28.11.12

DIABO NA CRUZ AO VIVO - TOP +


MACAO - BRIDGING TIME

 
É já na 3ª feira. Parto para Bruxelas para abrilhantar uma exposição da União Europeia. Vou fazer discurso e tudo. A melhor parte vai ser o cocktail. Lá fora neva e a temperatura exige gorro e luvas. O Roberto deve ter previsto tudo e deve estar a rir-se imenso deste evento institucional para o qual o levaram sem querer. Mas como tudo é elipse, acabará virtualmente por tanto fazer.

26.11.12

ABECEDÁRIO DE MYRA - F

 
Apesar da sua provável origem fenícia, o “f” demorou para se afirmar. Ainda há bem pouco tempo era “ph”. Só por força de Acordos Ortográficos o “f” viu a sua personalidade reconhecida. Talvez por isso, o “f” se impôs como letra perigosa e matreira, sempre pronta a resvalar para a asneira. Qualquer deslize e o “f” vira “fuck” e de “fuck” em “fuck” acaba por ficar tudo lixado. E, no entanto, as suas funções terapêuticas são reconhecidas por todos. Quem não gosta de desabafar com “f”? E o bem que isso nos faz? Uma letra escatológica que acaba no Fim.

EFEITOS ESPECIAIS

24.11.12

EFEMÉRIDES


A História nunca se repete. A vida nunca é igual. A água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte. Efemérides são factos relevantes. Factos que mexem com a nossa vida. Que marcam o mundo, um país, uma região. Acontecimentos memoráveis. Factos de que só temos consciência a posteriori. Quando sucede vivermos esses factos, não temos ainda a perspetiva histórica da sua relevância. Só mais tarde, às vezes décadas depois, é que entendemos a sua importância. Quando Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cabo ainda era das Tormentas. O enorme alcance desse feito para o mundo moderno só foi devidamente compreendido mais tarde. Primeiro era apenas mais uma viagem marítima. Depois passou a efeméride de expressão mundial.
Muitas efemérides mantêm-se no tempo porque se institucionalizam. Ganham uma dimensão simbólica. O caso mais típico é o dos feriados nacionais que comemoram vitórias em guerras fundamentais para a independência de um país ou datas cruciais para a alteração de regimes. Muitas são datas que já nem sabemos bem a que correspondem. Datas que se comemoram em sessões solenes, enquanto o povo vai para a praia. Se é verdade que há efemérides de expressão mundial, outras são comemoradas exclusivamente por um determinado regime político e abolidas pelo regime que lhe sucede. Efemérides são factos indesmentíveis. Acontecem. A sua valoração ideológica é que varia de regime para regime ao longo dos tempos.

Assim, no limite, podemos dizer que efemérides são factos históricos sobre cuja relevância, em dado momento, existe um consenso alargado. Os regimes políticos e, depois, a memória dos homens, podem transformar factos irrelevantes em efemérides ou fazer esquecer factos notoriamente relevantes relegando-os para o limbo da História. Os regimes políticos podem enfatizar factos perniciosos ou abolir outros de grandeza inquestionável para efeitos de propaganda própria. Um exemplo absurdo: se a Espanha conquistasse agora Portugal, o feriado de 1 de Dezembro seria, certamente, banido do calendário e as comemorações oficiais não mais se realizariam. E, no entanto, a efeméride existiu.
A verdade pode ser manipulada, apagada, distorcida ou alterada. Mas as efemérides estão lá como âncoras da memória. São datas que nos recordam factos. Factos que nos recordam quem somos.
 
Texto que escrevi para introdução ao capítulo "Efemérides", das "Crónicas Maquistas". Livro a editar pelo meu amigo Luís Machado, em Macau.

OUTONO ATACOU


LISBOA - DO ALTO




COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

AnonymousAnonymous said...
Vou ter de defender o E. O que seria de nós sem estas palavras?

_letricidade - todos no escurinho e sem net ... que tal?

_stradas - a corta-mato, de burro?

_levador - isso, subam 20 andares a pé, faz bem às pernas e ao coração.

_spelho - nem veriam aquele pedacinho de couve do caldo-verde no dente da frente.

_stante - ui, tropecei no Eça e caí em cima do Lobo.

-scada - Ó Maria traz o banco.

_lefante - não haveria a piada.

_uro - nem se sentiria a falta, já nos acostumámos a viver sem ele ... lololol

23.11.12

ABECEDÁRIO DE MYRA - E

Uma letra ambígua: "é" ou "e"? "É" de ser. "E" de qualquer coisa. Ora se afirma peremptoriamente. Ora não passa de uma copulativa inconsciente. "É" por que sim. "E" porque tanto faz. Quando surge isolada é uma letra sem peso.  Um "e" sozinho podia perfeitamente ser substituído por uma vírgula. O "e" tem a sua força nas coligações que faz. Vive ao centro do abecedário. Alia-se à esquerda ou à direita. Disputa os ditongos ao "a". Uma saudável rivalidade que gera alternância fonética. "Eu" não seria nada sem o "e", mas é o "u" que marca a personalidade. Uma letra fraca que faz fortes alianças.

MYRAPHONE


O meu vibrafone é o ideal para receber as pinturas da Myra. A desvantagem é que não consigo tocar. Mas também que importa... Hesito na moldura. Para já vão ficar aqui até decisão final. O vibrafone passou a Myraphone.

22.11.12

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

BloggerEduardo P.L said...
Jorge, é seu estilo, e chame-o do que quiser, vais continuar a nos emocionar com sua forma de escrever.
Quanto aos royalties já percebi que em literatura são mais difíceis de se obter do que em perfurações profundas, em alto mar.

BOSSA NOVA


MYRA - GALERIA NOVA OEIRAS






DIREITOS SEM AUTOR

Às vezes penso que todos os elogios são lugares-comuns. Que são simpáticos comigo. Sinto-me demasiado confortável. Preciso de me exceder. De me transcender. Sinto que não serve só estilo. Que preciso de me emocionar. De ser mais do que elegante. De sair a direito nas palavras. Começo a estar farto do quadrado. Da escrita em "rock".  Se calhar devia ser apenas pop. Deixar de ter problemas de intelectualite. Ser apenas direitos de autor. Ganhar royalties. Afinal não é o que todos queremos?

21.11.12

PERSONALIDADES


As Personalidades desafiam o mito. Evocam máscaras gregas. Pessoas que se transformam em deuses. As Personalidades transcendem os destinos breves que nos rodeiam. Alargam os horizontes da nossa mortal condição. Simbolizam a efeméride da vida. Gente que faz História, que fica na História, que é História. As Personalidades perpetuam o nosso ego para além da morte. Somos nós que as mantemos vivas. De certa forma, as Personalidades somos nós.
Todos temos personalidade, mas só alguns são Personalidades. Só em alguns reconhecemos um mérito para além do normal. Uma transcendência invulgar. Uma identidade fora do comum. Esta é a verdade. Não há Personalidades “normais”. A normalidade não faz História. A normalidade é uma média que serve estatísticas. É estudada como ciência. É o sonho de qualquer político. A ambição de todo o economista. Gerir “homens normais”. Felizmente para a Humanidade há Personalidades.

Sempre que contamos a história de alguém. Sempre que fazemos uma biografia. Sempre que repetimos o que ouvimos, estamos a dar uma dimensão mitológica a esse alguém. A conferir-lhe a eternidade. A personalidade torna-se Personalidade. Esbatem-se os contornos mesquinhos do seu dia-a-dia e a pessoa emerge como uma lenda de si própria. 

Todos temos características que podem fazer de nós lendas. É preciso é que a nossa história se repita. Que alguém se lembre de nós. Que alguém conte as nossas vidas. Alguém que nos perpetue. São os escritores, os romancistas, os contadores de histórias que fazem de nós heróis. Sem eles a memória não se reproduz. Sem eles a nossa existência dilui-se na inócua estatística da realidade média. No esquecimento da mortalidade inevitável. A verdade é que todos somos Personalidades, mas nem todos temos quem conte a nossa história.
 
Texto que escrevi para introdução ao capítulo "Personalidades", das "Crónicas Maquistas", livro a editar pelo meu amigo Luís Machado, em Macau.

JÁ TEMOS CAPA


17.11.12

MACAU - TURISTA OCIDENTAL


Fotografia de Roberto Barbosa

As fotografias, depois de terem sido digitalizadas em Lisboa a 10000 DPI, viajaram até Bruxelas para ser retocadas por um especialista. Agora seguiram para Hong Kong para serem impressas em 40x60. Simultaneamente, estamos a ultimar aqui em Lisboa o catálogo com o meu texto que foi, entretanto, traduzido para inglês (o que não foi fácil). Depois, o catálogo seguirá para Bruxelas para edição. Entretanto, começam os questôes "politicamente incorrectas". O nome não pode ser Turista Oriental!!!... Passa a Turista Ocidental. Dia 4 de Dezembro lá estarei na exposição em Bruxelas, representando-me a mim e ao Roberto. Entre hoje e 3ª feira este blogue interrompe actividade. Tenho de deixar o catálogo pronto.

15.11.12

ABECEDÁRIO DE MYRA - D


Divino. Deus. Dante. Dor. Dedo. Dado. Uma letra que despreza consoantes e aconchega vogais. Adora reinar sozinha. Uma letra eloquente e imperial. Vale por si própria. Detesta ajudas. Impõe-se no abecedário como um comando definitivo. Uma letra forte e imperativa.

14.11.12

EDUARDO P. LUNARDELLI - O LIVRO

O livro " O ÚLTIMO BLOG e outras blogagens" esta disponível
Finalmente depois seis meses de intensa gestação, o livro esta na praça.
No formato de 14 x 21, com 320 páginas, Prefácio de Jorge Pinheiro, texto de orelha de Luis Bento, caricatura da capa de Roque Sponholz, começa a ser comercializado. Inicialmente os pedidos poderão ser feitos por e-mail (cimitan@terra.com.br ), ou pelo telefone 5511 30794433 ( falar com Cida ). Oportunamente estará em algumas livrarias na Cidade de São Paulo, e talvez algum site de vendas pela Internet. Estamos trabalhando nesse sentido.
Eduardo Lunardelli, que todos conhecem do "VARAL DE IDEIAS", lança o seu primeiro livro: "O Último Blog e outras blogagens". Foi um parto difícil, como convém a qualquer bom livro. Tive oportunidade de acompanhar o projecto desde o início e o privilégio de ser um dos primeiros a ler o texto, ainda que numa forma não definitiva. Coube-me a honra de escrever o prefácio e sobre o livro digo o seguinte:

 "...Quem lê "O Último Blog e Outras Blogagens” percebe logo que o Eduardo conseguiu o objectivo. A escrita é jazzie. Um swing de compasso irregular e batida intensa. Uma improvisação inspirada e em constante alternância de escalas. Sons urbanos escritos na pauta litorânea. Podemos começar a meio do solo. Voltar atrás para ouvir o tema. Cada instrumento soa distinto. Notas precisas. Estilo descontraído. É um caderno de anotações. Um “moleskine” digital que se reinventa no papel. Que se torna real. Que se levanta e anda. Reflexões e confidências. Política e amor. Humor e poesia. Guerra e paz. Eduardo consegue a proeza rara de transformar um blog num livro e fazer do livro um blog. Eduardo integra na perfeição os comentários que fizeram aos seus posts. Utiliza a escrita alheia para enriquecer o seu texto. Este é o espírito dos blogs. Aquilo que transforma um simples diário numa interactividade de opiniões. Sem isso, o livro seria, provavelmente, “a long boring solo”. Assim, é uma peça de surpreendente vivacidade em que a orquestra nunca desafina. Até porque há “Comentários que valem um post”.
Um livro de leitura obrigatória para quem frequenta blogues.


ABECEDÁRIO DE MYRA - C


Uma letra irrequieta e indecisa. Uma letra complexada. Falhou o círculo. Ficou aberta na indefinição. Pode ser tudo ou nada. Umas vezes é “q” outras “k”. Com cedilha fica “s”. Às vezes gosta de se juntar em “cç”. Com facilidade agarra o “ch”. Nunca sabemos quando é “ss”. Uma letra difícil. Diverte-se com os nossos erros. Ri-se das nossas asneiras. Uma letra irresponsável. Mutante sem escrúpulos. Uma letra traumatizada que não sabe o quer.

125º ANIVERSÁRIO - AMADEU DE SOUZA CARDOSO


13.11.12

ABECEDÁRIO DE MYRA - B


Bota. Baba. Bela. Barro que sustenta. Barco que navega. Batalha que se vence. No início tem força. Parece uma letra determinada. Quase irresistível. Arrasta vogais. Puxa o “r”. Arranca o “t”. De repente fica sem força. Quase inerte. Carece de apoio. O “m” vem em socorro. E o “b” fica em dívida. Um “b” é um “v” que deixou de ser boi.

ABECEDÁRIO DE MYRA - A


Sem “a” não há escrita. As palavras não existem. As consoantes ficam mudas. As vogais ficam surdas. As frases tristes. As  ideias fechadas. “A” com acento pode ser grave. Agudo desliza como água. “H” atrás dá-lhe respiração. “H” à frente admiração. Umas vezes tem exclamação, outras vezes é interrogação. Com til fica “ão”, com “n” pode ser não. “A” porque há e sempre haverá.

 

12.11.12

O ABECEDÁRIO DE MYRA

"A história de alguém que viveu muito, viveu intensamente, viveu perigosamente e, felizmente, ainda está aqui entre nós. Continua a pintar e está mais lúcida do que eu. Quem é Myra Landau? Pintora. Escritora. Aventureira. Amante. Amada. Mãe. Avó… Myra é tudo isso e muito mais. Myra fala seis línguas diferentes. Nasceu na Roménia. Estudou em França e Inglaterra. Passou por Portugal em fuga desordenada dos nazis. Rumou ao Brasil. Corria o ano de 1941. Deslumbrou-se com a visão da Baía de Guanabara. O Rio de Janeiro seria a sua casa na próxima década. Empenhou-se em causas. Na luta política. Conheceu filósofos, políticos, homens de letras. Em 1947 decidiu estudar jornalismo. Seguiu para Nova Iorque. Inscreveu-se num curso de John dos Passos. Não teve coragem. Acabou a frequentar um outro curso de Erich Fromm, perdida num enorme anfiteatro, rodeada de gente neurótica como ela. Escondia-se de todos. Achava-se feia. Com um nariz grande. Refugiava-se por trás de grossas lentes que lhe rodeavam os olhos hipnóticos. Ela não sabia ainda quem era. Ou melhor, não queria saber…"
 
Foi assim que comecei a pequena biografia de Myra Landau, em Junho de 2010. Myra está agora a residir em Jerusálem e continua em busca das formas e das cores. Talvez tenha iniciado uma nova fase artística. Ainda é cedo para o afirmarmos com segurança. A partir de hoje vamos começar uma série baseada nos seus últimos trabalhos: O "Abecedário de Myra". A pintura é dela, os textos são meus. 

11.11.12

NOVOS TALENTOS FNAC


Pois o meu dia em Lisboa foi para assistir a este evento. Pelo caminho almoçei na Casa Alentejana (em obras de recuperação); passei pela Ginginha do Rossio, só para fotografar; entrei na Igreja de S. Domingos, talvez para expiar pecados, porque, mesmo para quem não acredita nisto, que os há, há; deambulei pela ruas da Baixa no bulício calmo da cidade; finalmente subi penosamente a rua do Carmo, em direcção à FNAC.
Entre 700 contos a concurso, o júri escolheu 10 finalistas que foram votados pelo público via internet. Entre os cinco contos mais votados, e agora publicados em livro, estão o de Maria de Fátima Santos e o de Luís Bento, ambos circulando por este cantinho da blogosesfera. Podem consultar os blogues Repensando (Fátima) e bento-vai-pra-dentro (Luís) e entender porque estas escolhas não foram acidentais. Aqui ficam os meus parabéns a ambos e, muito em particular, à Maria de Fátima que muito estimo e admiro.
Maria de Fátima tem uma escrita torrencial e avassaladora. Complexa na forma e no ritmo. Dá a sensação que uma barragem se rompe e a água inunda todas as páginas ao mesmo tempo. Cada frase é um episódio. Um suspense que se desmultiplica numa sequência imparável, cada vez mais rápida, sofregamente irrestível. As palavras correm velozes como semifusas sem pausa, numa partitura deslizante, em que o futuro se vai desvendando antes do próprio presente, como se o passado fosse depois de o ser. Não sabemos se o conto tem algo de auto-biográfico, mas José Augusto, se não existe, podia muito bem existir. Uma história sofrida e desconcertante. Uma história de amor.

Nota: nos próximos dias falaremos do conto de Luís Bento.

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

AnonymousAnonymous said...
Posso não concordar?
Lisboa não precisa fazer pose, não precisa de fazer boquinhas nem mostrar parte da coxa para que a imaginação nos leve ao seu fim (ou começo). Lisboa não precisa de nada destas artimanhas de modelo fotográfico. Lisboa é sempre linda, nua ou vestida e ainda que esteja desgrenhada é uma beleza, uma elegância. Sabe porquê? Porque a sua alma é bela, porque o sangue que lhe corre nas veias-vielas, tem o vermelho da poesia, da paixão e do fado.

10.11.12

LISBOA É INFINITA

Há cidades que se deixam fotografar como modelos profissionais. Sabem-se mostrar. Fazem posições sexy. Ajeitam os cabelos. Mostram os ombros. Deixam entrever ruelas penetrantes. Desconhecidos ângulos que nunca tínhamos visto. Luzes súbitas que nos excitam a imaginação. Sombras misterosas que nos invadem a alma. Lisboa é uma das cidades mais fotogénicas que conheço. É a luz fabulosa, a malha urbana que se desenvolve num caos organizado, as colinas que emergem por todo o lado, a arquitectura sóbria e repetitiva da Baixa, as igrejas medievais que renasceram do Terramoto. Uma cidade multicolor e multiracial, onde se anda com prazer e em segurança. Lisboa nunca se repete. Lisboa é infinita.

UM DIA EM LISBOA - XXII




UMA DIA EM LISBOA - XXI


UM DIA EM LISBOA - XX


UM DIA EM LISBOA - XIX