30.1.08

FILOMENA GRITA - TV RURAL


TV Rural. Lançamento do primeiro disco: "Filomena Grita". Dia 3 de Fevereiro (Domingo), às 19h na Fábrica do Braço de Prata. Come umas tapas e ouve um bom concerto, num espaço diferente. Os rapazes que ensaiam cá em casa são, na minha modesta opinião, uma das melhores bandas nacionais do momento. Como bónus poderão conhecer este vosso "blogger".
Entrada livre.

29.1.08

AS PROSTITUTAS DE ROMA

Roma deve a sua fundação a uma loba. Porém, subjacente a este mito haveria uma realidade muito mais trivial: os bebés abandonados não ficaram a dever a salvação ao leite de uma loba mas sim à caridade de uma mulher, a quem chamavam Lupa (loba) os pastores com quem ela se prostituía. Seja fantasia ou não, a prostituta continuou a ser, para os romanos, a loba à espreita da sua presa, no seu antro, o"lupanar".
As prostitutas romanas têm por função essencial a preservação da família, evitando aos homens o perigo do adultério e proporcionando-lhes prazeres sem consequências domésticas, garantidos por profissionais competentes. Eram uma instituição fundamental na sociedade. Séculos mais tarde, Stº Agostinho, não obstante os preconceitos da moral cristâ, não hesita em afirmar: "Se banires a prostituição da sociedade, reduzes esta sociedade ao caos, por causa da luxúria insatisfeita". As prostitutas de Roma são oficialmente associadas, uma vez por ano, a festividades em prol da salvaguarda do povo romano. Aquando das Florárias que, em Abril, celebravam a divindade da vegetação, Flora, o ponto máximo era o desfile das cortesãs da cidade, nuas e interpretando mimos eróticos.
A principal razão de queixa contra as cortesãs era a sua avidez insaciável, em relação à fortuna dos cidadãos. Por isso elas são denominadas "meretrix" (a que tira o dinheiro do seu corpo).
As meretrizes são, em princípio, escravas ou libertas (mulheres que receberam carta de alforria). Podem também ser mulheres livres, pois naquela sociedade uma mulher privada de pai, marido ou irmão quase não tem outras hipóteses.
Na época republicana as meretrizes estão proibidas de usar vestidos enfeitados na rua. Têm de envergar por cima uma toga castanha. Com o advento do Império deixa de ser assim. As cortesãs saem à rua requintadamente arranjadas e, a pouco e pouco (a partir do séc. I a.C), com a liberalização dos costumes femininos, quase não há diferença de aspecto entre as "marginais" e as esposas legítimas. A fronteira torna-se tão ténue que, por vezes, se cria a confusão. Algumas matronas tentadas pela grande liberdade sexual das meretrizes, chegam mesmo a inscrever-se nas listas de prostitutas estabelecidas pelas autoridades policiais.
Ainda hoje muitas mulheres gostam de se vestir como prostitutas e muitos homens gostam de as ver assim vestidas. A líbido é insondável. Felizmente já não há listas policiais!
jp

27.1.08

RISO INDUSTRIAL

Há uns anos éramos bombardeados por anedotas "cliché" entre garfadas de circunstância: "sabes aquela...". Tínhamos de simular um sorriso, enquanto suportávamos alarves gargalhadas dos restantes comensais.
Com os alvores da net, logo apareceram as incidiosas "piadolas em pirâmide", passadas e repassadas de reencaminhamento em reencaminhamento, até nos entupirem a caixa de correio, exigindo limpeza diária antes que se esgote a capacidade e a paciência.
Sempre achei fascinante saber como nascem estas piadolas. Quem no seu anonimato, se dá ao trabalho de inventar as histórias; de as trabalhar graficamente; de as divulgar. Quem será? Porque fazem isto? O que os move? Não cobram direitos de autor... Não recebem à peça...! São piores que "blogers". Nós ainda temos o "feed-back" dos visitantes ou dos comentários. Eles nada!
Agora, porém, a piada está por todo o lado. Nos anúncios, no You Tube, nas rádios, nas televisôes. Agora já não são piadolas esporádicas ou de salão. Piadas inventadas por um agente isolado. Agora a piada massificou-se. É obrigatória. Rimo-nos todos da mesma coisa. São piadas de autor, com produtor e receita infalível. Apareçeram as empresas da piadola. Surgiu a indústria do riso. Centenas de profissionais elaboram afanosa e diariamente aquilo com que os "palhaços ricos" nos vão intoxicar de riso. Tudo o que o patético Herman, os recém-institucionalizados Gatos ou o pseudo-irreverente Bruno Nogueira dizem, tem por trás uma máquina de planeamento, concepção e distribuição que nada deixa ao acaso... Nada, excepto a nossa espontâneidade! Pessoalmente, continuo a não me conseguir rir quando me dizem que esta é para rir!
jp

25.1.08

JANEIRO EM LISBOA

ROMA - UMA SOCIEDADE MACHISTA

Herdámos dos romanos o machismo puro, elitista e pedófilo.
A lei Scantia de 149 a. C, protege da violação o adolescente livre na mesma medida em que o faz relativamente à virgem de nascimento livre. O sexo nada tem a ver com o caso. O que conta é não ser escravo. Entre os romanos, a pretensa repressão legal da homossexualidade visava, na realidade, impedir que um cidadão fosse tratado como um escravo.
No mundo romano os comportamentos não eram classificados de acordo com o sexo (o amor pelas mulheres ou pelos rapazes), mas segundo a actividade ou a passividade: ser activo é ser um macho, seja qual fôr o sexo do parceiro dito passivo. A mulher é passiva por definição, a não ser que seja um monstro, e não é tida nem achada no assunto. As crianças não contam mais que as mulheres, desde que seja o adulto a tirar prazer disso (leia-se, a ser activo). Estas crianças são, como já vimos, escravos. As outras estão protegidas por lei. Em contrapartida, abatia-se um desprezo colossal sobre o adulto macho e livre que fosse homófilo passivo ("impudicus").
A moral romana variava de acordo com o estatuto social. Conforme escreveu Séneca "o Velho": "a impudícia (isto é, a passividade) é um aviltamento num homem livre; num escravo, é o seu dever mais absoluto para com o seu amo; num liberto, permanece como um dever moral de condescendência".
jp

24.1.08

ALVES REIS - UMA HISTÓRIA PORTUGUESA

Hoje lançado na FNAC, com chancela da "Oficina do Livro", este livro do meu amigo Francisco Teixeira da Mota explica como resolver a crise.
Artur Virgílio Alves Reis nasceu em Lisboa, em 1898. De origens modestas e com problemas financeiros, ele tem uma enorme vontade de vencer na vida e uma fantástica capacidade de sonhar.
Consegue forjar um diploma falso de engenharia, emitido por uma faculdade de Oxford. Com apenas 22 anos consegue o lugar de director na Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes. No regresso a Lisboa compra uma empresa ferroviária em Angola com um cheque sem cobertura. Preso por dois meses, engendra a maior burla que Portugal conheceu: a falsificação de dois milhões de notas de 500$00 que serão injectadas em Angola!
Perceba porque é que um burlão é um sedutor e um manipulador. Perceba que uma burla é a forma mais elevada e inteligente de crime. Perceba porque a burla se distingue do violento roubo ou do boçal furto ou, ainda, do traiçoeiro abuso de confiança. Perceba, finalmente, porque o dinheiro é imaterial e mesmo ilegal.
Uma verdadeira receita para a crise actual. Absolutamente imperdível.
jp

23.1.08

AFINAL TEMOS SORTE...

Ontem estava excessivamente pessimista...!
Imaginem que tínhamos o azar dos dinossauros. Há cerca de 65 milhões de anos um pedregulho de 9 km de largura veio pelo espaço fora e provocou a sua extinção e uma devastação inimaginável. A cratera está em Chicxulub, abaixo da península do Iucatão, no México e tem 193 km de largura, por 48 de profundidade.
Se fosse hoje, progredindo a uma velocidade de 400 vezes a velocidade do som, o asteróide não seria visível a olho nu até ter aquecido quando entrasse na atmosfera, isto é, 1 segundo antes do impacto com a terra! O ar por debaixo dele, comprimido pela sua entrada na atmosfera, atingiria temperaturas 10 vezes superiores à temperatura da superfície do Sol. Logo que chegasse à atmosfera, tudo o que estivesse no caminho do meteoro desapareceria como uma folha de celofane a arder. Um segundo depois colidiria com o solo com uma força de 6 milhões de megatoneladas (cerca de 75 vezes superior à potência de todo o armamento nuclear existente). Qualquer ser vivo, num raio de 250 km, que não tivesse morrido com o calor, seria morto pela explosão. A onda de choque irradiaria quase à velocidade da luz, arrasando tudo à sua frente. Um minuto depois, os que estivessem fora da zona de destruição imediata, veriam uma parede negra a erguer-se no ar até chegar aos céus, deslocando-se a milhares e quilómetros por hora sem qualquer ruído, uma vez que se moveria a uma velocidade muito superior à do som. Em poucos minutos, todas as pessoas que estivessem num raio de 1500 km seriam projectadas no ar e estilhaçadas por uma chuva de projécteis voando em todas as direcções. Seguir-se-iam uma série de terramotos devastadores. Os vulcões entrariam em actividade por todo o globo e haveria gigantescos maremotos a varrer as costas mais distantes. Uma nuvem negra cobriria todo o planeta e bocados de rocha escaldantes seriam projectados, fazendo arder a maior parte da Terra. Um biliâo e meio de pessoas teria morrido ao fim do primeiro dia. A nuvem negra taparia o Sol durante anos perturbando ou impedindo os ciclos de crescimento e alterando totalmente o clima. Seria impossível estimar o número de vítimas ou mesmo o nível de subsistência humana... E estamos só a falar de uma pedrita de 9 km de largura!!! Em abono da verdade tenho de dizer que a probabilidade de isto acontecer é de uma vez em cada milhão de anos, em média. Mas nunca se sabe...
Bom, com este cenário dantesco acabava a crise, a recessão, o Sr. Nunes, a urgência da Anadia, a queda dos condicionais "futuros" do NASDAQ. Até o governo caía... Afinal temos sorte. Ufff!
jp

22.1.08

GERAÇÃO 1000 EUROS

No meu tempo era a geração "Maio/68" e a geração "hippie". A geração "Maio/68" instalou-se gloriosamente no poder, apregoando balsâmicas virtudes democráticas e conquistas insuperáveis para as mulheres, enquanto os "hippies" passavam rapidamente a "yuppies". Depois veio a "geração rasca", conformada e analfabeta, devidamente educada pelas gerações anteriores. Agora é a "geração 1000 euros", com curriculum a mais e habilitações a menos, que desespera por qualquer emprego, mesmo que dê muito trabalho.
Quando em 1977 fui trabalhar para uma então empresa pública, entrei para o quadro e com contrato para a vida. Era um mero técnico e o meu primeiro vencimento corresponderia hoje a cerca de 2000 euros. A vida era indiscutivelmente mais barata. Havia menos solicitações e o assalto dos bancos ainda não tinha começado.
Como pode a nova geração ganhar 1000 € (quando os ganha), substituindo, com vínculos precários, quadros que são mandados para casa em pré-reforma ou mesmo em suspensão de contrato, ganhando três vezes mais, apenas porque o exercício financeiro é melhorado?! Mais, os grupos que tomaram conta do poder auto protegem-se e auto regulam-se até à exaustão, fixando vencimentos, indemnizações e reformas escandalosas entre si próprios, como o demonstram os recentes casos do BCP, CGD e do BdP. E é assim, com mais ou menos descaramento, por essa Europa fora... E depois ainda pedem aos jovens para ter filhos!!!
Francamente não entendo. É perverso. Socialmente inaceitável. Democraticamente chocante. Em vez de andarem por aí a discutir tabagismo nas dicotecas ou as virtudes e defeitos do Sr. Nunes, onde estão os jovens para fazer um novo "Maio/68"???
jp
Este post foge à "linha editorial" deste blogue, mas às vezes temos de desabafar!

A PRIMAVERA CONTINUA


21.1.08

AMOR GREGO

Os gregos do período clássico não emitiam um juízo de valor sobre a homossexualidade masculina. Aos seus olhos, ela não é diferente do amor pelas mulheres. O que a pode tornar condenável é a violência infligida ao parceiro, a prostituição ou o exagero doentio.
Esta perspectiva terá uma origem iniciática, com toda uma carga simbólica ligada aos rituais de passagem da adolescência para a vida adulta. Nesses termos era praticada, em especial, em Creta e Esparta, onde estava explicitamente regulamentada. Este ritual envolvia, por definição, pederastia. Os jovens efebos (12/13 anos) acasalavam com adultos durante as cerimónias. Antes de ser reconhecido como adulto no seu próprio sexo, era necessário fazer um desvio simbólico sob a aparência do sexo oposto.
Em Atenas os rigores deste ritual ter-se-iam perdido, mas é conhecida a defesa da pederastia por Platão (por exemplo), na lógica da aprendizagem filosófica, ao melhor estilo "António Boto"...
Aparentemente a passagem da pederastia admitida, senão mesmo incentivada, à homossexualidade reprovável era tudo uma questão de pêlos. Diz-nos Alceu de Messénia "A tua perna, Nicandros, está a ficar peluda... tem cuidado/Que a tua coxa, sem prevenir, não faça o mesmo!/Pois verias como os amantes se afastam".
jp

20.1.08

EFEMÉRIDE - D. SEBASTIÃO

Nascido a 20 de Janeiro de 1554 e desaparecido em combate em 1578, Sebastião haveria de ter o ambíguo cognome de Desejado, não por ter sumido em Alcácer Quibir, mas pela muito prosaica razão de ter nascido 18 dias após a morte do pai, evitando que a coroa fosse herdada por um príncipe espanhol, o que, ironia do destino, haveria de acontecer com a sua morte

Neto de D. João III, a quem nenhum dos nove filhos sobreviveu. A regência do reino durante a menoridade de Sebastião é assegurada, primeiro pela avó, D. Catarina e, depois, pelo tio-avô, cardeal D. Henrique.
Coroado em 1568 (também a 20/1), D. Sebastião tinha dois amores: a guerra e o zelo religioso. Pouco inteligente, pouco culto, completamente mimado e vaidoso, os dois "amores"somados eram, para ele, igual a cruzada. Em dez anos de governo nunca se preocupou em saber o que o povo queria, nem nunca reuniu cortes.
Passava o tempo a preparar secretamente exércitos para combater no norte de África, às escondidas da avó. E tanto porfiou que acabou por partir, em 1578, para Arzila, levando consigo a espada de Afonso Henriques... como se tal fosse suficiente! Não foi. Contrariando todos a estratégia militar aconselhável, o exército dirigiu-se a Arzila por terra, em vez de por mar, atravessando o deserto até Alcácer Quibir onde, esfalfado e sequioso, é interceptado e aniquilado. A batalha faz, igualmente, parte da história de Marrocos. É conhecida pela "Batalha dos Três Reis". Para além de Sebastião, morreram dois reis marroquinos.
A morte de Sebastião e a posterior entronização de Filipe de Espanha, constituíu a última hipótese de garantir uma Ibéria unida, desperdiçada pela usura e mesquinhês dos Bourbon. É a vida...
jp

19.1.08

PRIMAVERA CHEGOU




O Sol brilha. Brilha sobre tudo e sobretudo brilha.

18.1.08

EFEMÉRIDE - PEDRO I

A 18/1/1367 morre, em Estremoz, D. Pedro I, o Justiceiro ou o Cruel (o cognome varia em função das sensibilidades).
Em 1328, ainda infante, casa por "palavras de futuro" com D. Branca, filha do rei de Castela. Não houve futuro. O infante desiste e casa por procuração com D. Constança Manuel, da Galiza que chega a Portugal acompanhada da aia Inês de Castro. O rei tomou-se de amores por Inês e dela teve quatro filhos.
D. Constança morre em 1345 e o ainda rei Afonso IV, aconselhado por alguns nobres da corte e temendo o assalto ao poder pelos bastardos, manda executar Inês de Castro!
Três observações rápidas: casar sem ver o produto é um risco acrescido; a falta de contraceptivos pode ser mortal; os bastardos safam-se sempre.
Em 1357 D. Pedro sobe ao trono e manda executar quem a Inês havia matado. Impôs o reconhecimento de Inês de Castro como rainha de Portugal a título póstumo, invocando um suposto casamento em 1353 e procura legitimar os filhos bastardos. O futuro D. João I é um desses bastardos e acabaria por dar imenso jeito na crise sucessória depois da morte de D. Fernando.
Epiléptico e gago, D. Pedro era excêntrico e de temperamento desiquilibrado. Folgazão e impulsivo, aquando da sua morte o povo dizia que "ou não havia de ter nascido ou nunca havia de morrer". Que seria da poesia ou do teatro sem reis destes?
jp

17.1.08

A FILHA DE LESBOS

"Não mais voltarei a ver a minha doce Átis/Morrer seria menos cruel que tão odioso destino./De mãos dadas, na noite perfumada,/Íamos à nascente ou vagueavamos pelas charnecas./Entrançei, para o teu pescoço, inebriantes grinaldas./A verbena, a rosa e o fresco jacinto/Envolviam os teus belos seios num adorado abraço./Os preciosos aromas servem de unguento ao teu corpo formoso/E jovem. Junto a mim descansando ternamente,/Recebias das mãos das sabedoras servas/Os mil objectos que a arte e a languidez inventaram/Para ornamentar a beleza das filhas da Jónia."
Safo nasceu em Mitilene, na ilha de Lesbos, no séc. VI a.C. Pertencia à alta nobreza da ilha. Esta aristocracia mitileneia vivia como os heróis da epopeia homérica. E as mulheres gozavam de um estatuto e de uma independência que só voltariam a conhecer no período clássico (séc.V a. C). Safo, porém, era baixa e trigueira, nada devendo à beleza cantada por Homero. As poesias de Safo eram dedicadas a mulheres. Eram poemas ardentes, sensuais, eróticos. Poemas "lésbicos". Nas sociedades aristocráticas da Grécia arcaica a homosexualidade era natural. A nudez no ginásio e a separação no exército, para os homens. A convivência permanente no gineceu, para as mulheres. Assim, os "militantes" actuais da causa homosexual são descendentes desta tradição aristocrática, o que, sem dúvida, muito os surpreenderia e a nós também.
Safo acabaria por se suicidar, atirando-se para o mar do alto da rocha conhecida por "Salto de Lêucade", na ilha do mesmo nome. Curiosamente ter-se-à suicidado por causa do amor não correspondido de um homem, Fáon.
jp

16.1.08

DESASTRES NA LINHA

Em 30 de Setembro de 1889 foi inaugurada pela Real Companhia de Caminhos de Ferro o "Ramal de Cascais", entre Cascais e Pedrouços. De Lisboa a Pedrouços ia-se de "americano" (um "eléctrico" puxado por mulas) ou de barco. Só cerca de 20 anos mais tarde a ligação directa chega à capital.

Houve três grandes desastres que marcaram a história da Linha até hoje.
Em 8/9/1895 ruíu a ponte sobre a ribeira do Jamor, ali na Cruz Quebrada. Eram 10,30h da manhã. Chovia torrencialmente. O Jamor extravasara do leito. A ponte abateu com a derrocada de um pilar. Os rails ficaram suspensos. O comboio de Cascais acabara de passar. Não houve vítimas. Durante mais de um ano, enquanto se construía nova ponte, fazia-se o transbordo dos passageiros por uma ponte de madeira que atravessava a ribeira.
Em 31/3/1952 eram 11,30h da manhã quando desabou a encosta da Gibalta, junto ao farol, entre Caxias e a Cruz Quebrada, acertando em cheio numa carruagem do comboio que exactamente nesse momento passava. Houve 10 mortos e 39 feridos.
Em 28/5/1963, a maior de todas as tragédias. A cobertura em betão armado do Cais do Sodré abateu com a estação pejada de pessoas. Houve 49 mortos e centenas de feridos. As obras da estação ainda lá estão, eternizando o acidente.
jp



ENGENHO E ARTE

Assistimos estupefactos a uma campanha de intoxicação da opinião pública que pretende insinuar comportamentos pré-nazis do governo.
É a liberdade que está em risco com a ausência de nicotina nos pulmões. A tradição culinária que se perde na perseguição à bola de Berlim ou no ódio à colher de pau. A video-vigilância compulsiva que invade a nossa privacidade. Enfim...
Soubemos hoje, de fonte geralmente bem informada, que não é nada disso.
Sabendo que não há prazer maior do que o proibido e conhecendo a ancestral tendência genética dos lusitanos para o incumprimento, o governo pretende, através de medidas proibicionistas, estimular o engenho e arte nacionais. Saúde-se a iniciativa!
jp

O AMOR COMEÇA NA BABILÓNIA

"A mais bela de entre as mulheres inventou o amor! Ishtar, que se deleitou com maçãs e romãs, criou o Desejo. Sobe e desce, pedra-do-amor. Entra em acção para meu prazer! É Ishtar quem deve presidir à nossa união"
Na Babilónia as preces dirigidas aos deuses acentuam até que ponto o prazer sexual e a religiosidade eram compatíveis e revelam, também, que a mulher, no amor, era igual ao homem e tinha, igualmente, direito ao prazer. Foi há 5000 anos.
jp

15.1.08

EXTRALÚCIDOS

Os meus bonecos podem ser (re)vistos no blog da Claire-Françoise Fressynet http://www.lineaclaire.blogspot.com/ cujo
trabalho de apresentação agradeço (eu não conseguia).
É um blog de divulgação artística que merece a vossa visita... e a autora também.
jp

EFEMÉRIDE - AFONSO V

Nascido em Sintra a 15 de Janeiro de 1438, Afonso V, o Africano, era filho de D. Duarte de D. Leonor de Aragão. Assume o poder aos 14 anos, após 8 anos de regência do tio D. Pedro.
Inexperiente e voluntarista, deixa-se enredar na intriga palaciana, acabando por se envolver em lutas internas com D. Pedro que culminam na batalha de Alfarrobeira com a morte do tio, que era também seu sogro. Ganha a facção senhorial, continuando a distribuição abusiva de benesses pela aristocracia dominante. Teremos de esperar pelo rei seguinte (João II) par assistir à centralização régia.
Os descobrimentos marítimos continuam entregues ao Infante D. Henrique, até à sua morte (1460), tendo, então, sido descobertos os arquipélagos de Cabo Verde e de S. Tomé e Príncipe. Depois da morte do Infante a exploração da costa africana foi entregue, com alguma displicência, a Fernão Gomes, um rico burguês, por um período de cinco anos.
O rei, entretanto, preferia investir contra os "infiéis" do Norte de África. Conquista Arzila, Alcácer Ceguer e Tânger, mantendo um espírito cruzadístico passadista e pouco consentâneo com os interesses da classe mercantil que começava a deter um importante peso económico e político.
Pelo caminho, o rei embrulhou-se em pretensões ao reino de Castela, disputando o trono a Isabel, a Católica. Sai derrotado política e militarmente na batalha de Toro e é forçadoa assinar o Tratado de Alcáçovas.
Perante esta deriva governativa e um evidente desnorte quanto à estratégia expansionista é o filho, futuro D. João II, que cada vez mais vai assumindo os destinos do reino ainda em vida do pai.
Afonso V era "grande, e robusto do corpo, de presença verdadeiramente real... mui pouco comedor; amigo das letras e homens doutos, e nas materias de guerra mui animoso, e de justiça algum tanto remissivo, e nas mercês mais liberal do que permittia a estreiteza do reino".
jp

14.1.08

ILUSÃO

Uma pequena simpática mete-nos num cubículo asseado. Ao fundo uma cama tentadora. É uma cama especial. Manivelas e roldanas sugerem posições exóticas. Dizem-nos para despir e deitar. Obedecemos esparançosos. De repente um rapagão com mãos de alicate irrompe. Afinal não era preciso tirar as calças. Apenas uma tendinite no ombro!
jp

INCÓGNITA

Um nome sugestivo. Uma morada incompleta... Que quererá esta pequena? Para quê esta publicidade sem nexo? Será falta de coragem em se assumir? Esquecimento momentâneo da toponímia do endereço? Carência de telemóvel? Ou será apenas o ano e a turma do liceu?
Foi com estas dúvidas perturbantes que deixei a casa de banho de um conhecido espaço nocturno lisboeta, onde o grafiti pontifica.
jp

11.1.08

EFEMÉRIDE - ULTIMATUM

A 11 de Janeiro de 1890 a Grã-Bretanha contribuíu decisivamente para a instauração do regime republicano em Portugal.
O "ultimatum inglês", apresentado nessa data, foi a reacção ao "mapa cor-de-rosa" que consubstanciava as pretenções de Portugal aos territórios entre Angola e Moçambique, tentando a ligação costa a costa e colidindo frontalmente com os interesses ingleses que previam a ligação Cairo - Cidade do Cabo por caminho de ferro.
As expedições de Hermenegildo Capelo ou Serpa Pinto, lançadas pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrade Corvo, procuraram responder à nova ordem internacional que veio a ser consagrada na Conferência de Berlim (1885). Portugal foi o grande derrotado nessa Conferência. Deixou de ser aceite o "direito histórico" para garantir a posse de um território, passando a ser necessária a sua efectiva ocupação.
O "mapa cor-de-rosa" foi aceite pela França e Alemanha, mas não pela Grã-Bretanha. As relações esfriaram. Portugal tenta o apoio de Bismark e, simultaneamente, expropria a companhia inglesa de caminhos de ferro de Lourenço Marques. Mais, não aceita uma arbitragem internacional proposta pela Grã-Bretanha, com o apoio dos USA!!! O "ultimatum" surge com naturalidade. E, também com naturalidade, Portugal mete o rabo entre as pernas e retira daqueles territórios cantando heroicamente "contra os bretões marchar, marchar".
Esta patética atitude foi o último assomo de "bravura" portuguesa na cena internacional. A propaganda republicana intensifica-se. João Franco tenta a ditadura. O Parlamento é dissolvido. E em 1/2/1908 o rei D. Carlos é assassinado. Em 1910 vem a República!
jp

UMA TIGRESA DE OLHOS DE ÁGUA

Ela veio de mansinho. Entrou na nossa intimidade. Instalou-se na nossa vida. Veio da rua. Determinada. Adoptou-nos. É uma sobrevivente.
O que faz querer a vida?
jp

10.1.08

TV RURAL - O DISCO

Este vai ser um dos melhores álbuns de 2008. O lançamento oficial será em Fevereiro (data a anunciar). As encomendas podem já ser feitas para www.myspace.com/tvrural (8€ + portes de correio).
São onze músicas do melhor, gravadas pelos rapazes da Linha parcialmente nos "Estúdios 65", aqui em casa.
jp

VESTIDO PARA MATAR

Temperamental. Imprevisível. Desafiador. Não anda. Salta. Transforma a casa num trapézio voador. Luta pelo espaço. Não tolera intromissões. E, no entanto, no fim da noite é ele que procura colo.
Qual o poder da ternura?
jp

9.1.08

OLHOS AMARELOS

  • Olhos amarelos. Olhos de mel. Textura de seda. Vem tímido. Sem pedir. Insinua-se silencioso.
  • Quem resiste a estes olhos?
  • jp

8.1.08

BIGODE FATAL

Bigode expressivo. Dramático. Bigode provocador. Insinua-se no rosto de forma obsessiva. Carga de virilidade excessiva que pode levar à perdição. Que quer este bigode?
jp

7.1.08

EFEMÉRIDE - AFONSO IV

A 7 de Janeiro de 1325 sobe ao trono Afonso IV, o Bravo, filho de D. Dinis e da rainha santinha.
O rei era "de grande coração, e resoluto nas materias que emprendia. Teve a testa grande, e muito quebrada, o rosto largo, o nariz grande, e algum tanto levantado no meio, a bocca grande... o cabello teve castanho... foi de corpo refeito, e bem fornido". Isto segundo os biógrafos... E, já agora, não fumava, acrescento eu.
jp

CONTRA NATURA

Jogos de sorte e azar. Fortunas que se perdem. Vidas que se desfazem. Famílias que se separam. Ansiedade permanente. Ataques cardíacos. Streaptease. Wonder Bar... Os casinos são catedrais do vício. Aprovados por lei. Ex-libris da Linha. Atraem turismo. Reforçam o PIB.
Não tem pés nem cabeça proibir o tabaco num antro de vício. É como pôr extintores no Inferno!
Seria, aliás, muito útil manter aquele espaço para fumadores, permitindo-lhes diversificar os vícios e, assim, dar um maior contributo para a riqueza nacional.
jp

INVERNO NA LINHA


5.1.08

ESCADAS

Não resisto a mais uma charada (a foto já está "encoberta", ah, ah...).
Estas clássicas escadas são das mais frequentadas em Lisboa. Onde ficam estas escadas? Quem acertar ganha um magnífico link para cima, o chamado "uplink".

GENERALISTA DE SINAL ABERTO

À primeira vista pode parecer pornográfico: generalista de sinal aberto!!!... Nada disso.
Um generalista é aquele que sabe cada vez menos de cada vez mais. Portanto apenas podemos esperar um conjunto de banalidades. Coisas bacocas. Sem relevância.
Sinal aberto é porque não está fechado. Logo, é para toda a gente. Para a maralha.
Consequentemente, "generalista de sinal aberto" não passa de um eufemismo. Não ficava bem dizer: "Governo abre concurso bacoco para a maralha"!
jp

607 - DAKAR

Uma desilusão para os consumidores de dióxido de carbono puro.
Pilotos contristados. Revoltados. Alguns duvidosos quanto às verdadeiras razões da anulação.
Nas máquinas via-se o semblante carregado de quem não sabe fazer mais nada.
A areia do deserto confessava-se desapontada. Mais um ano sem ser devassada pelas ocidentais rodas motrizes.
Os próprios camelos e alguns tuaregues inconsoláveis pela falta de animação expectável.
E tudo isto porque um bando terrorista resolveu ser "verde"...!
jp

4.1.08

JANELAS LISÉRGICAS 2

No mesmo sítio, no mesmo lugar. Mantém-se a adivinha. Mantém-se a oferta.

3.1.08

CHÃO PSICADÉLICO



Onde fica este chão? Quem adivinhar tem direito a uma assinatura Expresso da Linha grátis por um ano.

2.1.08

WEST COAST

O Allgarve fica na Europe West Coast. Vira-se à esquerda de quem vem da Atlântida. Depois é sempre em frente até encontrar Avalon. Corta-se para baixo em direcção ao Reino do Prestes João. Na segunda à esquerda vira para Shangrilla. "Controla" a rotunda. Sai em direcção à Terra do Nunca e já está. Claro que se tiveres GPS basta marcar José Mourinho.
Quanto à Drª Carmo Fonseca, ficámos todos a saber que existe, em especial o fotógrafo Nick Night.
jp

1.1.08

2008 - PROGNÓSTICOS

- Vai ser um ano bissexto
- Fevereiro vai ter 29 dias
- O Entrudo é a 5 de Fevereiro
- A Primavera começa às 5,48h de 20 de Março
- O pão vai subir 30%
- O BCP vai ter nova administração
- O Benfica não vai ganhar o campeonato
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jp