29.2.08

FNAC - TV RURAL

Disco já à venda nas FNAC de Cascais, Chiado, Colombo, Almada e Alfragide.

DIA EXTRA

Hoje é um dia extra. Uma soma de horas e minutos que se acumulam de quatro em quatro anos. Um dia para acertar o calendário gregoriano. Devia ser feriado e irmos todos louvar o Sol. Sim que o calendário gregoriano é solar.
O que me preocupa são os aniversários. Como é? Não se comemora de todo? Comemora-se um dia antes? Um dia depois? Só de quatro em quatro anos?...
jp

26.2.08

PASSATEMPO EXPRESSO DA LINHA

As sete perguntas de "Vandi". Responde e revelarei toda a tua personalidade. Êxito absoluto. Confidencialidade garantida.
1-Se eu fosse uma calamidade seria?
2-Se eu fosse uma guerra seria?
3-Se eu fosse uma droga seria?
4-Se eu fosse um deus seria?
5-Se eu fosse um mar seria?
6-Se eu fosse um vento seria?
7-Se eu fosse um bacalhau seria?

E CONTINUA A GRITAR...


25.2.08

A ALMA E A GENTE

Finalmente alguém me ouve! Alguém me dá razão! É preciso ser um velho vagamente senil e absolutamente reaccionário, mas pronto, fui ouvido. O homem chama-se Hermano Saraiva, é uma marca registada e tem um programa na RTP 2 aos Domingos à noite, "A Alma e a Gente". Uma coisa assim turístico-histórica, onde a pretexto de mostrar o país, o homem vai inventando umas tretas e tendo imensas opiniões que os seus provectos 986 anos lhe permitem formular "ex-catedra".
Ontem, frente à vetusta e enferrujada "floresta de âncoras" da antiga armação do Barril, em Pedras D' El Rei (Tavira), e perante a extenção absurdamente pantanosa do sapal da Ria Formosa, estupidamente classificada como reserva natural pelo pessoal do ICN, o homem tirou-me as palavras da boca ao afirmar peremptoriamente: "Tavira é bela, mas há muito a fazer. Imagine o meu telespectador que demorámos 15 minutos a chegar à praia neste comboinho recuperado (e isto dito com aquele esgar de desprezo que só ele sabe interpretar). Chegados, nada aqui se pode fazer. É tudo proibido. Apenas podemos ver este desolado sapal."
Obviamente! Há anos que digo isto. Tanto espaço desperdiçado. Não haverá ninguém que olhe para isto? Aquilo tudo cheio de casas palafitas com jacuzi. Ou mesmo umas betominosas de onde em onde. Um Spa de lama para as dondocas da pele... Enfim, basta ter imaginação!
Bem haja, Mestre PIN, por aqueles doutos conselhos. Esperemos que haja agora coragem autárquica para enfrentar o anquilosado poder central e paciência para ouvir o avatar de Sousa Tavares!
jp

24.2.08

PANSPERMIA?

Surpreendentemente, a vida surgiu muito cedo na Terra. Parece que começou há 3,8 biliões de anos, ainda a superfície não estava totalmente consolidada. Isto levou alguns cientistas a defender a existência de uma ligeira ajuda exterior: a ideia de que a vida terrestre pode ter chegado do espaço.
A teoria da panspermia, como é conhecida esta noção da "ajuda" extra terrestre, tem, porém, dois problemas.
Em 1º lugar, não responde a nenhma das questões sobre a forma como surgiu a vida (em si mesma).
Em 2º lugar, incentiva a especulação a níveis de todo imprudentes.
Vários cientistas de renome deixaram-se levar por esta mirífica explicação, ao ponto de acreditarem que a Terra fosse deliberadamente semeada com vida por alienígenas inteligentes (Francis Crick, descobridor do ADN) ou que doenças, como a gripe ou a peste bubónica, viriam directamente do espaço (Fred Hoyle), ideia completamente refutada pelos bioqímicos.
O que quer que tenha originado a vida só aconteceu uma vez e é, indiscutivelmente, o facto mais extraordinário que conhecemos (ou melhor, que não conhecemos). Num passado inimaginavelmente distante, um saquinho de substâncias químicas impacientes e irrequietas absorveram alguns nutrientes. Esse saquinho palpitou suavemente e converteu-se em vida. Depois fez ainda algo mais extraordinário: dividiu-se a si mesmo e produziu um herdeiro. Este foi o momento do "Big Birth".
Toda a vida é uma só. Tudo o que é vida resulta do mesmo truque genético que até hoje ninguém conseguiu reproduzir. Um truque passado de geração em geração desde há quase 4 biliões de anos... E hoje andamos no blogue!
jp

23.2.08

FILOMENA CONTINUA A GRITAR... OUÇAM!


MAPA 3 - FOI ASSIM




Mais um êxito MAPA. O evento e o convívio foram fantásticos. Cem pessoas são testemunhas de uma noite diferente organizada com amor, com um profissionalismo que inclui espontâneidade, num ambiente quase familiar, num espaço com o mar a perder de vista, rodeado de vegetação tropical.
Para os meus leitores que não sabem, MAPA é uma associação cultural que promove múltiplos eventos, na linha e não só, nomeadamente na área das artes plásticas. Estes Encontros específicos são produzidos por mim. Qualquer pessoa pode ir e trazer o seu grupo de amigos. Verá que a integração é fácil e rápida.
Numa sociedade esteorotipada e normalizada culturalmente, esta é uma alternativa. O próximo Encontro deverá ser em Maio.
jp

21.2.08

QUAL É O MEU SIGNO?

Qual é o meu signo? Não que isso tenha qualquer importância face à enormidade do universo ou à grandiosidade do cosmos, que por acaso são a mesma coisa.
De facto estava hesitante em falar-vos hoje nos Caminhos de Santiago e no poder de Lug; nas colunas Iachim e Boaz e nas peregrinações à ria de Noya; nos Primórdios da Contracepção ou nas Audiências aplicadas aos Blogues. Também pensei no Sexo dos Anjos (tema que me anda atravessado) ou, finalmente, na candente questão do Kosovo na perspectiva de um marciano. Só para entreter, ainda tive a ideia de enfiar uns quantos exercícios de Neuróbica...
Eis que a Particula RG me safou. Qual é o meu signo, pergunta ela. E pergunta muito bem. Fica aqui o passatempo. Quem acertar tem direito a uma viagem ao Zodíaco (ida e volta).
Nota: não vale para os meus comentadores íntimos que sabem tudo!
jp

19.2.08

PORTUGAL

Há um país que todos os dias acorda ensonado. Um país cansado de si mesmo. Um país que não sonha. Um país que se levanta às 6 da manhã. Corre ao infantário a depositar as crianças. Segue engarrafado até ao trabalho. Engole um café na precipitação do horário. Há um país normalizado. Um país de rendimento mínimo e recibo verde que aguarda vez na estatística do centro de saúde. Um país anónimo que adormece esgotado no zapping suburbano do T2 mal isolado. Há um país de consumidores falidos. Um país proletário de licenciados formatados exauridos pelo juro. Há um país deprimido que delega no voto sonhos que não pode viver. Há um país doente, inerte, esmagado. Há um país envergonhado, engelhado e velho. Um país que dorme nos bancos do jardim. Um país com fome que ninguém quer ver.
Há um outro país em "off-shore". Um país de especulação. Um país fiduciário, improdutivo, imoral. Um país de seitas e comissões de vencimento. Um país de subsídios e clientelas. Um país mesquinho de gente hipócrita. Um país que confunde esperteza com riqueza. Um país sem sentimentos, sem impostos. Um país egoísta. Há um país... E nós somos o quê?
jp

18.2.08

BIBI - AMOR À PRIMEIRA VISTA


TROVOADAS

À nossa volta há cerca e 5200 biliões de toneladas de ar. Dez milhões de toneladas por cada quilómetro quadrado. O ar quente e húmido das regiões equatoriais sobe até atingir a barreira da tropopausa para depois se espalhar. À medida que se afasta do equador arrefece e vai descendo. Quando chega ao chão, parte desse ar procura uma zona de baixa pressão para a preencher e regressa ao equador, completando o circuito. Os sistemas de baixas pressões são criados por ar ascendente, que envia moléculas de água para o céu, formando nuvens e, ocasionalmente, chuva. Há uma guerra permanente entre altas e baixas pressões. O calor do Sol não é distribuído uniformemente pelo planeta, dando origem a essas diferenças de pressão. O ar não tolera esta variação e por isso está sempre a correr de um lado para o outro, tentando harmonizar a situação. O vento é simplesmente isso: o ar a tentar equilibrar as coisas. E quanto maior a diferença de pressões, maior a velocidade do vento.
Todas estas movimentações provocam uma grande excitação energética. Em certas condições, as nuvens carregadas de electricidade podem subir a alturas de de 10 ou 15 km, podendo conter correntes de ar desendentes a ascendentes de 150 km por hora. Sob grande agitação interna, as partículas no interior das nuvens captam cargas eléctricas. As partículas mais leves tendem a ficar com carga positiva, sendo empurradas para o a parte superior da nuvem. As partículas mais pesadas permanecem na base e acumulam cargas negativas, sendo fortemente atraídas para a Terra, que tem carga positiva. É a trovoada!
Um relâmpago viaja a uma velocidade de 435 mil km por hora, podendo aquecer o ar à sua volta até aos 28 000º C. A todo o momento há 1800 trovoadas em toda a Terra (cerca de 40 000 por dia). Em cada segundo, cerca de 100 relâmpagos atingem o solo. O céu é, indiscutivelmente, um lugar animado... Ontem foi em Portugal!
jp



17.2.08

A VIDA É CURTA

Na 5ª feira estamos calmamente ao telefone, no Sábado estamos enterrados debaixo de terra... Lá se foi mais uma tia. Desta vez era minha madrinha.
Tudo é tão relativo, tão transitório, tão sem importância. O que fica depois de uma existência? Estamos tão sós, tão isolados, tão desesperados...
É nestes dias, em que duvidamos de tudo, em que não entendemos o sentido das coisas, é nestes dias que temos a certeza que não há felicidade sem ser partilhada. O amor é a única solução.
jp

15.2.08

NÃO É FÁCIL ESTAR VIVO

Não é fácil ser organismo. Não é fácil estar vivo. Para os humanos ainda é pior. Pertencemos àqueles seres malucos que há 400 milhões de anos tomou a decisão precipitada de sair dos mares. Uns aventureiros! Decidimos ser terrestres e respirar oxigénio. Como resultado desta decisão, 99,5% do espaço habitável, em volume, está fora do nosso alcance! Não conseguimos respirar dentro de água e não conseguimos aguentar a pressão. A água é 1300 vezes mais pesada do que o ar. A pressão aumenta um atmosfera por cada 10 metros de profundidade. A 150 metros as nossas veias rebentam e os pulmões comprimem-se até ao tamanho de uma lata de Coca-Cola.
Bom, se esquecermos o mar, fica-nos uma pequena porção de superfície seca onde podemos viver com algum conforto. A maior parte é ou muito quente, ou muito fria, ou muito seca, ou muito íngreme, ou alta demais. Somos maus em adaptação e temos uma enorme propensão para acidentes vasculares cerebrais, o que nos torna altamente vulneráveis a alterações climáticas ou ambientais. A pé e sem água num deserto entramos em delírio ao fim de 7 ou 8 horas. Com frio ainda é pior. A falta de pêlos faz com que aquela metade das calorias que produzimos pemanentemente para nos mantermos quentes se perca em poucas horas. A partir dos 4500 metros de altitude a vida torna-se um suplício permanente. Enfim, apenas 12% do total da área terrestre é propícia à nossa existência. O resto do planeta é sempre mais ou menos radical.
Mesmo assim temos imensa sorte! Conseguimos encontrar um planeta que dá para viver. Até agora não conhecemos mais nenhum, nem no sistema solar, nem entre os 70 que já foram descobertos fora do sistema solar.
Em próximo post falarei dos quatro factores essenciais que determinam a existência de vida na Terra. Até lá pensem nisto e divirtam-se... mas não saiam do "jardim infantil"!
jp

13.2.08

ENCONTROS MAPA 3

No local do costume, no bar "OS RAPOSOS" (entre Caxias e Paço D' Arcos, por cima da linha/CP), dia 22/2 (6ªF).
Encontros MAPA 3 dedicados à Bossa Nova. Música. Fotografia. Poesia.
Entrada: 3€ sócios da MAPA; 5€ para não sócios. Apareçam!

12.2.08

S. PEDRO DO ESTORIL

Depois do Estoril (posts de 25 e 31/10 e de 4 e 5/11/07) e de S. João (posts de 14 e 15/12/07), continuemos a nossa visita pela história da Linha.
Já S. João resplandecia no esplendor dos seus chalets, S. Pedro ainda se chamava Cai-Água, devido ao ribeiro cantante que por lá passava. Havia um moinho, duas azenhas e uma taberna à beira da estrada. Cai-Água continuava a ser campo.
Um dia o capitalista Nunes dos Santos, criador dos Armazéns do Chiado, começou a comprar terrenos em Cai-Água e construíu umas casas que atrairam mais moradores. Fez-se o Chalet Ideal nº 1 e o Chalet Ideal nº2, prémios dados pelos Grandes Armazéns do Chiado aos seus clientes e sorteados pela lotaria, primeira ivenção publicitária do género no país.
Nunes dos Santos conseguiu dotar a povoação de um apeadeiro e a linha de Cascais passou a parar em Cai-Água. A terra cresceu. Os seus moradores multiplicaram-se.
Para quem viaja pela Marginal a povoação encontra-se quase ligada à Parede, com moradias espalhadas ao longo da avenida, em tudo semelhantes. No interior desenham-se ruas de corte geométrico, pequenas moradias com jardim. É um sítio modesto e bonito onde não ressaltam casas apalaçadas ou de grande luxo.
Junto à Marginal há, porém, uma mutação de cenário. Desaparecem as ruas alinhadas em xadrez e surgem moradias espalhadas pela campina, sem arranjo. Terrenos à espera e compradores (que, entretanto, chegaram!). Entre a Marginal e as arribas do mar há uma larga extensão de terra batida. Nesse espaço ressalta uma curiosa moradia, fantástica construção, adornada com ameias e torreôes, guaritas e mulharas. Um brinquedo caro mandado fazer pelo Dr. Luís Cebola, nos anos 20. É o "Castelo de Nossa Senhora de Fátima", casa isolada de horizonte vastíssimo, em contacto directo com o vento e o oceano. Lá viveu durante anos uma célebre bailarina internacional, que dançava descalça sobre o terraço que domina as rochas...
Mais atrás e do outro lado da Marginal está a "Colónia Balnear Infantil de O Século", obra de caridade lançada por aquele jornal. Inaugurada em 1927, tem acolhido milhares de crianças carecidas e lhes tem dado férias na praia, num edifício grande e abandonado que em tempos fora uma fábrica de conservas. Este edifício viria, em 1934, a ser definitivamente doado pelo Conde Monte Real. É por esta altura que a povoação se passa a chamar S. Pedro.
S. Pedro cresceu muito e está, com os últimos arranjos na orla marítima, a tentar um lugar ao Sol na Linha. Entrem na Baforeira e percorram as arribas até ao Castelo de Nossa Senhora de Fátima pelos caminhos recentemente abertos e admirem uma das mais belas paisagens da Costa do Sol.
Baseado no livro "Memórias da Linha e Cascais", de Branca de Gonta Colaço e Maria Archer.
jp

11.2.08

INTIMIDADES

Fragmentos de mucosa rectal que têm relativa conservação do número e da composição celular das criptas, com aspectos hiperplásticos do epitélio de revestimento superficial. No corion há infiltração focal, moderada, por células inflamatórias mononucleares e raros polimorfonucleares. Portanto, alterações inespecíficas com padrão pseudo-polipóide...
Fico por aqui. Por hoje é difícil ir mais fundo!
jp

10.2.08

AMOR-PAIXÃO

O amor cortês ficou a dever-se aos trovadores occitanos (Occitanie - conjunto de regiões francesas onde se falava a "langue d'oc"). Exaltação espiritual e carnal das relações entre o homem e a mulher. Inovação decisiva no campo literário e social.
Exigia-se do amante a submissão à sua dama e transpunha-se para o domínio amoroso um certo número de virtudes "viris": coragem, lealdade e generosidade.
No final do séc. XII a erótica dos trovadores anexou o espírito cavaleiresco. Os jovens cavaleiros aristocráticos, celibatários e ambiciosos, amontoados na corte do senhor, esperavam que a dama deste os distinguisse com um amor sincero e desinteressado. O ideal do amor cortês constituía um meio de atenuar a tensão entre os vários estratos sociais da nobreza feudal.
O puro amor (fin' amor) reproduzia um "serviço" tipicamente feudal: relação suzerano/vassalo. Os deveres do amante consistiam em agradar à mulher, amá-la, sem amar mais nenhuma, exaltá-la e ser discreto. Ela, em troca, cheia de amor, devia ter em apreço o comportamento dele.
Era um jogo subtilmente adúltero e que, simultaneamente, alterava o papel da mulher a qual passava a dominar, claramente, a relação. Para além do beijo, o amante podia receber duas outras recompensas: a graça de contemplar o corpo nu e o "asag" (prova), onde quase tudo era permitido excepto o acto sexual propriamente dito. Tratava-se de uma erótica de orientação anticristã, mas que, mesmo assim, não ousava atacar a "origem de todas as virtudes".
Responsável pela criação do amor psicológico no mundo ocidental, permitiu, ainda, que as mulheres se sobrepusessem no interior do mundo feudal, estigmatizado pelos valores cavaleirescos da amizade masculina. Por outro lado, o amor cortês foi um grito anticlerical e herético, contrariando o machismo da religião católica e também da cátara: a nova devoção erótica sujeitava de forma unilateral o homem à mulher.
Os actuais verdadeiros amantes perpetuam o ensinamento mais profundo da erótica dos trovadores: o pior crime é fazer amor sem amor, por ser contra o próprio amor!
jp

9.2.08

VOLÚPIA

Um rio de flores amarelas que se despenha na volúpia da encosta vicejante. A alma espanta-se nas sombras oníricas de plátanos seculares espreitando a indecisa Primavera. Trilhos sinuosos ocultam passos incertos que se abismam na diáfana profundidade dos vales. Horas subtis. Nada existe. O pensamento pára. O tempo não conta. Queremos ficar esquecidos de nós próprios. Queremos parar, descansar. Queremos... Porque raio marquei a radiografia ao ombro para hoje à tarde!!!
jp

7.2.08

MILAGRE É VIVER!

Os átomos não têm consciência. Nem sequer sabem que existem. Muito menos que nós existimos. E, no entanto, juntam-se aos triliões para nos criar. Porquê? Não sabemos. Nem eles sabem. Alguém sabe? Ninguém!
Estas minúsculas partículas dedicam-se, a deixar-nos disfrutar dessa experiência normalmente tão subestimada, mas inegavelmente agradável que é viver. Embora inconstantes, podem-nos deixar durar 650 mil horas ou mais. Depois dispersam-se em silêncio para se tornarem noutras coisas.
Esta boa vontade dos átomos é só uma parte do milagre. A verdade é que tivémos imensa sorte biológica. 99,9% dos seres que existiram já por cá não andam, nem deixaram sucessores. Mais, a própria sobrevivência da Terra, puxada por forças incontroláveis e sujeita a choques devastadores, é um espanto. Tivémos a sorte de ao longo dos tempos ter estado ligados a uma linha evolucionária beneficiada. Tivémos sorte com os antepassados que nos calharam. Nenhum foi devorado, esmagado, queimado, sei lá, afogado, na altura da procriação.
Por tudo isto, façam o favor de ser felizes!
jp

HOJE ESTOU ROMÂNTICO


6.2.08

EUROPA - TV RURAL

SAI DA TOCA E VAI AO "EUROPA", ALI AO CAIS DO SODRÉ. 5ª FEIRA, A PARTIR DAS 23,30H "TV RURAL" AO VIVO APRESENTAM O NOVO ÁLBUM "FILOMENA GRITA". ENTRADA 3€ OU 9€, COM DIREITO AO CD.

5.2.08

PENSAR

Sentei-me para pensar, coisa que faço muito raramente. E deu-me para para me interrogar sobre o que é pensar. Assim em abstracto é difícil dizer. Normalmente pensamos sobre coisas concretas. Problemas que temos ou que não temos. Prós e contras de uma decisão. O que fazer. Como resolver isto ou aquilo. Ou então há qualquer coisa que nos faz reflectir: a crise económica; aquele filme que vi ontem; uma frase solta ouvida no metropolitano; problemas domésticos; a saúde do meu pai... Agora pensar assim, sem mais nem menos? Uma mente vazia para que entrem todos os fantasmas? Um revisitar das nossas angústias profundas? Um sonhar acordado sobre a existência e a morte? Uma meditação que nos transporte para além da vivência quotidiana? Um exame de consciência que nos faça corrigir o que não tem correcção?... Foi isto que pensei e fiquei na mesma!
jp

4.2.08

REGICÍDIO NA RTP

Tiveram um século para realizar a série...! A história é boa. O enredo prometia. Reis. Príncipes. Palácios. Guarda-roupa luxuoso. Intrigas de corte. Diplomacias paralelas. Carbonária. Maçonaria. Choças. Alta-Venda. Fumos de República. Governos que se sucedem. Tumultos na rua. Conspirações. Armas. Tiros. Sangue... A RTP, no entanto, resolveu contratar todos os canastrões disponíveis. Enfiou-lhes barbas e bigodes postiços comprados ao desbarato numa loja de chineses. Os planos mortos, falecidos de parados. Falas arrastadas com total ausência de motivação. Dinâmica "Manoel de Oliveira". Intriga insegura no compasso gago da realização... Uma oportunidade única de regicídio que se perde. Felizmente hoje é o último episódio!
jp

QUEM ESTEVE LÁ?

2.2.08

EFEMÉRIDE - FILIPA DE LENCASTRE

Na confusão dinástica que se seguiu à morte de D. Fernando (1383) e à tentativa de Leonor de Teles e do seu "amigo" João Fernandes Andeiro de tomada do poder, a favor dos castelhanos, D. João, Mestre de Avis, filho natural de D. Pedro e da dama galega Teresa Lourenço, aceita o plano para eliminar Andeiro. Em 6 de Outubro é feito "defensor e regedor do reino" e as cortes de Coimbra de 1385 elegem-no rei.
A guerra com Castela era inevitável, dadas as pretensões de D. João de Castela, casado com D. Beatriz, filha de D. Fernando e de Leonor de Teles.
A salvação esteve na estratégia displicente dos castelhanos, que contribuíu para o desastre de Aljubarrota, e no apoio da Inglaterra que connosco celebrou o Tratado de Windsor (1386), sendo rei Ricardo II. Como parte do Tratado, D. João I casou com Filipa de Lencastre, neta de Eduardo III. O casamento realizou-se no Porto a 2 de Fevereiro de 1387. Portugal, para fugir à pata castelhana, enfiou-se debaixo das saias inglesas que, desde então, não mais cessou de nos colonizar economicamente e de influenciar a nossa política externa.
As questões dinásticas e as paixões reais, nas suas sequelas políticas, são um problema difícil de ultrapassar para os regimes monárquicos no seu confronto com os regimes republicanos. Vamos supôr que Cavaco se apaixonava pela primeira-ministra alemã, enjeitando a Tia Maria... A independência não ficava em perigo!
jp

1.2.08

OS PROJECTOS DE SÓCRATES

Os projectos de Sócrates no distrito da Guarda revelam um apurado sentido estético e uma concepção arrojada no mais puro estilo organicista lusitano, cujos melhores exemplares se continuam a referenciar nas Beiras.
Varandas pequenas e enjeitadas em despenhamento perpétuo sobre a rua;
portadas em alumínio incolor decoradas por ferraria em teia, denotando uma perfeita sintonia com o granito da calçada; alvenaria em tons contrastantes de verde-merda e grená-pipa; cabos e candeeiros públicos sobrepojando o telhado num assomo de futurismo decadente quase a roçar a "instalação".
Falta, é claro, a sebe em couve galega, a estatuária zoomórfica de águias e leões e a azulejaria policromada em tons multifacetados, elementos essenciais à caracterização do período "maison". Temos, porém, de relevar tais lapsos que vão a crédito da juventude do projectista. Hoje, estou certo, não cometeria tais erros!
jp