31.12.08
UM ANO DEPOIS DE OUTRO
30.12.08
29.12.08
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE
EPISÓDIO IXArnaldo arrendara casa junto à praia, no bulício de pescadores e marinheiros, piratas e flibusteiros.
A pequenita Maria há muito o abandonara, saudosa da sua mercearia, ciumenta da poderosa “Organização”.
Arnaldo desesperava à volta de um prato de caracóis, nas tardes soalheiras repartidas com os irmãos Gama, filhos do velho Estêvão. Paulo, o primogénito, sempre adoentado e Vasco, robusto e violento como um touro.
O caminho para a Índia continuava por desvendar. D. João chorara a morte do filho; desgastara-se a negociar Tordesilhas; perdera o controlo na economia; enfrentara a nobreza à beira da guerra civil e, finalmente, adoecera sem retorno.
Em Junho daquele ano, Arnaldo é chamado às Caldas da Rainha onde D.ª Leonor estava em hidroterapia no hospital que fundara há poucos anos.
A rainha disse-lhe: “Arnaldo, não quero o bastardo D. Jorge no trono. Quero que o “Venturoso” seja meu irmão Manuel, duque de Beja. Mais, quero um herdeiro de todos os reinos ibéricos. Encarrego-te de tudo resolver”.
Finalmente um pouco de acção! Arnaldo forjou rapidamente um testamento que João II assina moribundo. D. Jorge é nomeado Mestre de Santiago e de Avis. D. Manuel, sucessor.
Arnaldo corre a Beja a dar a boa nova, com um “set” completo de fotos em corpo inteiro da “salerosa” Isabel, viúva do acidentado Afonso, pois mais madura e experiente, que muito entusiasmou o duque.
D. João morre no Alvor em 25 de Outubro de 1495, em casa de seus primos Ataíde, cuja filha Vasco da Gama há-de desposar.
“O rei morreu ao pôr-do-sol, estava a maré vazante. Não a maré do declínio, mas a que acompanha a partida das naus e leva a esperança do rei para além-mar”.
D. Manuel é aclamado rei em Alcácer do Sal. Dois anos depois casa com a provocante Isabel... A coisa estava-se a compor!
MICK JAGGER
MESTRE MACHADO
Filho de um conhecido pianista e de uma harpista de renome, José Machado é o violinista da minha banda, os “Ephedra”. Só isso bastaria para o tornar famoso e de digno de admiração. Sucede, porém, que ele é também o Director do “Grupo de Música Contemporânea de Lisboa”, fundado por Jorge Peixinho e é, ainda, professor de violino no Conservatório Nacional.Fomos encontrá-lo no seu atelier, envolto em raspadores, formões, serras de fita, limas, lixas, vernizes, colas e pincéis. Mestre Machado constrói os seus próprios violinos. Um artesão no seu mundo. Um mestre na sua arte.
Fazer um violino demora em média 200 horas, sem contar com a secagem dos vernizes. Um bom violino de um construtor italiano do princípio do séc. XX pode custar entre 40 a 60 mil euros. São os mais procurados, não só pela qualidade da construção, mas também porque já passaram 50 anos, o tempo mínimo para o violino atingir o nível requerido para atingir a maturidade sonora. As colas e vernizes secaram em absoluto. A madeira adquire patine. A acústica é optimizada. O instrumento ganha alma.
O tampo inferior do violino e o braço são de sicómoro (uma espécie de ácer). O tampo superior é de madeira de pícia. A madeira é escavada com formões até atingir a espessura ideal: 2,6 milímetros. Mais grosso fica mais resistente, mas reflecte-se negativamente no som. Mais fino torna o instrumento demasiado frágil, correndo o risco de rachar. As ilhargas são dobradas pacientemente com ferro quente até ganharem aquelas formas voluptuosas e sensuais que apetece afagar.
Depois vem a colagem das várias peças. Utilizam-se sempre colas naturais, podendo ser de origem vegetal ou animal. Resinas extraídas de árvores ou soluções obtidas através da fervura de ossos, pele e tendões de animais. O produto é, depois, dissolvido em álcool ou óleo de linho (semelhante ao usado na pintura a óleo). Finalmente vêm os vernizes. O primário é um verniz mole e incolor. Depois vem o verniz de acabamento, colorido e rijo, uma solução a partir do dammar ou mástique, gomas de origem vegetal.
Por último, o arco. As cerdas são de crina de cavalo. A vara é de madeira de Pernambuco do Brasil (uma variedade particularmente resistente de pau Brasil). O arco foi aperfeiçoado no final do séc. XVIII por François Tourte. A curvatura passou a ser concava, tipo mola, assim aguentando maior tensão e assim se diferenciando dos arcos de origem não europeia que são convexos.
O violino pertence à família dos instrumentos de cordas friccionadas. Dentro da família é o mais agudo, equiparando-se ao soprano na voz humana. A sua origem remonta à Índia Antiga. O Ravanastron e o Siringui, de duas cordas, seriam os seus antepassados. Passaram para o mundo árabe com três cordas. É o Rababe, antecedente directo da Rabeca Medieval, surgido no séc. X e igualmente com três cordas. O violino moderno, de quatro cordas, aparece no séc. XV/XVI e estabiliza com Stradivarius na forma actual.
É este o violino que Mestre Machado constrói diligentemente no seu atelier de Queijas. Como se vê, fazê-lo é fácil. O pior é tocá-lo!
jp
PAUL SIMON
Um génio está perante vós. Um poeta espantoso que também é compositor. Um compositor extraordinário que faz versos fabulosos. O quotidiano adquire, nas letras de Simon, a profundidade de uma vivência caleidoscópica. Ninguém como ele cantou a "american song". Este é o grande bardo do séc. XX. Um caso em que a rotura da parceria com Garfunkel em nada prejudicou a inspiração de Paul Simon, antes pelo contrário. Depois de largar Art para voos cinematográficos de baixa intensidade, Simon publica três discos que eu levaria para a tal "ilha deserta": "Still Crazy After All These Years"; "One Trick Pony" e " Hearts and Bones". Em 1986 e 1990, respectivamente, Simon envereda pela fusão étnica. "Graceland", um disco que nos deu o melhor da África do Sul e "Rythm of the Saints", como apoio do Olodum da Bahia de Todos os Santos, são um paradigma daquilo que parecia ser impossível. Música de características e ritmos fortíssimos e, no entanto, inconfundivelmente, música de Paul Simon. Posteriormente menos inspirado, Simon tem-se sabido resguardar e, contrariamente a outros artistas dos anos 60, mantém uma enorme reserva na sua vida privada e uma gestão cuidada das suas performances públicas. Um génio!
Fotografia: "Rolling Stone".
28.12.08
GEORGE HARRISON
27.12.08
PAUL McCARTNEY
Este rapazinho de ar angelical e voz maviosa fez a paixão de milhões de juvenis fêmeas, hoje gentis avós de jovens "punks" que o consideram um piroso. Se Lennon poderia ser hoje um chato, Paul não passa de homem ordinário que diz coisas banais, sentado em cima de milhões de libras que por mais casamentos desastrasos que faça, não têm processo de lhe escapar. Depois da extinção dos "Beatles", Paul continuou a compôr por conta própria, tocou e cantou a solo, com a mulher, Linda e com os "Wings", em várias formações. A marca "McCartney" encarregou-se de vender, vender muito. Mas o talento subitamente desaparecera. As músicas de Paul perderam a novidade, a espontaneidade. Curiosamente, também Lennon, depois de hipnotizado pela camareira Yoko Ono, para além de um ou dois êxitos dignos de registo, perdera a inspiração. Um caso de uma parceria que funcionou enquanto existiu. Juntos, eram um fenómeno. Separados, são vulgares!
Fotografia: "Rolling Stone"
26.12.08
JOHN LENNON
Nos próximos dias vou publicar fotografias da revista "Rolling Stone". Qualidade garantida. Gostaria de ter os vossos comentários sobre as figuras apresentadas. Comecemos com o inefável John Lennon. Como músico acho-o genial. Inovou decisivamente os conceitos rock. A música que fez, de parceria com Paul, traçou a linha de demarcação entre o velho rock and roll e a nova pop. O álbum "Revolver" é um marco essencial. A nova música passou a ser europeia. Mais intelectual e com maior fusão de tendências. De 60 a 67 os "Beatles" eram os líderes de um movimento de renovação que ultrapassou a música e se converteu num movimento social. Os "Beatles" sairam de cena exacta e precisamente no momento em que se estavam a esgotar. Um "timing" perfeito, embora acidental. Quanto a Lennon, em si mesmo, nunca me foi uma personagem simpática. Deliberadamente "non-sense" e de um diletantismo provocante, acabou por ser algo patético nas mensagens públicas, sempre que excedia a música. Tenho, porém, de lhe reconhecer muito talento e suficiente carisma. Infelizmente talvez lhe faltasse um pouco de humildade... Se fosse vivo seria um chato!
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE
EPISÓDIO VIIID. João, contra a vontade da mãe, deu-lhe de presente um cavalo artilhado no mais “fine tuning”.
Naquele dia de mau presságio, seis meses após a boda, o Infante e seus estouvados escudeiros, foram a correrias para os lados de Almeirim. A mãe, D.ª Leonor, ainda gritou da amurada: “Leva-me o capacete, Afonso”. O rapaz nada… Estava endiabrado. Depois de duas “sopas de pedra” e um garrafão regional de vinho roxo, Afonso apostou que chegava a Santarém sempre na contramão, atrapalhando o tráfego. Só parou de frente contra uma carroça de judeus em fuga de Castella. Os bombeiros demoraram três horas a desencarcerar o infante dentro do cavalo. Coluna partida… Vida acabada… Sonho imperial desfeito!
25.12.08
ONDE FICA O NATAL?
jp
23.12.08
COMUNICADO OFICIAL
Assinado, Nosso Senhor.
jp
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE
EPISÓDIO VIIPassaram muito abaixo do Cabo das Tormentas (45 graus de latitude sul, segundo o astrolábio de bordo). Não havia terra à vista. Só mar, só mar... e cada vez mais frio. Cristobal esfregava as mãos de contente e cantava para quem o queria ouvir: “És por ocidenté, és por ocidenté”...
Bartolomeu reuniu secretamente com o piloto e, a coberto da noite, viraram rumo a norte. A 3 de Fevereiro de 1488, avistaram terra já para além do Cabo das Agulhas. Estavam já em pleno Mar dos Bárbaros, também conhecido por Oceano Índico, mas só eles sabiam. Cristobal continuou sempre enganado, o que foi péssimo... Dez anos mais tarde, ao serviço dos Reis Católicos, acerta-me em cheio nas Antilhas, que ainda hoje se chamam Índias Ocidentais.
Regressaram rente ao cabo das Tormentas, fustigados por ventos demoníacos, ondas avassaladoras, numa noite escura sem sossego e
“O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
Voou três vezes a chiar,
E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme, tremendo:
“El-Rei D. João Segundo”
“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
“Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu e disse:
“El-Rei D. João Segundo!”
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes do leme as repreendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que a minha alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme.
De El-Rei D. João Segundo!”
Bartolomeu entra na barra do Tejo em Dezembro de 1488. O “Capitão do Fim” abrira as “portas do Índico”... O mundo não acabava num abismo!
Poesia: Fernando Pessoa
22.12.08
VACA ROMPE SILÊNCIO
“O burro é um recalcado e mete-se nos copos. Distorce a verdade se para vingar. Aquilo que não consegue por seus méritos, tenta através da mentira. É um animal rancoroso! Põe aquele ar pesaroso, mas é um verdadeiro perigo. O camelo é um exibicionista nato. Sonha com califas e haréns, oásis de mel e tâmaras. É um deslumbrado! Julga-se acima da média. Não passa de um iludido que vive de fantasia num deserto de ideias. Acredita em tudo o que lhe dizem e, pior, no que inventa.
Em verdade vos digo: o burro e o camelo nem sequer lá estavam. O burro tinha ido à reunião semanal dos Alcoólicos Anónimos e o camelo tinha sido detido pela Mossad por suspeita de colaboração com o Hamas. Eu e só eu é que estava presente, como, aliás, demonstra a fotografia junta. Numa coisa o burro tem razão. Era Agosto. Mas isso que interessa! O que interessa é que o Menino nasceu em casa, no meio de palhinhas. José era carpinteiro e a Senhora se não era virgem parecia.
O menino era um santo. Fazia montes de milagres e estava sempre pronto a satisfazer qualquer pedido. Bastava pedir. Foi isso que o tramou. Naquela manhã do dia 14 do mês de Primavera de Nissã o procurador da Judeia, Pôncio Pilatos, saiu para a colunata coberto entre as duas alas do palácio de Herodes, o Grande. O cheiro enjoativo a óleo de rosas, misturado com o odor do cabedal e o suor da escolta armada; ao fundo, um leve fumo acre vindo das cozinhas… tudo enjoava o procurador. O Sol queimava horrivelmente lá no alto, batendo com força nos mosaicos brilhantes. A dor era horrível. As fontes latejavam desde manhãzinha. O procurador estava de novo com uma terrível enxaqueca. O réu aguardava vestido com uma túnica azul-clara, rasgada e suja. As mãos estavam amarradas. Um ar vagamente ausente. Tinha fama de milagreiro. Pilatos pediu-lhe uma cura para as dores de cabeça. Essa, porém, não era a especialidade de Yeshua. Tentou, tentou, mas nada. Se fosse uma ou cura da lepra ou mesmo uma ressurreição, ainda dava. Agora enxaquecas...! Foi isto perdeu o Menino, bendito seja o seu nome. Se não fossem as enxaquecas do procurador não haveria Natal.”
A vaca calou-se abrupamente e seguiu a manada em direcção ao convento. Nunca ninguém mais a viu!
jp
ANTOLOGIA ROBERTO BARBOSA
ESTE ESTENDAL DO ROBERTO ESTÁ HOJE PUBLICADO NO "VARAL DE IDEIAS"21.12.08
CAMELO DESMENTE
“Senhor Director do Expresso da Linha. Serve a presente carta para protestar veementemente contra as ignóbeis afirmações proferidas pelo burro no pasquim dirigido por Vexa. Falo em nome dos três camelos que transportaram esses nobres Reis do oriente que tão cedo chegaram ao berço do Menino.
O burro não sabe o que diz. Aliás, é burro. A verdade sempre lhe escapou. Incapaz de destrinçar entre subtilezas filosóficas e um par de cenouras. O burro não passa de um excremento vivo. Fala por despeito e raiva. Despeito, porque não lhe deram
Assinado, o Camelo.
20.12.08
OLHAR A SEMANA - DEIXEM OS POBRES ROUBAR!
ENTREVISTA COM O BURRO
Fomos encontrar o burro amargurado a retouçar um par de cenouras, tristonho e revoltado com este esquecimento evangélico. A entrevista foi rápida e esclarecedora.
“Em verdade vos digo. Fui eu que transportei a Senhora e José à urgência do hospital de Belém. Ela estava muito grávida há uma série de meses. Aquilo acontecera de repente. Os vizinhos diziam que ela concebera sem pecado e olhavam de lado para José. O pobre carpinteiro andava com a cabeça cada vez mais pesada e, em desespero, pregava pregos à toa em qualquer madeira que lhe aparecia à frente. Naquele dia de Agosto fazia um calor de rachar. O Natal já fora há muitos meses, A Senhora berrava. José, histérico, corria de um lado para o outro e só conseguia balbuciar “valha-me a Virgem Maria, valha-me a Virgem Maria”. O hospital fervilhava de agitação. Parei em contra mão. José corria desaustinado: “ai minha Virgem Maria, ai minha Virgem Maria”. À falta de melhor registaram a Senhora como Virgem Maria. O miúdo nasceu nas calmas. Veio logo a falar três línguas: aramaico, latim e grego clássico. Um sobredotado! Cá fora os familiares da Senhora estavam impedidos de entrar. Eram palestinianos. Um ainda se fez explodir de satisfação... José nunca mais foi o mesmo. O miúdo começou rapidamente a mandar lá em casa. A Senhora deixava-o fazer o queria. José não tinha mão nele. Ainda adolescente apanharam-no a andar sobre a água. Outra vez multiplicou os pães. Só disparates. Foi demais. Acabou internado num colégio Essénio. Pior não podia ter sido. A partir daí começou a falar na terceira pessoa e a pregar no deserto. Claro que as insolações não lhe fizeram nada bem. Um dia em que estava mais desidratado entrou num templo e atirou-se aos vendilhões. Partiu a loiça toda. O resto já todos sabem. O rapaz meteu-se na política e acabou mal. No Médio Oriente a política acaba sempre mal!”
O burro calou-se surpreendido por ter falado tanto. Lá atrás o presépio canta gloriosos hinos de louvor em alemão, entre estrelas prateadas made in Taiwan. Pessoas aos magotes sorriem a crédito na euforia das compras. É Natal para toda a gente. Só o burro sabe que não!
19.12.08
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE

Como dizia Santo Agostinho, o tempo não existe: o passado já passou; o futuro ainda não chegou; o presente acabou de passar. Arnaldo Rocha é um agente especial da poderosa “Organização” que tenta, desesperadamente, criar o “Quinto Império”, a união do norte e do sul, do leste e do oeste. Arnaldo Rocha percorre o tempo atrás do mito.
Publicação simultânea, em episódios, no Brasil (“Quem Conta um Conto”) e em Portugal (“Expresso da Linha”), todas as terças e sextas feiras.
EPISÓDIO VI (continuação)
“ Eu é que fui o escolhido. Foi el-Rey que mo disse... Eu é que fui o escolhido!”
“ Olha lá, Cão, tu enganaste o Rey. Foste duas vezes lá abaixo... Da primeira enfiaste pela baía do Cabo do Lobo. Correste a Lisboa. Era a passagem para o Golfo Arábico, disseste. O Papa enganado... El-Rey humilhado. Da segunda vez chegaste à Serra Parda. Deves ter julgado que era o fim do mundo!”
“Ingratos! A corte é só intrigas. Fui eu que mais padrões espetei pela costa africana abaixo. Agora não tem nada que enganar. Está tudo sinalizado. Excelência, só quero mais uma oportunidade, por favor, excelência... Eu é que sou o “homem-padrão”.
Arnaldo começava a ter pena. Só que D. João ordenara expressamente: “Arnaldo, estais prohibido de Cão aceitar. Muy mal me hay feyto. Até o Papa enganar (e lá estou eu a versejar, porra!)”.
Arnaldo não tinha quaisquer hipóteses: “Lamento, Cão. Já tiveste dois reais patrocínios”.
O homem saiu devastado... Ainda hoje vagueia por Lisboa, arrastando um padrão quilométrico que tenta espetar em qualquer canto da cidade, recitando exaltado:
“... E a Cruz ao alto diz que o que há na alma
E faz a febre em mim navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.”
Arnaldo estava exaurido. Desistiu. Já nem quis ouvir Gonçalves Zarco, Nuno Tristão, Diogo da Azambuja... Só velhadas alucinados. Era preciso sangue jovem. Ambição… Era necessário alguém com espírito corsário. Cancelou as entrevistas. Partiu a banhos com a pequenita Maria, à praia do Meco.
18.12.08
16.12.08
FILHOS DO POVO DO SUL - XLVII (ÚLTIMO EPISÓDIO)
No “Ephedra” as divergências agudizavam-se. Uns queriam a profissionalização; outros já tinham percebido que aquilo não ia a lado algum; outros ainda continuavam a não saber o que queriam. Certo é que todos precisávamos de autonomia, de independência dos nossos pais. Precisávamos de dinheiro!Ainda tocávamos desgarradamente aqui e ali, mas já não havia ilusões. E isso reflectia-se nas músicas e nas actuações.
No Barreiro fomos tocar a um teatrinho de província, daqueles com camarotes tipo S. Carlos. Poucas dezenas de pessoas na assistência. Quase ao lado, um pavilhão desportivo a abarrotar para ouvir baladeiros. Pior, o pouco público ainda mandou vir com as músicas de forma insultuosa!
A coisa agravou-se no “Teatro Ad Hoc” que se eternizava ali no Martim Moniz. No final do espectáculo em vez de palmas fomos invectivados sobre se aquele era o “verdadeiro Ephedra”, o que provocou aceso diálogo entre palco e plateia. E o público tinha razão... Tem sempre razão!
A velha chama tinha-se perdido. O nosso estilo tinha mudado. Tínhamos perdido as características que nos identificavam. O público não nos reconhecia. Provavelmente, nem nós nos reconhecíamos.
Aquela foi uma noite fatal. De repente interiorizámos tudo o que já sabíamos. Percebemos que o sonho acabara. Aquele foi o último concerto do “Ephedra”.
Continuámos a tocar sozinhos para dentro de um gravador. Primeiro éramos cinco. Depois quatro, três... No fim éramos dois multinstrumentistas, eu e o Paulo, alguns robots e a Isabel como cantora. Continuámos assim, teimosamente, até 1990 mas, tal como o Paulo previra, o sonho acabara “no fundo de um quintal”.
Entretanto, num momento de rara lucidez, tomei a melhor decisão de gestão de toda a minha vida: fechei o restaurante e a loja de artesanato antes de ficar totalmente atolado em dívidas.
Em 1977, finalmente livre de ilusões, comecei a trabalhar por conta de outrem, a pagar IRS e a descontar para a segurança social. .
O “sistema” ganhou!
Estranhamente, devemos ter influenciado parte de uma geração. Desde os tempos “heróicos” de casa do Paulo, até ao decadente “Ad Hoc”. Espanta-me que ainda hoje, mais de trinta anos passados (muito, muito passados), tanta gente se lembre ainda de nós. Críticos, músicos, fãs, gente anónima, gente perdida, gente que se encontrou... gente fantástica!
Espanta-me, porque pouco sabíamos tocar. Mas o importante não é, de facto, saber tocar. As pessoas querem emoções, não querem virtuosismos. As pessoas querem participar em algo novo, algo que está a nascer.
Hoje vejo a música como um deus que me deixou sem me abandonar. Um deus que me quer mesmo que eu, por vezes, o esqueça. Continuo a sentir-me sacerdote do tempo, espaço divino, harmonia celestial. Continuo a gostar de mim e, por isso gosto dos outros... mesmo daqueles que nunca ouviram “Ephedra”.
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE
Como dizia Santo Agostinho, o tempo não existe: o passado já passou; o futuro ainda não chegou; o presente acabou de passar. Arnaldo Rocha é um agente especial da poderosa “Organização” que tenta, desesperadamente, criar o “Quinto Império”, a união do norte e do sul, do leste e do oeste. Arnaldo Rocha percorre o tempo atrás do mito.Publicação simultânea, em episódios, no Brasil (“Quem Conta um Conto”) e em Portugal (“Expresso da Linha”), todas as terças e sextas feiras.
“Finalmente um jovem”, suspirou Arnaldo...
“Olá, puesso entrá-lo”, balbuciou Cristobal Colon.
“És espanhol, cabrão?”
“Non, non, que non. Yo soy de Genóva, mui gran entidá. Pero muy aficcionado del Real Madrid”.
“És judeu?”
“No, no, soy catolíco, muy catolíco”.
“Ouve lá, tu tens pedalada para isto?”
“Por supuesto. Yo gran marujeiro. Yo va a l`Índia per oest. Primo el Cipango, presto l`Índia. Da capo al fine”.
Pronto, pensou Arnaldo, cá está um maluco perigoso. Tenho de o despachar rapidamente. Ainda me acerta em cheio na América...
“Cristobal, ouve, puto. Por oeste não vais a lado nenhum. Aliás, o contrato é para leste. È pegar ou largar”.
“Que non, que non. És per oest. Mucho mejor. Sine Cabo Tormenta. Mucho mejor!”
“Bom, já vi que és marreta. Entrevista acabada. Maria, tira-me o puto daqui”.
Bronc... Cranc... Trás... “Next”.
Com ar displicente, entra Bartolomeu Dias.
“Eu já estou contratado. A “Mckinsey” tratou de tudo directamente com el-Rey. Só cá venho picar ponto. Não sei se tenho pachorra para ir até à Índia. Talvez passe o Cabo das Tormentas… Sei lá!”
Saiu como entrou. Arnaldo ficou siderado…
Ainda mal refeito, entra-lhe novamente Cristobal Colon de mapa na mão, escapando à vigilância da pequenita Maria.
“Gran Entidá, ló trago el mapita dé Fra Mauro ê los cálculos de Toscanelli. Si, grandíssima eminenzia, à l’India per ocidenté. Vederé, eminenzia, tuto comprabato… Capiche?”
Arnaldo nem quis ver o mapa. Tinha de despachar o homem rapidamente… Um chato!
Redigiu nota aos reis católicos: “Queridos monarcas, por esta lhes envio o “Navegador Gaspacho”, homem de grande talento e fé, que irá a qualquer sítio desde que seja por ocidente. É aproveitar!”
Cristobal saiu agradecido… Arnaldo, ficou aliviado!
BRASIL
14.12.08
BRASIL - MISTÉRIOS DA DESCOBERTA
Foi este homem que descobriu o Brasil. Duarte Pacheco Pereira (o Aquiles Lusitano, como o apelidou Camões), nascido em Lisboa ou em Santarém, por volta de 1450, foi cosmógrafo, guerreiro e navegador. Em 1498 é encarregado, por D. Manuel I, de uma expedição secreta, organizada com o objectivo de reconhecer as zonas situadas na linha de demarcação do Tratado de Tordesilhas. A expedição partiu de Cabo Verde e culminou com a descoberta do Brasil, entre Novembro e Dezembro desse ano. A expedição alcançou terra firme num ponto da costa entre o actual Maranhão e o Pará, tendo depois seguido para norte, em reconhecimento, até à foz do Amazonas e ilha de Marajó.Em 1493 Cristovão Colombo regressara da América convencido que vinha da Ásia Oriental, de Cataio ou de Cipango (ele próprio não sabia bem!). Na verdade estivera apenas em Guanahani, Cuba e Haiti. Aportou a Lisboa com um carregamento de selvagens de epiderme pardacenta, cabelos pretos e escorridos. Supunha que eram índios, da Índia. Apresentou-os triunfante a D. João II, pensando vingar-se da afronta que o monarca lhe fizera não o tendo contratado. D. João sabia perfeitamente que aqueles homens nus a tiritar de frio não vinham do Indostão, uma civilização que ele sabia milenar e com um nível de sofisticação muito superior. Convinha-lhe, porém, simular que acreditava em Colombo, para melhor convencer os castelhanos que eles se tinham adiantado na descoberta do caminho marítimo para a Índia, enquanto ele ultimava a sua estratégia na descoberta do rumo verdadeiro. Bartolomeu Dias dobrara já o Cabo da Boa Esperança e D. João estava na posse da carta de Pêro da Covilhã, enviado em missão de espionagem terrestre até terras de Prestes João (Etiópia).
Colombo seguiu o seu caminho para Castela. D. João, tendo podido silenciá-lo para sempre (como chegaram a propor alguns cortesãos), preferiu deixar os Reis Católicos cair no engodo. E eles caíram! De imediato exultaram com a “descoberta da Índia” e quiseram dela tomar posse. O Príncipe Perfeito vibrou, então, o golpe de mestre que iria rematar toda a sua brilhante carreira de governante. Mostrou-se indignado. Armou barcos. Fez preparativos para a guerra. Aquelas terras descobertas por Colombo pertenciam-lhe. A tenção cresceu, deliberadamente exagerada por parte de Portugal. Trocaram-se azedas notas diplomáticas. Por fim, o Papa acabou por intervir, para evitar a guerra entre as duas potências cristianíssimas. O ignorante Sumo Pontífice traçou a célebre linha que dividia o Globo em dois hemisférios, o Ocidental para os castelhanos que, assim, ficariam com as terras de Cipango; o Oriental para os portugueses que lhes dava a África e o caminho marítimo para a Índia (que só D. João e alguns confidentes sabiam estar já aberto com a viagem de Bartolomeu Dias). A linha passava a 100 léguas a ocidente e Cabo Verde. D. João, porém, exigiu que essa linha passasse a 370 léguas. Depois de se certificarem que a alteração não ameaçava as descobertas de Colombo, os monarcas castelhanos concordaram. A 7 de Julho de 1494 celebra-se o Tratado de Tordesilhas, deixando os espanhóis arredados, por muito tempo, da melhor parte da América do Sul e de todo o Extremo Oriente, só porque estavam mais atrasados em Geografia.
É quase certo que Portugal sabia já da existência das terras brasílicas, avistadas por navegações mais arrojadas partindo dos Açores. A atitude negocial e visão de D. João II conseguiram, assim, duas coisas essenciais para a criação do Império Marítimo Português: o exclusivo da navegação do Atlântico Sul, permitindo contornar a África através da “volta do largo”, garantindo a Carreira da Índia; e a presença “de jure” no Novo Mundo, criando uma colónia que hoje é o Brasil. Havia, porém, que consolidar o estabelecido.
Entre as várias cláusulas do Tratado de Tordesilhas importa destacar uma. Previa-se a constituição de uma comissão mista e paritária de astrónomos e pilotos que participaria numa expedição conjunta destinada a determinar, no prazo de dez meses, os marcos fixados virtualmente no Tratado. Portugal, contrariamente a Castela, nunca tomou qualquer iniciativa para dar cumprimento à cláusula. Estava-se em 1494 e a prioridade era, então, o Caminho Marítimo para a Índia. No caso de uma expedição conjunta encontrar terras a poente, isso poderia provocar confusões sobre a determinação do hemisfério em que as mesmas se situavam. A monarquia portuguesa preferia que os Reis Católicos continuassem a acreditar que tinham chegado a oriente, baseados nos relatórios de Colombo, enquanto se faziam os preparativos para a viagem de Vasco da Gama. Depois, Castela seria confrontada com a triste realidade da sua ridícula convicção. Até lá, tudo o que se descobrisse para ocidente seria mantido secreto.
D. João II morre em 1495. Sucede-lhe o cunhado D. Manuel, duque de Beja. Em Outubro de 1497, D. Manuel casa com a princesa Isabel, filha mais velha dos Reis Católicos e, simultaneamente, morre o filho primogénito daqueles monarcas, deixando grávida a mulher, Margarida de Áustria, que dá à luz um nado-morto. A sucessão de Castela e Aragão recai, então, sobre os reis de Portugal. Instado pelos reis católicos, D. Manuel, contra o parecer de muitos nobres portugueses, acaba por aceitar. Juntamente com a mulher, Isabel, parte para Castela e chega a ser jurado herdeiro em Toledo, a 28 de Abril de 1496. Logo a seguir, D. Isabel morre ao dar à luz o príncipe D. Miguel da Paz, doravante sucessor das três coroas e D. Manuel, com a morte da mulher, perde automaticamente a qualidade de herdeiro presuntivo dos reinos de Castela e Aragão e regressa a Portugal. O filho fica, no entanto, em Castela sob tutela dos avós, o que não deixava de ser preocupante. É à luz desta teia de acontecimentos que deve ser interpretada a posterior expansão ultramarina das monarquias peninsulares.
Havendo já notícia de expedições castelhanas e inglesas sobre o Atlântico Sul, era necessário averiguar com urgência as demarcações de Tordesilhas e verificar se essas expedições estavam na área de influência de Portugal. É assim que D. Manuel elabora “um plano sistemático nas águas do Atlântico ocidental, ao norte e sul do equador”.
Uma dessas explorações, comandada por Duarte Pacheco Pereira, descobre o Brasil entre Novembro e Dezembro de 1498. A prová-lo está o manuscrito Esmerado de situ Orbi, da autoria de Pacheco Pereira e que esteve desaparecido por quase 4 séculos. Nele se contêm descrições exactas dos locais a que a expedição chegou, sua fauna, flora e habitantes humanos. Acrescem inúmeras provas recolhidas em documentos castelhanos, nomeadamente no Memorial de la Mejorada, bem como no Planisfério de Cantino e ainda na própria Carta de Pêro Vaz de Caminha.
As medições de Duarte Pacheco Pereira indicam como linha de demarcação o meridiano 36º a oeste de Lisboa, o que deixaria na esfera castelhana uma parte do litoral maranhense e a totalidade do paraense. Esta a explicação porque a descoberta não foi divulgada.
Pedro Álvares Cabral, comandante da 2ª armada para a Índia, “limitou-se” a estabelecer nas terras já descobertas um ponto de apoio na Carreira para a Índia que passaria a cruzar o oceano austral regularmente e precisava de uma escala na “volta do largo” (um percurso superior a 3000 milhas). E mesmo essa viagem obedeceu a condições de extremo secretismo e só viria a ser publicitada em Junho de 1501, quase um ano depois de a notícia ter chegado secretamente a D. Manuel. Nessa altura, já a rota para a Índia estava assegurada e o “pequenito” D. Miguel da Paz morrera aos 2 anos de idade, libertando a sucessão do trono português de uma partilha, no mínimo, incómoda.
Bibliografia consultada: “A Construção do Brasil”, de Jorge Couto; “D. João II - O Homem e o Monarca”, de Mário Domingues; “O Descobrimento do Brasil”, Damião de Peres e “Na Rota da Pimenta”, de Teresa de Castelo Branco.
jp
13.12.08
HÁ CEM ANOS ERA ASSIM

Desde a heroína da Bayer, ao vinho de coca e aos drops da Lloyd, há cem anos as drogas compravam-se legalmente e sem receita na "pharmacia" ou na drogaria. A que se deveu a sua ilegalização? Concluíu-se que faziam mal? Ou deu jeito a alguns cartéis a sua proibição? O caso dos derivados da cannabis é paradigmático. O lóbi proibicionista nos USA era fortemente patrocinado, senão dirigido, pelo magnata do petróleo Dupont. A descoberta dos tecidos de poliester (nylon) precisava de afastar os tecidos de canhâmo para se impor no mercado. Essa foi a verdadeira razão da proibição. Será preferível a venda livre e legal ou o proibicionismo hipócrita que cria mais um submundo criminoso sem conseguir estancar a "busca do Soma perdido"?
jp
12.12.08
11.12.08
AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - DE LISBOA A CALECUTE
Como dizia Santo Agostinho, o tempo não existe: o passado já passou; o futuro ainda não chegou; o presente acabou de passar. Arnaldo Rocha é um agente especial da poderosa “Organização” que tenta, desesperadamente, criar o “Quinto Império”, a união do norte e do sul, do leste e do oeste. Arnaldo Rocha percorre o tempo atrás do mito.Publicação simultânea, em episódios, no Brasil (“Quem Conta um Conto”) e em Portugal (“Expresso da Linha”), todas as terças e sextas feiras.
Às nove em ponto Arnaldo abriu o “estaminé”. Assustou-se com o que viu. Uma cambada de estropiados, com ar esgroviado. Uns coxos, outros zarolhos, quase todos sem dentes, gritavam impropérios, tentando ser os primeiros a entrar.
De repente, a pequenita Maria, saiu da mercearia e veio em seu auxílio. Irritada com todo aquele reboliço, desatou a distribuir senhas de vez, organizou as filas e gritou: “Aqui só entra quem tiver carta de patrão de alto mar”.
A debandada foi geral... Ficaram meia dúzia. Arnaldo podia iniciar as entrevistas...
Entra um velhote trôpego. Olhos esbugalhados.
“Nome?”
“Gil Eanes”.
“Profissão?”
“Há mar e mar. Há ir e voltar...”
“Pois... Então e experiência?”
“Há mar e mar. Há mar e mar. Há ir e...”
“Chega, homem. Já percebi. Pergunto por experiência!”
“Ó mar salgado, quanto de teu sal são lágrimas de Portugal... Há mar e mar...”
“ Maria”, chama Arnaldo, “Põe-me o cavalheiro na rua, se fazes favor!”
“Há mar e mar. Há mar e mar. Há mar e...”
Catrapum... Crash... Trás... “Ai!”. Gil Eanes despenha-se pela escada abaixo, com ligeira ajuda da pequenita Maria, sempre galhofeira, que logo berrou: “Next”… pregão que iria ficar famoso em todo o Intendente.
SINTRA - A SERRA
Enfim, grandes cataclismos, aliás, muito recentes: a formação foi só há 500 milhões de anos! Ficou um calhau muito grande, com 10km de comprimento, 5km de largura e 540 metros de altura máxima, na Cruz Alta. Sintra, a Cyntia romana, fica a 207 metros de altitude. Os mouros renderam-se sem luta a Afonso Henriques, logo após a conquista de Lisboa, em 1147. O foral veio, com naturalidade, em 1152.
Residência de Verão da monarquia desde D. Dinis, Sintra tinha, em 1970, uma área de 315km2, 13 freguesias, 122.746 habitantes, que viviam em 36.882 fogos, que não só não arderam, como se multiplicaram... Em 1994, tinha 14 freguesias, só em mulheres já ia em 145.080, num total de 282.220 caramelos. Em 2004 é fazer as contas… Os fogos esses não mais pararam. A Serra é que paga!
TERTÚLIA VIRTUAL - BRASIL
É já no dia 15 de Dezembro a última Tertúlia Virtual de 2008. Tema : BRASIL. Inscreva-se conforme indicado no side bar e participe. 



















