciclo, pode ser comparada à aceleração que existe no movimento da queda dos corpos pesados; a marcha da humanidade actual parece-se verdadeiramente à de um móvel lançado numa rampa, que vai mais depressa quanto mais próximo está do final."
"O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos", de René Guénon.

21.9.07

ORMUZ - 500 ANOS

Não foi de comboio, nem de metro que Afonso de Albuquerque chegou a Ormuz, a 21 de Setembro de 1507, faz hoje exactamente 500 anos. Foi por mar. Saíu de Lisboa em 1506, integrado numa armada de 11 naus e 5 navios de guerra.
Tristão da Cunha era o capitão-mor. Afonso de Albuquerque comandava os navios de guerra. O primeiro não percebia nada de navegação e tinha por missão conquistar a ilha de Socotorá, ali no norte da costa africana, no Mar Índico. Afonso Albuquerque ia vigiar a costa arábica, tentando controlar a entrada do Mar Roxo. Um era comerciante, o outro guerreiro. Não se gramavam e as cartas que de comando (regimento) de cada um não eram conhecidas pelo outro. Francisco de Almeida, vice-rei da Índia, esse não conhecia nada das instruções do rei. Mais, era ele, vice-rei, a quem competia ir a Ormuz! Confusos? Não vale a pena. É o monarca português no seu melhor: "Negócio da Índia"; "Coisas de D. Manuel"! O rei era perito nestas instruções secretas e contraditórias tudo regulando de Lisboa com a aquela mente mesquinha e minuciosa, cujas únicas preocupações eram "os muitos proveitos" e o engrandecimento da sua pessoa. A expansão da fé aparecia a letras pequeninas num post scriptum de última hora.
A caminho de Ormuz, Afonso de Albuquerque dominara já Calaiate, Curiate, Mascate, Çoar e Guarfação, cortando muitos narizes e mãos, incendiando muitos petizes e respectivas mães. Não porque tivesse necessidade, mas porque "ele tinha em vontade fazer nestes portos todos os males e destruições e mortes que pudese, para que indo a fama a Ormuz lhe tivessem medo e com temor fizessem o que ele quisesse. E isto tinha ele assentado em seu coração". Ou seja, não era por mal. Era uma mera táctica militar! Ormuz tremeria de medo e a doentia vaidade do capitão português impor-se-ia no Índico.
O regimento que recebera de D. Manuel não referia expressamente a tomada de Ormuz. Mas, por uma vez, o rei dava alguma flexibilidade ao capitão. O rei autorizava Afonso a agir "à sua guisa" quando achasse conveniente, em função da sua missão: fazer o que fosse preciso para controlar o comércio e apresar os navios mouros junto da costa da Arábia. Ora, é neste contexto, que se deve analisar a interpretação do arrogante capitão. Ele não queria apenas fazer umas vagas explorações ao longo da costa e andar "à galhofa das presas" no estreito de Ádem. A conquista de Ormuz seria já digna da sua "honra".
A 21 de Setembro de 1507, a armada chega, muito bem anunciada, ao porto de Ormuz. Afonso exige ao jovem rei Saif-ut-Dai, de 12 anos, a entrega da cidade e o pagamento de um tributo anual a D. Manuel. Se não concordasse, "veria em sua cidade e portos do mar tanto mal que tudo se tornaria em fogo e sangue" e em poucos anos ficaria pobre. Isto porque, dizia Afonso de Albuquerque, "o nosso costume é fazer mal a quem não nos quer bem"!
O rei de Ormuz tentou negociar com aquela estranha gente. Mas, acabou por tomar o partido de opiniões de homens mais jovens que não queriam ceder. A fúria portuguesa abateu-se sobre a cidade. Navios mouros abalroados. A cidade bombardeada. As negociações recomeçaram. É fixado o tributo anual e, por cortesia, as chaves da cidade são entregues a Afonso e Albuquerque. Mas o que Afonso queria era terra para erigir fortaleza.
Tal não aconteceu. Os capitães dos navios, liderados por João da Nova, revoltaram-se. Afirmavam que a missão não era Ormuz, mas Socotorá e que a construção da fortaleza e seu provimento era competência do vice-rei Francisco de Almeida, que nem sequer fora ainda informado! Ameaçavam não acompanhar Afonso se este persistisse. Como Afonso teimasse, os capitães foram-se à Índia. Em Fevereiro de 1508 Afonso de Albuquerque viu-se obrigado a abandonar Ormuz.
Termina assim a nossa fugaz ocupação de Ormuz, não sem que o Mar Roxo tivesse passado a encarnado, talvez pela quantidade de sangue derramado. D. Manuel ficou sem os seus " muitos proveitos" e os mouros perderam os benefícios da União Europeia.
500 anos passados sobre este idílico encontro, só por razões de conjuntura diplomática instável o Irão e Portugal não comemoram hoje a data festiva. Mas, o expresso da linha estava atento!
jp

19.9.07

SUSTENTABILIDADE

Levanto-me. Tropeço até ao chuveiro. Banho frio de pseudo-água. Ligo o computador em modo diurno. Engulo as habituais pastilhas de protecção ambiental. Analiso a quantidade e qualidade dos poluentes atmosféricos que fazem hoje. Coloco a máscara adequada e o fato a condizer. Ligo os neurónios aos atacadores dos sapatos para aproveitar a energia cinética. Acciono a aquidade visual em modo de poupança (10 metros).
Clico no botão "interface" e vou ao link "leilão-transportes colectivos". Aguardo a melhor oferta. Introduzo o cartão intermodal de crédito e dirijo-me ao "ponto de interesse primário". Desta vez é um "mini-bus" partilhado por 4 ucranianos, 3 chineses e 2 romenos, quase todos pretos. O "bus" opta, automaticamente, pela rota insonorizada da radial mista de circunvalação externa suburbana multifuncional no eixo sinérgico Zénite-Nadir.
Três horas depois chego ao local de trabalho. Passo as barreiras esterlizadoras. Dirijo-me directamente ao ginásio. Mexo-me até o "toxímetro" chegar ao ponto de electrólise. Estoirado, mas com o ritmo cardíaco sustentável, vou para o meu posto de trabalho. Recebo o subsídio de mobilidade e a senha de raccionamento diária de oxigénio. Regresso imediatamente a casa com a sensação de dever cumprido.
Sento-me frente ao plasma a ver jogos de robótica pesada, alimentado a injecções de tofu e seitan. Nove da noite. O alarme ecológico apita. Apago de imediato as luzes. Computador em modo de "stand-by". Tropeço até à cama. Adormeço com ligeira falta de ar...
jp
ET: este post foi inspirado num seminário sobre a "Semana Europeia da Mobilidade", onde estive ontem, e que contou com a participação de oradores perfeitamente sustentáveis e muito bem sustentados.

MARINA DE OEIRAS - RIO'S









18.9.07

DONO DO PÉNIS

Ontem recebi por telemóvel algumas desagradáveis acusações de discriminação e até de machismo. Acusam-me de só falar da problemática vaginal e deixar cair a peniana. Contrariamente a muitos, sou sensível a pressões, venham elas donde vierem. Por isso, quando já ia numa palafita, sou forçado a recuar. Recorro às fontes e encontro no meu vasto arquivo, a edição da revista "Ana", nº 216, de 19/7/2001, com conselhos absolutamente essenciais para as "teenagers". Nem mais nem menos do que "Os Trinta Factos Sobre os Homens que Deve Conhecer".
Saliento apenas três, pela sua relevância.
1- "OS HOMENS COM VOZ GRAVE TÊM UM PÉNIS MAIOR"
Dito assim pode levar as pequenitas a promover um concurso vocal antes de se decidirem pelo namorado que mais lhes convém. Mas reparem que afirmação levanta várias questões que podem baralhar as pobrezitas.
Desde logo a informação é taxativa: quanto mais grave a voz, maior o pénis. Mas será que quanto maior melhor? E o que é maior? Não há termo de comparação. Não há referência a um valor médio, a um indicador padrão. O que pensarão as "teenagers": o normal são dois, três metros...? E essa hipótese não as traumtizará para sempre? Mais, haverá uma equação para estudar cientificamente a relação pénis/voz? E haverá aparelhos próprios para medir essa relação? Como se chamarão? Então e os gajos de voz fininha, estarão condenados à masturbação eterna?
À medida que avanço, porém, vejo que a revista não foi feita ao acaso. Logo a seguir esclarece.
2- "O MAIOR PÉNIS ALGUMA VEZ ENCONTRADO MEDIA CERCA DE 50 CENTÍMETROS"
Embora não se diga se estava em repouso ou em actividade, poderíamos ser levados a presumir a primeira hipótese, já que "encontrado" indicia escavações, arqueologia... No entanto, penso que a revista aponta para o "pénis erectus", uma vez que o artigo não é dado a grandes subtilezas. Haverá apenas uma ambígua utilização do verbo "encontrar".
Ora bem, assim sendo, temos aqui o que parece ser um valor máximo. As "teenagers" passam a ter um parâmetro: mais de 50 cm não há... Uff!!!
Mas, considerando tratar-se de um caso excepcional, um recorde, continuamos sem ter uma medida padrão: serão 40, 30, 10 centímetros?
A revista continua com uma afirmação perturbadora.
3-"O PÉNIS COMUM FICA MAIOR À MEDIDA QUE O DONO ENVELHECE"
Esta afirmação é fundamental e contextualiza todo o artigo. Em primeiro lugar, distingue "pénis comum" dos restantes pénis. E o que é "pénis comum"? O texto não esclarece, mas obviamente é o pénis vulgar, o pénis normal, o que mais se encontra por aí.
Enfim, será, finalmente, o tal "pénis padrão". E, embora mais uma vez não se refiram medidas, a hermeneûtica de todo o texto deixa presumir que nunca será o tal "pénis recorde" de 50 cm. Numa interpretação a contrario, o pénis comum terá, assim, necessariamente de ser mais pequeno. E como já vimos que os 50 cm serão um valor máximo, anormal, o facto de se dizer que o "pénis comum" vai aumentando de tamanho com a idade, leva a concluir que haverá uma certa margem de progressão potencial ao longo da vida, o que acaba por servir de tentativa referencial, no quadro de uma exegese aprofundada do texto. Isto é, as "teenagers" podem, embora sempre especulativamente, presumir que o "pénis comum", desde que saudável, andará entre os 15 e os 20 cm, no fim da adolescência do juvenil macho. Daí para a frente é sempre a crescer, "à medida que o dono envelhece". Com a expectativa de vida a aumentar, imagine-se o efeito...!
Finalmente, temos aqui a noção, tantas vezes esquecida, de "dono" do pénis. Por um lado, representa a inequívoca submissão do animal. A constatação de que o "coiso" não tem vida própria. Não anda por aí à solta. Está submetido a uma vontade. Por outro lado, deixa de haver apropriação colectiva do pénis, que passa assim a ser propriedade de alguém, devidamente identificado, gerando, consequentemente, direitos e obrigações para uma determinado sujeito, o "dono" do pénis. Por isso, hoje todos podemos dizer com orgulho: "Sou dono do meu pénis"!
jp

PALAFITA






17.9.07

AS MULHERES NÃO TÊM CORAÇÃO

O meu amigo Roberto tinha razão. De facto parece que as mulheres não têm coração!
Foi ao ler a insuspeita "Visão", essa revista da esquerda líquida, que tive a certeza. Fazia-se a análise detalhada da problemática vaginal. Aprendi muito sobre esse órgão misterioso, por muitos considerado instrumento do diabo. Esse triângulo maldito sempre condenado e sempre desejado.
Imagine-se que esse órgão, afinal, encerra muito mais do que os olhos podem ver e está longe de ser um buraco negro, insensível e passivo, apenas pronto para desovar.
Efectivamente quando dizemos "o amor vem do coração" estamos perante uma metáfora, já que os lábios não sei quê e os lábios não sei que mais se assemelham a um coração!
Acresce que a poliandria é a regra nas fêmeas animais. A monogamia apenas impera em 3% dos casos!!! Isto porque devido a um complexo mecanismo feito de barreiras genitais, musculares e químicas, ela selecciona os mais aptos para a fertilização. Fiquei preocupado!
Mas, o que mais me impressionou foi a quantidade de coisas que o aparelho possui. Fiquei agora a saber que é da melhor educação perguntar: "A senhora permite que lhe penetre as trompas de Falópio?". Ou confessar apaixonadamente: "Que belo colo do útero que a menina tem".
jp

PENDURADAS

Os castelos ainda servem para alguma coisa.

16.9.07

INICIATIVAS AUTO - PARALIZANTES

Hoje de manhã a Câmara Municipal de Oeiras organizou o apelativo "Mexa-se na Marginal". Uma iniciativa que consiste em interromper a circulação automóvel do Dafundo a Oeiras e desafiar uma data de maluquinhos a ocupar selvaticamente a avenida, em total contravenção com o Código da Estrada, permindo que corram por ali fora, com o pretexto de que faz bem ao coração e outros disparates do género. Os automobilistas são intimados pela polícia a seguirem pela auto-estrada, numa clara manifestação de prepotência anti-democrática e inconstitucional! Acresce que indo pela auto-estrada somos obrigados a pagar portagem, sem devolução pela CMO.
Temos aqui várias ilegalidades: a inconstitucionalidade de fundo, por impedimento do exercício do direito de livre circulação no espaço público; abuso de autoridade e desvio de poder por parte da CMO, agravada pela cumplicidade das polícias; enriquecimento sem causa por parte da Brisa... Enfim, um Domingo para esquecer!
Apelo a todos os bons pais de família e, em especial, para a "Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados",
para interpôr uma acção no Tribunal Constitucional contra este tipo de abusos. Se querem correr vão para o Jamor ou façam paredões, corredores verdes... Sei lá! Agora na Marginal!? Ainda acabamos a fazer os "Sábados da Brisa" percorrendo a pé a entubada A5 com inscrição obrigatória e portagem a dobrar!
jp

15.9.07

MEDITAÇÃO

"Parece-me que tudo quanto existe é bom - a morte como a vida, o pecado como a santidade, a sensatez como a leviandade. Tudo é necessário, tudo necessita apenas da minha concordância, do meu consentimento, da minha terna compreensão; assim, tudo estará bem em mim e nada me poderá prejudicar. Aprendi através do corpo e da alma ser necessário que eu pecasse, que precisasse da luxúria, que tivesse de lutar para acumular bens e sentir náusea e desespero profundo, a fim de aprender a amar o mundo e a deixar de compará-lo com qualquer espécie de desejado mundo imaginário, com qualquer visão imaginária da perfeição. O essencial era deixá-lo como é, amá-lo e sentir-me feliz por lhe pertencer".
"Siddhartha", de Hermann Hesse.

14.9.07

CLADINA

Embora as fotografias 6 e 7 do post Montalvo - Paleoduna façam lembrar corais no fundo do oceano, a verdade é que se trata de um líquene.
Satisfazendo a curiosidade de muitos leitores, posso aqui assegurar, em primeira mão, tratar-se da Cladina mediterranea (P. A. Duvign & Abbayes) Follmann & Hern.
Já agora fiquem sabendo que nestes ecosistemas de dunas litorais a água é determinante para a distribuição das várias comunidades vegetais.
Temos o salgueiro (Salix), uma planta "gastadora" que vai procurar água ao lençol freático e a camarinha (Corema album), uma espécie "poupada" com grande controle na transpiração. Ambas são plantas homeohídricas, tendo a capacidade de regular o seu conteúdo líquido, mantendo-o constante independentemente da humidade do ar.
Depois temos o líquene Cladina, que pode atingir proporções consideráveis e que usa a água dos nevoeiros e da chuva, secando até à próxima oportunidade. É um organismo poiquilohídrico, que não tem a capacidade de controlar o seu conteúdo líquido. Este varia em função da humidade ambiente. Seca quando o ambiente seca, ficando inactivo até à rehidratação.
Este esclarecimento foi-me prestado pela Cecília, perita de nível mundial em líquenes, que faz o favor de ser minha amiga e a quem muito agradeço.
jp

13.9.07

MONTALVO - O FUTURO


Esta é uma zona onírica. Quarenta quilómetros de praia entre Tróia e Sines. Estado quase selvagem. Planícies imensas que o Sado inunda de fertilidade sazonal. Zonas húmidas onde as garças ainda desovam. Dunas paleolíticas cobertas de Armeria royana Daveau e de Juniperus navicularis Gand. Aqui o sal é mais salgado e o arroz já nasce com marisco.
Enfim, um dos últimos paraísos da Europa, em boa hora entregue à gestão da sociedade "Pai, Filho e Espírito Santo", ficando este último como administrador-delegado.
Por aqui encontramos, como que por acaso, gente que vem de helicoptero das mais desvairadas partes do universo, para "brincar aos pobrezinhos". Arranjam casinhas arruinadas perdidas nos arrozais, por entre perigosos mosquitos bravos e rãs selvagens. Decoram-nas com restos de tralha que um conhecido decorador encontra nos caixotes do lixo do Bairro Alto e depois lhes vende a preços milionários. Chegam mesmo a andar de chinelas, imagine-se! Depois vão almoçar ao "Aqui Há Peixe", na praia do Pêgo, a 50 euros por bico, propriedade do irmão do famoso Gigi. Não peça sardinhas porque aqui "Não se trabalha com esse peixe". É a vida "nouveau chique", numa variação em lá maior do estilo "hippie chique".
Pode mesmo acontecer encontrar os filhos da princesa Carolina no "Gervásio" (como é conhecida a "Casa Messejana"), ali em Brejos da Carregueira, onde este ano os pequenitos comemoraram os anos de Charlotte com frango assado e batatas fritas, seguidos de matraquilhos.
Acima de tudo evite as praias da Torre e de Brejos. Arrisca-se a encontrar o Ricardo, com a sua cara de judeu azedo e seguranças de fato de banho.
Aliás, a Terceira Pessoa da Trindade anda em negociações há décadas para a implantação na zona de 73 mil camas, mais os correspondentes campos de golfe e os indispensáveis heliportos. Mas parece que vâo ser "resorts" baixos, miméticos, quase invisíveis.
Não percebemos esta timidez. Gostaríamos de ver aqui uma "Manhatan" turística. Para quê este turismo envergonhado? Porque não seguem o exemplo do tio Azevedo (ver foto supra)? Aquilo sim é homem de vistas largas. Por ele até as camas ficavam na vertical... E se calhar até fazia bem às costas, digo eu!
Mas o local mais inacessível e exclusivo da zona é, sem dúvida a praia de Pinheiro da Cruz. Com o acesso barrado por razões de segurança, ali fica a casa do director da prisão, porventura o homem mais bronzeado de Portugal. O "resort" de Pinheiro da Cruz não é, por enquanto, misto. No entanto, segundo corre nos meios criminais, é o mais pretendido do país. Até quando irá resistir?
Enfim, vamos deixar esta zona com saudades, mas com a certeza que muito em breve teremos aqui, finalmente, "progresso"... coisa que as dunas paleolíticas não conseguiram durante milénios!
jp