A coisa demora um
segundo. Mergulhamos no champagne. Engolimos doze passas de desejo.
Pensamos qualquer coisa positivo. Dinheiro, saúde e amor. Beijamos
precipitadamente a mulher como se fosse a última vez. Tentamos balançar no
ritmo quebrado do DJ de serviço. Recebemos chamadas descontroladas no voto
sincero de prosperidades. Fotoshop no flash esbugalhado de olhos encarnados.
Vampiros de ano novo. Calor frio. Correntes de
ar. O WC não tem chave. Até já
ia para a cama. Falta a ceia. Gente, muita gente a querer fazer tudo de uma só
vez. Como se o ano não pudesse esperar. Um tempo precipitado. Um salto no escuro.
O ano vai começar.
30.12.13
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXVII
Jean-Baptiste estava tudo menos descansado. E
começou a pensar se não seria mais prudente ver-se livre daquele trio de
belgas. Deu-lhes três dias para resolverem tudo. Agora estava preocupado com a
reunião. No dia seguinte iria começar a pregar a “nova cruzada”. O Islão era o
culpado de tudo. O Islão tinha de ser atacado nos seus redutos mais sensíveis,
Meca e Medina. A Europa tinha de se defender atacando. A emigração do Magreb
tinha de parar de imediato. Os muçulmanos residentes na Europa deviam ser
todos, mas todos sem excepção, expulsos. O desemprego e a miséria das classes
trabalhadoras europeias deviam-se exclusivamente ao poder islâmico tolerado por
Estados fracos e políticos corruptos. A crise europeia era culpa dos
muçulmanos. Os valores cristãos europeus tinham de ser restabelecidos...
Jean-Baptiste tinha a certeza que este discurso, juntamente com os atentados
que estavam projectados e cuja autoria seria sempre imputada a grupos
islamitas, faria a opinião pública europeia pender para o seu lado. Esperava
conquistar o eleitorado pelo medo e pelo desejo de vingança.
(Continua)
29.12.13
28.12.13
BOM DIA
A vida entorna em mim todos os mortos da minha existências. São dezenas de corpos sobrepostos em camadas. Memórias jacentes. Máscaras que assaltam os meus piores pesadelos. Amigos, pais, tios, avós... tudo morre. Tudo desaparece. Esquecemos para não recordar. E a vida continua no esquecimento. Raras vezes visitamos os vivos à beira da morte. O cheiro incomoda. Talvez o pavor nos intimide. Talvez o medo nos derrote. O instinto refugia-se. Somos matéria à beira da putrefacção. Tenho receio de falar com moribundos. Não sei o lugar comum da salvação. Não conheço o mistério da vida eterna. Nada disto é animador. Escrevo para desabafar. E desabafo na esperança de acordar vivo.
ET: Se recebeu este post é porque está vivo. Bom Dia.
ET: Se recebeu este post é porque está vivo. Bom Dia.
27.12.13
SACA-ROLHAS
Há muito tempo que ambicionava um bom saca-rolhas. Abrir uma garrafa não é fácil. Pode mesmo provocar hérnias e outros luxações espinais. Finalmente o Pai Natal recebeu o meu pedido. Tive que comprovar a sacralização da L5 com um RX e uma TAC lombar. Fui atendido. Agora tudo é eléctrico. Basta carregar nos botões. In and out. Tudo automático. Beber é agora mais fácil.
26.12.13
ESTE FOI UM NATAL FELIZ
A tradição lisboeta manda que se coma bacalhau cozido com batatas e couves na consoada. É uma tradição que remonta àqueles tempos náuticos de comunhão com os marítimos vindos da Terra Nova. Terá sido na corte e D. Manuel I que pela primeira vez se inaugurou a tradição. Estas são postas do alto, compradas no Rei do Bacalhau, ali à Rua do Arsenal. Essencial para se ter o melhor bacalhau de Lisboa e o resto é conversa.
Depois de cozido, as lascas brancas soltam-se inteiras, sem brilho ou excesso de sal. Depois depende como se gosta. Muito azeite, alho cortado miudinho. Há quem ponha vinagre. Há quem ponha colorau pimentão (esta coisa encarnada na foto). É um costume bárbaro que herdei dos meus antecedentes. Um costume de Bragança, mal compreendido pelo pessoal aqui da "linha".
Para quem julga que o Caldo Verde é meter a couve galega migada para dentro de água com umas batatas e deixar ferver, desengane-se. Há todo um refogado prévio e, acima de tudo, chouriço do bom liquefeito na Bimbi e acrescentado na fase de fervura. Depois é azeite cru, para ficar com aqueles olhos de gordura que só o Mediterrâneo consente.
Já as rabanadas (conhecidas jocosamente por "enrabanadas") exigem pão branco e grosso e muito leite. Gastam-se litros de óleo a fritar para não saberem a frito. Um frito que não pode saber a frito... Fritam-se com o açúcar. Depois levam canela e nunca mais se conseguem deixar de comer.
E ficam com este aspecto fabuloso. Espero que ainda lá estejam escondidas umas duas ou três que consegui iludir à vigilância apertada sobre o controlo alimentar. É que uma rabanada no dia seguinte vale por três no próprio dia.
Ao fim de três horas à mesa a coisa torna-se confusa, quase caótica: mais Tabasco no abacaxi? Onde está o Moscatel? Querem mais disto? O telefoneeee... olha o telefone! A coisa reconduz-se a encher o bandulho para lá do economicamente sustentável.
23.12.13
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXVI
Michel fez o ponto de situação a
Jean-Baptiste. “O atentado de Lagos correu muito bem. Atingimos todos os
objectivos. O medo está lançado. Estamos, porém, com alguns problemas. Pensamos
que Melzek não abandonou ainda Portugal, desobedecendo a todas as ordens que
lhe demos. As nossas fontes internas da polícia dizem-nos que conseguiram
apanhar o cartão de telemóvel que ele usou. Também parece que o explosivo para
o próximo atentado a Granada ainda não saiu da China”. Jean-Baptiste, que
se irritava com facilidade, quase ia agredindo Michel de raiva: “E dizes que
correu bem. Olha se tivesse corrido mal. Porra! Merda! E que estás a fazer para
resolver os assuntos?”. Michel encolheu-se um pouco, mas replicou em voz
decidida: “Já temos um homem no terreno para liquidar Melzek. O cartão de
telefone, mesmo que consigam recuperar os números, nunca nos vai identificar e
sempre andam entretidos. Quanto ao atraso na entrega dos explosivos, o
vendedor, o tal brasileiro, o Valdemar, garantiu-nos que serão entregues a
tempo. Ele partiu para a China para resolver o assunto. Podes estar descansado”.
(Continua)
22.12.13
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXV
Em Bruxelas era o grande dia. A
reunião magna da “Irmandade Branca”. Vinha gente de Itália, da Alemanha, da
Inglaterra. De toda a Europa. De França, vinha o líder carismático.
Jean-Baptiste Lefèvre era um homem de discurso fácil e inflamado. A reunião era
semiclandestina. Não podia ser formalmente autorizada, dada a ideologia
neo-nazi da “Irmandade”, mas era abertamente tolerada pelas autoridades
policiais. Tinha sido alugado um pavilhão desportivo nos arredores da cidade.
Na véspera da reunião, o núcleo duro da “Irmandade Branca” tinha-se reunido na
cave de um café da Grand-Place.
(Continua)
20.12.13
RESSURREIÇÃO
A Ressurreição começa no Natal. Não vem com o perú, nem sequer com o bacalhau. É um sorteio do Espírito Santo. Um totoloto celestial. Só para quem tem sorte. Renascer é uma reciclagem. Voltamos sem pilhas. Ecologicamente sustentáveis. Não comemos, não cagamos. Somos espírito sem matéria, idiotas sem vontade, alma sem ideias. Ficamos para sempre por obra e graça do quer que seja. Uma autópsia perfumada no elixir ginecológico da Virgem Maria. Todos queremos. Alguns conseguem. Poucos alcançam. A humanidade regurgita na ressurreição decomposta da ambição eterna, vomitando bondade hipócrita na esperança da Páscoa antecipada. Um bom Natal para todos... e portem-se bem.
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXIV
O pedido de ajuda era informal e
pessoal. Mas Moema, rapidamente, assumiu a investigação como oficial. Resolveu
considerar como verdadeiras todas as suposições e especulações do “Gordo”. E a
ser assim, só havia uma ilacção a retirar: o alemão era o bombista; o francês o
mandante; o brasileiro o vendedor do explosivo. Moema chegou a Imbituba no dia
seguinte. Na delegacia local, um polícia velho e indolente insistia que ali era
tudo boa gente. Acabou por lhe dar uma lista de moradores, avisando logo que
muitos estrangeiros tinham vindo para ali nos últimos anos. Estrangeiros, para
o polícia, eram os brasileiros de outros Estados do Brasil. Não os conhecia
todos, mas desconfiava deles por definição. Deram uma volta de jipe pela região
e duas ou três casas chamaram a atenção de Moema. Particularmente uma delas,
pela impenetrabilidade, ficou na retina de Moema. A lancha rápida estacionada
no porto, com dois motores de 500 cavalos cada, também chamou a atenção da
inspectora. Com a ajuda dos serviços centrais em São Paulo, rapidamente soube que
quer o imóvel, quer a lancha, estavam em nome de sociedades off-shore e
cada um dos bens em sociedades diferentes. E isso contribuiu, ainda mais, para
lhe aumentar as suspeitas. A casa e o barco passaram a ficar sob vigilância
discreta. E foi essa vigilância que surpreendeu Moema. Um carro cinzento saiu
da propriedade a grande velocidade. Moema apontou os binóculos e pode ainda
distinguir o condutor, um mulato grande com aspecto de pugilista e, ao lado,
uma figura inegavelmente conhecida: Valdemar. Aquela silhueta pequena e frágil,
não mais lhe saíra da memória desde o interrogatório no caso Silvinha Arantes,
a que ela assistira atrás do vidro. Ele acabara por ser libertado por falta de
provas, mas ela nunca deixara de suspeitar dele. E, agora, ali estava ele.
Estranho, muito estranho.
(Continua)
19.12.13
PRENDAS DE NATAL
Pintei-os expressamente para os meus leitores. Podem levar quantos quiserem. Ficam bem em qualquer sala.
18.12.13
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
João Menéres said...
Pois, o Jorge já vai com uma carreira invejável !
Quase um por ano !!!
E sempre com uma escrita escorreita, mordaz se fôr pertinente, meiga e doce quando se justifica e um humor realmente genuíno.
A pesquisa incansável ou o recurso às suas memórias.
E, assim, cada livro, constitui uma novidade cuja leitura é extremamente agradável e que nos enriquece culturalmente.
Inesquecível o Encontro de Beja quando tive o prazer imenso em o conhecer pessoalmente !
Espírito irrequieto, mas que não deixa que um pormenor lhe escape.
Um verdadeiro privilégio ter conhecido o Jorge e sermos AMIGOS.
Um grande abraço.
Quase um por ano !!!
E sempre com uma escrita escorreita, mordaz se fôr pertinente, meiga e doce quando se justifica e um humor realmente genuíno.
A pesquisa incansável ou o recurso às suas memórias.
E, assim, cada livro, constitui uma novidade cuja leitura é extremamente agradável e que nos enriquece culturalmente.
Inesquecível o Encontro de Beja quando tive o prazer imenso em o conhecer pessoalmente !
Espírito irrequieto, mas que não deixa que um pormenor lhe escape.
Um verdadeiro privilégio ter conhecido o Jorge e sermos AMIGOS.
Um grande abraço.
O BACALHAU JÁ ESTÁ DE MOLHO
A maior descoberta da epopeia portuguesa não foi o "achamento" do Brasil. Nem sequer a chegada à Austrália ou a tomada de Ormuz. Esse evento obscuro ocorreu nesse bafejado ano de 1500. Gaspar Corte Real atinge a Terra dos Bacalhaus (actualmente, Terra Nova e Labrador). O que seria de nós sem esta descoberta? A Índia foi-se. O Brasil também. Até a África se perdeu. Mas o bacalhau é nosso! O bacalhau é o que resta do Império Colonial. O último sopro do "Quinto Império".
17.12.13
NOVA OEIRAS ACONTECE
Ontem fizemos mais uma feirinha aqui no bairro. O dia estava absolutamente esplêndido e cada vez há mais gente. A crise faz juntar as pessoas e o Natal é quando um homem quiser.
16.12.13
14.12.13
FREE TO STAY - O LANÇAMENTO
Os livros chegam. Chegam excitados. Desejam o lançamento. Anseiam a oportunidade. Finalmente ficarão livres. Vão ser lidos. Folheados. Manuseados. Ambicionam prateleiras confortáveis. Conviver com gente célebre. Talvez Camões, Lobo Antunes, o próprio Saramago... Foi um ano de espera. De revisões e correcções. Gente chata sempre a meter vírgulas e pontos. A alterar frases, a meter capítulos, a enxertar parágrafos. Agora acabou. Nunca mais serão violados. Existem independentemente do autor. São por si mesmos. Valem por si próprios.
Abrem-se portas que dão para claustros. Claustros que dão para corredores. Corredores que dão para salas. Infinitas geometrias na quadratura do círculo. O Instituto de Odivelas tem o alto patrocínio de el-rei D. Dinis e a presença simbólica da sedutora Rainha Santinha, essa que transformava a matéria no quer que fosse e que fez das rosas um mistério hermenêutico.
São claustros de abóbadas manuelinas, nos azulejos renascentistas de azul revestidos. Os livros ainda agora chegaram e já sentem o peso da história. Uma história que não é deles. As páginas estavam brancas antes de alguém as escrever. Os livros não têm culpa. Não sentem responsabilidade. Falam porque os mandaram falar.
As meninas de Odivelas estão por todo o lado. Andam em formatura, fazem paradas, param formadas. Uma estranha sensação de colégio interno que nos inibe de pensamentos acrílicos e degustações impressionistas.
Algumas meninas estão um pouco passadas demais. Mesmo assim conservam dignidade e continuam com ambição de chegar a uma licenciatura, mesmo que seja por influência do Altíssimo.
Finalmente o autor é chamado à responsabilidade. O frio era intenso. Não deu para tirar o sobretudo. Mesmo assim consegui dizer umas frases moderadamente compreensíveis e sintomaticamente verdadeiras.
Da esquerda para a direita: Douglas Phillimore e Joaquina Cadete Phillimore (os biografados); o director do Instituto de Odivelas; Maria do Céu Roldão (que fez a apresentação do livro); e eu.
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXIII
A investigação entrou num
impasse. A “pista marroquina” não dava em nada. A identificação da origem do
explosivo era lenta e de resultados duvidosos. No imediato, a pista do
inspector Ribeiro acabava por ser o único ponto a explorar. A “Operação Cação”,
como jocosamente lhe começaram a chamar, implicava acreditar numa hipótese
perfeitamente mirífica. À falta de melhor, porém, a investigação avançou na
análise das comunicações dos dois números de telemóvel que cruzaram
comunicações. Curiosamente, o telemóvel de Bruxelas, tinha uma comunicação de
voz efectuada para um telefone móvel brasileiro, feita para o Estado de Santa
Catarina, mais concretamente para a zona de Imbituba. E foi aí que “o Gordo”
teve um golpe de asa. Telefonou à sua colega Moema, inspectora da polícia em
São Paulo. Tinham-se conhecido numa conferência internacional sobre “O Instinto
na Investigação Criminal”. “O Gordo” ficara sempre com fraquinho por aquela
mulher de porte atlético e ar decidido. Esta era uma boa oportunidade para
voltarem a falar.
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Anonymous said...
É o Jorge que me diz
Que o lavrador era Rei
Ele mesmo, o Rei D. Dinis
Oh! Como eu nada sei!
Ou era um Rei Lavrador
Um soberano genial
Que aos campos deu flor
E plantou um Pinhal?
E não fora D. Dinis
Não existiria o Pinheiro
Por um pouco, por um triz
Não teríamos blogueiro
Que o lavrador era Rei
Ele mesmo, o Rei D. Dinis
Oh! Como eu nada sei!
Ou era um Rei Lavrador
Um soberano genial
Que aos campos deu flor
E plantou um Pinhal?
E não fora D. Dinis
Não existiria o Pinheiro
Por um pouco, por um triz
Não teríamos blogueiro
13.12.13
INSTITUTO DE ODIVELAS - SEPULTURA DE D.DINIS
Na capela absidial está o túmulo de D. Dinis (1261 - 1325). Foi o sexto rei na Lista de reis de Portugal, com o cognome o Lavrador pelo grande impulso que deu à agricultura e ampliação do pinhal de Leiria ou o Rei-Poeta devido à sua obra literária. Em 1282 desposou Isabel de Aragão, que ficaria conhecida como Rainha Santa.
Ao longo de 46 anos a governar os Reinos Portugal e dos Algarves foi um dos principais responsáveis pela criação da identidade nacional e o alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação. Em 1297, após a conclusão da Reconquista pelo seu pai, definiu as fronteiras de Portugal no Tratado de Alcanizes, prosseguiu relevantes reformas judiciais, instituiu a língua Portuguesa como língua oficial da corte, criou a primeira Universidade portuguesa, libertou as Ordens Militares no território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio e de fomento económico. Em 1312 fundou a marinha Portuguesa, nomeando 1ºAlmirante de Portugal, o genovês Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas.
Nota pessoal: se ainda hoje muitos suspiram por D. Sebastião (esse rei-menino que nada fez para além de se matar em África), o que não se haveria de suspirar por este enorme rei).
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INSTITUTO DE ODIVELAS - MOSTEIRO DE D. DINIS
O Mosteiro de São Dinis e São Bernardo de Odivelas fica localizado na freguesia de Odivelas no largo de D. Dinis. Construído a mando de D. Dinis, cujos arquitectos foram os mestres Antão e Afonso Martins, serviu para abrigar religiosos da Ordem de Cister, no século XIII. Apresenta estilos arquitectónicos góticos, manuelinos e barrocos. Ao longo dos tempos foi sendo alterado, de acordo com as obras e com os gostos de cada época. Da construção inicial, resta apenas a cabeceira gótica com abóbadas de nervuras chanfradas (na foto).
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