30.5.08

MAPA - JORGE F. PINHEIRO

MAPA - EDUARDO MAGALHÂES

MAPA - CARMO ROMÃO

MAPA - HELENA CALVET

MAPA - RITA GANTE

MAPA - VERA PAULINO

MAPA - COLECTIVA EM ALMADA




Abertura da exposição colectiva de artista da MAPA - Associação Cultural, que ficará patente até 31 de Julho, na Galeria Municipal de Almada. Pintura, escultura, fotografia, tapeçaria e instalação. Houve música e croquetes.

28.5.08

CAMPEONATO ANTI-EUROPEU

Dentro de 9 dias começa uma das manifestações mais emblemáticas de anti-europeísmo: o Campeonato Europeu de Futebol. Uma despropositada exacerbação do espírito nacionalista. Hino nacional. Bandeiras desfraldadas umas contra as outras, numa total inversão do esforço que a Comissão Europeia vem fazendo para nos unir. De facto não devia haver este campeonato. É um resquício dos estados-nação, um absurdo que em nada contribui para a criação da Europa Federal. Por isso, seja qual fôr o país que ganhe, a Europa perde sempre!
jp

MONTARIA

Cada uma destas hastes custa cerca de 90 contos!!! E não podes levar a carne. Só os cornos.
A coisa passa-se assim. Uma série de barrigudos pagam um mínimo de 350 contos e adquirem o direito a entrar na Reserva de Caça Turística e a abater dois veados. Se não abaterem pagam à mesma. É a caça de montaria. Depois de consumado o crime vão-se embebedar para um jantar acharutado, enquanto a carne é vendida a 1,5 € o quilo para uma qualquer empresa da especialidade. O caçador não mata para levar os bifes. Mata por desporto. Para o veado o desporto é radical! Os cornos são caducos. Todos os anos, em Abril, caem e começam a crescer outros que estarão fortes para as lutas de acasalamento em Setembro. Porque que não pagam 350 contos para encontrar os cornos percorrendo a magnífica paisagem da herdade, em vez de estarem sentados numa "porta" à espera que o bicho apareça? Não lhes faria melhor ao colestrol? Porque é tão importante para estes imbecis puxar o gatilho? Não haverá outra maneira de arranjarem um par de cornos?
jp

EM AZUL

ALENTEJO É QUANDO UM HOMEM QUISER




"Herdade da Chaminé", zona de Montemo-o-Novo.

26.5.08

MAPA - GALERIA MUNICIPAL DE ALMADA



É já na 5ª feira, pelas 21,30h que inaugura a esposição colectiva de artistas MAPA, com o título "Quotidianos", na Galeria Municipal de Almada. Pintura, fotografia, escultura e tapeçaria estarão expostos até dia 31 de Julho. Na inauguração vamos ter um excelente espectáculo musical, também de artistas MAPA. Estão todos convidados.

CRISE NO ALENTEJO

Observe-se a total ausência de carnes. Nem sequer enchidos. O arroz é escasso. Rareia. A crise chegou definitivamente ao Alentejo!
jp
Paella confeccionada só para amigos pelo antigo guarda-redes do Benfica, José Bastos.

25.5.08

FILHOS DO POVO DO SUL IV


Entretanto éramos transportados Marginal fora na suavidade do Peugeot 504 Injection com tecto de abrir, luxo proporcionado pelo Roberto, aborígene de Cabo Verde, “rei de Caxias” e "príncipe do Fogo".
Viajávamos amontoados no banco de trás, sempre a enrolar, em busca do pôr do Sol que teimava em fugir para oeste do paraíso… Subíamos ao Alto do Lagoal, por cima de Caxias, sobrevoando horizontes sem limites até ao Cabo Espichel… Parávamos em locais recônditos despenhados sobre o Atlântico a caminho do Cabo da Roca… Refugiávamo-nos nas profundezas da Serra de Sintra, reconquistando diariamente o Castelo da Peninha, no ponto mais ocidental da Europa.
Deslizávamos nas ondas atlantes do cabelo do Roberto que descia até meio das costas, fazendo de nós uma atracção turística da Costa do Sol e uma distracção rodoviária sujeita a multa. Dentro do carro fazia-se tudo… e tudo, às vezes, era quase nada, mas significava imenso!
À noite descansava-se nas searas de Porto Salvo à luz dos faróis ou acendiam-se fogueiras húmidas na praia das Fontainhas, ali na fronteira entre Santo Amaro e Paço D' Arcos, emborcando garrafões de tintol entre algas putrefactas e ratazanas do tamanho de coelhos que passavam por nós com descontracção de banhistas.
jp
Foto de Roberto Barbosa

FLUVIÁRIO DE MORA

Fugídios, mal se deixam fotografar. Vêm da nascente até à foz em habitats sucessivos construídos com desvelo por mãos humanas que a eles se dedicam a tempo inteiro. Tudo peixes de água doce. Alguns, como o esturjão e o saramugo, estão em vias de extinção e encontram ali um refúgio santificado. As lontras, traquinas, fazem habilidades para a fotografia. Peixes de rios tropicais observam-nos pintados de azul e amarelo. A anaconda dorme enrolada uma sesta infinita. Pequenas rãs venenosas exibem o seu colorido acrílico na humidade de um Amazonas simulado. As piranhas quedam-se na surpresa da vítima ensanguentada. Excursões infinitas lançam camionetas de peregrinos em pleno Parque Ecológico do Gameiro, perto de Cabeção, a maior mata de pinheiros mansos da península. Este é o maior fluviário da Europa, aqui no meio de nada, no Alentejo profundo. De repente tornou-se um "must". Uma iniciativa estruturante e estimulante. O fluviário aproveita as águas da ribeira da Raiva que, mais à frente, se junta com a ribeira do Soure e forma o Sorraia, afluente do Tejo. Zona fascinante e por descobrir. As fotos antecedentes são a prova.
Já agora fique a saber que os peixes nunca dormem e que quando uma rã coaxa em pleno dia é sinal de chuva!
jp

23.5.08

BROTAS - TORRE DAS ÁGUIAS

Já que está em Brotas, avance por um caminho de cabras até uma povoação fantasma, no meio de um chaparral secular e descubra, com espanto, a Torre das Águias. Integrava-se na vila de Águias, hoje abandonada. É um dos exemplares mais significativos das torres manuelinas existentes na região, das quais a mais conhecida será, porventura, a Torre do Esporão. Tudo aquilo está um caos e assim é que tem piada. É Monumento Nacional e fala-se em restauro, mas eu acho fundamental assistir à usura do tempo sobre os monumentos. Dá-lhes uma "patine" essencial à percepção da passagem dos anos. Erguida em 1520 por D. Nuno Manuel, guarda-mor do rei D. Manuel, era usada para repouso dos fidalgos nas caçadas de grande montaria, frequentes na região. Tem 18 metros de lado por cerca de 20 de altura e está dividida interiormente em 4 pavimentos. A cobertura é em adarve ou terraço, coroada por merlões com balcões de matacões nos cunhais, arrematados por coruchéus cónicos. Vejam bem o que se pode encontrar por montes e vales!
jp

SINAIS NA PAISAGEM






BROTAS - NOITE INESQUECÍVEL

BROTAS - "O POÇO"

Na foto, perdiz estufada a golpes de vinagre. Subtil e perfumada. Antes fora já degustado o arroz de lebre que se revelou opíparo e as migas de espargos selvagens com entrecosto que se apresentaram supimpas. O cabrito assado rematou com excelência. Tostado e quebradiço por fora e natente por dentro. Estupendo! O amerzendamento culminou com a "enxovalhada", uma sobremesa premiada à base de pão com azeite, ovos e canela. Serviço familiar, eficaz e muito simpático. Recomendado!
"O Poço", Brotas (8 km de Pavia), 266 487 155. Convém marcar. Perguntem pela menina Carina.

O BARBEIRO DE PAVIA

PAVIA - IGREJA MATRIZ

PAVIA - CAPELA/DOLMEN DE S.DINIS

PAVIA - OS TRÊS PODERES

TAMBÉM EM CHINESES HÁ MORA

AFINAL ONDE É QUE ELES QUEREM MORRER?

FLUVIÁRIO DE MORA - A CAMINHO

22.5.08

MAPA - ASSOCIAÇÃO CULTURAL


A MAPA é uma associação cultural sediada em Oeiras, mas que trabalha em todo o pais. Criada há cerca de 3 anos, integra no seu portfolio um conjunto apreciável de artistas plásticos (pintores e escultores), de fotógrafos, de músicos, de artistas dedicados à tapeçaria, instalação, etc. Com esta riqueza de valores, a MAPA tem promovido inúmeras exposições e eventos pluridisciplinares, associando muitas vezes a pintura, a escultura ou a fotografia à música.
O próximo evento será uma exposição colectiva dos artistas MAPA (cerca de 14 participantes) a realizar na Galeria Municipal de Almada. A exposição, com o título "Quotidianos", inaugura no dia 29 de Maio, pelas 21,30h com uma extraordinária performance musical e estará patente até 31 de Julho. Estão todos convidados e, já agora, podem ver as minhas esculturas ao vivo.
Ver site e blogue da MAPA no meu link.
jp

OLHAR DIREITO - UM OUTRO REGISTO

Desde ontem passei a colaborar no blogue "Olhar Direito" (ver link), a convite do autor Francisco Castelo Branco, juntamente com Cleopatra. O registo é completamente diferente do "Expresso da Linha ". "Olhar Direito" tem preocupações marcadamente socio-políticas, reflectindo problemas que afectam o nosso quotidiano e, simultaneamente, colocam questões de incompreensão social ao nível geracional. Achei interessante poder colaborar com dois jovens que tem desses problemas uma visão mais directa e aberta, enquanto eu, talvez por força da idade, tenho uma visão mais cínica. Vamos ver o resultado. Apareçam e comentem. Um abraço para todos.
jp

21.5.08

OEIRAS MODERNA

A construção não pára. A Oeiras moderna surge em todo o seu esplendor, com os seus magníficos engarrafamentos de trânsito e o seu estacionamento gloriosamente caótico. Os bairros sociais para pretos, abolindo o pitoresco cenário das cubatas, que tanto entusiasmava os turistas mais radicais. A profusão de buracos, condutas, escavações. esventrando o terreno até ao calcolítico e tornando a vida dos peões numa estimulante odisseia. A estação da CP despejando, logo de manhã, milhares de trabalhadores alegres e apressados para um largo pequenino e acolhedor, carregado de camionetas de carreira e centrado à volta de um monumento de valor municipal inestimável: a estação de serviço da Galp. Em cima da praia o passeio pedonal marítimo, onde se pode ver a melhor carne da linha, correndo para ganhar a consistência adequada. A marina, modestamente designada por “porto de recreio”. A Piscina Oceânica, que atrai os putos de Matarraque, Massamá e Matos Cheirinhos. O Tagus Park, onde se reunem tecnologias de ponta, a caminho do “Requinte Motel” e o SATU, esse prodígio de engenharia aeronáutica, patrocinado pelas cimenteiras do Outão e que por modestos 2 euros o transporta para lado nenhum. As cearas felizmente desapareceram, sendo substituídas compulsivamente por palmeiras e cogumelos de prédios multicolores identificando os antigos sem abrigo, transformando Oeiras num verdadeiro oásis no meio de um deserto de ideias. A não perder, também, o Parque dos Poetas Mortos, a pedir cemitério urgente, onde por entre árvores recém plantadas, espreitam estátuas ao mais puro estilo “isaltino-provinciano”, enquanto repuchos e gaisers apelam à lavagem por baixo. Oeiras marca o ritmo, sem dúvida. Resta saber quem quer dançar...!
jp

OEIRAS IV

Oeiras mudou muito e mudou depressa. Pela sua localização, a meio caminho entre Lisboa e Cascais, estava fadada para ser "a cidade do futuro".
Mas, nem sempre foi assim. Em meados do séc. XIX, Oeiras era um povoação terrestre. A costa passava a 2 km do centro da vila que se alongava ao longo da estrada de Lisboa para Cascais, com uma malha de ruas estreitas entre a Cruz de Oeiras e o aqueduto que abastece o chafariz do Marquês. A Rua Direita tem hoje o nome de Cândido dos Reis. O Largo do Egipto, com o seu palácio e jardins, hoje em recuperação para futuras actividades culturais de incerto destino, era contíguo ao Largo da Igreja (hoje Largo 5 de Outubro) e a Calçada e Santo Amaro (hoje Rua José Teixeira Simões) fazia a ligação, por uma tortuosa azinhaga, entre o centro da vila e a praia. A vila não teria, então, mais de 5 000 habitantes. O desenvolvimento perspectivado pelo Marquês não chegou a vir e Oeiras manteve-se rural e saloia.
Santo Amaro nasce no começo do séc. XX. O apeadeiro do caminho e ferro é o mais recente da Linha. A praia entrava pelas terras dentro. Não havia Avenida Marginal. Não havia o chamado "barracão", onde a familia Orey passava férias e que eu ainda bem conheci (nesses terrenos está hoje implantado a urbanização da SPOC, fronteira ao mar). Nem existia o jardim de Oeiras, onde se ergue agora ufano o globalizado "McDonald's". Após a inauguração do caminho de ferro, bandos de banhistas assaltaram a praia de Sabto Amaro. O apeadeiro veio ainda dar mais alento a essa gente sedenta de mar e que tinha no banheiro Pereira o seu expoente máximo. Aqui os banhistas sempre foram da burguesia, sem pretenções. Nunca aqui houve "nobres" a banhos!
Apareceram, então, os primeiros "courts de tennis" num parque junto à ribeira, bem como a ADO, com o seu ringue de patinagem. Construíu-se um hotel todo virado ao mar, com um casino ao lado, o Éden Casino.
Por volta de 1870 Oeiras tinha 2 fábricas: a Fábrica de Papel (na descida de Nova Oeiras para a vila) e a Fiandeira (lanifícios), na Rua de S. Pedro do Arieiro. Até 1889 (data da inauguração do caminho de ferro), o único meio de transporte eram os carros do José Florindo, de tracção animal, onde as pessoas se apertavam até caber, e que faziam a ligação até Belém, onde se apanhava o "americano" para Lisboa.
A partir de 1873 apareceram várias sociedades recreativas populares. Primeiro foi a "Guerrilha do Baltasar". Em 1909 o "Solidó do Salvador" e, por volta de 1940, "Os Carecas", com fins de beneficiência e e educação. Em 1906 foi fundado um dos primeiros clubes de futebol do pais, o "Oeiras Foot-ball Club".
No sítio onde hoje fica o Auditório Eunice Muñoz (antigo Cine-Oeiras) havia um barracão desconfortável onde, no Verão, havia teatro amador, ocasionalmente. Existiu também o "Teatro Taborda", propriedade de José Florindo que, igualmente ocasionalmente, tinha teatro de Verão. Acabou demolido em 1930, dando lugar a uma carvoaria (e que ainda hoje existe)!
Apesar de todo este aparente bulício cultural, a verdade é que ontem, como hoje, estranhamente nada se passa no centro da vila depois das 23 horas. Será estigma? Maldição do Marquês? Ou será que não sabem? A propósito, leia-se a descrição do livro "Memórias da Linha de Casais", a páginas 187, in fine, escrito em 1943: "Nem ontem, nem hoje se fez ou se faz vida nocturna em Oeiras. Às 23 reina nas ruas a calma das horas mortas. No Inverno a vila mergulha ainda mais fundamente na modorra".
jp
Os textos publicados sobre Oeiras tiveram por base artigos do Dr. Jorge Miranda, grande interessado e historiador da vila de Oeiras, que integra a "Associação Cultural Espaço e Memória", cujo contributo cultural para a vila é de enaltecer e cujo site fica hoje linkado. Igualmente me socorri, do livro "Memórias da Linha e Cascais", de Branca de Gonta Colaço e Maria Archer.

20.5.08

DOCES REGIONAIS - EXPRESSO DA LINHA

Agora que o Verão se aproxima e que a alimentação requer mais calorias, vamos iniciar uma rubrica semanal aberta a todos os leitores: "Doces Regionais - Expresso da Linha".
Enviem-nos, para ser postado, foto(s) de um ou mais doces regionais, acompanhados de texto que considerem relevante (a receita; a sua história; lendas associadas...) e o local onde podem ser comprados. Mensalmente teremos uma votação para o "Melhor Doce do Mês" e no fim do ano votaremos para "O Doce Expresso da Linha 2008" (e, quem sabe, organizaremos uma excursão ao local, nem que seja virtual).

FUTURO MUSEU DO CINEMA




Peças expostas nos corredores da ANIM (referida no post anterior) e que aguardam a instalação do Museu do Cinema.

CINEMATECA - ANIM

Na Quinta da Cerca, a caminho de Bucelas, no meio de 18 hectares de mata luxuriante, a Cinemateca Portuguesa construíu de raiz um complexo de edifícios (cerca de 7 000 m2 de área bruta). Um mundo surrealista em estilo pseudo-oiticentista, povoado de filmes, cartazes, cenários, adereços, aparelhos de todos os géneros... Serve para depósito, catalogação, preservação, restauro e investigação. O futuro Museu do Cinema será aqui implantado.
Fomos em busca de dois fimes: "Portugal - 850 km de Praias", de 1973, um documentário patrocinado pelo SNI, e "Lerpar", um filme de 1975, realizado por Luís Couto e que só por manifesto azar não chegou a estrear. Incluía actores de renome, alguns em início de carreira : Maria do Céu Guerra, Virgílio Castelo, Vitor de Sousa e Isabel de Castro. O grupo "Ephedra" fizera ambas as bandas sonoras. Porém, e como de costume, ficámos sem registo fonográfico. Depois de troca de mails, às 14h em ponto, numa sala de projecçâo de fazer inveja a muito cinema comercial, uma projecção só para nós. Recuámos no tempo 35 anos! No documentário turístico a nossa música dá um toque de tal forma modernista às imagens convencionais das meninas a correr e dos cavalos a saltar que não tenho dúvidas: muitos turistas vieram cá só para nos ouvir tocar. Já o filme foi uma revelação. Verdadeiramente "kusturica"! A música boçal, as imagens boçais, a realização boçal... Que pena não estar no video-clube!
jp

19.5.08

TURISTA OCIDENTAL

Faz hoje um ano que foi lançado o meu livro "Turista Ocidental", entretanto esgotado. Foi a Maria Antunes, do blogue "Design ao Litro", que se lembrou e a quem agradeço. O "Expresso da Linha" tinha começado em Abril.
O livro marcou um período inesquecível da minha vida. O "design" gráfico foi da Mafalda Dinis e a fotografia foi do meu grande amigo Roberto Barbosa que, três semanas mais tarde, cometeu a insensatez de morrer. Como tenho saudades do dia em que esta fotografia foi tirada no Cabo da Roca. Uma data de turistas japoneses ao vento agreste olhando curiosos e perguntando para que era. O Roberto, enorme, de tripé dando ordens: "Pára. Avança. Recua. Está bom. Outra vez..." Os japoneses cada vez mais curiosos, até o Roberto lhes dizer: "É para uma revista gay!". E lá foram com qualquer coisa para contar. Saudade!

OEIRAS - PRAIA

OEIRAS III

O Palácio do Marquês domina Oeiras, impondo-lhe a sombra omnipresente do Marquês. Obra projectada pelo arquitecto hungaro Carlos Mardel, o mesmo do Aqueduto das Águas Livres, o Palácio é um prefeito exemplar do gosto do séc. XVIII, muito ao estilo do Palácio Real de Queluz. O Marquês trouxe a este lugar ermo nos arrabaldes de Lisboa o fausto da corte. D. José andava doente, comichoso e chaguento. Os médicos recomendaram as águas do Estoril. Mas de Lisboa ao Estoril era uma estafa. Não dava para se fazer num dia. O rei ficou instalado no Palácio do Marquês e durante um ano (1775) Oeiras foi a verdadeira capital do país. Foi também nesse ano que, por iniciativa de Pombal, se realizou a primeira exposição agrícola da Europa, forçando, com esse ardil, a vinda da Corte, de embaixadores e comerciantes a Oeiras pela velha "estrada real", traçada pelas legiões e que ainda hoje lá se mantém, com o seu famoso "sobe e desce" por cima da Ribeira da Laje. Pombal era megalómano. Projectou um canal entre a costa e a vila, obra que tornaria Oeiras um porto de mar. Iniciou escavações profundas, cortes de rocha, paredões de pedra... A queda política do Marquês (1777) foi, porém, mais rápida do que a obra. Resta a ruína da Alfândega Velha e alguns paredões que o tempo e a construção civil se encarregam de fazer desaparecer. O morgadio compunha-se de três quintas principais: a Quinta de Cima (onde fica o Palácio); a Quinta de Baixo e a Quinta do Barril. Durante mais de cem anos este conjunto de quintas e o Palácio impediram a expansão da vila para oeste, em direcção a Carcavelos. No princípio do séc. XX todo este conjunto foi adquirido por Arthur Brandão à Casa de Pombal. Nos anos 50 do século passado inicia-se a construção dos bairros de Nova Oeiras, Palmeiras e Quinta do Marquês que, juntamente com a Estação Agronómica de Oeiras, entretanto vendida ao Estado, passaram a ocupar o espaço daquelas quintas. Quanto ao Palácio, passou para as mãos da Fundação Gulbenkian, aqui tendo permanecido a colecção de arte até o Museu Gulbenkian estar concluído, tendo sido, posteriormente, arrendado por 20 anos ao INA. Em 2003 foi adquirido pela Câmara Municipal. Aguarda-se um destino...!
Nas praias de Oeiras situam-se os principais fortes defensivos da barra do Tejo, incluindo a maior praça marítima da costa portuguesa, a fortaleza de São Gião ou Torre de São Julião da Barra (na foto), precisamente na foz do rio. Mais para juzante os fortes de Nossa Senhora das Mercês do Catalazete, o forte do Arieiro ou de Santo Amaro e o forte de São João as Maias. Todos estes fortes datam dos séc. XVII. Mais recentes (1926) são as inúmeras trincheiras e casa-matas escavadas no solo, deixando apenas ver uma guarita aqui, um paredão acolá. Um ar de mistério e assombramento. Faziam parte do Campo Entreicheirado de Lisboa, também hoje já sem qualquer valor militar e praticamente arruinados. À beira da praia, entre o Catalazete e São Julião da Barra, a "Feitoria", à beira da Marginal, como uma vista de mar absolutamente fabulosa, serve agora de colónia de férias aos rapazes do Colégio Militar. É ali que ia dar a Estrada da Medrosa que agora se detém na Marginal. Uma estrada militar que esconde umas das sedes regionais da NATO (CINCIBERLAND) e, mais à frente, o quartel da Medrosa. No meio, a cair em ruínas, pode ver-se o "Casão da Medrosa", de modesta aparência, onde esteve instalado o Quartel General de Wellington, ao tempo das invasões francesas (mais propriamente da comandada por Junot).
Este passado bélico de Oeiras já não existe. Hoje São Julião da Barra serve para os coronéis irem a banhos com respectivas famílias na piscina militar e iniciou-se já o aluguer para casamentos e baptizados ou outros eventos de reconhecida utilidade pública. Os restantes fortes aguardam quem os rentabilize sob pena de ruína total.
Tinha pensado que 3 posts seriam suficientes. Não são. Oeiras merece mais ou eu tenho fraco poder de síntese. Haverá, ainda, mais um post final.
jp

18.5.08

FILHOS DO POVO DO SUL III

O Rodrigo foi o primeiro a casar e a Eveline também. Ou seja, casaram um com o outro. Instalaram-se num moderníssimo T1 com kitchnete em Santo Amaro, no Bairro dos Sete Castelos, que passou a ser a primeira base autónoma e sustentada para todo o grupo.
Antes disso tínhamos a casa do Paulo, ou melhor, dos pais do Paulo. Hoje sinto-me uma espécie de "pais do Paulo" com as bandas dos meus filhos e respectivos groupies instalados permanentemente cá por casa, sendo que há trinta anos não era nada fácil ser "pais do Paulo".
Era naquela cave-garagem para onde se entrava por um empedrado preto e branco representando a "Árvore da Vida", que se tocava e charrava diariamente. Marmelava-se sempre que elas deixavam, todos ao molho num sofá coxo inventando a nossa própria adolescência.
As noites passavam-se na casa do Rodrigo com a tribo reduzida ao núcleo duro, entremeando joints com guitarradas, enquanto circulava uma banda desenhada feita colectivamente, em que o "Sr. Bulov" era personagem central e o humor ganzado da revista "Mad" estava presente. Também havia quem, no meio de toda aquela agitação, tricotasse camisolas de malha multicolores que, com o peso, chegavam até aos pés ou quem construísse abajures freaks para candeeiros de meditação transcendental. Todos traçando planos marados para futuros incertos… Serões em família!
O nome da banda "Ephedra" não foi fácil, nem consensual. Depois das habituais listas, discussões e votações, triunfou o nome derivado de um xarope para a tosse à base de ephedrina e ipecacuanha que alguém tinha lá por casa. Mal sabíamos nós que a planta ephedra é um poderoso estupefaciente que chegou a ser, erroneamente, identificado com o mítico "soma" védico. E foi assim que nasceu um grupo de superstars em busca de um outro eu. Primitivo-futuristas sem sossego!
Depois entrámos a ler Aldous Huxley e ficámos espantados por alguém ter descoberto o mesmo que nós três décadas atrás. Devorámos aqueles livros, hoje intragáveis, com respeito quase religioso: "Doors of Perception", "Sem Olhos em Gaza", "Também o Cisne Morre", "O Admirável Mundo Novo" e, claro, "A Ilha".
Víamos à desgarrada filmes do Ingmar Bergen e Orson Wells, à tarde, nas sessões clássicas do Monumental. Godard e Trouffaut, no "Estúdio" do velho Império. "2001, Odisseia no Espaço", onde quer que fosse.
Foi por essa altura que descobri "Margarita e o Mestre", do Mikhail Bulgakov, livro que ainda hoje leio compulsivamente de dois em dois anos e que começa com aquela frase perturbadora extraída do "Fausto", de Goethe:
"- Quem és tu, então?”
“- Parte daquela força que eternamente deseja o mal e eternamente cria o bem", diz o Diabo.
jp
Fotografia de José Maria Tavares Rosa