Ficou só a pedra de água lavada.
O mato cresceu no barranco.
O córrego esvasiou.
O dia que a Ribeira estancou...
Excerto do comentário de Selena Sartorelo.
31.8.12
30.8.12
AFLIÇÕES
Num tempo onde urinar dentro de casa era um luxo que se tinha, ali dentro não havia latrina e nem privada pois essa por costume ficava fora da casa. O Pinico como aqui é chamado era sem sombra de duvida um utensílio indispensável na dispensa dos dejetos que o corpo expelia para os pequenos e os velhos que tanto dele dependiam. Peça de grande valia quando a saúde carecia. Lembro desse objeto colocado em lugar discreto. Impecavelmente limpo durante o dia. Só era encontrado se nele fosse esbarrado, sentia uma temperatura fria que combinava com o branco leitoso que o envolvia, também era lembrado que existia quando derrubado acordando como um trovão e um som interminável, ou que, no cumulo do azar encontrava com ele sendo levado para esvasiar e durante o trajeto deixava um fedor insuportável no ar. Coisa que tinha que ser feito antes de da casa acordar. Uma intimidade que não precisa esconder, muito menos mostrar. Bendita descarga.
Texto de Selena Sartorelo
29.8.12
A RAINHA DA SERTÃ
As vespas são extremamente importantes no controle biológico uma vez que quase todos os insectos considerados como praga têm na vespa um predador natural. As "casas" são semelhantes às das abelhas. São divididas em favos que servem como depósito de uma substância semelhante ao mel, mais escuro, e que é produzido para consumo exclusivo das vespas. Não é utilizado para consumo humano pois é muito forte e amargo. A rainha do grupo vive no centro da construção. São bichos omnívoros que adoram peixe e têm um olfacto prodigioso. Já fui mordido várias vezes e nunca me arrependo. Esta era brutal, com quase três centimêtros. Só fazem mal quando incomodadas. Agora, saber quando estamos a incomodar, não sei dizer.
28.8.12
REAL COMBO LISBONENSE NO RIO DE JANEIRO
O Real Combo Lisbonense vai estar no Rio de Janeiro no Baile da Independência, no espaço Circo Voador. Para quem não se lembra, este é mais um grupo em que estão presentes os meus dois filhos. O João, na bateria, e o Manel no "back stage" fazendo o som. Deixo o video da actuação nas comemorações dos 25 anos de Serralves (Porto)
27.8.12
26.8.12
24.8.12
23.8.12
DESEMPREGO 16%
Há personagens assim. São de hoje podendo ser de ontem. Encarnam um passado pago, numa qualquer feira medieval, alugures, somewhere, anywhere... Vestidos a rigor no esquecimento da memória. Vestem a pele de alguém que já morreu. Alguém que nunca existiu. Nem sabemos se era magra gorda, se vinha do norte ou do sul, se ia para baixo ou para cima. Um estereótipo de catecismo histórico. Representam numa feira de vaidades onde emergem as alcoólicas coragens dos homens que não queriam ter tido outro remédio senão beber e que ainda hoje continuam a não ter. Morreram na glória de ter sido os primeiros a estrebuchar na azaga enveneneda do mouro infiel, na flecha de curare soprada pelo índio bravio, no ouro gangrenado das minas putrefactas do sertão longínquo, na falsa esperança de ser fidalgo na velha cidade colonial. Dão-nos um espectáculo comercial de heroísmo bacoco, misturado com gomas de morango e carroceis em permanente rotação circum-navegando à volta de nada. Vomitámos as colónias na passagem do Equador. Exigimos nova oportunidade para reconquistar o tempo perdido. Ficamos à deriva do futuro. Fugimos sempre que nos pedem para ser outra vez palhaços do regime. Hoje em dia participar implica um nível de compromisso que se deve mesmo perguntar para que serve. Estou farto de voluntários que são meros desempregados.
22.8.12
MESTRE DO SARDOAL
São sete tábuas de carvalho policromadas a óleo, de autoria do Mestre do Sardoal, atribuídas a dois artistas de Coimbra, Vicente Gil e Manuel Vicente, pai e filho. Naquela cidade, executaram trabalhos régios, por encomenda de D. Leonor. Pode causar estranheza, contudo é prática comum dar a autoria da localidade quando não se sabe o verdadeiro autor, pois nesta época, as obras não eram assinadas. Apesar de se saber os verdadeiros autores, continuará a ser designada como obra do Mestre do Sardoal. Não se sabe, ainda, como chegaram até ao Sardoal, mas naquela altura o Sardoal era muito procurado pela realeza. Além disso, o Bispo de Coimbra na altura era D. Jorge de Almeida, irmão de D. Francisco de Almeida, que viria a ser o primeiro vice-rei da Índia. A partir de 1505, sabe-se que D. Francisco de Almeida empregou os seus generosos rendimentos na beneficiação da igreja Matriz. Numa altura em que só a grande nobreza e o clero detinham poder económico para encomendas deste género, poderá ser esta a ligação da vinda de artistas desta envergadura à vila de Sardoal.
21.8.12
SARDOAL - V (D. FRANCISCO DE ALMEIDA)
D. Francisco de Almeida foi o primeiro Vice-Rei da Índia. Filho de Lopo de Almeida, Conde de Abrantes e senhor do Sardoal. A vila sempre pertenceu à família Almeida. Está explicada arquitectura de palacetes provincianos e a harmonia geral de todo o conjunto.
20.8.12
SARDOAL - IV (IGREJA DA MISERICÓRDIA)
Se não sabiam, aprendam que é tudo muito simples. A imagem da Virgem da Misericórdia recua até ao século XV, altura de grandes maleitas, a peste e o horror às doenças empurraram os cristãos para a necessidade de proteção divina, será assim que aparecem as primeiras imagens de Nossa Senhora que protege sobre o seu manto das “flechas” da peste. Na Igreja da Misericórdia do Sardoal, destaca-se da fachada principal o pórtico renascentista, de pedra de Ançã, da oficina de João de Ruão. Na edícula do pórtico, sob a empena encontramos o grupo da Misericórdia. O manto é seguro por dois anjos, sob ele encontramos do lado esquerdo personagem do clero, podendo ser em primeiro plano a figura de um Papa, talvez Alexandre VI, o primeiro a confirmar o Compromisso da Santa Casa da Misericórdia e mais dois religiosos, enquanto que à direita da realeza, homenageando o rei, D. Manuel ou D. João III, possivelmente uma imagem feminina, homenageando a rainha D. Leonor, desconhecendo-se a terceira personagem. O grupo é ladeado por dois anjos orantes e rematado superiormente por uma edícula com a pomba do Santíssimo Sacramento, sobre esta um menino que segura nas mãos uma caveira. Nos extremos da cornija encontramos anjos músicos, um toca uma harpa, sobre os quais se encontram dois óculos, danificados. O pórtico de volta perfeita decorado com volutas, apresenta ao centro uma caveira com uma inscrição, MEME TORO, sendo ladeado por pilastras. O friso superior é decorado por fénix e outros animais fantásticos. Ao meio encontramos um medalhão com uma cabeça barbada de alguém que olha para quem entra. Ao cimo, um anjo toca flauta reta. Capitel compósito e entablamento com friso embutido, sobre o qual se encontram anjos orantes; nas enjuntas dois medalhões com bustos em relevo, sendo o do lado direito um homem barbado e o da esquerda uma mulher. A fachada lateral tem cimalha corrida, rasgando-se um portal com arco de volta perfeita, com decoração tipicamente manuelina. Como se pode ver tudo isto é triste, tudo isto é fado.
SARDOAL III
Na Igreja Matriz, merecem a atenção o Altar-Mor e os painéis cerâmicos, da autoria de Gabriel D’El Barco, datados de 1701. Não vimos porque estava absoluta e totalmente fechado, sem sequer horários à vista. Uma forma interessante de incentivar o turismo. Vamos lá todos os dias até que esteja aberto. Já agora, atentem nesta rosácea flamejante e nos capitéis manuelinos. Para completar a visita pode-se ainda visitar o Convento de Santa Maria da Caridade que, diga-se de passagem, também estava fechado, mas foi ampliado e reedificado em 1676, por iniciativa de D. Gaspar Barata de Mendonça, o primeiro Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil. Uma curiosidade importante, porque este arcebispo nunca sequer foi ao Brasil. Devia ser por video-conferência. Ainda havemos de descobrir qualquer coisa que bata certo no Sardoal.
19.8.12
SARDOAL - II
O Sardoal pertence ao Distrito de Santarém, na região região Centro de Portugal. Limitado a norte pelo município de Vila de Rei, a leste por Mação e a sul e oeste por Abrantes. As origens da Vila de Sardoal são muito antigas. É tradição que o Sardoal teve o seu primeiro foral, dado pela Rainha Santa Isabel, no ano de 1313. Tal facto não está confirmado. Certo e seguro, é que em 22 de Setembro de 1531, D. João III, elevou a povoação de Sardoal à categoria de Vila. Uma vila florida numa região de extremos climatéricos (calor e frio) é conhecida por Vila Jardim. Para quem só conhece Óbidos não sabe o que perde. Uma enorme vantagem é a quase total ausência de pessoas. Uma enorme dsvantagem é, precisamente, a quase total ausência de pessoas (espero ter sido claro). Quase tudo fechado num dia feriado, dia em que precisamente seria de esperar um ou outro tuista. E havia muito para ver. Ficam as imagens exteriores.
15.8.12
13.8.12
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Paulo said...
Embora as pessoas de etnia africana (não se diz pretos, Jorge!*) possuam características físicas que propiciam certos desportos: o rabo espetado, autêntico motor atrás, ajuda muito. Tens razão. O mais importante para conseguir medalhas nos JO para além de importar atletas africanos, é desenvolver escolas: os exemplos estão à vista. Podemos é questionar a utilidade deste autêntico "freak show" e compará-lo às touradas (ou corridas de touros). Mas isso é outra discussão.
*nota: só o Caetano Veloso pode falar em pretos e ninguém ficar ofendido.
2016 - RIO DE JANEIRO
Com uma medalha de prata ganha em canoagem, Portugal ficou no número 69 do ranking destes Jogos Olímpicos. Se pensarmos que houve 120 países que não ganharam nada, não é mau. A Europa ganhou destacada o número de medalhas conquistadas, somando mais do que a USA e a China juntos. Londres fez um espectáculo extraordinário. Agora a bola fica com o Brasil. Em 2016 voltamos a ouvir falar em natação sincronizada, saltos ornamentais, hoquei na grama, halterofilismo, taekwondo, pentatlo moderno e tantos outras modalidades de que nada sabemos durante quatro anos. Até lá ficamos com o velho futebol.
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