26.2.13

CARTEIRA PROFISSIONAL DE BLOGUEIRO - II

Tudo visto e considerado, não há consenso quanto à proposta de carteirinha na blogoesfera. De facto, como diz o Eduardo, mais vale andarmos por aí à solta, podendo dizer os disparates que nos apetecer. Eu concordo. A verdade, porém, é que as eleições na Itália se fizeram na blogoesfera. A discussão política cada vez mais passa pela net. O Presidente da República de Portugal dirige-se ao povo pelo Facebook. Cada vez mais os blogueiros são ouvidos como comentaristas ou "opinion makers". Aparecem na televisão, são chamados a telejornais, citados na imprensa. As manifestações de rua são convocadas pelas redes sociais. Há empresas que já só  publicitam os seus produtos no FB. Que fenómeno é este? 

CARTEIRA PROFISSIONAL DE BLOGUEIRO

Uma coisa que me enerva é não ter identificação como jornalista. Não me deixarem andar por ai a fotografar tudo o que mexe. Entrevistar figuras públicas. Entrar em recintos de admissão exclusiva. Aceder a declarações de tipo importantes. Estar nas conferências de imprensa. Tenho um blogue há quase 6 anos e estou muito activo no FB. Poderá não ter muito leitores, mas as pasquins de província também não. Têm tiragem baixa. Qual é a diferença? Nós fazemos opinião. Convocamos manifs. Colocamos um pessoa nos píncaros ou a rebaixamos para debaixo do tapete. Já somos citados nos jornais e telejornais. Os blogueiros de todo o mundo deviam exigir uma carteira profissional de jornalista. Nós somos a comunicação do futuro. Exigem, lutem, organizem-se, façam concentrações no Parlamento. Um blogueiro sem cartão é como um caçador sem arma.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

22.2.13

VAMOS FALAR DO PS

OK, vamos lá então falar do PS
Pedro Santos Guerreiro (Jornal de Negócios)
António José Seguro sabe bem o que quer para si: ser primeiro-ministro. Mas não sabe o que quer para nós. O seu programa é tão pequeno que cabe em duas palavras: mais tempo. E como mais tempo o Governo já ganhou, o sucesso de Seguro é paradoxalmente o seu esvaziamento. Se não tem alternativa, não nos serve a alternância.

ISTO ESTÁ A CORRER BEM

Previsões de Bruxelas para Portugal: Desemprego dispara, défice derrapa, dívida cresce, crescimento encolhe (Expresso)
Previsões económicas da Comissão Europeia confirmam expectativas mais pessimistas em relação a Portugal. A taxa de desemprego deverá ultrapassar os 17% em 2013, enquanto o défice orçamental derrapa em relação às previsões do governo e chega aos 4,9% este ano.

21.2.13

HÁ QUEM FAÇA QUATRO MESES


COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

Anonymous Anonymous said...

Lindo e muito sentido tudo quanto escreveu!
Lendo-o, vive-se, sem querer e sem a ele pertencer, a nostalgia desse seu tempo e de seus amigos...
E sei, pois já me passeei um pouco neste seu óptimo Expresso, que, mesmo sem conhecer, sabe muito bem da arte de bem receber...

Anónimo da Sertã


Blogger Eduardo P.L. said...
Jorge,

seu livro será muito bem vindo.
Como tudo na vida, a blogosfera teve um princípio, seu auge e terá um fim. Quando? ninguém pode prever. O registro desses anos dourados merecem ficar no papel, para não se perderem nas nuvens!

Agradeço os comentários ao post anterior. Escolho estes por me parecerem sintetizar o que todos sentem.

20.2.13

MORTOS VIRTUAIS

Ando com a ideia de publicar um livro de Crónicas Curtas. Para isso, tenho andado a rever o meu blogue desde o início. Já lá vão quase seis anos. Não se imagina o que tenho encontrado. Dei por mim a reler alguns comentários e a emocionar-me com o que estava escrito. Eram períodos áureos da blogoesfera. Da saudosa Tertúlia Virtual, onde muita gente apareceu. Houve um ano (2009) em que comemorei o meu aniversário on-line. Os comentários foram mais de 300! A minha produção era impressionante. Chegava a meter quatro e cinco posts por dia. De repente, ao ler aquilo tudo, atingiu-me uma imensa nostalgia. Tanta gente que por aqui passou e desapareceu. Gente com "nick names", outros anónimos, outros de cara descoberta. Tenho saudades de todos. Não os conhecia realmente, mas, ao aparecerem por aqui, tornavam-se meus convidados. E, a pouco e pouco, faziam parte da minha vida. Do meu dia a dia. Dos meus pensamentos. Onde está essa gente? Porque desapareceram? Será que os vou reencontrar? 

18.2.13

ABECEDÁRIO DE MYRA - K

O "k" é impositivo, pretencioso e inútil. Muito quadrado, muito rectilíneo. O "k" é germanófilo, quase nazi. Os países latinos modificam-lhe o visual. Introduzem-lhe curvas sonoras. "Kaiser" é "César". "Que" não é "k". O Twitter deu-lhe nova vida no absurdo redux da abreviatura escrita. A verdade é que o "k" não entra na redacção de coisa alguma. É uma não-letra.

ESTENDAL


 




14.2.13

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST



Blogger Luísa said...
O J é uma letra elegante!

J de José, Justino, João e de JORGE!

J de jovialidade!



beiJJJJJJJJJJJJJJJJJoooooo!

Beijo, pois claro! Sem "J" ainda acabava em kiss ou kuss, talvez mesmo kossou ou kys ou bacio. Pior só bozk, pusu ou pupic. 

13.2.13

ABECEDÁRIO DE MYRA - J

"J" é o som que falta quando tudo se acaba. Parece surdo, quase mudo, mas é um "jota".  Invade as vogais. Repele as consoantes. Uma letra promiscua que se enrola no "a", penetra o "o", afaga o "u" e se roça no "e". Só o "i" lhe escapa. É ao "g" que fica a missão de tratar com o implacável "i". Um "j" sabe o quer. Cresce na proporção da sua vontade. Esconde-se na subtileza da sua vaidade.

AINDA AS CALDAS DA RAINHA


COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST


LI said


O i é muito importante; possui cabeça (a chamam de pingo, mas é uma cabeça). Está solta do corpo, mas continua ali, presente! 
Qual a outra letra com cabeça? O j? Ah, mas o j não possui som! O j nem é ereto! Já o i ...

Belo i Myra!

11.2.13

ABECEDÁRIO DE MYRA - I

iiiiii..... uma letra aguda. Tão aguda que se instala no feed-back do ouvido interno e assobia no eco da nossa existência. O "i" mantém-se para além da nossa vontade. Depois do som acabar, depois de tudo se calar, o "i" permanece como som primordial. Chega a incomodar. Impõe-se sempre que aparece. Não é muda, nem surda. Uma letra irritantemente constante. Sintomaticamente presente. Até o "e" quer ser "i" só para se deixar ouvir. Si-mi-vim-semi-ti-mim-pi-vi-mi-sim.  

MARVÃO


7.2.13

UM PAÍS ADORMECIDO

Portugal está estagnado. O governo faz contas de sumir e alegra-se como se a austeridade fosse um crédito renovado do Pai-Nosso hipotecado. A oposição intriga-se a si própria no refugado enquistado do tacho queimado. O povo adormecido espera duodécimos na paz do Senhor. Ninguém entende o abismo. Há uma hipnose colectiva que espera pelo futuro para resolver o passado. E vamos sorrindo nas notícias hipnóticas dos telejornais decandentes que nos povoam a sobremesa.   

DOG PARKING


BANHISTA


5.2.13

CALDAS DA RAINHA - MUSEU JOSÉ MALHOA

O Museu José Malhoa mostra o maior núcleo reunido de obras do seu patrono e uma importante colecção de pintura e de escultura dos séculos XIX e XX, revelando-se a quem o visita como o museu do naturalismo português. Completam as colecções uma Secção de Cerâmica das Caldas - articulada em torno da importância de que se revestiu a actuação de Rafael Bordalo Pinheiro para a faiança local e do conjunto único das 60 esculturas de terracota da “Paixão de Cristo” -, o núcleo de Escultura ao Ar Livre e uma Biblioteca de Arte com um acervo de mais de 5.000 espécies. Ver mais AQUI

MUSEU JOSÉ MALHOA - ESTATUÁRIA DO ESTADO NOVO





O núcleo forte da colecção de escultura, pelo número de peças e pela sua monumentalidade, centra-se em Francisco Franco e Leopoldo de Almeida, autores fundamentais de uma “Idade de Ouro” da Escultura Portuguesa, tal como era entendida por António Ferro. A partir da década de 1930, centralizadora da atenção e do gosto oficial do Estado Novo, a escultura desenvolver-se-ia num comprometimento com as linhas vigentes, através de um elevado número de encomendas destinadas a glorificar os heróis e mitos nacionais. Acentuando o carácter cívico da estatuária pública, este núcleo da colecção é chave fundamental para o entendimento da mentalidade nacional da época. No Museu encontram-se maquettes de muitas estátuas disseminadas pelo país em praças ou locais públicos.