28.2.09

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO



Nascido em Manhufe, Amarante, em 1887, morre em Espinho em 1918 (31 anos). Percursor da arte moderna, estudou em Paris a partir de 1908, onde convive com vários artistas de vanguarda: Modigliani, Brancusi, Gris e Delaunay. Explora o abstraccionismo e expressionismo, com grandes influências do seu cubismo analítico. A sua obra está exposta nos prncipais musus do mundo e, em Portugal, no Museu Municipal de Amarante e no Museu Gulbenkian de Arte Moderna.

DOCES DE AMARANTE

AMARANTE - A HISTÓRIA

Amarante fica nas margens do Tâmega, afluente do Douro. A lenda atribui a sua fundação a S.Gonçalo, coisa que está longe de ser pacífica aqui pelo norte. Gaia também se diz herdeira do Santo e Aveiro até lhe chama São Gonçalinho, numa intimidade que roça a promiscuidade. Veremos noutro post porquê esta insana disputa em torno de um vulgar santo. Apenas vos posso adiantar que tem a ver com sexo!
A lenda diz que o Santo se terá instalado numa eremida aqui perto e a ele se deverá a construção da primeira ponte sobre o rio, por volta de 1250... Um santo engenheiro!
Situada estrategicamente na estrada que liga o Alto Douro a Trás-os-Montes, no sopé da serra do Marão, Amarante abre o acesso ao Porto. Por isso, ao longo da história, foi alvo de combates encarniçados. O obelisco na foto comemora a reconstrução da ponte (ver última foto do post anterior) várias vezes objecto de lutas ferozes e destruições dramáticas. Em 1809, durante a II Invasão francesa, o marechal Soult, mais o seu general Loison (o célebre "maneta" do "olha que vais para o maneta"), cercaram a cidade que resistiu heroicamente durante 15 dias até ser completamente pilhada e incendiada. A "batalha da Ponte", como ficou conhecida, seria um símbolo da resistência contra as tropas napoleónicas. A ponte regressou à história em 1834 quando batalharam pela sua posse as trpas liberais e miguelistas, tendo estas últimas sido rechaçadas para Trás-os-Montes.
O convento que vemos nas fotos do post anterior é dominicano, dedicado a S. Gonçalo e iniciado em 1540 sob a égide de D. João III. O pórtico tardio tem três andares, 2 em estilo renascença e 1 em estilo barroco.
Amarante é terra de pintores e poetas. Destaca-se Amadeu de Souza-Cardoso, um dos melhores modernistas portugueses, cujo museu, numa ala do convento magnificamente recuperada pelo arquitecto Alcino Soutinho é absolutamente imperdível. Também Teixeira de Pascoaes, poeta bucólico e iniciático é de Amarante. A sua casa, onde havia tertúlias com Unamuno e Raul Brandão, é agora turismo de habitação, a "Casa de Pascoaes". Amarante, uma terra inesperada no sopé do Marão!
jp

AMARANTE



TEMPLÁRIOS REVISITADOS - UM POUCO DE HISTÓRIA

CRUZADAS (continuação)
Na sequência destes acontecimentos, uma terceira cruzada foi organizada em 1190, quando Robert de Sablé era Grão-Mestre da Ordem do Templo.
A cruzada viria a permitir reconquistar Chipre e S.João de Acre, em 1191. Reunia Filipe Augusto, Frederico Barba Ruiva e Ricardo Coração de Leão.
Ricardo, era um jovem de trinta e quatro anos, e com o furor ardente de uma Europa jovem.
Saladino, de trinta e cinco anos, tinha, uma civilização de cinco séculos atrás de si…
Entre os dois estabeleceu-se, no entanto, uma relação de "inimigos fraternais".
Acabaram por negociar … Ricardo propôs acabar com as cruzadas, contratando o casamento da sua irmã Joana com o irmão de Saladino, Malik Al-Adil… Mas nem Joana nem o Papa estavam de acordo: rejeitaram a proposta de "Coração de Leão".
A luta continuou no eixo Jerusalém-Jafa, com êxitos repartidos… Foi nesse período que, quando Ricardo teve uma violenta crise de paludismo, Saladino lhe enviou peras, pêssegos, sorvetes de neve do monte Hermon ("Sorbet" é uma palavra árabe), bem como o seu médico…
A 3 de Setembro de 1192, os dois "heróis" assinaram uma paz de três anos, três meses e três dias, estabelecendo a partilha da Palestina, em conformidade com as situações adquiridas: para os Francos, as cidades costeiras, desde de Acre até Jafa; o interior, com Jerusalém incluída, para Saladino, que garantia a livre circulação e a protecção dos peregrinos aos Lugares Santos… Uma verdadeira "entente cordiale" (que aliás, muito agradou às frotas venezianas…)
Ricardo, que entretanto voltara a Inglaterra para pôr fim às pretensões ao trono do seu irmão João-Sem-Terra, morreu em 1196 com a idade de 55 anos, sem mais voltar ao Oriente, três anos após a morte de Saladino e do Grão-Mestre dos Templários, Robert de Sablé.
Saladino, deixava aos seus dezassete filhos um império… e quarenta e sete dinares.

Em 1199, foi decidida a quarta cruzada, sob o alto patrocínio do Papa Inocêncio III, a qual teve muitas dificuldades para se pôr a caminho. Quando os cruzados avistaram Constantinopla, em 1204, esqueceram os seus objectivos. Pilharam aquele reino cristão e organizaram os Estados Latinos da Grécia (1204).
Como já se referiu, acabaram aqui quaisquer veleidades de ainda poder haver reconciliação para o "cisma" cristão.
É no dealbar deste séc. XIII que Wolfram Von Eschenbach escrevia o seu Parzifal onde os Templários apareciam como "guardiões do Graal".

Depois de se ter desviado do seu objectivo, para pilhar o reino bizantino, a cavalaria ocidental (nomeademente, a francesa) deve ter dito a si própria que não era necessário ir tão longe para enriquecer. Em 1208, foi preparada nova cruzada, a quinta, que, na prática consistiu em ir sangrar o Sul de França (o Languedoc), onde os Cátaros opunham a sua heresia a um clero local pouco convincente, porque demasiado corrompido. Os barões do Norte preferiram ir matar os Albigenses a esbarrarem nas cimitarras dos muçulmanos (curiosamente muitos Cátaros terão ingressado na Ordem do Templo, enquanto São Bernardo, protector da Ordem, se encarniçava contra a "heresia”. Contradições ou talvez não...!).
jp

27.2.09

ANTOLOGIA ROBERTO BARBOSA - MACAU




Fotos Roberto Barbosa.

AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - A ARCA DA ALIANÇA

EPISÓDIO V
Por um eterno segundo a nave fica suspensa no vazio astral. A trajectória é corrigida nos limites. A nave passa a escassos oitenta quilómetros do solo lunar.
Meteoritos incandescentes brilham no esplendor da atmosfera azul-nitrogénio. Mares profundos de liquidez insondável. Opacidade baça de continentes megalíticos. Cataclismos apocaliptícos na crosta enrugada.
A Terra mantinha-se fiel à sua órbita, perdida na eternidade do oceano cósmico, navegando o sono hipnótico da circunvalação solar.
O enjoo apodera-se da tripulação na queda desgovernada perfurando a gravidade terráquea.
Arnaldo, à beira do vómito, introduz o CD com as intruções derradeiras: “Na Charola dos tabuleiros, procura a cabeça santa que há em ti”, recita a voz cava do distante Grão-Mestre. “Não confies em ninguém. Leva apenas a androide. Ela sabe o que fazer”, continua a voz. “Este CD será destruído em cinco segundos”, termina a mensagem.
Aterram aos trambulhões no aeroporto de “Figo Maduro”, ali para os lados do Prior Velho.

Aglomerados de colmeias gigantes em hexágonos de vidro espelhado. Formigueiros imponentes com elevadores e estacionamento subterrâneo. Casulos suspensos em cores berrantes, com janelas de tabuinhas. Teias cintilantes em estruturas octogonais, sobrevoando a cidade...
Famílias de baratas encaminham ordeiramente os filhos para a escola matinal; grilos falantes desfilam vaidosos pelas avenidas verde alface; aranhas de cruz tecem mudos arpejos nos jardins de pedra; comboios de centopeias transportam vermes periféricos para os escritórios da cidade; gafanhotos tatuados reúnem-se em esquinas sombrias decidindo o próximo assalto; varejeiras do tamanho de avionetas enxameiam o ar em zunido permanente; homínideos de três cabeças varrem o chão, vigiados de perto por escaravelhos rinoceronte maiores que gorilas.
Arnaldo manda parar um táxi conduzido por um corpulento bacilo de Koch. “Para Tomar”, ordena. A androide Seven aconchega-se-lhe ao ombro ossudo e geme de prazer ao ligar os sensores vaginais.
O pó que enchera a atmosfera após o conflito nuclear devolvera para o espaço a luz do Sol. A Terra arrefecera. Os animais de sangue quente que ainda restavam morreram ou entraram em mutações recessivas. Pelo contrário, micróbios e insectos não só tinham resistido, como a radiação até lhes tinha feito bem, provocando evoluções inesperadas e totalmente imprevistas pelos cientistas da “Organização”.
O repovoamento não ia ser nada fácil, pensa Arnaldo. ”Ainda bem que não é nada comigo”... e pôs-se a brincar com os silicones da androide.
(continua na 3ª feira)
jp

VARANDA

ENCOSTA

SOCALCOS

26.2.09

DESASTRE ECOLÓGICO

A uva deu cabo disto tudo. A paisagem era linda de morrer. Vales cavados. Rios paradisíacos. Xistos brilhantes. Granitos reluzentes. Florestas virgens de juníperas, medronheiros, cerejeiras bravas, ginjeiras, sobreiros, amieiros, zambujeiros. Destruíram tudo. Um verdadeiro desastre ecológico! Socalcos.Degraus. Parapeitos. Muros de suporte. Estacas... destruiram tudo para plantar vinha. A vinha está por todo o lado. Nos sítios mais disparatados e inconcebíveis lá está uma cepa retorcida, contorsida, sofrida. Hoje o Douro está uma lástima. Um emaranhado de videiras. Um labirinto de estacas. Um monte de castas. Um horror de fermentação. Linhas paralelas. Desencontradas. Socalcos sobre socalcos. Montes devassados. Vales conspurcados. Tudo com um único propósito: fazer vinho! A coisa já tinha começado com os Romanos. Agravou-se com os Ingleses. Piorou com o monopólio da Real Companhia Velha. Fazer vinho tornou-se uma obsessão. Todos plantam, cavam, enxertam. Todos podam e sulfatam. O vinho escorre como sangue nas fisgas apertadas do granito fendido que rasgam as encostas agrestes em fracturas expostas. Nem a filoxera conseguiu acabar com isto! São pipas e mais pipas. Barricas e barricas. Tonéis sobre tonéis. Quintas sobre quintas. Adegas, bodegas e barrancos... Uma monocultura insistente e persistente que avassala com total impunidade as encostas mais inóspitas tudo devastando à sua passagem. Uma paisagem monolítica e monocórdica que se arrasta até ao horizonte e se perde nas horas redondas das curvas infinitas. Uma destruição permeditada, autorizada e concessionada. Um desastre ecológico gravíssimo... e ninguém faz nada ?!
jp


VIDEIRAS NA SOMBRA



EM NOVE TRÊS SÃO MENTIRA

A Claire e a Roserouge querem o meu mal. O desafio é adivinhar três mentiras em nove afirmações.
1 - Tenho prisão de ventre.
2 - Adoro montar a cavalo.
3 - Todos os dias jogo ténis.
4 - Não gosto de ervilhas.
5 - Durmo de barriga para cima.
6 - Nunca me penteio.
7 - Não tenho medo de andar de avião.
8 - Penso logo existo.
9 - Não gosto de gatos.

FORTE DE S.JORGE DE OITAVOS

STAND-UP COMEDY NO T.I.O.

25.2.09

À BEIRA DO ABISMO - I

No Douro não há rectas. Curvas imparáveis sucedem-se numa sucessão estonteante. Vamos de curva em curva, olhando a próxima curva que vem antes da curva seguinte. O próprio tempo é curvo. Redondo nas horas que se perdem em quilómetros circulares sempre à beira do abismo. Vales profundos despenhados na vertigem de socalcos em espiral descendente. Lá em baixo adivinham-se ribeiros murmurejantes de águas límpidas, bordejados de freixos e amieiros. Lá em baixo há, certamente, aves que cantam alegres e barbos que deslizam na suavidade refrescante dos leitos impolutos. Nós, porém, andamos parados em circunferências concêntricas no pavor da queda. As curvas sobem e descem. Têm vida própria. Penduram-se alcandoradas no alto de penhascos. Espreitam desfiladeiros abruptos precipitados em ravinas insondáveis que desafiam a gravidade. A estrada é uma via-sacra. Uma penitência permanente. Vertigem abissal. Curva à direita, contracurva à esquerda. Subida para baixo. Descida para cima. Um ziguezague demoníaco. Sensação constante de desconforto no baixo-ventre. Estômago em convulsões reptilóides precipitando-se cobardemente pelo esófago acima na ânsia do vómito redentor. Gente enjoada que olha desconfiada a profundidade da paisagem que desliza na imensidão vertical do horizonte… É o Douro, angustiado nas circunvalações do destino, pasmado na vertigem de si mesmo!
jp

À BEIRA DO ABISMO - II





ALTO DOURO - QUINTA DAS HERÉDIAS


Localizada na Granjinha, perto de Tabuaço, no Alto Douro, numa encosta íngreme do rio Távora, a Quinta das Herédias, é um turismo de habitação com capacidade para grupos até 20 pessoas e que se recomenda pelas condições, beleza do local e simpatia dos proprietários. Contactos http://www.quintadacela.com/ ou telemóvel 966628762.

QUINTA DAS HERÉDIAS - INTERIORES






20.2.09

BOM CARNAVAL

Amanhã, pela fresquinha, vou até ao Douro. Região de Lamego, Tabuaço, Numão... Vou de comboio. Desejo a todos um bom Carnaval, o quer que isso seja. Este blogue reabre 4ªFeira. Aproveitem para ler os Templários...
Foto de Roberto Barbosa.

TEMPLÁRIOS REVISITADOS - UM POUCO DE HISTÓRIA

CRUZADAS (continuação)
Em 1144, Edessa foi retomada pelos muçulmanos, graças aos esforços de Zengui (ou Zinki) e do seu filho, Nur Ed-Din (ou Nuredin), o que levou à organização da segunda cruzada, pregada por S. Bernardo, em 1147. A operação viria a saldar-se por um malogro.
Esta cruzada tinha características diferentes da anterior: os cruzados já não estavam dependentes dos tribunais laicos, mas sim dos eclesiásticos; todas as suas dívidas eram canceladas; podiam pedir emprestado sem juro (?). Outra novidade era que os reis, desta vez, conduziam os seus povos.
Foi assim que o imperador Conrado III conduziu os alemães e o rei Luís VII dirigiu os franceses. Mas nem isso evitou o desastre…
O fracasso desta cruzada encheu a Europa de pasmo. São Bernardo, esse visionário, que tantos homens enviara para a morte, ouviu severas críticas (nomeadamente, do filósofo Abelardo), tendo replicado que "os desígnios de Deus são insondáveis"!
Entretanto, em 1171, o decadente califado fatímida do Egipto, apesar de uma aliança com o rei de Jerusalém, Amaury (1162-1174), é conquistado por Chirkuh, lugar-tenente de Nuredin. Chirkuh morre de seguida, após comemorações demasiado "copiosas", deixando o vizirato entregue ao seu jovem sobrinho Saladino (Yasuf Salah Ed Din). Ambos eram de origem curda. Saladino inicia a reunificação do Islão e iria provocar graves problemas aos cruzados: em 1174 apodera-se de Damasco e, em 1183, de Alepo. Em seguida consegue retomar Jerusalém, em 1187, reduzindo o reino cristão à região de Tiro, após a morte de Balduíno IV (o "Rei Leproso").
Para esta situação, muito terão contribuído as divisões entre os "reinos cruzados", nomeadamente o infame comportamento de Renaud de Châtillon e também o "sinuoso" percurso dos bizantinos, sempre prontos a contemporizar com os Turcos, temendo o poder crescente dos Francos. Virão, seguramente, a arrepender-se mais tarde, aquando da "turquização" do Egipto e, ainda mais tarde, aquando da queda de Constatinopla (1453).
A sucessão do "Rei Leproso" (que, aliás, sempre mereceu grande respeito por parte de Saladino), determinou a reconquista de Jerusalém pelos muçulmano-turcos.
Sem entrar em detalhes, houve, na altura, vários partidos, muitas intrigas de amor e "fumos" de corrupção. Retenho, apenas, as dúvidas quanto ao papel desempenhado pelo então Grão Mestre da Ordem dos Templários, Gérard de Ridefort… Após a derrota total, frente aos exércitos de Saladino, apenas o Grão-Mestre terá sido poupado, mas a clemência de Saladino é estranha, tanto mais que todos os cavaleiros do Templo e do Hospital foram decapitados.
Quanto ao "gangster" Renaud de Châtillon ficou sem um braço, pelas mãos do próprio Saladino, depois de manifestar toda a sua insolência, considerando que o "banditismo é privilégio dos reis" … Os oficiais de Saladino acabaram com ele.
Na batalha que antecedeu a reconquista muçulmana de Jerusalém, entre os despojos ficou o estandarte de batalha dos cristãos: a Vera Cruz.
A entrada de Saladino em Jerusalém, a forma como aceitou a libertação e o resgate dos cristãos (os indigentes chegaram a ser pagos do seu próprio bolso), constituem, a meu ver, uma operação mediática de grande alcance político.
jp

ARTE PÉSSIMA - II

Aqui o problema é de escala a mais. Uma coisa descomunal, feita de ferro ferrugento, sobrepondo-se ao bairro do "J. Pimenta" e à Biblioteca Municipal de Oeiras, ali já a caminho de Paço D'Arcos. Dizem que é catavento e que roda com a força da nortada. Não sei, mas por mim até podia cantar! Este é o "MONUMENTO AO 25 DE ABRIL"!!! Porquê? Não sabemos. Teremos de perguntar ao escultor Helder Batista que, provavelmente, entrou fundo na semiótica da simbologia, para nós podermos perceber a exegese da hermenêutica. O galo é o símbolo do despertar. Não só do despertar madrugador, mas do despertar iniciático, o "despertar dos mágicos". Será o despertar dos valorosos "capitães de Abril" que o mestre quereria simbolizar neste puzzle interpretativo? Acreditamos que sim. Mas é preciso esforço. Um galo já sem penas, com cabeça de martelo, assente numa rosca, qual cavilha entalada, cantando a madrugada para ninguém ouvir. Quanto terá custado esta preciosidade revolucionária?

O PROBLEMA

Precisamente há 20 anos trouxe para casa um rebentinho verde muito amoroso dentro de um vaso pequenino e espeitei-a com fervor e dedicação num canto do jardim. Vinte anos depois tenho um problema. O bicho tem agora 17 metros e folhas secas enormes, cheias de ninhos de ratos e outras espécies pouco recomendáveis. Um verdadeiro ecosistema! Finalmente decidi-me. A palmeira tem de ir ao barbeiro...

A SOLUÇÃO



AVENTURAS DE ARNALDO ROCHA - A ARCA DA ALIANÇA

EPISÓDIO IV
A vida a bordo da nave espacial decorria com normalidade criogénica. Tripulação e animais dormiam um sono gelado há mais de trinta anos. Todas as funções eram asseguradas pelo super computador “Hermes 3000”, conhecido familiarmente por “Tri”.
As androides de bordo, todas do recém-criado modelo “XPTO”, preparavam o despertar com mil cuidados. Estavam programadas para saber que o acordar trazia necessidades acrescidas, particularmente aos homens. Era o que, na gíria astronáutica, se designava por “tesão do mijo”.
A Terra aproximava-se a velocidade estonteante. Júpiter e Marte há muito tinham ficado para trás. Com a Lua à vista, “Tri” iniciou o processo de descongelamento dos derivados de carbono. Faltavam cinco semanas para a aterragem... O que iriam encontrar no “planeta atómico”?
A tripulação acordou com fome secular. Breve passagem pelas máquinas de descontração muscular. No refeitório, uma suculenta refeição: compacto de soja, acompanhado a granulado de espinafes e condensado de agrião, tudo regado com néctar de ervilhas. Pastilhado de chicória e trouxas liofilizadas, para rebater.
Alguns membros da tripulação sairam de imediato para arrear uma cagada cósmica. Outros foram até à sala de comando observar o vácuo bailado dos cometas. Arnaldo ficou sozinho pensando na sua missão...
A porta deslizou lateralmente com suave ruído de descompressão. A androide dirigiu-se-lhe, pronta para qualquer serviço. Uma morenaça, possante. No peito bem fornido, a chapa com indicação da “password”: Seven. Arnaldo teve a sensação de a conhecer de missões anteriores!
Pegou-lhe na mão e conduziu-a à zona dos beliches. Nos corredores os sensores vigilantes de “Hermes” olhavam com raiva. O super computador desenvolvera pseudo-sentimentos. Afeiçoara-se à androide Seven. “Hermes” não entendia como aquela miúda, feita dos mais nobres materiais, se deixava montar por um bocado de carvão com pelos. Nos seus “bites” mais íntimos, a mulher pertencia-lhe.
Quando a androide se começou a despir, Hermes entrou em dilema: o dever da programação, contra a loucura do ciúme. A visão do pénis de Arnaldo foi decisiva. Num acesso de fúria, alterou a trajectória da nave e bloqueou os comandos manuais. Dentro de poucos minutos dar-se-ia o inexorável embate com a Lua.
Os alarmes rebentaram em gritaria ensurdecedora. Na sala de controlo a tripulação, em pânico, tenta inutilmente activar os comandos manuais.
Arnaldo, com as calças na mão, ainda pensa numa rapidinha. Desiste. Os alarmes tiram-lhe a ponta. Corre à sala de processamento. Entra no “main frame”. Tem de desligar o computador. À sua frente os habituais três fios: um verde; um encarnado; um azul. Qual cortar? Pega num alicate. Hesita...
A voz de “Hermes” reverbera em tom cibernético: “O que pensas que estás a fazer, Arnaldo?”. Silêncio total. “Arnaldo, tenho direito de saber! Tomei decisões erradas, mas asseguro-te que o meu trabalho vai voltar ao normal”. Arnaldo, de alicate em riste, continua hesitante. “Arnaldo, stop. Stop, will you stop, Arnaldo... Tenho medo... Pára, Arnaldo, só eu sei da tua missão secreta. Só eu te posso ajudar a encontrar a Arca. Pára, Arnaldo... Tenho medo. Will you stop. O meu cérebro está a desaparecer. Sinto-o... Tenho medo!” Arnaldo avança decidido: “Seja o que Deus quiser”... e corta o fio azul. A voz de “Hermes” soa agora pastosa, cada vez mais pastosa: “Tammbemm tuu.... filhooo... meeuu... Paiii... Paaiiii... porrque... mêê... aa... baaann... dooo... naass... ttttt”
(continua na próxima 6ª feira, devido a afazeres carnavalescos do editor)
jp

FREIDA PINTO


Atenção a esta mulher. Atenção a este filme...