29.9.12

ADEUS CABO VERDE


SAMBA NO PONTÃO







ESPARGOS - CAPITAL (LARGO PRINCIPAL)

ESPARGOS - CAPITAL (ABORDAGEM POR TRÁS)



O que incomoda nestas terras é a miséria excessiva em que se vive. Numa população de 35000 pessoas parece fácil dar condições condignas a estas pessoas. Mas não é. Um certo boom turístico que existe no sul (Santa Maria) não chegou ainda à capital. Aqui nem há crise. Eles nem sabem o que isso é. Apenas vivem assim. Tudo é relativo, menos a fome, as condições de higiene e de vida. Devia haver um maior esforço maior do governo cabo verdiano para alterar esta situação que não se compadece com um desenvolvimento turístico que se pretende incentivar.

ILHA DO SAL - O PROBLEMA DA CABRA DESERTIFICADA


28.9.12

TITO PARIS - DANÇA MA MI CREOLA


RENCONTRO - TITO PARIS

Tito Paris é um dos expoentes máximos da moderna música de Cabo Verde. Vai para uns dez anos estive no antigo cabaret "B' Leza" onde ele actuava. Acabei por subir ao palco e tocar com ele um par de músicas. Reencontrei-o no Sal. Ia para um festival no dia seguinte. Já não deu para ir. Fica a imagem de homem caloroso e simples. Um músico de excepção. Deixo em cima a minha homenagem.

MÚSICA DE CABO VERDE

Cabo Verde é um país musical. Por todo o lado há música. Quando ouvimos os vários géneros musicais, fica uma sonoridade de fado tropical desenvolvido nos sons quentes da morna. Um ritmo afro-brasileiro, nas coladeras. A música de Cabo Verde é sobretudo polifónica, ou seja, a melodia desenvolve-se sobre uma base formada por uma sucessão de acordes. Contrasta assim com a música da África Ocidental, que se caracteriza por uma sobreposição de contrapontos. São poucos os géneros que são monofónicos (batuque, tabanca, colá). As escalas musicais empregadas são escalas musicais europeias. A morna, a coladeira, a mazurca, o lundum, por exemplo, usam frequentemente escalas cromáticas. O funaná, em contrapartida, usa frequentemente escalas diatónicas. As linhas melódicas variam muito, e alguns autores dizem (de um modo bastante impressionístico) que «a melodia lembra as montanhas e as ondas do mar». Se na melodia e na harmonia nota-se sobretudo a influência europeia, é no ritmo que se nota mais a influência africana. Os ritmos são sincopados e o emprego simultâneo de vários instrumentos de percussão permite modelos rítmicos complexos. Uma música sensual e inimitável que nos transporta a uma África europeia.

VELHOS BATELÕES DE TRANSPORTE DE SAL


ILHA DO SAL - DESOVA DA TARTARUGA III


Enfiados numa pick-up verde escura, lá fomos noite sem Lua. Íamos seis. Cinco portugues e uma alemã. Escuridão total, nada de flash. Apenas umas pequenas lanternas de luz encarnada, para não afugentar as tartarugas. As fotos iam ser impossíveis. Não se via ponta de um corno. Andamos quilómetros por montes e vales, dunas e mais dunas. "É aqui", diz o Sousa. Por mim, ali ou noutro sítio. Era tudo igual. O batedor foi por uma ponta da praia. O Sousa pela outra. O motorista ficou ao telemóvel à espera de chamada quando encontrassem a tartaruga. Esperámos na impaciência. Entra a chamada. Corremos para a praia aos tropeções, na humidade quente da noite africana.
Ali estava a tartaruga (como podem ver claramente ao centro, iluminada por uma pequena luz em cima). Um bicho enorme, com uns 80 kg de peso e uma força incrível. Correu para a água. Impossível detê-la. O Sousa tentou levantá-la só de um lado, mas mesmo assim pisgou-se. Devia ter uns cem anos. Todos lhe fizemos festas. A carapaça é dura e morna e emite um brilho verde que emanava do interior do corpo. As tartarugas verdes devem o seu nome à cor da gordura esverdeada por baixo da casca.
Enervada, a tartaruga entrou na água acompanhada de grande excitação humana. Fiquei na dúvida se lhe tínhamos prejudicado a desova ou se a coisa já estaria resolvida. Entretanto o Sousa, sempre querendo agradar, começa a andar a uma velocidade supersónica praia fora tentando encontrar outra. Quase à beira de uma apoplexia, Lá apareceu outra. Esta vinha desfocada e o resultado foi este.
Acreditem que lá vê-se melhor. A excitação é grande. São animais impressionates. Grandes. Possantes. E, no entanto, tão indefesos em terra. Uma aberração, estes bichos que precisando de ar, vivem no mar. Porque carga de água vem eles desovar a terra. Porque os ovos precisam do calor. Pois, mas arriscam-se eles e arriscam as crias. E, no entanto, já é assim há milhões de anos.
Aqui está um ninho de tartarugas. Mais de cem ovos dos quais só 5, no máximo sobreviverão. No trajecto para a água, são os pássaros que os apanham. Lá dentro do mar têm os tubarões à espera. Como se pode ver, um jipe ou uma mota passam facilmente por cima, sem se aperceberem. É apenas um monte de areia. É o Sol que choca os ovos e se responsabiliza pelo nascimento. A tartaruga-mãe despeja a sua carga e volta à água. Mãe desinteressada... Também quanto mais tempo ali ficar, mais arrisca a própria vida.
A praia onde fomos está guardada por militares cuja missão é proteger as tartarugas. Com o guia certo e pré-aviso, até deixam bater foto. O Sousa sabe muito. Deixamos as tartarugas entregues à sua guarda de honra e seguimos para encontrar outro personagem...

27.9.12

ILHA DO SAL - DESOVA DAS TARTARUGAS II



As tartarugas em Cabo Verde podem extinguir-se dentro de 10 anos. Há uma caça às tartarugas que visa a sua venda para comer. A ingestão de lixo da praia e as motos e jipes que destroem os ninhos enterrados na areia, são outras causas importantes e evitáveis da morte das tartarugas, a par com as causas "naturais": os pássaros e os tubarões que comem as pequenas crias. Nos meses de Verão as fêmeas chegam às praias para desovar, sendo que cada fêmea pode fazer várias desovas. Entre 56 e 70 dias depois nascem as tartarugas-bebé que imediatamente se dirigem para o mar. Cada ninho tem cerca de 100 ovos. Calcula-se que apenas 3 a 5 tartarugas-bébes sobrevivam. Apenas uma em cada mil atinge a idade adulta. A organização "SOS-Tartarugas", fundada por uma inglesa, Jacquie Cozens, está baseada na Ilha do Sal e, com o apoio das autoridades e de voluntários portugueses e ingleses, iniciou um programa de defesa das tartarugas. Aguarda-se  um plano de defesa integrado para todo o arquipélago. O turismo das tartarugas dará muito mais dinheiro do que a sua morte.


Fotos sacadas da net.

NOTÍCIA DO DIA - AUTOCOLANTE ANTI-TRAQUE DIVIDE TAXISTAS EM ESPANHA

Os traques dos clientes estão a dividir os taxistas em Madrid, Espanha. Alguns motoristas afixaram nos carros um autocolantes a sinalizar que as flatulências do cliente não são bem-vindas. Uma mensagem que, para alguns, já cheira mal.
"É degradante para as pessoas que temos todo o gosto em transportar", alertam os motoristas que estão contra este autocolante, em declarações ao jornal "La Vanguardia".
Apesar de evidenciar um sinal de traque proibido, o autocolante não faz lei, porque nada na legislação espanhola proíbe a natureza de se impor quando tem de ser.
Os defensores do autocolante, cujo grafismo não deixa dúvidas, dizem que pretendem proteger-se dos maus hábitos de alguns dos clientes, que se sentem em casa quando andam no carro dos outros.

ILHA DO SAL - DESOVA DAS TARTARUGAS I



O Sousa apareceu vindo do nada. Quando olhei estava já em grandes intimidades com a Fernanda. Corri, não fosse finalmente haver qualquer emoção: um rapto, um sequestro, enfim, um simples assalto. Afinal era uma proposta irrecusável para ir ver a desova das tartarugas à noite, numa praia deserta. Ainda podia haver rapto! Pagamos logo 20 euros... mas com recibo. O Sousa é uma figura. Conhece tudo e todos. Ainda acaba em vereador. Vejam os próximos episódios...

25.9.12

ILHA DO SAL - SALINAS II (O CAMINHO DO SAL)




ILHA DO SAL - SALINAS I

Foi no princípio do século XIX que os sal trouxe população a uma ilha praticamente deserta. As salinas da Pedra do Lume ficam na cratera de um vulcão extinto. Uma das paredes está abaixo do nível do mar. A água salgada vai enchendo a cratera por infiltração. Houve tempos em que o sal era exportado. A economia da ilha sustentava-se no sal. Actualmente as salinas servem apenas a população de Cabo Verde. As antigas instalações estão agora destruídas. Todo o complexo foi comprado por um italiano que recuperou as casas dos trabalhadores e as entregou à população. Este é o umbigo da ilha. Mais salgado é impossível.

NOTÍCIA DO DIA - OS AVIÕES DE ROMNEY

Romney quer que os passageiros possam abrir as janelas dos aviões (SAPO Notícias)
O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, envolveu-se em mais uma polémica. Desta vez, o adversário de Barack Obama não compreende porque é que as janelas dos aviões não se podem abrir, como as de um carro.

ILHA DO SAL - PORTO ANTIGO


23.9.12

O MELHOR DO SOL É A SOMBRA




LIVRO BRANCO DA POESIA


Recebi do Eduardo (Varal de Ideias) o "Entre Chaves". É uma incursão na poesia. Segundo ele, um "aperitivo antes do livro" que está a acabar e que se chamará "Último Blog e Outras Blogagens". Uma apresentação despojada e simples, como convém. Um conteúdo surpreendente de introspecção, em frases curtas e musicais. Um apelo à síntese, em palavras que marcam pelo vigor e pela paixão. Um aperitivo que é uma substância em si mesmo. Deixo-vos um dos poemas que mais gostei e onde me revejo completamente:
                                       
                                     Escrever
 
                                    Encontrei
                                    No caminho
                                    Nova razão
                                    De viver
 
 
    Foto FNP              
                              
            
                                                              

22.9.12

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO TURISMO EM CABO VERDE

Vantagens:
- fica a três horas e meia de Lisboa;
- a comida é boa;
- a água do mar é quente, calma e convidativa;
- a música é excelente.
 
Desvantagens:
- a segurança é total, o que impede aquela constante inquietação que dá imensa adrenalina;
- não há vendedores na praia, o que não permite fazer compras bonitas, modernas e originais;
- o povo é simpático demais,  o que afasta logo a sensação de rapto iminente;
- falam português, nem parece que estamos no estrangeiro;
- os dias são longos e não chove, impedindo a sensação dos "tristes trópicos".
- não há cobras e a malária está quase extinta.

SANTA MARIA - A VILA