28.6.08

VOU ALI E JÁ VENHO

Para onde irei:
- Brasil
- Croácia
- Açores
- Madeira
- Turquia
- Marrocos
- Algarve
O vencedor deste pequeno passatempo não ganha rigorosamente nada, mas divertimo-nos um pouco... Até!
jp

FILHOS DO POVO DO SUL - IX

No princípio dos anos 70 a música popular estava em mutação profunda. As canções passaram a chamar-se peças; os bailes transformaram-se em concertos; o romântico deu lugar ao intelectual; a dança masturbativa virou êxtase circunstancial; a cerveja marialva, erva sazonal.
As bandas fugiam ao som estereotipado dos "Beatles" e "Rolling Stones", passando rapidamente ao desvario psicadélico dos primeiros "Pink Floyd"; às sessões stonadas dos "Traffic"; ao exotismo narcisista dos "Jefferson Airplane"; ao "acid rock" dos "Grateful Dead"; à desbunda organizada dos "Mothers of Invention". De repente a música pop deixou de ser em três acordes em compasso quaternário. O refrão deixou de ser essencial. A melodia não era para assobiar.
Naquele tempo o rock queria ser jazz e o jazz tentava ser rock. Época de transição, de perturbação geracional… Época de mudança!
Naquele tempo o Sid Barrett, fundador e mentor dos "Pink Floyd", estava já internado depois de ter alucinogenado tudo de uma só vez no primeiro álbum "Piper At The Gates Of Dawn", de 1967, relegando-nos para sempre no seu "Astronomy Domine". Morreu autista em 2006. "Wish you where here…"!
Naquele tempo "The Doors" estavam prestes a perder o carismático sexista Jim Morrison, falecido em 1971, deixando-nos, paradoxalmente, o duplo álbum "Absolutely Live" para celebrar o Lagarto… A Janis Joplin já tinha apanhado a overdose eterna, levando consigo o grito rouco da rebeldia e inconformismo… O Jimi Hendrix levitava nos mundos paralelos do "wah-wah", deixando-nos intrigados com "1983… (A Merman I Should Turn To Be)", do duplo álbum "Electric Lady Land".
Naquele tempo começou a surgir o que mais tarde se viria a chamar "rock- progressivo". Mas, na altura, ainda ninguém sabia…
Nesse tempo os "King Crimson" eram o máximo. "In The Court of The Crimson King" e "In The Wake of Poseidon", dois álbuns sucessivos de 1969, são obras de culto absoluto. A exploração até ao limite do "mellotron", um sintetizador analógico que nos faz navegar na profundidade do "twillight zone"; a viola ácida do Robert Fripp, sempre no contraponto; a subtileza do baterista Michael Giles; as flautas cristalinas do Ian McDonald e do Mel Colins; o baixo em suspensão do Greg Lake; as líricas extralúcidas do Pete Sienfield - "… you don't possess me, don't impress me, just upset my mind. Can't instruct me or conduct me, just use up my time…". Os "King Crimson" faziam-nos sonhar com mundos para lá da existência e, ao mesmo tempo, puxavam-nos para a realidade de um cruel quotidiano futurista, bem expresso em "21st Century Schizoid Man".
Nesse tempo os "Soft Machine", o principal grupo da chamada "onda de Canterbury", interpretavam um cool-psicadélico, jazzístico e experimentalista. Perturbavam pela crueza diletante, pela intelectualização dos compassos ímpares. O órgão saturado de "fuzz" do Mike Ratlegde e a voz abstracta do baterista Robert Wyatt no irrepetível "Moon in June": "On a dilema between what I need and what I just want/Between your thights I feel a sensation/How long can I resist the temptation?". A voz era tão rouca e tímida, a música tão inesperada que nunca ninguém percebeu que eram apenas dezanove minutos de puro romantismo!
Com os "King Crimson" aprendemos a intelectualização sinfónica da harmonia. Com os "Soft Machine" a diletância abstracta do compasso psicadélico.
Nessa altura os "Genesis" eram, para nós, apenas comerciais… Os "Gentle Giant", insuportáveis de barroco… Os "Jethro Tull" roçaram a genialidade antes de se converterem ao narcisismo crescente do vocalista-flautista Ian Andersen… Os "Emmerson, Lake and Palmer" falharam a recriação de um super-grupo “tipo Cream". Ficou para a posteridade o solo de "moog" do Keith Emmerson na música "Lucky Man"… Os "Yes" eram o nosso ódio de estimação.
Para aliviar de tanto "progressivo" ouvia-se "Crosby, Stills and Nash", repetindo até à exaustão uma das melhores músicas de sempre: "Wooden Ships", um hino ao largar as amarras, à indiferença pela vida quadrada a que nos queriam condenar: "… we are leaving, you don`t need us… and it`s a fair wind, blowin`warm out of the south over my shoulder. Guess I`ll set the a course and go". Detestei quando deixaram entrar o histérico Neil Yong para o grupo!
Ouvia-se Miles Davis, Herbie Hancock, Chick Corea, Stanley Clark e tantos outros que penetravam o jazz com sons de rock, baralhando "standards", confundindo críticos e criando o jazz-rock. "In a Silent Way", do Miles, era o disco padrão da nova sonoridade. Totalmente cool, hipnótico, astral: “Shh… peaceful!”. Sempre novo... sempre diferente.
Esporadicamente, entrava-se numa mais radical ao som do free-psicadélico de Sun Ra, músico nascido em Saturno, de que nunca se soube a idade, apenas o signo: Gémeos! Sun Ra tocava "órgão de luzes", com a sua "Solar Arquestra", toda ela vinda do infinito intergalático, batucando furiosamente percussão africana e parando subitamente a meio da performance para gritar tribalmente: "Space is the place".
Às vezes ouviam-se coisas verdadeiramente avançadas. Discos comprados na Buchholz, ali na Duque de Palmela, refúgio para quem não queria mais do mesmo. Pierre Henri, o pai da música computorizado e samplada, esteve na origem de toda a música sintetizada. Acabou por ter como descendência o bacoco Jean-Michel Jarre e o vomídrico Vangelis. Pobre homem, não merecia isto!
Em 1972, a Fundação Gulbenkian trouxe as "Percussões de Estrasburgo". Dez músicos em gola alta num concretismo xenaquiano. Despojamento de harmonia… Desprezo pela melodia… Vitória do tempo sobre o espaço. Orgia de percussão: vibrafones, metalofones, marimbofones, xilofones e tubular bells; gongos, triângulos e cymbals; chapas, bidons e frigideiras; tarolas, timpani, bombos, surdos e bongós; caixas, blocos e maracas; congas, tímbalos e dharabocas... Nunca mais quis ser outra coisa senão eterno batedor, feiticeiro da tribo!
O Brasil também passou a fazer parte de nós: Gilberto Gil para excitar; Caetano Veloso para sonhar; Chico Buarque para sofrer. Especialmente ouvido era o álbum "Caetano e Chico Juntos e ao Vivo", com o arrepiante tema lisérgico "Janelas Abertas Nº2", onde o Caetano, cantado pelo Chico, "… poderia perder as paredes aparentes do edíficio; penetrar no labirinto de labirintos dentro do apartamento; em cada quarto rever a mobília; em cada um matar um membro da família…", mas prefere "abrir as janelas p`ra que entrem todos os insectos". Este disco foi, aliás, um dos maiores responsáveis por mais tarde virmos a cantar em português.
O falecido Frank Zappa, no seu estilo inclassificável, estava sempre presente. Muito ouvido era o mítico álbum "Weasels Ripped My Flash", com o seu penetrante tema "My Guitar Wants To Kill Your Mama", ou o clássico "Prelude To The Afternoon Of Sexually Aroused Gas Mask". O velho L.P. "Hot Rats" mantinha-se activo com o inimitável instrumental "Peaches In Regalia". Os mais recentes "Over-nite Sensation" e "Apostrophe" quase não saiam do "pick-up". E como diria romanticamente Frank Zappa: "… I`ll ignore your sheap aroma / I just put you in a coma / with some dirty love / that dirty love"… frase absolutamente recomendada para o "dia dos namorados".
Com o seu humor perverso e viola desconcertante, Zappa representava o espírito da época: a desbunda totalmente organizada, inteiramente escrita, rigorosamente executada, loucamente encenada, politicamente anarquizada. Com ele aprendemos que até para fazer ruído é preciso ensaiar muito!
Foi nesta caldeta musical que os "Ephedra" nasceram, com mais uma pitada de "malhão, malhão", um cheirinho de fado vadio e um toque de "coladera".
jp
Tenho vindo a publicar, on-line e em episódios, o meu livro "Filhos do Povo do Sul - Memórias de uma Banda Rock dos Anos 70". Costuma ser às segundas-feiras. Desta vez sai ao sábado, porque a partir de amanhã vou estar ausente da net. Aproveito para publicar um episódio mais longo para se entreterem durante a semana.

27.6.08

NOTAS SOLTAS



EPHEDRA - A GRAVAÇÃO

As gravações continuam a bom ritmo. Entre "picar" e "rapar", o software vai cumprindo a sua função, entremeando compassos laboriosamente urdidos, numa teia de harmonias pendentes. Finalmente a bateria ficou gravada. O baixo e a guitarra começam agora. Falta, depois, o piano e o violino. O vibrafone anda doido para gravar. Já lhe disse que só entra no fim. É um instrumento ansioso. A idade não lhe faz nada bem!
jp


26.6.08

VEÍCULOS DE SERVIÇO

Nos últimos trinta anos tem-se assistido à proliferação de carros de serviço nas empresas e no estado, numa lógica completamente anti-ecológica e fraudulenta em termos laborais.
Inicialmente os veículos de serviço eram isso mesmo, de serviço. Eram distribuídos a quem precisava deles como instrumento de trabalho (os trabalhadores operacionais ou comerciais) ou para certos cargos mais elevados que envolviam uma componente de representação que se considerou dever integrar um carro de prestígio (caso de ministros ou administradores de empresas).
A pouco e pouco esta noção foi alargada e distorcida. Os veículos "de serviço" passaram a integrar o pacote remuneratório de quadros a quem se queria pagar mais, sem ter de alterar Acordos Colectivos de Trabalho. Passaram a integrar a categoria de "fringe beneficts". O conceito evoluiu ainda mais e hoje em dia qualquer quadro médio tem veículo de serviço.
São aos milhares os carros que circulam solitários de casa para o emprego e vice-versa, transportando, em cilindradas despropositadas, jovens quadros que se juntam aos almoços para discutir as propriedades de cada veículo e os equipamentos extra, numa atitude de novo-rico que as empresas estimulam. Esquecem que aquilo não é vencimento. É um logro que a empresa lhes dá, a coberto da vaidade própria, mas que não conta para a reforma. Em empresas como a EDP, a GALP ou a PT a frota automóvel andará pelos 4 ou 5 mil carros, por cada empresa. Apenas 25% serão realmente de serviço!
É uma atitude incompreensível do ponto de vista ecológico. O estado e as empresas deviam dar o exemplo, mas fazem o contrário. Se têm que dar veículos sejam restritivos. Arranjem outras formas de pagamento extra. E quanto aos carros, não seria adequado apostar em veículos de baixa cilindrada e baixo consumo ? Continuamos a achar que a ostentação é um sinal de riqueza, mas o PIB per capita desmente-o!
jp

25.6.08

O PODER DOS BLOGUES

Jane Novak é uma típica dona de casa americana de 46 anos, casada e com dois filhos. A partir da sua casa em New Jersey faz tremer o regime do Iémen.
O presidente Ali Abdullah Saleh e seus familiares dominam todos os sectores da vida do país, vai para 27 anos, numa ditadura camuflada, tolerada pelos governos ocidentais.
Jane é uma desconhecida na sua cidade. Mas no Iémen toda a gente sabe o seu nome. "Jane do Iémen", como é conhecida, arrasa o governo da "dinastia" Saleh com artigos demolidores que são, depois, reproduzidos em jornais independentes que conseguem fugir ao controle governamental. Jane denuncia a situação através do blogue "Armies of Liberation" http://www.armiesofliberation.com/ a partir do conforto da sua casa.
Tudo começou a partir de uma petição a favor da libertação do jornalista iemenita Abdul al-Khaiwani, preso por "delito de opinião" e acusado de tentar derrubar o regime. O Iémen tornou-se rapidamente o único assunto do blogue de Jane que, nunca tendo ido ao país, conversa com pessoas de lá e sabe tudo o que lá se passa através da net.

24.6.08

EFEMÉRIDE - BATALHA DE S. MAMEDE

O projecto-Portugal começa precisamente a 24 de Junho de 1128, data em que se trava a batalha e S. Mamede, ali perto de Guimarães.. Afonso Henriques era um miúdo endiabrado. Órfão de pai desde os três anos, tinha problemas freudianos com a mãe. Problemas que ninguém sabe explicar. Seriam ciúmes do amante da mãe, o fidalgo galego Fernão Peres de Trava? Seria por não ser filho da mãe? Há quem dê por adquirido que o rapaz era filho de Egas Moniz, fidalgo poderoso e que foi seu aio e tutor. O filho de Tareja e Henrique de Borgonha teria nascido defeituoso e os putos foram trocados à nascença. Especulação? Ninguém sabe! O certo é que quando há uns dois anos quiseram examinar os restos mortais do rei, a burocracia republicana impediu. Terão medo que o mito da nação caia às provas de ADN?
A partir da batalha de S. Mamede, Afonso intitula-se Príncipe ou Dux. Só após a batalha de Ourique, contra os mouros, em 1139, se intitula rei. O reconhecimento de Leão veio em 1143 (Conferência de Zamora). Só em 1179 o papa reconhece Afonso como rei de Portugal (bula Manifestis Probatum).
Começa em S. Mamede o projecto de um país. Um país sem viabilidade económica. Virado contra as espanhas, entalado pelo mar e feito de gente que não se governa, nem se deixa governar. Estranho, exótico mesmo, esse país ter sobrevivido nove séculos. Um contrasenso que só não vai dar bronca porque, como o tio Afonso, nascemos desenrascados.
jp

PIZZA - BREVE HISTÓRIA

Os egípcios comeravam o aniversário do faraó comendo uma massa achatada condimentada com ervas. Na Babilónia os soldados comiam uma massa achatada. Após a queda do Império Romano, os Lombardos chegaram ao sul de Itália trazendo búfalos que se deram bem com o clima e de cujo leite se fazia (e faz) o queijo Mozarela. Com a descoberta do Novo Mundo veio o tomate, que haveria de ser o ingrediente principal da pizza. Os napolitanos foram os primeiros a usar o tomate, vencendo a desconfiança inicial quanto ao produto. A pizza passou a ser um dos pratos tradicionais da região. Em 1889 a pizza conquistou o mundo, graças à rainha de Itália e Sabóia, a austríaca D. Margherita, que pediu para provar essa iguaria. O cozinheiro (pizzaiolo), Raffaele Esposito fez uma pizza com as cores de Itália, vermelho/tomate, verde/manjericão e branco/mozarela.
Comer pizza é, pois, um acto de cultura e de civilização. Acresce que a pizza se tornou um símbolo da globalização, a fast-food universal. Em qualquer local do mundo (excepto na Coreia do Norte) se pode comer pizza. A pizza serve também para harmonizar as gorduras a nível mundial, sendo um factor de desenvolvimento económico pelas consequências a juzante. Efectivamente, o aumento do colestrol contribui decisivamente para um aumento dos actos médicos e para a melhor rentabilidade da indústria farmacêutica.
jp

23.6.08

VOAR EM PLENITUDE - ESPECTÁCULO

A Associação de Moradores de Nova Oeiras convida para um espectáculo de canto lírico que terá lugar no Auditório do Centro Paroquial de Nova Oeiras (no largo da igreja de Nova Oeiras), na próxima 6ª feira, pelas 22 h. Trata-se da primeira acção do Plano de Animação Cultural que a direcção da Associação (de que faço parte) está a desenvolver para 2008. Podem ver o site da Associação nos meus links em AMNO.
"Voar na Plenitude" é um espectáculo intimista e original na abordagem ao canto lírico, bem como na performance protagonizada pelo dueto "Tons d' Alma". A acção tem o apoio da CMO e a produção da MAPA-Associação Cultural.
A entrada é gratuita, para moradores e não moradores. Apareçam.

FILHOS DO POVO DO SUL VIII

Em 1970, o Liceu de Oeiras fervilhava de contestação intelectual. Eu já lá não estava. Sou da colheita de 51. A minha "guerra" já era na Faculdade de Direito de Lisboa desde a "crise de 68/69" e do célebre comboio de apoio à Associação de Estudantes de Coimbra acompanhado pela delicada polícia de choque e seus famosos cães amestrados.
No Liceu um grupo de jovens loucos criou um teatro modernista. Os actores masculinos entretinham-se a deixar crescer o cabelo, enquanto gritavam frases "avant-garde". As actrizes ondulavam amarradas aos espaldares berrando palavras "stanislavisquianas" e vestindo-se o menos sexy possível.
O reitor, conhecido por "dez para as duas", verdadeiro fiscal de costumes, acabou por ter de aprovar a coisa dada a dimensão do problema. Foi um êxito. Um verdadeiro "happening".
Pouco depois, na Sociedade de Belas Artes, tentou-se organizar o "Lisboa 70", movimento multicultural comissariado pelo Stau Monteiro, onde o "happening" do Liceu de Oeiras seria o teatro "freak" do evento. A P.I.D.E. não deixou! Não houve música; não houve pintura; não houve teatro… não houve nada. Pela primeira vez, ficámos ao lado da história. Muitas outras se seguiriam!
Ficou a dimensão teatral e dramática que nunca mais cessaria de acompanhar o “Ephedra”. Eram cenários rebuscados. Projecções de diaporamas. A dimensão estética da performance. Músicos que tocavam de costas para o público. A total ausência de contacto com os espectadores. Nem boa noite à entrada, nem "Olá Alhos Vedros". Muito menos obrigado à saída.
jp

22.6.08

AQUECIMENTO GLOBAL

Segundo o ambientalista Bjorn Lomborg, o aquecimento global não é o fim do mundo. Até porque o efeito de estufa evita mais mortes pelo frio do que as que advêm do calor. O Protocolo de Quioto, mesmo que tivesse resultado, no final do século, teria adiado o aquecimento global por sete dias!!! Custa 115 mil milhões de euros por ano para não ter virtualmente qualquer impacto! A ONU estima que com 48 milhões de euros/ano podemos dar comida, água, medicamentos, educação, etc, etc, a todos os habitantes do planeta. E, segundo Lomborg, com 16 milhões de euros podemos enfrentar o problema do aquecimento global, através de investimento em investigação e tecnologias não poluentes. O que precisamos não é de legislar para ter mais painéis solares, por exemplo, mas garantir que ficam mais baratos.
Este homem não gosta nada de AlGore. Segundo ele, o grande-orador, quando vice-presidente foi responsável por um aumento de 11% nas emissões de CO2! A forma dramática e mediática como AlGore transmite a sua mensagem, bem ao estilo manipulador dos tele-evangelistas, transmite uma sensação de catástrofe eminente, provocando alarmismo e histeria despropositados. Dizer que "Se toda a Gronelândia derretesse, o mar subiria seis metros", é o mesmo que dizer: "Se um meteoro atingir a Terra, todos morreremos". A ONU estima que num século o mar possa subir entre 18 e 59 cm. AlGore fala em seis metros...! Depois AlGore exagera, quando fala do ébola, da tuberculose, dos furacões, como se estivessem intimamente ligados ao aquecimento global. Ele gosta destas associações gratuitas, porque soam a algo muito perigoso... E isso vende mais!
O aquecimento global é, sem dúvida, um problema. Mas a informação que temos é muito parcial e exagerada. E isso não conduz a boas decisões políticas. Veja-se o caso dos bio-combustíveis. O que se fez foi basicamente comprar uma enorme quantidade de comida e metê-la nos depósitos dos automóveis. Isso deve ter criado 100 milhões de pessoas com fome, obrigou a devastar florestas tropicais para cultivar mais comida e custou inúteis milhões de euros!
Lomborg acaba de lançar o seu novo livro "Calma!", que será editado no próximo mês pela editora Estrela Polar. Com edição brasileira podem já ler "O Ambientalista Céptico", o seu primeiro livro.
jp

21.6.08

QUALQUER COISA

Transforma-se o amador na coisa amada
Por virtude do muito imaginar:
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte amada.
CAMÕES

20.6.08

AS MULHERES E O FUTEBOL

- Ele tem muito bom corpo!
- Mas viste a casa dele? Tudo muito piroso...
- Agora é moda. Tudo em preto, até os copos.
- Tá bem, mas é piroso!
- Pois, mas tem piscina interior!
- A família alugou uma casa na Suiça e a mãe não quis lá a namorada. A Nereida foi para um hotel.
- Ficou de certeza melhor.
- A mãe é que arranjou logo um namorado. E o homem anda muito preocupado com as namoradas do Ronaldo. Ai não!!!
- Mas o Deco é brasileiro? Não sabia. Foi o que jogou melhor.
- Diz que o jogo foi bem disputado. Eu não vi, mas foi o que o meu marido disse.
- Mas começámos logo a perder?!
- O Ronaldo só joga bem no Manchester.
- Ele fala é muito bem inglês e até espanhol. O miúdo não é nada burro.
- E tem muito bom corpo!
- Um dia saiu de casa e gastou 20 mil contos em compras. O empresário até ralhou com ele!
- Mas é bom rapaz. Amigo da família....
- Agora gostava que viesse o Carlos Queiroz. É giro. Belo homem!
- Mas esse só a peso de ouro.
- A Holanda agora é só brancos. Dantes era tudo pretos!
- É como a França. Aquilo vêm todos das Guianas, do Senegal e de Marrocos.
- Esses já estão arrumados. A Holanda é que ganha.
- Então e o Dia da Raça?
- Aquilo foi sem querer.
- O Malato é que anda doente. Diz que é febre da carraça.
- O Sócrates também anda adoentado. Será da carraça?
- Eu gosto é do Rui Costa.
- O Figo também não metia golos na selecção. Eles querem é dinheiro!
- Não percebo como é que aquela "coisa" teve um filho.
- Quem?
- O José Castelo Branco. Aquilo não é um homem é um laboratório!
- A limonada está óptima...
jp

19.6.08

RASTAS NO PARQUE

EFEMÉRIDE - D. ANTÓNIO, PRIOR DO CRATO

A 19 de Junho de 1580, D. António, prior do Crato, faz-se aclamar rei de Portugal, em Santarém. Estava-se em plena crise sucessória após a morte de D. Sebastião, em Alcácer Quibir. Sebastião morrera sem descendência. A coroa ficou entregue ao idoso cardeal D. Henrique, seu tio e filho de D. Manuel, que haveria de governar por dois anos (1578-1580). Cinco pretendentes surgiram após a sua morte, destacando-se três: D. António, prior do Crato; Dona Catarina de Bragança; e D. Filipe II de Espanha.
D. António não consta geralmente da lista dos monarcas portugueses, havendo, porém, quem defenda que ele foi, efectivamente, rei. A sua aclamação deu-lhe o governo precário de todo o país de Junho a Agosto de 1580 e entre 1580 e 1583, nalgumas ilhas dos Açores, nomeadamente na Terceira. Estando a decorrer um processo jurídico-sucessório que o próprio cardeal D. Henrique havia sancionado e estando o assunto em apreciação por uma Junta de Governadores que se mantiveram em funções após a morte do cardeal, é duvidoso que D. António possa ser considerado mais do que um revoltoso, por muito patriótico que se possa considerar o seu gesto, no qual, aliás, foi secundado por uma enorme minoria de nobres. A maioria estava com Filipe de Habsburgo, o único candidato que podia dar mais mercês aos fidalgos portugueses.
E mais mercês era só o que interessava aos fidalgos. De facto elas ficaram estipuladas num documento conhecido como Mercês de Almeirim, depois consagradas pelas cortes de Tomar, aquando da aclamação de Filipe como rei de Portugal. Os nobres viram nesta sucessão a possibilidade extremamente patriótica de se equiparar aos nobres de Espanha que tinham maior jurisdição senhorial e possibilidade de receber a sisa (as alcavalas castelhanas) nas suas terras e, acima de tudo, de não estarem sujeitos à Lei Mental instituída por D. Duarte, a qual apenas permitia a sucessão ao filho primogénito. No caso de este ter morrido antes da sucessão as terras entravam directamente para a coroa. Aliás, foi apenas e só apenas por, mais tarde, Filipe III ter ameaçado retirar alguns desses privilégios que os nobres, novamente num acto extremamente patriótico, resolveram fazer a Restauração! Filipe foi rei de Portugal por negociação e não por conquista. Negociação que trouxe vantagens para os nobres e para os mercadores e que manteve o estatuto da Igreja que fora já elevada ao zénite pela Concórdia de 1578, assinada por D. Sebastião. Aqui a negociação foi ao contrário: não equiparar a igreja portuguesa à espanhola, para não perderem mercês!
D. António era neto de D, Manuel, filho natural do infante D. Luís e da cristã-nova Violante Gomes, a Pelicana (nome fantástico!). Encabeçou a facção que se opunha à monarquia hispânica. Não tinha a simpatia do cardeal-rei, nem o apoio da grande maioria da nobreza que preferia um rei forte. D. António, após a sua proclamação, acaba completamente derrotado na batalha de Alcântara, pelas tropas espanholas comandadas pelo Duque de Alba, em 25 de Agosto de 1580. Passa o resto da vida num périplo diplomático desesperado tentando reunir, sem sucesso, tropas e apoios para expulsar o “invasor”. Morre em Paris, em 1595. Modernamente há inúmeros descendentes de António, prior do Crato, na Suiça Francesa que provavelmente ainda se sentem com direito ao trono.
jp

17.6.08

TERTÚLIAS VIRTUAIS

Numa ligação transatlântica com o Eduardo do "Varal de Ideias" (ver link) decidimos propôr um desafio a todos os bloguers interessados. No dia 15 de cada mês iremos publicar em simultâneo um texto/imagem (ou só uma das coisas) subordinadas a um determinado tema previamente anunciado. A liberdade é total.
O tema para 15 de Julho é "O MELHOR LUGAR DO MUNDO". Cada um interprete à sua maneira. Vão pensando. Mais perto da data voltamos a avisar.
jp

STRANGE DAYS

O tempo mantém-se incerto, hesitando diariamente. De manhã parece que vai ser Verão. Depois inflecte para uma penumbra outonal. Decide-se por chuva primaveril. Acaba o dia com vento leste. Lá fora as anoneiras cobrem-se de incipientes flores esperançosas. Os periquitos fazem enorme algazarra na palmeira gigante, em dialecto africano. Bandos de andorinhas interrogam-se sobre eventual erro no destino. Metade da população está constipada, a outra metade a caminho. As lojas saldam roupa que não venderam da Primavera que não houve e do Verão que não chega. Strange days!
jp

BALÕES

16.6.08

FILHOS DO POVO DO SUL - VII

O Manecas era o melhor viola solo da Lusitânia. Dormia com a viola. Sonhava com a viola. Violava a viola… Um caso "freudiano"!
Começou na Fender Stratocaster e fixou-se na Ibañez, por razões que só ele poderá explicar (talvez as curvas).
Era uma "âncora". Quando já estávamos totalmente perdidos em pleno concerto, o Manecas mantinha-se implacavelmente a contar os compassos, mexendo o lábio inferior em discretos movimentos matemáticos dignos de maestro.
Atacava as notas com extâse cósmico aproveitando o "feed-back" até ao limite, controlando a distorção sem deixar cair a nota. Os solos eram um continuum plasmático, uma cascata reverberante que deixava a assistência à beira do abismo e os violas-solo dos outros grupos de boca aberta.
Mas, o Manecas não foi fundador do "Ephedra". Aliás, eu também não. A primeira sessão em que participei foi totalmente experimental e veio a chamar-se "Terror em Casa do Paulo". Lá em cima, na sala de estar dos pais. Luzes apagadas. Luar imenso que inundava a sala. Flauta; viola nos harmónicos; violoncelo nos graves. A "Torre do Relógio" ali em frente. O pio assombrado das corujas. O Tejo flamejante a excitar-nos as almas. Toquei copos, garrafas, tubos metálicos vibrados em alguidares de água e tudo o mais que consegui encontrar na despensa… Nunca mais se conseguiram ver livres de mim!
Pela banda passaram ao longo dos tempos mais de vinte músicos nas suas várias formações. Mas a ideia inicial foi do Xico Zé, do Luís e do Paulo.
Fotografia de José Maria Tavares Rosa.
jp

15.6.08

NO REINO DO VARAL IV



NO REINO DO VARAL III



NO REINO DO VARAL II



NO REINO DO VARAL

Lá no alto o Castelo de S. Jorge vigiando Lisboa, despenhando-se sobre um Tejo manso que se alarga desmesuradamente no Mar da Palha. Ruelas mouras descendo a pique sobre a Praça da Figueira, onde, na sua rigidez de bronze, D. João I, Mestre de Avis, olha altivo os súbditos que passam. Para sul estende-se a Baixa, cartesianamente desenhada pelos arquitectos maçons do Marquês de Pombal. Lisboa nunca perderá a memória desse terramoto de 1755. Ele está por todo o lado. Nos restos intactos da Sé e no ouro refulgente da Igreja de S. Roque que sobreviveram ao inferno. Nas ruínas do Carmo e da Trindade que ainda hoje, a céu aberto, testemunham a violência do abalo. Na destruição do Terreiro do Paço, soterrado por ondas de 30 metros. No incêndio do Bairro Alto que devastou a “Sétima Colina”. Lisboa de hoje respira aliviada a catástrofe passada, na angústia anunciada do próximo cataclismo.
Uma pequena rua movimentada e de comércio duvidoso leva-nos da Praça da Figueira ao Largo Martin Moniz. Regressamos às longínquas memórias da reconquista cristã. Em 1147 Afonso Henriques cercou Lisboa que nessa época se chamava Ashbouna. A conquista só foi possível porque o cavaleiro Martin Moniz, durante uma refrega, se atravessou numa porta impedindo que esta se fechasse. A porta tem o nome da lenda e o cavaleiro não teve hipótese de inaugurar o busto comemorativo, por manifesta falta de saúde. Em compensação deram-lhe um largo só para ele. O Largo Martin Moniz! Só para ele e para centenas de guineenses, angolanos, cabo-verdianos, muçulmanos, sikhs, brasileiros, chineses, ucranianos, pretos, brancos, mulatos… O Largo Martin Moniz é o largo mais global de Portugal. Aqui se encontram todos os dias gentes das mais desvairadas partes do mundo. Gentes desta Lisboa que sempre teve as portas abertas ao multi-culturalismo. E que melhor homenagem prestar a Martin Moniz, esse homem altamente especializado em abrir portas? Passam turbantes em vestes brancas; djelabahs castanhas em babuchas de cerimónia; senhores de gravata; saris; burkas; cabaias; panos coloridas dos calores tropicais. Babilónia de línguas. Restos do Império. Prenúncio da globalização total. Lojas obscuras em centros comerciais labirínticos, onde se pode comprar o autêntico “pau-de-Cabinda; o verdadeiro caril de Madrasta; a noz-moscada das Molucas; a malagueta de Benguela; a pimenta de Ceilão. Espaço multicultural, bem no centro de Lisboa. Um espaço perdido na memória colectiva que todos os dias viaja muito além da Taprobana.
Pois foi precisamente ali que o Eduardo decidiu ficar instalado, num hotel que, muito apropriadamente, se chama Hotel Mundial. Encontrar o Eduardo neste global universo mundial não parecia tarefa fácil, se considerarmos que nunca o tinha visto. O encontro fora marcado através do blogue “Varal de Ideias”, de que o Eduardo é autor e animador, lá no longínquo Piacaba, em Santa Catarina, no sul do Brasil. Varal é estendal. Ambos somos loucos por molas e pregadores com coisas penduradas. E, acreditem, pode-se pendurar quase tudo, desde que a mola aguente!
Dezanove horas em ponto. Do quarto ninguém atende. Dou três voltas ao bar de ouvido apurado. Alguém me chama. Era ele. Era assim que o imaginava. Talvez mais baixo. Óptimo aspecto. Ar calmo de quem gosta de ouvir. Ainda bem, porque eu gosto de falar!
Sentada numa mesa do bar, lá estava a Paula. Dois “blogueiros” recém apresentados discutiam, por entre caipirinhas de ocasião, esta estranha forma de vida, esta nova forma de travar conhecimento. Viajamos com os blogues, por causa dos blogues, para os blogues.
Subimos a São Cristóvão, freguesia centenária, pendurada na colina do Castelo. Os varais invadem a noite no seu movimento pendular, transformando as vielas nas velas de um oceano por navegar. São dezenas de estendais que nos saúdam, como se soubessem da nossa paixão. Acenam de longe, garbosos da sua brancura, sussurrando, “Olhem para mim. Eu sou o Varal do Mês!”. Aqui tudo é possível. Estamos no “Reino do Varal”!
Travessa da Farinha. “Cantina Baldraca”. Comida italiana de excelente qualidade, exclusivamente à base de massas, confeccionadas na casa. Decoração despojada. Luz coada. Serviço descontraído e simpático. Fomos os primeiros. Em Lisboa ninguém janta fora antes das dez da noite!
À minha frente a Paula e o Eduardo. Que tínhamos em comum, para além de falarmos português, gostarmos de varais e termos blogues? Em breve iria descobrir!
Descobrir que o Atlântico separa o que devia unir. Descobrir que raízes comuns e uma língua comum conferem uma base de entendimento únicos que não podemos malbaratar. Que não somos estrangeiros uns dos outros. Que temos uma enorme curiosidade em conhecer as vivências de cada um. Descobrir que precisamos de nos revisitar para melhor nos entendermos.
Paula é uma mulher bonita, interessante, ponderada e urbana. Mulher que sabe o quer. Pareceu-me feliz. De uma felicidade que irradia com discrição, com distinção. Eduardo é mais reservado e observador. Sabe ouvir mas, quando fala, é assertivo e entusiasta. Um filósofo. Prefere o seu isolamento artístico em Piacaba, num paraíso que criou, feito dos sonhos de uma vida. Um mundo que construiu para si próprio e que partilha com os amigos. Aliás, partilhar é uma palavra-chave na vida de Eduardo. Ele sabe deixar os outros brilhar e ao fazê-lo brilha também.
Tive inveja desse mundo litoral, vagamente selvagem, totalmente desconhecido para mim. Tive admiração pela tenacidade em o criar. Pela vontade de o ter. Pela persistência em o manter. Pela audácia em o viver.
Enquanto Eduardo explicava na toalha de papel as origens italianas do seu apelido, a noite acabou com uma rapidez surpreendente. A conversa ficou adiada. Suspensa. Interrompida. Faltou dizer quase tudo. Tudo o resto que não se disse. Tudo o que as palavras não contam. Tudo o que só o tempo permite saber.
Naquela noite descobri que cada vida é uma descoberta, mesmo que seja um “achamento” acidental na “net”. Descobri que vale a pena navegar e ver do mar tanta terra por descobrir.
Desafio mútuo na sequência do encontro entre Varal de Ideias e Expresso da Linha no passado dia 27 de Maio, em Lisboa. Uma foto, um texto e um abraço transatlântico.
jp

14.6.08

UMA QUESTÃO DE HÁBITO

Agora que me estava a habituar à crise, os camionistas aceitam uns trocos do governo e resolvem parar com o bloqueio. Estava a poupar imenso dinheiro e estava a gostar. Sem gasolina no carro e com as bombas encerradas, em quatro dias fartei-me de andar de comboio e metro. Ainda por cima muito mais ecológico e sem engarrafamentos.
É claro, mal a coisa normalizou corri a atestar o depósito, na sofreguidão da abstinência. Toma lá 80 euros para não seres parvo. Um roubo!
Mantenham a greve, o bloqueio, a paralização. A gente habitua-se a tudo. A crise é uma questão de hábito e sai muito mais barato!

12.6.08

OS POLÍTICOS E O SEXO

Gennifer Flowers e Paula Jones, ex-amantes de Bill Clinton, juntaram-se para explorar mediaticamente a antiga relação. Na página "Two Chics Chatting" cobram 130 euros por sequências de imagens e audio onde revelam o que tiveram de "enfrentar" durante o relacionamento com o Bill, falando abertamente do tamanho e forma do pénis do ex-presidente. Para além de se tratar de um claro acto de prostituição mediática, é prova do machismo da sociedade ocidental, em particular da americana. Não estamos a ver um homem a descrever hipotéticas relações com a Hilary e a explicitar o tamanho e a forma. Se o fizesse, teria pouco impacto ou a sociedade tomaria uma posição crítica absoluta. Finalmente importa perceber porque é que os políticos não podem ter amantes. Pressupõe-se que é assédio? Tem de dar o exemplo e ser sexualmente imaculados, para depois aprovarem leis sobre o casamento de homosexuais ou aceitar cada vez mais mães solteiras? Os USA são totalmente reaccionários ou são também hipócritas?
jp

ALEGRETE



A meio da Serra de S. Mamede, perto de Portalegre, fica Alegrete. Uma povoação de ruelas brancas e barras amarelas. Não perca!

11.6.08

O PODER DOS BLOGUES

Markus Moulitsas Zúniga criou o seu blogue “Daily Kos” (dailykos.com/) em 2002, como um entretenimento. Hoje é bloguer profissional, com cerca de 1,3 milhões de visitas diárias, com convidados especiais, entrevistas e a inevitável publicidade que lhe permite ter desistido da carreira de advogado.
O blogue é assumidamente liberal e anti-Bush. Em 2002 era uma voz discordante da grande maioria. Para se entrar no mundo da política, para se ser comentados político ou “opinion maker” era preciso ter um elevado “pedigree” ou pertencer-se a uma família conhecida e rica. O valor de uma opinião era determinado pelo “status” social da pessoa que a expressava. Nos blogues, porém, a lógica não é essa. Ningém nos pergunta quem somos ou que habilitações temos. A tecnologia abriu-lhe as portas. As pessoas só o julgam pelo valor das suas ideias.
“Antigamente era esperado que ficássemos sentados quietos e que deixássemos os editores e “opinion makers” decidir o que devíamos ver e o que devíamos fazer. Hoje a tecnologia permite que tomemos conta das nossas próprias vidas, quer seja através dos blogues, de podcasting, das redes sociais, de sites como o My Space ou o Facebook, de wikes ou do YouTube. As pessoas estão rapidamente a adoptar uma míriade de tecnologias da informação que estão a emergir da Internet e estão a usá-las para se tornarem participantes activos na cultura”. Em vez de irem atrás dos media tradicionais, as pessoas estão a transformar-se nos media. Em vez de se queixarem da música das multinacionais, estão a fazer a sua própria música. Esta é a primeira geração que tem ao seu dispor meios de comunicar com as massas, sem ser através dos habituais “opinion makers”.
Markus acaba de lançar um livro, “Taking on the System”, onde considera necessário ser-se um activista no mundo digital. Agora que a Internet existe já não há desculpas. As pessoas têm hoje à disposição os instrumentos para se fazerem ouvir e para darem o seu contributo para um mundo melhor. E até o podemos fazer comodamente através de um portátil, sentados num sofá… ou no degrau da escada.
jp

MÁSCARAS DO TIBETE




"Máscaras da Ásia" - Museu do Oriente

10.6.08

MUSEU DO ORIENTE

Um emblemático edíficio de arquitectura portuária, de 1939, ao melhor estilo "estado novo", com baixos relevos de Barata Feyo, ali em Alcântara foi recentemente recuperado e afecto à Fundação Oriente, nele passando a funcionar o Museu do Oriente. Dois pisos com a colecção permanente, para além de salas de conferências e de um restaurante. No piso térreo, a exposição temporária agora dedicada à máscaras asiáticas. Também há sessões de cinema e música ao vivo. A não perder. Encerra às terças-feiras. Tel:213585200 http://www.museudooriente.pt/

DIA DA RAÇA E DA COUVE GALEGA

Montes de Toys, Micaelas e Vânias Fernandes, entremeadas a ranchos folclóricos e bandos de bombeiros, francamente voluntários, rejubilam hoje por todo o país, animando o Dia da Raça. As Couves Galegas, inseguras, apelam ao caldo verde no refúgio do chouriço fugídio que vai escapando à colher. Um dia ortográfico para comemorar o acordo dos juros que sobem no fulgor da especulação que há-de mudar a civilização. Contra os canhões, marchar, marchar?
jp

9.6.08

FILHOS DO POVO DO SUL - VI

Portugal dos anos 70 era um país chato, introvertido e mesquinho, mas simultaneamente ambíguo. A herança "Deus, Pátria e Família" podia ser uma vantagem para quem estivesse do outro lado do espelho. O "underground" não era visto como um perigo político em si mesmo. O regime preferia drogas a eventuais "desmandos democráticos"… e nós também!
Para nós, as pessoas dividiam-se em caretas e não caretas. Neste maniqueísmo simplista e redutor fundámos a nossa identidade. Heróis de nós próprios. Autistas da sociedade.
Só hoje percebo que éramos mais autênticos que os movimentos organizados. Só hoje compreendo porque sempre me estive borrifando para a política e para os políticos.
De qualquer forma admito que os nossos concertos, especialmente a partir de certa altura, começaram a ser frequentados por gente de esquerda. Da esquerda líquida obviamente e da esquerda dita intelectual também.
Admito mesmo que os concertos fossem "vigiados". Será que tínhamos ficha na P.I.D.E.? Como as nossas músicas, pelo menos até 1974, eram exclusivamente instrumentais, fico curioso em saber o que constaria dessas fichas. Um relatório completo em clave de sol? Uma cifra dos improvisos, não fossem estar criptografadas?… Nunca saberemos!

Pela calada da noite saíamos com baldes de plástico cheios de cola de farinha e posters maneiristas anunciando o próximo concerto. Colávamos em tudo o que era sítio, de Lisboa a Cascais. Não havia graffitis e o MRPP ainda não transformara as paredes na luta exclusiva do proletariado, o que nos deixava enorme espaço para "out-doors".
Havia coladores "profissionais" pagos a dez paus por noite e o apoio gratuito das tribos de Caxias, Paço D'Arcos e Parede. Nunca tivémos delegação em Carcavelos e em Oeiras havia muitas tribos, algumas inimigas.
Os cartazes eram fabulosos, inovadores… barroco-psicadélicos. O design era pelouro do Paulo e do Zé Maria que conseguiam interpretar melhor que ninguém o estilo " luso-progressivo".
Ainda hoje guardo fotolitos e esquissos dos “posters” mais representativos. As relíquias, aliás, são muitas: cartazes extralúcidos; fotos oxidadas de actuações ao vivo; entrevistas desbotadas nos principais jornais da época; as marimbas tribais que mandei vir das cataratas do Duque de Bragança, em Angola; a cuíca gigante importada directamente das matas do Maiombe, em Cabinda; cifras em guardanapos nojentos de vinho e letras avulsas em cadernos peganhosos de pudim flã; gravações inaudíveis em cassettes maradas; o velho kissange e a mística citarina.
jp
Cataz de José Maria Taveres Rosa.
Todas as Segundas-Feiras estou a publicar, on-line e em episódios, o meu livro "Filhos do Povo do Sul - Memórias de uma Banda Rock dos Anos 70". Quem quiser ver os posts anteriores pode ir aos "older posts".

8.6.08

EPHEDRA - O DISCO

Entrámos hoje em estúdio, eram três da tarde. Entramos mas nunca sabemos quando se sai! São 11 temas a editar num disco que se chamará "Ephedra" e cujo lançamento está previsto para 27 de Setembro, num espectáculo ao vivo.
jp

UM SÁBADO DIFERENTE

Num dia de calor, calmo e com a cidade vazia podemos fazer tudo, mesmo quase tudo. Mas temos de optar. O tempo, esse, é limitado. O que escolhem:
- Ginásio?
- Passeio pela cidade?
- Museu de Antropologia?
- Cinema?
- Ou preferem... algo?
jp

CINEMA TRANSCENDENTAL

ANTEPASSADOS

VILA

SEMPRE A DAR-LHE

6.6.08

DIÁLOGO DAS MÃOS

Há a mão esquerda e a mão direita. Há mãos pequenas e grandes, mãos masculinas e mãos femininas. Há mãos fortes, possantes, mãos rudes, calejadas, mãos de trabalho. Há mãos frágeis, ociosas, mãos diletantes, etéreas. Há mãos nervosas, irrequietas, mãos curiosas, ansiosas, mãos interrogativas. Há mãos vaidosas, expressivas, narcisistas, mãos hedonistas. Há mãos tristes, caladas, mãos tímidas, ausentes. Há mãos sinistras, brutais, mãos que trucidam, torturam, mãos sádicas que odeiam, mãos assassinas. Há mãos decepadas, dilaceradas, estropiadas, mãos que agonizam. Há mãos sedutoras, provocantes, mãos ternas, sensuais, mãos que excitam, afagam, mãos que penetram. Há mãos proféticas, mãos divinas, mãos que rezam, absolvem, mãos milagrosas. Há mãos erguidas que suplicam, que imploram, mãos caídas, pendentes, mãos envergonhadas, derrotadas, mãos estendidas, humilhadas. Há mãos que saúdam, que se apertam, mãos que se abraçam. Há mãos que aplaudem, mãos que apupam, mãos que desafiam. Há mãos fechadas ao alto, punhos erguidos, sinal de vitória. Há mãos de artista, mãos que escrevem, que pintam, mãos que sonham. Há mãos hipócritas, mãos fanáticas, mãos dramáticas, mãos patéticas... Há mãos, muitas mãos. Há mãos sobre tudo e sobretudo há mãos!
jp