Fazer listas para a vereação envolve muitos equívocos e alguns segredos. Muitos pensam que é por ter grandes figuras que se ganha. Puro engano. Provavelmente irão todos fazer o seu marketing pessoal. Pior, ainda são capazes de desatar a ter ideias próprias. Um problema. Uma boa lista é constituída por pessoas absolutamente irrelevantes que nos ficarão caninamente agradecidas para toda a vida; por um ou dois arguidos em processos judiciais que nunca se atreverão a levantar cabelo; por um homem ligado à igreja (um ex-seminarista ou, pelo menos, um “bom-cristão”); e por uma quota razoável de deficientes, quanto mais totais melhor, por forma a dar uma ideia de modernidade democrática e de compaixão social. Finalmente uma regra de ouro: nunca, mas nunca, convidar as nossas amantes. Uma lista assim concebida garante um despotismo nada esclarecido mas totalmente inócuo que deve assegurar a reeleição a próximo mandato, única coisa que interessa a um bom político.Fotografia de Roberto Barbosa.
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