Afinal a morte não existe. Existe apenas ausência. Mas existe também lembrança. As pessoas que amamos continuam a viver dentro de nós. Enquanto continuarmos a pensar nelas, elas existem. E quando nós morrermos alguém vai ficar a pensar em nós. E assim vamos eternizando a vida. Por isso a morte é um estado de alma. Vivemos para além da morte, porque ficamos dentro dos amigos. E os amigos passam a ser nós. Recordar quem morreu pode ser doloroso. Mas, se pensarmos que eles são parte de nós, então estamos a reviver. Mais do que um homenagem, comemorar os mortos é comemorar a nossa vida.
31.1.13
ADEUS FRANCISCO
O Francisco era o mais novo dos três filhos do Roberto e da Cristina. Há mais duas meninas lindas. Conheço o Francisco desde que ele nasceu. Íamos passar férias juntos para a praia da Fábrica (Tavira). Ficávamos nas Solteiras, a caminho da Serra do Caldeirão. Uma casa de aventuras que deu guarida ao grupo durante mais de duas décadas. O Francis, como lhe chamava o Roberto, era o benjamim. Sossegado, observador, discreto. Sempre rodeado de meninas, era feliz dentro de água. Sempre adorou água. Qundo o pai morreu, em 2007, o Francis ia morrendo também, mas de desgosto. Herdou o gosto pela fotografia e cinema. Estava a começar tudo. Curso de cinema, projectos artísticos, uma relação com a Barbára, com quem vivia em Lisboa. Uma vida à sua frente. A morte aos 23 anos não o deixou continuar. Acabou antes de começar. Para nós mais velhos que carregamos dentro de nós um cadáver iminente, já nada é estranho. Apenas injusto e extemporâneo. Mas para os jovens que hoje foram ao velório, havia uma sensação de estupefacção estampada nos rostos. Uma incredulidade, um absurdo, uma sensação de incompreensão total. A tragédia destas mortes precoces é a impreparação total e absoluta. A sensação de que alguém foi impedido de jogar. Que alguém não teve os deuses do seu lado. Que tudo lhe foi negado. Não sei se o Francisco vai ter com o pai. Gostava de acreditar nisso. Se assim fôr, em breve estarei convosco. Guardem-me um lugar. Adeus Francisco.
29.1.13
FRANCISCO BARBOSA
Cabe-me dar uma notícia que nunca esperei ter de dar. O Francisco, filho do Roberto Barbosa, morreu Domingo passado. Tinha 23 anos e é uma enorme injustiça. Daquelas que nos faz duvidar da vida e nos revolta contra tudo. ...Conheço-o desde que nasceu. Ainda há pouco tempo estive com ele a rever as fotografias do pai, para a exposição de Bruxelas. Estamos devastados. O velório vai ser amanhã, dia 30, a partir das 19h, na Capela Mortuária de Nova Oeiras. O funeral parte às 15h, de dia 31, para o crematório de Rio de Mouro.
28.1.13
27.1.13
O REGRESSO AOS MERCADOS
Há quem diga que os mercados são entidades abstractas, feitas de especuladores sem escrúpulos, manuseando fundos de investimento obscuros, com contas cifradas em offshore. Que são hipócritas e matreiros. Que só pensam em si mesmo. Que são eles os responsáveis pela crise.
Não foi essa a minha experiência. Ontem fomos às Caldas da Rainha (aqui a uma hora de Lisboa). Os mercados funcionaram perfeitamente. Muita couve e batatas. Cenouras e nabos aos molhos. Uma sã convivência, com taxas de juro muito aceitáveis e crédito à vista para todos. Oferta e procura.
Quando era mais novo fartava-me de ir aos mercados. Talvez fosse mais liberal. Havia outra confiança. A austeridade era implícita. Agora ir aos mercados é uma janela de oportunidade, na esperança que a Euribor esteja de bom humor e o yeld tenha tido uma noite repousada.
Ontem foi o regresso aos mercados. Um país que continua a vender alhos e cebolas. Que continua a tirar da terra o seu sustento e para quem a crise é apenas mais uma.
25.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - EPÍLOGO
Acabámos hoje a nossa viagem por Macau. As fotografias do Roberto Barbosa, tiradas em 1985, guiaram-nos num breve encontro com a História, numa viagem impressionista pelo exótico e desconhecido oriente. O que acabaram de ver, foram as fotografias expostas em Bruxelas (a 3 de Dezembro) e o texto que integra o respectivo catálogo. Estou em negociações para fazer uma exposição semelhante em Lisboa e outra em Macau.
É muito estranho trabalhar com alguém que já morreu. Às vezes penso que se ele estivesse vivo nada disto seria possível. Ele era muito pouco dado a estas "mundanices". Não que fosse uma pessoa reservada ou tímida. Acho que era mais desinteressado. Alguém que não atribuía real valor ao que fazia. Que achava que era absolutamente normal. Que não merecia destaque. Sinto que, de certa forma, o estou eternizar em mim. E isso dá-me uma força extra. Quero aqui realçar o excelente trabalho do Carlos Costa, amigo e colega do Roberto no IADE, sem o qual nada disto teria sido possível.
Fotografia de José Maria T. da Rosa (1985).
É muito estranho trabalhar com alguém que já morreu. Às vezes penso que se ele estivesse vivo nada disto seria possível. Ele era muito pouco dado a estas "mundanices". Não que fosse uma pessoa reservada ou tímida. Acho que era mais desinteressado. Alguém que não atribuía real valor ao que fazia. Que achava que era absolutamente normal. Que não merecia destaque. Sinto que, de certa forma, o estou eternizar em mim. E isso dá-me uma força extra. Quero aqui realçar o excelente trabalho do Carlos Costa, amigo e colega do Roberto no IADE, sem o qual nada disto teria sido possível.
Fotografia de José Maria T. da Rosa (1985).
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXIX
E fico eternamente à espera
O autocarro passa. Vejo-a de relance. Aceno desesperado.
Desaparece ao virar a esquina. Um sorriso enigmático deixa em mim uma esperança
pueril. Só podia ser ela. Ter-me-à visto? Sinto em mim a monção que me invade.
Um tsunami que me abala. Um tufão que me destrói. E fico à espera eternamente.
Macau.
24.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXVIII
A pérola mais preciosa
A transferência da soberania de Macau entre Portugal e a
China aconteceu a 20 de Dezembro de 1999. Macau reencontrou o seu destino. A
economia de Macau reforçou-se, assente no turismo e no jogo. Hoje, reconhecer
esse Macau antigo é uma tarefa quase arqueológica. Macau, mais do que um sítio,
é um conceito. Um conceito que vive na diáspora de si própria. Um Oriente que
esconde a sua pérola mais preciosa.
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXVII
Vim para ficar
Já nada quero. Já nada existe. Acho que já não sou. Talvez
tenha perdido a razão. Deambulo pela cidade ao som de música celestial. Falo
sem falar. Entendo sem entender. Vejo sem ver. Os deuses sopram em mim como
vela sem pano. A neblina já não assusta. Deixei de ter calor. O mar fala comigo
das tempestades que me assolam. Vim para ficar. Ela é o caminho.
23.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXVI
A violência acabou
A violência acabou. A repressão amainou. Começou a pressão
política. Exigências pesadas e inegociáveis do lado chinês. Em Lisboa, Salazar
não tomava posição. Finalmente, a 29 de Janeiro de 1967, o Governo de Macau e
as autoridades chinesas chegam a acordo. Evitou-se uma sublevação generalizada,
mas ficou claro que Portugal apenas estaria em Macau enquanto a China quisesse.
TURISMO
Fuga de gás nauseabundo continua a atingir Paris e Londres (Expresso)
Autoridades francesas ainda não conseguiram controlar uma fuga de gás de uma fábrica química de Rouen, a norte de Paris. O gás fedorento espalha-se desde ontem, com o vento, da costa da Normandia até Paris e Londres.
22.1.13
ESTADO SOCIAL
Ministro japonês diz que morte de doentes idosos alivia contas do Estado (Renascença)
Taro Aso refere que “o problema não se resolve a não ser que os deixemos morrer”. No Japão, um quarto dos 128 milhões de habitantes está acima de 60 anos.
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Anonymous said...
Entre marido e mulher
Diz o ditado popular
Não se mete a colher
E isso não vou mudar
Porém, muito baixinho,
Que ninguém vai escutar
Homem fica bem chatinho
Quando começa a espirrar
Para cada espirro um ai
Parece que vai morrer
E se então à cama cai
Nem uma mão quer erguer
Pede comida na boquinha
Porque está muito doente
E se tem uma febrezinha
Julga estar incandescente
É não ligar e só rir
Que tudo irá passar
Queria ver homem parir
E depois amamentar
Rápidas melhoras.
Diz o ditado popular
Não se mete a colher
E isso não vou mudar
Porém, muito baixinho,
Que ninguém vai escutar
Homem fica bem chatinho
Quando começa a espirrar
Para cada espirro um ai
Parece que vai morrer
E se então à cama cai
Nem uma mão quer erguer
Pede comida na boquinha
Porque está muito doente
E se tem uma febrezinha
Julga estar incandescente
É não ligar e só rir
Que tudo irá passar
Queria ver homem parir
E depois amamentar
Rápidas melhoras.
21.1.13
FINALMENTE DOENTE
Finalmente estou doente. Uma gripe daquelas à antiga, com tosse de cão e brônquios assanhados. Estou há três dias nisto, enquanto lá fora caiem tempestades de vento ciclónico e chuva demolidora. Ando entretido com o meu nariz, no afã de me assoar. Nos intervalos tento escrever contos policiais...
Ando escada a cima e escada a baixo. Doem-me as pernas. Deve ser da febre. A cabeça parece que tem uma bola de mercúrio lá dentro e imaginação está reduzida a uma batata...
Já sei os telejornais de cor. As novas tabelas do IRS. A crise que está melhorzinha. A neve na Europa. Os aviões cancelados. A tomada de posse do Obama. Já vi três vezes o mesmo filme no Canal Holywood. Os golos da jornada até à exaustão...
Deito imensa lenha na lareira nova e testo o recuperador aos limites. Começo a desconfiar que foi o excesso de calor que me fez mal. Cada vez há mais comandos e ecrãs pela sala fora. Como seria a vida antes do "ecrã"? Já nem me lembro...
Ainda tento tocar alguma coisa, mas cada vez tenho menos inspiração. Ainda por cima dei um jeito às costas que me desincentiva de movimentos mais arrojados. Estou mais virado para o xarope da tosse e aspirinas...
E nos sofás os gatos dormem confortáveis, contentes por eu lhes dar tanta atenção. A doença tem coisas boas. Não posso ir às compras, não posso ir buscar lenha, não posso fazer quase nada... Fiz esta "reportagem" precisamente porque não posso fazer mais nada.
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Luísa said...
"No sonho esqueci o acordar!
Deixei de acreditar para além do sol, para além da luz e do som! Por isso o melhor do pior é adormecer e não mais acordar!" - diz o velho adormecido, no embalo da charrete.
Deixei de acreditar para além do sol, para além da luz e do som! Por isso o melhor do pior é adormecer e não mais acordar!" - diz o velho adormecido, no embalo da charrete.
20.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXV
Uma insónia sem angústia
Um sono milenar apodera-se de mim. Como se nunca tivesse
dormido. Uma vida sem sonhos. Uma insónia sem angústia. Quero fugir e já não
posso. E ficando sinto que não mais acordarei. Do outro lado há um mundo de vertigem.
Uma vertigem que eu não domino. E durmo… durmo. E sonho… sonho.
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXIV
Nunca mais seria o mesmo
No dia 3 de Dezembro de 1966, os manifestantes invadiram o
Largo do Leal Senado gritando empunhando o Livro Vermelho. Grupos dirigiram-se
à esquadra da polícia, com evidente intenção de a tomar de assalto. A polícia
abriu fogo. A confusão generalizou-se à cidade inteira. Em dois dias de
convulsão social houve 8 mortos e 200 feridos, todos chineses. O futuro de
Macau nunca mais seria o mesmo.
19.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXIII
A vida quer mais do que eu
Equilíbrio instável. Vertigem permanente. Fico preso na
neblina que me rodeia. Bambu resiliente. Resisto sem querer. Resisto porque a
vida quer. A vida quer mais do que eu. Passa gente que não me vê. Espero que
ela olhe. Espero que ela olhe e me veja. Estou sem destino. Aguardo um sinal.
18.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXII
Começou num incidente
Tudo começou num incidente irrelevante. Uma licença para uma
escola popular que tardava em ser concedida. As autoridades portuguesas agiram
com violência desproporcionada. A imprensa chinesa amplificou. Os protestos
cresceram. As manifestações sucederam-se. O governo de Macau ficou debaixo de
fogo, esqueceu o diálogo e a diplomacia. As tensões exacerbaram-se. As posições
extremaram-se.
CONDELIPAS
Estou a ficar popular. Esta fotografia publicada na página do FB "Descobrir Portugal" obteve 4500 likes, mesmo que ninguém soubesse o que era condelipas. Ver AQUI
17.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXXI
A morte enfrenta-se de barriga cheia
Tudo se come. Tudo se bebe. Come-se com avidez. Com
voracidade. Como se a vida fosse acabar hoje. Como se tivéssemos de sair a
correr. A morte enfrenta-se de barriga cheia. O nosso lugar na terra marca a
nossa hierarquia no céu. Da matéria se fará espírito. Os deuses aprovam. Os
homens agradecem.
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXX
Guardas Vermelhos
Nesse ano de 1966 a Revolução Cultural chegou a Macau. Chegou
sem que as autoridades portuguesas se tivessem apercebido. Mais do que um
protesto contra os portugueses, mais do que a intenção de integrar Macau na
China, os incidentes visavam mostrar a Mao-Tsé-tung que Macau também era
revolucionário. Macau tinha de ter os seus Guardas Vermelhos.
16.1.13
300 000 VISITAS
Vi agora que ultrapassei as 300 000 visitas. Quero agradecer a todos a paciência em me aturar. Continuo a sentir que este é um meio de me expressar. Talvez seja já um vício. Talvez nem sempre consiga ter a criatividade de outros tempos. A verdade é que me continuo a sentir bem na vossa companhia. Estou a encarar seriamente a hipótese de lançar um livro sobre o blogue, na sequência do excelente exemplo do Eduardo. Já lá vão quase cinco anos de Expresso da Linha e quase 5000 posts publicados e a melhor forma de o reler é, agora, sob a forma de livro. Para mim nunca houve diferença entre o papel e o electrónico. É tudo uma questão de media (e de dinheiro). Obrigado a todos.
FESTA DE ANOS
Passei o Domingo à tarde numa festa de anos para crianças. Nada é como no meu tempo. Agora há salas próprias, tipo ginásio, com jogos de todo o género, bolas, balizas, redes de volleyball, pijama parties, video games, karaoke, monitores especializados em permanente animação. Os pais ficam sentadinhos a comer rissóis e a bebericar coca-cola, enquanto os putos se empanzinam de batatas fritas e gomas coloridas. Um ou outro acaba a vomitar e sobram imensas sandes mistas. Acabei por reinar imenso. Há muito tempo que não estava tão folgazão. Joguei ping-pong, coisa que não fazia há décadas, e ainda dei uns pontapés na bola. Resultado: a tendinite no ombro direito ficou para morrer e a sétima lombar voltou a inflamar.
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXIX
A porta era eu
A porta era eu. A minha única fronteira. Homens seculares.
Desejos ancestrais. Caracteres indefiníveis. Quero ser o bule. Quero ser o chá.
Quero ler as mensagens indecifráveis que me confundem. Quero entrar naquele
mundo que me perturba. Quero devorar o desejo que me persegue. Cada vez estou
mais dentro. Cada vez me sinto mais fora.
15.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXVIII
À beira de se perder
Em 1966, Macau esteve à beira de se perder. A inexistência de
um canal diplomático com a China potenciou o aparecimento de figuras
importantes de Macau arvorando-se em intermediários. Portugal ficou dependente
desses contactos. Para agravar a situação, foram toleradas em Macau actividades
de associações e de agentes ligados ao governo nacionalista da Formosa.
14.1.13
ELEGIA AO DESEMPREGO
Antes não tinha tempo para nada. Era trabalho casa. Casa trabalho. Duas horas de transportes. Engarrafamentos. Acidentes. Chegava estoirado. Via a telenovela e adormecia num torpor de exaustão. Não tinha tempo para ler, para sair, para ir ao cinema. Não arranjava espaço para brincar com as crianças. Quase esquecia de amar a mulher. Os fins-de-semana eram dentro do shopping a fazer compras, na ânsia de gastar dinheiro. As prestações da casa para pagar. As férias chegavam sem nada planeado. Pacotes comprados à pressa. Idas à praia naqueles magotes sazonais de gente a granel. A vida era uma monotonia. Um cansaço permanente.
Agora, desde que estou desempregado, tudo mudou. Tenho tempo para tudo. Até para nada. Posso gozar o Sol. O ar livre. Os jardins da cidade. Os dias da semana deixaram de interessar. Vejo os jogos de futebol naqueles cafés ranhosos com Sportv. Tenho tempo para ler os jornais gratuitos. Estou muito mais magro. Perdi a barriguinha de cerveja. O colesterol baixou imenso. Tenho tempo de ir buscar as crianças à escola. Esqueço-me das horas. Nunca mais andei engarrafado. Deixei de ir ao supermercado. Não preciso de me preocupar com o saldo bancário. Acabaram-se os cartões de crédito. Já não sinto aquele peso de responsabilidade social. Deixei de ter o chefe a chatear. Os colegas com anedotas parvas. Só é pena que a minha mulher ainda tenha emprego. Nem sempre quer o mesmo que eu. Espero que em breve tudo se resolva e ela possa estar tão livre como eu.
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXVII
Chá fervendo
Hesito. Gente que fala sem parar. Palavras que não entendo.
Respira-se um ar que não conheço. Homens sentados. Chá fervendo. Conversas
quotidianas. Frases soltas. Expressões mudas. Sorrisos herméticos. Tabaco.
Fumo. Cheiro antigo. Odor ancestral. Entro sem saber. Fico sem querer.
13.1.13
MACAU - TURISTA OCIDENTAL - XXVI
A presença portuguesa
A presença portuguesa era consentida de acordo com os
interesses da China. Macau foi sempre um território chinês sob administração
portuguesa. O principal erro político de Portugal foi não ter reconhecido o
governo da República Popular da China, após a proclamação de 1 de Outubro de
1949.
12.1.13
CABEÇAS DE PEIXE
Dizem que a melhor parte do peixe é a cabeça. Estou a falar de peixes grandes. Pescada, cherne, garoupa, corvina... Fomos à Costa da Caparica atacar uma cabeça de garoupa grelhada. A carne da alheta (gola) é indiscutivelmente a que tem mais gosto. Depois vêm as bochechas, com mais gordura. Chupa-se o tutano dos ossos (espinhas largas) e, finalmente, devoram-se os olhos. Curiosamente, na maioria dos países as cabeças de peixe não são apreciadas (provavelmente por desconhecimento gastronómico) e vão para fazer farinha de peixe. Em Portugal as cabeças de peixe são um petisco e atingem preços bem altos. É a lei da oferta e da procura no seu melhor. Para quem nunca experimentou, recomendo vivamente. Claro que uma cabeça dá para duas, três ou mesmo quatro pessoas. Daí que em Portugal haja muitos clubes de "devoradores de cabeças". Bom proveito.
JANEIRO - MÊS DE COLHEITA
Aqui no meu quintal, Janeiro é mês de flores e de colheita. A madressilva tropical fica totalmente cor-de-laranja, as bagas do dragoeiro parecem azeitonas, as goiabas estão maduras e as anonas estão no ponto. Em breve virão os limões e as tangerinas. Um jardim dá muito trabalho.
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