31.8.13

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO


O autocarro coreano deslizava suavemente pela Avenida dos Descobrimentos abaixo. Ao fundo a Torre de Belém no seu calcário rendilhado, contrastando com o Tejo azul em cenário quinhentista. O Padrão, com os seus navegadores monolíticos, lembrando velhas glórias do Império. À volta hotéis de 6 e 7 estrelas, olhando o rio a preços asiáticos, vedados por cercas electrificadas e seguranças nipónicos em face samurai.
Dentro do autocarro, um grupo de indianos risonhos comenta que dali tinha saído o Vasco da Gama, o tal que os tinha invadido. E riam alarvemente. No piso de baixo, um grupo de chineses barulhentos tira fotografias a tudo o que mexe. Lá atrás, duas famílias de angolanos disfarçam as origens falando em bantu. Meia dúzia de brasileiros põe a hipótese de explorar comercialmente o decadente Mosteiro dos Jerónimos.
Lá fora, no calor do meio-dia, pobres turistas alemães e suecos confraternizam à volta das mesas de pic-nic, compartilhando as sandes de fiambre que sobraram da véspera. Portugueses esfarrapados, pedem pelos cantos tocando acordeão e lançando fados vadios com tradução em mandarim. Um bando de espanhóis dança flamenco a pedido. No átrio central da Praça do Império, o Presidente da Repúbica faz uma "presidência aberta" de calção de banho e sardinhas assadas, para turista ver.

A camioneta chega, finalmente, ao Rossio. A guia diz nas três línguas oficiais, mandarim, brasileiro e inglês do Ragistão: "Chegámos ao fim da nossa viagem. Toda a zona a norte e leste não é segura. É habitada por portugueses e outros marginais que aqui se estabeleceram no tempo da União Europeia. Por favor não se percam do vosso guia".

Post publicado em 2008 e cada vez mais actual.

27.8.13

IRÁ ELE CONSEGUIR?

Quando somos novos temos menos vergonha. Qualquer sítio serve. A tesão é tanta que o público é que paga. São abraços intensos a marcar as coxas. Mãos envolventes nos seios turgidos. Beijos lascivos e húmidos. Pernas que se revolvem na penetração dos calções. Uma timidez que prefere os actos às palavras. A impossibilidade de um quarto faz da relva uma cama. Quem não passou por isto não viveu a juventude. Ficamos cegos de desejo. A procura de um lugar torna-se no lugar que se procura. A intensidade é tanta que a realidade nada mais é que hormonas. Irá ele conseguir? Estive quase para ajudar...

AS FORMIGAS SÃO OBREIRAS E TRABALHAM DEDICADAS


25.8.13

PORTUGAL ESTÁ A ARDER



Como uma explosão atómica, as serras ardem pelo país fora, ateadas (na maioria dos casos) por mão criminosa. Há bombeiros mortos e gente aflita por todo o lado. Continua a não haver mão pesada contra os criminosos, a maioria doentes mentais, deprimidos ou alcoólicos. Uma situação penal que não se entende e que urge modificar, porque mesmo os inimputáveis têm medo. Aqui é a Serra da Lousã, na zona de Gois, que sofre um enorme incêndio. Estávamos na piscina de Castanheira de Pêra quando ele começou. Em duas horas ficou assim. Demorou três dias a dominar.

PRAIA FLUVIAL DAS ROCAS - CASTANHEIRA DE PERA



.Com 2100 metros quadrados é a maior piscina de ondas de Portugal. A 80 km da costa, integra-se na praia fluvial das Rocas, um verdadeiro complexo de lazer que inclui uma ilha no centro e uma albufeira. Até se pode dormir num veleiro. E o olhar ondula entre palmeiras e a Serra da Lousã...
É assim que entra o poético texto do site oficial. A verdade é que estavam 40 graus à sombra. A alternativa era o suicídio. A pergunta que ocorre fazer era como vivia esta gente antes de haver piscinas? Atiravam-se ao rio? Saberiam nadar? Eram mais resistentes? Ou não pensavam nisso?  .Era mais resistentes?uma piscina de ondas com 2100 m2 (a maior do eiras tropicais convivem harmoniosamente com a Serra da Lousã que espreita lá do alto.             

24.8.13

A CASA A RECUPERAR


TERRAS DE XISTO

A Fernanda insiste em recuperar a casa dos avós que tiveram a infeliz ideia de nascer no centro geodésico de Portugal, no meio de pinhais em permanente incêndio, terras de xisto sempre a descer e a subir, um calor de morrer, sem praia, sem mar, moscas pegajosas e mosquitos desvairados por sangue novo. Estamos no Casal de Sant'Ana, algures entre a Sertã e Vila de Rei. Terra de maranhos e buxo, aqui a sopa de peixe tem achegãs e truta, num surpreendente caldo de abóbora com tomate. As casas caiem na proporção do abandono a que estão votadas. Quem as recupera merece uma medalha e, se possível, merece ganhar o euromilhões. Os empreiteiros são gordos e de perna curta. Fazem-se esperar e às vezes não chegam a vir. Três dias que passaram depressa, entre projectos e limpezas, na procura de uma piscina redentora que nos refresque a alma.

19.8.13

VOU ALI E JÁ VENHO



ESPECTÁCULO DE LUZ E COR


Hoje era o último dia do espectáculo de luz e cor no Terreiro do Paço. Como qualquer bom português, fui no último dia. Foram mais de cem mil pessoas que estiveram reunidas na praça. Uma enchente nunca vista. Aliás, numa noite de temperatura fabulosa,  é visível que Lisboa está mais que "in". Difícil é ter espaço para andar. É notório que Lisboa é, actualmente, uma das três capitais europeias mais desejadas e mais procuradas. O turismo este ano excedeu todas as expectativas e deu um empurrão na crise. A História de Portugal foi passada em quinze luminosos minutos, num deslumbramento de cores e som. As estátuas ganharam movimento e saíram dos seus pedestais, na ilusão da luminotécnica. Viriato, Nuno Álvares Pereira, Marquês de Pombal, os Descobrimentos, o Terramoto. O Nobre Povo estava lá. A Nação Valente também. Até os canhões deram ar de sua graça. Aqui e ali as personagens virtuais estavam um pouco saltitantes demais para meu gosto, mas inegavelmente um grande espectáculo de massas. Lisboa é uma joia.

VARIAÇÕES




TERREIRO DO PAÇO



ALMADA NEGREIROS


TEJO - A NOITE CAI


O TEJO E O GANGES


18.8.13

ADEUS BERLIM


Afinal tinha imensas fotos esquecidas. Foram tiradas no último dia e estavam arquivadas noutro computador. Comecei por embirrar ligeiramente com Berlim. Tudo muito igual. Sem colorido. Muitas obras. Matacões soviéticos, datados no tempo e no modo. Coisas modernas que não me emocionaram. Gente pouco simpática. Só com o passar dos dias e algum esforço de perspectiva histórica, entendi. Berlim é o nazismo em cada esquina. Os judeus perseguidos. A Gestapo prepotente. Livros queimados em frente à Ópera Khroll. O Reichtag incendiado. Um clima cinzento feito de morte e tortura. Sirenes de medo. Bombardeamentos dos Aliados. Um cidade destruída. Uma ilha fantasmagórica no meio Alemanha. Uma cidade dividida por um muro que já não é. Construções e reconstruções. Tudo isso está lá. Está nas pessoas e nos locais. Está no ar. No cheiro. Está por todo o lado. E, para o bem e para o mal, os alemães são isso mesmo, um povo que cai sempre de pé. Berlim é uma cidade nova. Reconstruída. Uma cidade aberta e segura. Uma cidade que vale a pena. Ficou muita coisa por perceber. A barreira linguística é decisiva para a comunicação. Mais que turismo, em Berlim vai-se estudar a História do século XX. Uma História que mudou por força da loucura de um homem. Um História que temos de ter presente para não voltarmos atrás. Hoje a União Europeia existe por causa Hitler. Tudo isto Berlim nos ensina. Da próxima vez vou-me preparar melhor.

14.8.13

SERÁ?


BERLIM - OS MUSEUS

Vimos excelente arte no mês de Junho. Em Lisboa foi a Exposição de Joana Vasconcelos na Ajuda. Em Berlim foi uma orgia, um gangbang total. As salas são brutais. Podem-se tirar fotos sem flash. Um luxo. Vimos a Neue Nationalgalerie, o Hamburguer Banhof e a Boros Sammlung. Faltou o Museum Berggruem e a Sammlung Sghat-Gersten (in Charlottenburg). O expressionismo, o cubismio o surrealismo, os movimento Cobra e Spru, Vasarely e Kandinsky. Paul Klee, Max Ernst, o movimento Bauhaus, tudo está lá. Esta primeira vez fomos só tirar as medidas. Da próxima vamos já a saber falar alemão e ficamos duas semanas, para despachar o resto

NEUE NATIONALGALERIE - XI

 
 

PENSO QUE SE CHAMA "O NASCIMENTO DE HITLER".

12.8.13

NEUE NATIONALGALERIE - VIII



COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

Blogger Fatyly said...
Não percebendo eu nada de pintura e gosto ou não apenas pelo que me transmitem, sinceramente não queria nenhum porque são todos de meter medo ao susto!
Acho que se mostrasse qualquer deles a um dos netos que é terrível para comer...comia tudo na hora para se ver livre hehehehehehe

É a minha verdade!
 
Pois a mim o Picas nunca me tirou o apetite.

NEUE NATIONALGALERIE - VII


NEUE NATIONALGALERIE - VI


11.8.13

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

Blogger Li Ferreira Nhan said...
Eba!!!! Esse e um "Cobra" ! E dos bons! Karel Appel!
Caramba, que museu!
¡Estoy con ganas de conocer!

 

NEUE NATIONALGALERIE - V


NEUE NATIONALGALERIE - IV


NEUE NATIONALGALERIE - III


NEUE NATIONALGALERIE - II


NEUE NATIONALGALERIE - I


BERLIM - NEUE NATIONALGALERIE



O dia estava quente, abafado. O Eduardo e a Paulinha decidiram fazer as derradeiras compras antes  fazerem as definitivamente útimas. A Fernanda estava cansada de um dia de exaustão, depois de três horas andar. Resolvi ir sozinho ver o NEUE  NATIONALGARELERIE ali para os lados do KULTURFORUM.
Vou postar um série de quadros que lá fotografei, esperando que saibam os autores (eu não sei).