30.7.08

TERTÚLIA VIRTUAL - ÁGUA

DIA 15 DE AGOSTO NOVA TERTÚLIA VIRTUAL.
TEMA: ÁGUA

A vida começou na água. Nós somos quase todos água. Estamos rodeados de água por todos os lados. Rios, mares, cataratas, chuva, neve, graniso, gelo, nuvens... Tudo é água. Quase todo o vinho é água. Até as lágrimas são água. E, depois, há ainda a Água de Penacova...!
O sistema de participação na Tertúlia foi ligeiramente alterado para maior facilidade de registo e de consulta dos blogues participantes. No "side bar" está tudo explicado. No blogue "Tertúlia Virtual" há banners que podem usar para publicitar a coisa. Na primeira vez fomos 42. Quantos seremos agora? Participem e divirtam-se!

29.7.08

O BRASIL E OS REIS CATÓLICOS

A 29 de Julho de 1501 D. Manuel I escreve aos Reis Católicos de Castela a comunicar-lhes a descoberta do Brasil. Tinha decorrido mais de um ano sobre o "achamento". Porquê a demora, tanto mais que, quando do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, a comunicação formal demorara apenas dois dias?!
Em Outubro de 1497, D. Manuel casou com a princesa Isabel, filha mais velha dos Reis Católicos. Ao mesmo tempo falecia D. João, único descendente varão daqueles monarcas, deixando grávida a mulher que, pouco depois, deu à luz um nado-morto. A sucessão de Castela e Aragão passou a recair sobre os reis de Portugal. Partiram para Castela onde, a 28 de Abril de 1498, em Toledo foram jurados herdeiros do trono de Castela. A 24 de Agosto, porém, e antes de serem jurados reis de Aragão, D. Isabel, mulher de D. Manuel, morre ao dar à luz o príncipe D. Miguel de Portugal (ou de La Paz), doravante sucessor das três coroas ibéricas (por acaso também morre com dois anos!). Após a morte da mulher, D. Manuel perde automaticamente a qualidade de presuntivo herdeiro aos tronos de Castela e de Aragão, pelo que regressa rapidamente a Lisboa. É à luz desta intrincada teia de interesses dinásticos que deve ser interpretada a estratégia política subsequente, nomeadamente a que se refere à expansão ultramarina.
A 9 de Março de 1500 zarpou de Belém a segunda armada para a Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral (PAC). Depois de um misterioso desvio de rota para norte, quando os ventos o impeliam para sueste, a frota avista terra a 22 de Abril. A 25 de Abril, depois de contactos com os nativos (tupiniquins), os navios penetram na baía hoje chamada de Cabália. A 1 de Maio reza-se a primeira missa no ilhéu da Coroa Vermelha. Depois é içada uma enorme cruz, com as armas e a divisa o rei, na foz do rio Mutari. A 2 de Maio PAC retoma o caminho para a Índia, via Cabo da Boa Esperança. Nesse mesmo dia, Gaspar Lemos parte para Lisboa, com notícias do descobrimento das terras de Vera Cruz. A naveta Anunciada, de Gaspar Lemos terá chegado a Portugal entre Junho e Julho de 1500. Este foi o descobrimento oficial. Já antes (1498) Duarte Pacheco Pereira, 0 Aquiles Lusitano, tinha secretamente alcançado o Brasil (ver Esmeraldo de Situ Orbis). Porquê todo este mistério?
Os descobridores de Vera Cruz, provam-no os documentos, não tinham a mínima dúvida de que as terras estavam na área de influência portuguesa, conforme o Tratado de Tordesilhas.
Sucede, porém, que D. Manuel estava então viúvo. A estratégia de dominar os três reinos ibéricos saiu-lhe furada e estava a virar-se contra si. De facto, o seu filho e presuntivo herdeiro, Miguel de la Paz, ficara sob custódia dos avós, os Reis Católicos, o que lhes dava um assinalável meio de pressão sobre Lisboa.
Por isso toda a estratégia de descoberta e da comunicação foi mantida secreta. Não houve achamento, no sentido de ter sido por acaso, mas antes uma clara intenção imperial de garantir uma escala destinada a apoiar a operacionalidade da rota do Cabo (essa era a finalidade inicial do Brasil, até à alteração de estratégia ao tempo de D. João III). A comunicação só foi feita após a morte do príncipe D. Miguel de la Paz, evitando maior conflitualidade com Castela.
jp

28.7.08

CAVADORES DO MUNDO - LUCEFECIT

Passados oito dias de trabalho intenso em que oito intrépidos exploradores desafiaram as forças mais obscuras e insondáveis do planeta, agora que se fez luz, confesso que foi com receio e mesmo pânico que encarei a missão. Hoje constato, com alegria, que onde outros falharam, nós triunfámos. Americanos e russos tinham já enfiado as suas brocas terra adentro, tentando desvendar o âmago do planeta. Nada! Nem com as mais sofisticadas tecnologias. Apenas uns pequenos arranhões na crosta… Nada! Faltou-lhes o arrojo que a tecnologia não dá. O golpe de asa que o dinheiro não proporciona. Faltou-lhes o desenrascanço de um bando de luso-brasileiros. Furámos a Terra de lado a lado, apenas com as nossas pás!
As dificuldades foram diabólicas. Sei que muitos dos cavadores, agora que estão a são e salvo, vão contar uma história romanceada, mesmo poética, da saga por que passaram. A verdade, porém, é bem diversa. Eis os factos na sua crua rudeza!
Daqui ao centro da Terra são 6370 km. Dez km percorridos, a temperatura já está a 180º. A crosta terrestre, na rota escolhida, tinha aproximadamente 40km… mas duros como um corno. Primeiro rochas sedimentares. Depois veio o granito. A 7 km começou o basalto. Tudo muito escuro, sempre a subir para baixo ou a descer para cima, ninguém sabia.
A 650 km de profundidade chegámos, então, àquela zona de fronteira entre a crosta terrestre e o manto exterior, a chamada litosfera (do grego lithos – “pedra”). A crosta como que “flutua” em cima da camada de rocha mole chamada astenosfera (do grego “sem força”). Deixando a astenosfera em direcção ao centro da Terra, entramos no manto puro, responsável por 82% do volume total da Terra e de 65% da sua massa. São 2650 km de absoluto desconhecido. Temperatura, um horror. Tudo é fluído. Magma permanente.
Por todo o lado explosões de magma que passam como balas tracejantes a velocidade supersónica. São as “bombas de kimberlitos”. Trazem consigo toda a espécie de lixo subterrâneo: rochas de peridotite, cristais de olivina e, ocasionalmente… diamantes! Há muito carbono arrastado nestas explosões. Grande parte vaporiza-se ou transforma-se em grafite. Só raras vezes o lançamento sai a tal velocidade e esfria com a necessária rapidez para virar diamante. São os veios de kimberlitos!
Por baixo do manto, os dois núcleos. O núcleo interior, sólido e o núcleo exterior, líquido, responsável pela origem do magnetismo. Aqui a pressão é enorme. Três milhões de vezes superior à da superfície. Temperatura: 4000º a 7000º, quase a mesma que a da superfície do Sol. Não há gravidade. O núcleo externo gira de forma a transformar-se numa espécie de motor eléctrico, criando o campo magnético da Terra. Tudo está ligado ao facto de ser líquido. Os corpos celestes sem núcleo líquido, como a Lua ou Marte, não têm magnetismo. O magnetismo varia ao longo dos tempos, por razões que se desconhecem. É ele que nos proteje dos raios cósmicos perigosos que, na ausência de protecção, reduziriam o nosso ADN a farrapos. O campo magnético afasta esses raios da Terra, direccionando-os para as chamadas cinturas de Van Allen e também interage com partículas da atmosfera superior, dando origem às alucinantes cortinas de luz, conhecidas por auroras.
Aposto que se soubessem isto tudo, tinham pensado duas vezes antes de partirem...!
jp

CIDADES PERDIDAS DO INTERIOR





FILHOS DO POVO DO SUL XIII

Já antes, em Março de 1972, tínhamos conquistado Lisboa num memorável concerto no anfitreato do Colégio Alemão. O público era uma verdadeira multidão de mais de cem adolescentes. Entre eles um rapazito traquinas que tentou invadir o palco para apitar flauta de bisel. Foi corrido a pontapé… Hoje é uma marca registada e chama-se “Herman José”!
Já não sei quem foi o louco que nos contratou… Deve ter-se arrependido e bem! O exemplo para os adolescentes germanófilos não terá sido o melhor: cabelos pelo meio das costas; barba de quinze dias; traje “hippy” bandalho; cheiro a erva que tresandava; fogareiros de sardinhas transformados em improvisados queimadores de incenso, que quase pegaram fogo ao pano de cena e abriram um buraco no chão do palco… Péssimo exemplo!
Ainda hoje há uma gravação fragmentada e quase inaudível desse histórico concerto.
Os temas principais chamavam-se “Morte de um Elefante num Templo Gótico” e “Sodoma e Gomorra”… Tudo muito judaico-cristão. Qualquer das peças demorava, no mínimo, trinta minutos “non-stop”, sempre e só instrumental. A duração exacta dependia de duas variáveis: a dimensão dos improvisos e a desbunda entre partes, ou seja, a desconstrução intercalar em que nos viríamos a tornar peritos, a ponto de haver músicas só de interlúdios. É daquelas coisas em que ninguém arrisca: estão eles perdidos? É de propósito? Estão a alucinar? Ou somos nós que não percebemos nada disto?
Aliás, numa entrevista ao Diário de Lisboa, em 8/2/72, conduzida pelo meu pessoal amigo José Jorge Letria, tudo isto era peremptoriamente esclarecido: “… é preciso criar um espaço onde todos possam penetrar…”. Dizíamos nós com toda a razão. E dizíamos mesmo mais: ”… somos cada vez mais pelo sistema de concertos, já que aí a nossa música pode ser apresentada com unidade e uma certa coesão… O tipo de música que fazemos depende muito da capacidade que cada um tem de se definir, de se libertar e de formular… Tocar, para nós é um verdadeiro ritual. O problema é que temos de integrar as pessoas dentro desse ritual…” (pois, era mesmo um problema!). E continuávamos: “… Somos em relação ao som uma espécie de sacerdotes que transmitem a música num determinado clima psicológico que, consoante as pessoas e o lugar, pode ser mais ou menos favorável… Para nós o importante é viver para isto mais do que viver disto… A música, para nós, é uma necessidade quase mística, que se realiza plenamente quando tocamos… A nossa música dá às pessoas a possibilidade de se libertarem dum quotidiano sempre igual, sem se alienarem dos problemas essenciais”. Finalmente, a entrevista rematava: “… Queremos fugir ao esquema do showbusiness, actuando em pequenos teatros… O disco virá quando for oportuno”. Nunca veio e ainda bem. Assim ficámos míticos.
Continuação da publicação por episódios, on-line, do meu livro "Filhos do Povo do Sul - História de uma Banda Rock dos Anos 70".
jp

27.7.08

CAVADORES DO MUNDO # 7

Anteriormente no buraco: Flor Amanhã no buraco: Só Poesias e Outros Itens

LUCEFECIT...

O PASSAPORTE

Obtido o necessário passaporte emitido pela Ju, lá vou à aventura da escavação...

26.7.08

PROCURADO E MAL PAGO

As sugestões que deram não me convenceram. Resolvi ir ver "Procurado". Não sei porquê, mas também não interessa nada. Um sério candidato a qualquer coisa!
O garoto era filho do pai que talvez fosse um, talvez fosse o outro, sendo ambos membros da milenar Irmandade dos Tecelões que protegia não interessa que interesses. O filme não explica e, de facto, é absolutamente irrelevante. O Morgan Freeeman é que sabia, mas também não dizia, o que, mais uma vez, não interessa para nada.
O garoto anda a ser perseguido. Não se sabe porquê, nem interessa. A Angelina Jolie entra de supetão em pleno supermercado, salva o puto que está prestes a levar um tiro do pai que é pai, mas nós julgamos que não é. Ambos se perdem em correrias loucas com balas tracejantes em todas as direcções, carregadas de efeito e intenção. Muito material destruído mais tarde, o rapaz acaba recrutado para a poderosa organização dos Tecelões. Semanas de treino intenso, à base de murros na tromba, corridas no tejadilho de comboios de alta velocidade e queda livre do alto de arranha-céus, ele aprende, finalmente, a disparar com efeito. Este é o grande truque dos verdadeiros tecelões e o "leitmotiv" de todo o filme: as balas com efeito contornam obstáculos antes de se alojar, inapelavelmente, na vítima que se julga protegida. Só disponível a predestinados. Era o caso do puto, que saía ao pai que, como já vimos, não sabemos quem era, nem ele!
As vítimas são nomes codificados que saem em ponto de cruz na malha do Grande-Tear que só o Freeman controla. Nesta altura, embora isso não interesse para nada, começamos a desconfiar deste velhote, o qual, por seu turno também começa a desconfiar que está ali só para a reforma.
O puto vai matando só para treinar o efeito de trivela e torna-se um especialista. As balas emergem de todas as direcções, inesperadamente despenhadas nas pipocas em balde no efeito sonoro dos alarves que me ladeiam.
No fim o rapaz, já completamente baralhado, mata o pai julgando não ser o filho, enquanto o que não era pai mata o filho que julgava ser pai. Enfim, não interessa nada! Finalmente o "mau" era mesmo o Freeman, que inventava os nomes do tear e matava quem queria, não se sabe porquê, mas também não interessa. A Organização estava viciada (o que quer que isso fosse). Com as pistolas todas apontadas uns aos outros, numa sequência de "grande-finalle", a Angelina tem um assomo de inteligência intuitiva e dispara carregada de efeito de tal forma que a bala, sempre em trajectória circular, mata o Freeman e mais 7 capangas por atravessamento occipital, alojando-se, finalmente, no cérebro de si própria, deixando o puto entregue à orfandade total, agora que lhe estava a tomar o gosto... Vai uma coca-cola?
jp

25.7.08

FILMES DE VERÃO

Neste começo da "silly season", a oferta cinematográfica da omnipresente Lusomundo que detém dezenas de salas na zona sul do país (Lisboa, Oeiras, Casais, Algés, Almada, Montijo, Odivelas, Torres Vedras, Évora e Vila Moura), é absolutamente sedutora:
- O Cavaleiro das Trevas
- As Crónicas de Nárnia: O Príncipe Caspian
- O Panda do Kung Fu
- Macacos no Espaço
- Tropa de Elite
- Hancock
- Alucinação
- Grande Moca, Meu. A fuga.
Com tal profusão de oferta e de qualidade a tentação é grande, mas a indecisão também. Quero ir ao cinema logo à noite. Que me recomendam?
jp

24.7.08

CLAUSTROFOBIA MUSICAL

Hermeticamente fechado na claustrofobia suada dos auscultadores. Isolado do mundo. A vida resume-se a uma ligação eléctrica com uma voz distante que manda repetir à exaustão notas sacrificadas que serão, depois, manipuladas, nas "waveforms" do computador. O tempo não existe e a perfeição está cada vez mais longe. "Take five" para um chi-chi e segue... A sensação de abstracção aumenta. Gravamos sozinhos para dentro de um microfone. Outros já gravaram. Outros gravarão. Tudo às partes. Tudo sem emoção. Tudo só perfeição. Como é bom tocar ao vivo!

VIBES ON WAVES



Quem disse que o som não se pode fotografar? Eis a representação gráfica das "waveforms" do meu vibrafone na sessão de gravação de hoje.

22.7.08

2020 - ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

O autocarro coreano de sightseeing deslizava suavemente no ar climatizado de fabrico chinês pela Avenida dos Descobrimentos abaixo. Ao fundo a Torre de Belém no seu calcário rendilhado, contrastando com o Tejo azul em cenário quinhentista. O Padrão, com os seus navegadores monolíticos, lembrando velhas glórias do Império. À volta hotéis de 6 e 7 estrelas, olhando o rio a preços asiáticos, vedados por cercas electrificadas e seguranças nipónicos de face samurai.
Dentro do autocarro, um grupo de indianos risonhos comenta que dali tinha saído o Vasco da Gama, o tal que os tinha invadido. E riam alarvemente. No piso de baixo, um grupo de chineses barulhentos tira fotografias a tudo o que mexe. Lá atrás, duas famílias de angolanos disfarçam as origens falando em bantu. Meia dúzia de brasileiros põe a hipótese de explorar comercialmente o decadente Mosteiro dos Jerónimos.
Lá fora, no calor do meio-dia, pobres turistas alemães e suecos confraternizam à volta das mesas de pic-nic, compartilhando as sandes de fiambre que sobraram da véspera. Portugueses esfarrapados, pedem pelos cantos tocando acordeâo e lançando fados vadios com tradução em mandarim. Um bando de espanhóis dança o fandango a pedido. No átrio central da Praça do Império o Presidente da Repúbica faz uma "presidência aberta", para turista ver.
A camioneta chega, finalmente, ao Rossio. A guia diz nas três línguas oficiais, mandarim, brasileiro e inglês do Ragistão: "Chegámos ao fim da nossa viagem. Toda a zona a norte e leste não é segura. É habitada por portugueses e outros marginais que aqui se estabeleceram no tempo da União Europeia. Por favor não se percam do vosso guia".
jp

20.7.08

FILHOS DO POVO DO SUL - XII

S.F.A.L. - Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, ali para os lados do Barreiro. Espectáculo contratado. Setembro 1972. Bilhetes à venda nos “Penicheiros”. Primeira parte, “música portuguesa” sabe-se lá porquê e por quem. Segunda parte, ”música moderna, com a actuação do conjunto “Ephedra”.
Tive pena de não ver a primeira parte. Chegámos duas horas atrasados, numa carrinha “pão de forma” alugada no Monte Estoril, por baixo das arcadas. Perdemo-nos em todos os desvios possíveis e impossíveis da margem sul, coisa que, aliás, ainda hoje me acontece. Eu guiava. Os outros iam à molhada, entremeados com amplificadores “Marshall”; a câmara de vozes “Fender”, último modelo, com “reverbe” de molas incluído e duas brutas colunas de som… tudo a válvulas, está claro! Entre os pés, ferragens da bateria “Sonor”, pratos “Avedis-Zildjan”, tripés de microfones “Shure”, caixas com violas, multi-percussões e cabos, imensos cabos… sempre cabos! O piano do Paulo já tinha chegado. Entrega especial. Piano clássico vertical. Duzentos e cinquenta quilos de ferro cada vez mais desafinados, que nos acompanhavam para todo o lado.
Sala apinhada. Público impaciente pela dita “música moderna”. Comprensíveis apupos, enquanto passávamos com as tralhas às costas. Foi montar e tocar, sem check-sound, sem sound-check, sem nada… O verdadeiro artista é o que se atrasa!
Palco em cortinado azul-celeste. Baixo, bateria, piano, viola, violino, flauta e percussões diversas. Foi a nossa primeira grande vitória na outra margem. Público rendido. Aplausos de pé. Encores… Até nos ajudaram a recolher o material para dentro da carrinha!
Ainda hoje sei que posso passar por aquelas terras e invocar a qualidade de “ex-Ephedra” para ter imediato acesso a dois charros bem aviados e a habitual caldeirada de chocos, fornecidos pelos cotas de 50 anos sobreviventes.
A margem sul seria nossa nos próximos dois anos: Alhos Vedros, Montijo, Seixal, Barreiro, Moita…
jp

FILHOS DO POVO DO SUL ENQUANTO JOVENS






Fotos de José Maria Tavares Rosa.

DIREITOS DE AUTOR


Imagem gentilmente cedida por RoseRouge.

ESCAVADORES DO MUNDO

A partir de amanhã, 21 de julho, oito blogues vão cavar um túnel de um lado ao outro do planeta. Cada participante cavará cerca de 1000 km por hora durante 24 horas. O túnel começa no Fernando Zanforlin, que lançou a ideia, e acaba na Jugioli, oito dias depois. Esta iniciativa conta com os seguintes blogues e pela ordem indicada:
- O Contrário é a Mesma Coisa - Fernando Zanforlin
- Porão Abaixo - Claudio Boczon
- Armazém do Peri S. C. - Peri S. C.
- Ao Cubo - Guga Alayon
- Varal de Ideias - Eduardo P. L.
- Flor - Dna Deise
- Expresso da Linha - Jorge Pinheiro
Começa amanhã no "Contrário é a Mesma Coisa". Lá vocês vão entender o resto...

19.7.08

RIA FORMOSA - SAUDADES








Dedicado à "tribo" de amigos que hoje parte para Stª Luzia e Cacela. Saudades da Ria Formosa! No blogue CONTA UM CONTO está um conto meu passado neste mítico local. Quem ainda não leu tem nova oportunidade.

jp

EUREKA - VARAL DE IDEIAS

Para quem participou do ultimo TERTÚLIA VIRTUAL, e principalmente para o Jorge Pinheiro, parceiro desta blogagem que acontece todo dia 15 do mês, sabe o que é organizar e manter atualizada a lista de nomes e links dos blogs participantes. Pois bem, esta RESOLVIDO o problema. Dia 15 próximo, aqui no Varal ou no blog EXPRESSO DA LINHA , no pé da postagem vocês encontrarão esse ícone do MISTERLINKY. Basta clicar nele, abre uma janela e os participantes da TERTÚLIA VIRTUAL colocam seu nome e link dos seus blogs. Pronto. A lista esta pronta para todos consultarem a qualquer tempo.
Grande achado, que contamos com a inestimável colaboração da Sónia A. Mascaro, a quem agradecemos muito.
Quem quiser testar é só clicar e preencher as janelas. aqui é só teste.
Brevemente informaremos o TEMA para dia 15 de AGOSTO. Aguardem, divulguem e participem!
Postado por Eduardo P.L.

E eu agradeço à Sónia, ao Eduardo e ao Peri, toda esta busca. Parece que temos o problema resolvido. Só que, como sou nabo, não consigo importar o ícone. Não quis, porém, deixar de vos dar a boa nova. Ide, pois, ao VARAL e clicai! O tema é que está mais difícil, mas há-de sair... Actualização de Sábado: estamos a tentar outras hipóteses que talvez não seja esta. O que importa é que vai haver um sistem a de postagem colectiva para vionamento conjunto. Qual, logo diremos.

18.7.08

LISBOA É QUE ESTÁ A DAR

Segundo o prestigiado New York Times (edição de 14 de Julho), Lisboa está entre os 53 lugares a visitar no mundo em 2008. Não sabem os critérios de selecção, nem a ordem dos destinos escolhidos, mas a visibilidade no mercado americano aumenta substantivamente. Aliás, já não é a primeira vez (nem a segunda) que o jornal dá destaque à capital lusa, o que nos leva a acreditar existir uma salutar convivência com o Gabinete de Imprensa do Ministério da Economia e Turismo
Num momento em que o euro está caríssimo para os americanos, o artigo recomenda Lisboa por ser uma das mais económicas da Europa - fala mesmo em "pechincha - e também por estar a emergir como "uma força cultural". Exemplos: Museu Berardo; a anunciada abertura do Museu do Design e da Moda, lá para o fim de 2008; o espaço pluridisciplinar da antiga fábrica de armamento de Braço e Prata; a profusão de espectáculos de Verão que vão de Bob Dylan, Leonard Cohen a Caetano Veloso e Rage Against the Machine, passando por muito Jazz; bares com música ao vivo por todo o lado; as docas com aproveitamento de esplanadas, restaurantes e "after-hours"; os bairros típicos e personalizados; uma movida permanente com uma segurança e convivialidade invejáveis; os hotéis de charme, por todo o lado; a habitual simpatia do pessoal; terminando por dizer que o difícil é comer mal!
O New York Times não fala da crise. Do tiroteio nos bairros de Loures, entre ciganos e pretos. Muito menos do preço absurdo da gasolina. Do crédito mal parado. Do brutal endividamento das famílias portuguesas. Da decadência do sistema de saúde. Do ensino miserável a que condenam os nossos jovens. Das reformas de miséria a que obrigam os nosso velhos... Enfim, é bom ler jornais estrangeiros!
jp

BRASIL - ESTOU FICANDO POPULAR!

No blogue "Quem Conta um Conto, Aumenta um Ponto" contaum.blogspot.com/ (ver nos meus links) está um publicado um conto meu: "O Guarda-Sol", da série "Contos da Ria". Para quem não leu, mais uma oportunidade. Aproveitem para mandar contos para um blogue muito especial e muito inspirador.
Outrossim, no recém criado blogue "Vítima da Quinta" vtmadaquinta.blogspot.com/ (também nos meus links), aparece uma excelente caricatura minha quando ainda velho, feita pelo Eduardo P.L. com grande mestria.
Mais, no blogue Baleia Franca baleiafranca.blogspot.com/ (tb. nos links), tenho honras de primeira página, juntamente co a Miss Bimbi. Estarei a ficar popular no Brasil?!

17.7.08

PONTE SOBRE O TEJO

O Tejo é um rio imenso que se alarga desde Espanha até à foz, em Oeiras. Frente a Lisboa é um mar que se estende à procura da outra margem. Porto permanente de naus e caravelas, Lisboa deve a sua importância a este rio. Porta de entrada para a Europa, saída para o Novo Mundo. Há um Portugal aberto e global que cedo se conheceu o mundo. E há um Portugal rural e arcaico que se manteve fechado. A fronteira é o Tejo. Mesmo agora que todo o país está aberto por vias de comunicação sofisticadas e rápidas, o contraste mantém-se. Lisboa não é só urbana. É global!

16.7.08

QUEM NÃO ESTÁ NA BLOGOESFERA EXISTE?

Em Lisboa estão 35 graus à sombra. Vem aí a vaga de calor. Um horror. Já tenho saudades do Inverno! Andei em projectos loucos o dia todo, na ressaca da Tertúlia de ontem. Foi um êxito. Tenho pena que algumas pessoas não tenham participado, mas superou todas as minhas melhores expectativas. Se tivesse apostado diria que iriam participar 25 no máximo. Ora, pelas minhas contas (e contando com os 3 que "pediram boleia": o João Menéres, a Rose Rouge e o Ricardo Conceição) foram 42 participantes! O Eduardo (que não sabia onde se ia meter quando me conheceu) diz que são 41... mas eu não sei fazer contas. Diz-se que o que não passa na TV não acontece. E quem não está na blogoesfera existe?
Acho que estamos a criar uma base de contactos impressionante, sustentada por um objectivo comum: o tema mensal. Aonde é que isto vai parar, não sei... mas, para já, é manter simples e sem regras. Tema e post!
Acabei, finalmente, de arrumar (espero que bem...) os links, depois de ter garantido uma preciosa ajuda da Maria Antunes (Design ao Litro) hoje à tarde. Agradeço que digam se não estiver bem. Optei por linkar no side bar, porque entendo que assim as pessoas podem com tempo visitar os blogues que participaram. Se o link estiver num post, rapidamente fica ultrapassado por novos posts.
O meu amigo Ortega sugere a criação de um blogue colectivo. A minha perspectiva é negativa. Dava muito menos trabalho (e foi muito), mas como resolver o problema da password de acesso? A liberdade de postar ficava limitada. Ou envia-se para o mail de um administrador e este posta? Eu não me candidato. Por outro lado a perspectiva de conhecer novos blogues fica prejudicada. Sendo certo que o URL aparece indicado, a verdade é que não se acede ao blogue directamente, podendo nós ficar pelo blogue colectivo. Gostava de saber a vossa opinião.
Finalmente, há participações notáveis. Não vou destacar nenhuma. Como é óbvio, cada um terá as suas preferências. O que é fantástico é o empenho e a participação de todos que não podem deixar de me comover. A RoseRouge, no seu comentário ao post TERTÚLIAS VIRTUAIS, fez uma síntese óptima e com a qual estou inteiramente de acordo. Apenas um ponto curioso. Quase 50% escolheram a sua própria pessoa (directa ou indirectamente) ou a sua casa (uma extensão de nós) como o melhor lugar do mundo... Alguém quer comentar?
jp

15.7.08

TERTULIANOS - LISTA COMPLETA

O MELHOR LUGAR DO MUNDO SOMOS NÓS. NO SIDE BAR A LISTA COMPLETA DOS PARTICIPANTES NA PRIMEIRA TERTÚLIA VIRTUAL. A IDEIA COMEÇOU NUM ENCONTRO ENTRE MIM E O EDUARDO, DO "VARAL DE IDEIAS", E ESTÁ-SE REPRODUZINDO EM PROGRESSÃO GEOMÉTRICA. NOVA SESSÃO 15 DE AGOSTO. TEMA SAI DEPOIS. AONDE É QUE ISTO VAI PARAR...!
SE ALGUÉM NÃO ESTIVER INCLUÍDO NA LISTA QUE SE ACUSE. OBRIGADO A TODOS PELA PARTICIPAÇÃO EMPENHADA. PARA ALÉM DA LISTA (SEM BLOGUE) PARTICIPARAM AINDA ROSEROUGE, JOÃO MENÉRES E RAMIRO CONCEIÇÃO.

O MELHOR LUGAR DO MUNDO - ROSEROUGE

Ai, que saudade tão terna
tenho dos bancos da escola!
Da minha rota sacola,
das calças de meia perna,
das botas quase sem sola...!

Da minha lousa partida,
dos lápis esmigalhados,
dos cadernos esborrachados,
da algazarra da saída
aos gritos, berros e brados;

das idas ao "quadro preto"
escrever a tabuada
que, de resto, era cantada
por todos, como em coreto,
para ser bem decorada;

das soletradas leituras,
dos desenhos só a metade
por falta de habilidade
p'ra executar as figuras,
Oh! minha grande saudade!

... Até mesmo a palmatória
e a cana do professor,
(já as conhecia de cor)
também essas a memória
quase as guarde com amor.

Da parede pendia fixo
o grande "Mapa do Império",
E com ar grave e sério
o retrato de um estadista
ao lado de um crucifixo.

Vinha o recreio!... ai o recreio
c'o a infalível contenda
em que as cabeças sem fenda
não ficavam...! De permeio
engolia-se a merenda.

As contas e os ditados?
- de pôr em pé os cabelos!
Erros?- nem vê-los!
Eram todos apontados
e obrigados a fazê-los

vinte vezes cada um
na hora da brincadeira
com o "prof" ali à beira
prontinho para o "pum"
se acaso saísse asneira.

Na História eram os reis,
- seus feitos e valentias...
papaguear as dinastias,
sucessões, actos e leis
- à cabeça as "Sesmarias".

Linhas férreas e estações
marteladas a preceito,
rios, serras, do mesmo jeito,
províncias e regiões...
Portugal todo a eito.

Coração estômago e rins,
suas funções e locais,
veias, artérias e mais
órgãos e outros afins
das Ciências Naturais...

Esse era o primário estudo
no tempo em que eu lá andei.
E em abono direi
que muito daquilo tudo
ainda hoje eu sei.

Portanto, afirmo em verdade
(e como tal dou a face):
Por muito que ela custasse,
nutro uma terna saudade
da minha quarta classe!


Poema de António de S. Tiago, pai de RoseRouge.

TERTÚLIAS VIRTUAIS

Quem participou é favor deixar aqui o seu link.

O MELHOR LUGAR DO MUNDO - ELA

No Inverno está frio. Lá fora chove. Ela aquece-me. Recebe-me no seu regaço. Vem a Primavera, ela desabrocha. Sorri de prazer e dá-me a alegria de viver. No Verão, cabelos selvagens. Beijo salgado de maresia. E a vida existe na pele acetinada que o Sol ilumina. No Outono é a mão suave que me acaricia. A ternura meiga da cumplicidade poente.
Gosto do campo. Adoro a praia. Tem dias que prefiro a montanha. De repente apetece-me uma ilha. A cidade pode ser uma paixão. Gosto de museus. Das igrejas góticas. Adoro jardins tropicais. Espaços monumentais. Umas vezes quero silêncio. Outras prefiro bulício. Gosto de todos os sítios, gosto de todos os lugares. Gosto sempre que ela está. Sem ela não há sítio. Ela é o meu lugar.

14.7.08

O MELHOR LUGAR DO MUNDO - JOÃO MENÉRES

Como amante da Natureza, não há nada que se compare a este trecho do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Estamos junto de um estradão. À direita, mas um pouco abaixo, corre o Rio Homem em sucessivos rápidos.
Diante de mim, uma mata fresquíssima. O terreno atapetado de fetos (que no Outono se pintam de um castanho dourado)
não nos deixa seguir sem que tudo fixemos com o olhar e na memória.
Mais adiante e à esquerda, os marcos miliários contam-nos a história de muitos idos exércitos de imperadores romanos.
Mais lá para juzante (só 3 ou 4 km), está a Albufeira de Vilarinho das Furnas – que submergiu a povoação do mesmo nome, e onde se refugiavam,
há mais de 40 anos, os moços que à tropa queriam escapar).
Outra beleza esta albufeira encravada entre a Serra Amarela e o Pé de Cabril...
Aqui e ali, um regato, brotado da sua nascente, refresca azevinhos, carregados de frutos de um encarnado vivo.
Tanta beleza junta, torna este local mágico, mais do que isso, O MELHOR LUGAR DO MUNDO.

João Menéres

FILHOS DO POVO DO SUL - XI

As namoradas dos músicos sofrem muito! Sempre em antecipação, no limite do stress. Algumas chegam mesmo a pendurar-se nos braços das violas, em atitude possessiva e olhar canino, tipo Yoko Ono, sempre a marcar terreno. As namoradas têm estatuto especial: podem estar à frente, bem dentro do som, olhando a tracejado a potencial concorrência que tenta invadir a zona reservada. À mais pequena distracção são ultrapassadas. Os músicos mal reparam perdidos na própria harmonia.
Os músicos, esses, discutem muito. Discutem conceitos; ritmos; afinações… Discutem personalidades; impõem superioridades; disfarçam inferioridades; expõem complexos; psicanalisam-se em grupo.
A música é um divã colectivo. Os músicos adoram-se e odeiam-se. Entendem-se e desentendem-se. Afastam-se e aproximam-se. Desprezam-se e admiram-se. Com a música aprendemos a ser nada ou poder ser tudo… Aprendemos a comunidade; a rivalidade; o sonho; a frustração; a afirmação e a negação.
Se nunca tivesse tocado. Se nunca tivesse enfrentado o público. Se nunca tivesse ajudado alguém a salvar uma harmonia. Se nunca me tivessem amparado ao tropeçar no compasso, quem seria hoje? Certamente um outro eu!
jp

13.7.08

CRÓNICAS DO ANTI-CICLONE

Termina aqui a viagem à Terceira, ilha encantada e misteriosa. Campos de um verde que grita, ladeados por hortências que explodem em lilás berrante. Matas virgens de criptomérias e fetos arbóreos, envoltas em permanente neblina. Facilmente nos podemos perder na Serra de Santa Bárbara, com os seus lugares sinistros que guardam as memórias de um terrível passado vulcânico. Por todo o lado o mar espreita num azul torrencial feito de turquesa celestial. Poseidon diverte-se entre golfinhos e cachalotes. Passamos por casas nobres de duplo beiral que nos olham com séculos de identidade. As chaminés são de mãos postas e por todo o lado o Espírito Santo reza pelos vulcões adormecidos. Um mundo diferente, muito diferente!
jp

IN THE WAKE OF POSEIDON




LAGOA DAS PATAS





GREEN IS THE COLOUR