O Canato da Crimeia foi um Estado tártaro que existiu entre 1441 a 1783. Além da península da Crimeia, também abrangia algumas áreas do sul da Ucrânia e do sudoeste da Rússia. Fazia fronteira ao norte com a Polônia-Lituânia, ao sul com o mar Negro, ao leste com o mar de Azov e a Moscóvia e a oeste com os principados da Valáquia. Foi o Estado sucessor da Horda de Ouro (e por tabela do Império Mongol), existindo até menos de 10 anos antes da Revolução Francesa.
28.2.14
27.2.14
25.2.14
SELFIE COM TODOS
Selfies conduzem a epidemias de piolhos e lêndeas (Exame Informática)
As selfies, a palavra do ano para a Time, surgem aos milhares por segundo. Mas a tendência de juntar as cabeças para tirar uma fotografia tem vindo a facilitar a propagação de piolhos e lêndeas
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Notícia do Dia
O QUE É A IMAGINAÇÃO?
Hoje estava sem imaginação. Talvez por ter jantado demais. Talvez porque era um dia comemorativo. A imaginação não vem quando se quer. Aliás, o que é a imaginação e para que serve? Para entreter os amigos? Para fazer umas "flores" no FB? Imaginem-se sem imaginação... Conseguem comunicar? Conseguem dizer coisas sem se sentirem banais? E temos de ser não-banais ou devemos andar todos a dizer o mesmo partilhando os likes mais virais? Porque estamos aqui a comunicar, atirando ideias de encontro à parede? Porque estamos sozinhos? Porque temos o vício de conversar?... Hoje estou sem imaginação. Deixo-vos com a sensação de não ter cumprido o meu dever. De não ter postado a foto diária. Enfim, sinto-me frustrado.
24.2.14
22.2.14
ELOGIO AOS FILHOS ÚNICOS
Ser filho único de uma família pequena tem as suas vantagens. Somos mimados sem escrúpulos ou invejas, não temos que repartir afectos, nem dar lições aos mais novos ou receber lições dos mais velhos. Podemos exibirmos à vontade que todos acham graça e não temos a difícil tarefa de nos impor no seio da própria família. Ficamos, assim, mais disponíveis para "atacar o mercado externo". Se tivermos um mínimo de inteligência, acabamos por perceber que "isto não é tudo nosso" e moderamos a nosso egocentrismo. Aliás, esse egocentrismo já está implícito na nossa qualidade de filhos únicos e nem carece de se afirmar, contrariamente a filhos de famílias grandes que carecem desesperadamente de afirmação. Uma outra vantagem: a herança é toda nossa. Desvantagens: libertarmo-nos das mães excessivas; estarmos totalmente sozinhos sempre que há dificuldades ou momentos críticos na família.
21.2.14
20.2.14
AS ANÁLISES
Durante metade da nossa vida andamos a dar cabo da saúde. Na outra metade tentamos recuperá-la, quando já nada há a fazer. Comemos tudo o que está ao nosso alcance, bebemos até rebentar. Depois acabamos a cortar no sal, nos açúcares, nas gorduras... Temos de comer verduras e fruta como um qualquer vulgar herbívoro. E é precisamente com a idade que cada vez mais a vida social se faz à volta da mesa. Tudo é pretexto para uma refeição. Os encontros com amigos ou família são ao almoço ou jantar. E aí começam as limitações. A idade não perdoa. A idade é feita de colesterol e de imensas transaminases, sempre à beira dos diabetes. Há quem considere as dietas um mal necessário. A verdade é que nós não gostamos de dietas e as dietas não gostam de nós. Como conseguimos estar com os amigos sem estar a petiscar? Quanto tempo aguentamos à mesa a bebericar copos de água?
19.2.14
17.2.14
15.2.14
14.2.14
10.2.14
9.2.14
8.2.14
6.2.14
TAMBÉM TENHO UM MIRÓ
Eu também tenho um Miró. Uma série de borrões mais ou menos coloridos que valem uma pipa de massa. Estava a pensar vender esta coisa a que chamam pintura. A crise e as almoçaradas impõem um aumento de receitas para poder continuar a desbundar. Eis que me deparo com a Oposição Parlamentar, o Ministério Público e a esmagadora maioria da "opinião pública". Todos acham que devo manter o Miró mesmo que deixe de comer lampreia, lagosta e fios de ovos com ameixas de Elvas. Opõe-se à venda porque é património cultural. Providências cautelares. Acções principais. Até invocam a doutrina cristã da "hipoteca social". Pior, querem que eu exiba o meu Miró num qualquer museu criado para aumentar despesas. Nunca percebi o que dá valor à arte. Há arte protegida e arte desprotegida? Arte que se pode vender e outra não? Porquê? Quem define? O mercado? Então só depois de o mercado querer comprar é que se sabe o valor? E só depois de se saber o valor é que não se pode vender?
MEDIOCRACIA
Felizmente quase todos nós somos medíocres. Nada irrita mais do que um génio. Depois de morto ainda vá. Em vida é um verdadeiro atentado à normalidade e à paz social. Um Picasso, um Dali, um Van Gogh só servem para nos rebaixar e aumentar a frustração. Nos negócios ainda é pior. Empreendedorismo, inovação, iniciativa... tudo conceitos fatigantes. Nada melhor do que receber ordens. Ter patrões. Não ter de pensar muito. Nada melhor do que pintar mal e os amigos elogiarem imenso. Nada melhor do que escrever qualquer coisita e ser muito apreciado. A vida é medíocre. Os génios são uns chatos. Bem vindos à mediocracia.
5.2.14
POST IT
Para gaudeo de todos a Operação Cação chegou ao fim. Para os que leram e para os que não leram. Não tinha consciência de que era tão grande. O conto foi publicado no livro colectivo Manjar Branco/Um Novo Caso, produzido pela editora Piacaba.
Foi de facto demasiado tempo. Um tempo precioso para acabar o meu novo livro. Vai-se chamar "Post It" e reúne uma selecção de textos desde o princípio do blogue (2007), ligeiramente revistos e melhorados. Vai contar com um precioso prefácio do Eduardo Lunnardelli. O lançamento será lá para Junho. Depois aviso...
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXX (FIM)
Valdemar tinha engendrado um plano simples.
Durante a tarde compraria uma faca de ponta em mola no mercado ilegal. Comprar
armas era a sua especialidade, não haveria de ter problemas. Depois do jantar
dariam um passeio pela beira da água. Talvez com o pretexto de lhe contar umas
confidências sobre o que ele tinha vindo fazer a Macau, Valdemar
aproximar-se-ia e apunhalaria Moema. O corpo seria empurrado para o rio. Quando
encontrassem o cadáver, se o encontrassem, já ele estaria no ar. O voo de
regresso a São Paulo estava marcado para sete da manhã do dia seguinte. Moema,
porém, previra tudo isto. Por trinta mil patacas tinha já comprado uma “baby
gun” no Bairro da Areia Preta, ali perto das Portas do Cerco. A Baby Glock era
uma arma que cabia na palma da mão e de uma eficácia espantosa. Escondia-se
facilmente. Pesava pouco e era de manuseio muito simples. Moema desconfiava que
ele iria tentar esfaqueá-la. Era o processo mais silencioso. Para isso
precisava de se aproximar. Não o faria durante o jantar. Só poderia ser depois.
Talvez a convidasse para um passeio à beira-rio. Durante o jantar falaram de
banalidades. Coisas sem relevância. Provavelmente tudo mentiras. Enquanto
Valdemar pagava a conta, Moema foi ao “toilette”. Mudou a pistola da pequena
carteira para o bolso direito das calças. Cá fora fazia um calor húmido. Uma
neblina intensa tornava a paisagem opaca. Valdemar conduziu Moema para longe da
zona de restaurantes. Moema deixou-se conduzir. Valdemar foi-se aproximando.
Moema agarrou a pistola dentro do bolso. Valdemar fez deslizar a lâmina da
faca. Moema destravou a arma. Valdemar aproximou-se ainda mais. Moema estava
totalmente alerta. Valdemar, praticamente encostado a Moema, segredou-lhe: “É
pena, porque você faz o meu género”. Desferiu uma violenta punhalada
direita ao coração, ao mesmo tempo que recebia o impacto de uma bala na cabeça.
Os dois corpos caíram como fuzilados por um raio. Ficaram ali no chão,
retorcidos, despojados de vida, admirados da morte. Foram encontrados pelas
duas da manhã. As autoridades policiais de Macau, numa avaliação muito
preliminar, atribuíram o caso a um desentendimento passional. Só depois de
perceberem que o passaporte de Valdemar era falso e que Moema era da polícia
brasileira, começaram a explorar outras pistas.
Em Lagos, “o Gordo” culpava-se
da morte de Moema. Em Bruxelas, a acusação contra a “Irmandade Branca” sofria
um importante revês. Em Marselha, um ex-etarra levantava uma encomenda
clandestina no porto e seguia para um discreto abrigo na Camargue. Daí sairia
para Espanha pela fronteira de Portbou. No dia 27 de Setembro estaria em
Granada, em visita à Capela Real
FIM
CONTENTORES NÃO (TRAFARIA)
Este era o antigo Cine Teatro da Trafaria, uma povoação da margem sul de Lisboa. Uma povoação com tradições que se está a desfazer, fruto da desertificação e de planos obras para a orla ribeirinha. Agora querem lá meter mais contentores (para lá daqueles silos horrorosos que desfeiam o rio e a vista de Lisboa). Sou contra.
4.2.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXIX
Moema estava com um problema. O
pedido de ajuda que tinha feito às autoridades de Macau não tinha tido ainda
resposta. E isso, naquelas paragens, significava que estava por conta própria.
Talvez se tivesse precipitado. Um excesso de voluntarismo que já lhe tinha
valido a alcunha de “Furacão”. Mesmo assim, Moema decidira avançar. Tinha
jogado tudo na confrontação de Valdemar com uma série de meras suposições. Mas
ela sabia que acertara em cheio. A expressão de Valdemar durante o
pequeno-almoço dizia tudo. Ele sabia que ela sabia, mas não sabia exactamente o
que ela sabia. O próximo passo seria dele. Moema esperava agora uma tentativa
de assassinato. Era nisso que ela jogava. Uma jogada de risco. Esperava
conseguir prender Valdemar no acto de a tentar assassinar. Assim, as
autoridades de Macau não poderiam deixar de intervir. Não estranhou, por isso,
que quando Valdemar chegou à mesa com os dois croissants com queijo, a sua
fisionomia estivesse completamente recomposta. Menos estranhou que, minutos
depois, a convidasse para jantar naquela noite. O jantar foi no restaurante “Camões”, na Doca
dos Pescadores, uma zona de bares e restaurantes no estuário do rio das
Pérolas.
Fotografia de Roberto Barbosa
(Continua)
3.2.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXVIII
Eram seis da manhã quando a polícia de Bruxelas invadiu o
apartamento de Michel. Ao mesmo tempo, os restantes líderes belgas da
“Irmandade Branca” eram detidos nas suas casas. Jean-Baptiste Lefèvre era preso
num hotel de Bordéus. A identificação do número de telefone de Michel, depois
da mensagem de Macau recebida de Valdemar, mais as provas circunstanciais
recolhidas pela equipa do inspector Joaquim Ribeiro, foram suficientes para
lançar um mandado internacional. A “Irmandade Branca” há muito que era
considerada perigosa e estava vigiada. No entanto, talvez por cumplicidades e
simpatias dentro da polícia e da magistratura, sempre saía ilibada das
acusações que lhe imputavam. Aliás, a ideia de uma “nova cruzada” contra a crescente
influência islâmica na Europa, em especial na França, tinha cada vez mais
adeptos. Mas, agora, a questão era mais séria. Um atentado. Mortos. Feridos.
Destruição... Nem as simpatias políticas ou policiais mais poderosas os podiam
salvar. Curiosamente, ao serem descobertas as intenções da “Irmandade”, todo
este esforço para desacreditar o Islão acabava por funcionar completamente ao
contrário. Lamentavelmente, os grupos de poder islâmicos sediados na Europa
podiam comemorar. Paradoxalmente, a Al-Qaeda saía a ganhar sem ter mexido uma
palha. Faltava, no entanto, uma prova concludente para acusar a “Irmandade
Branca”. Ou a confissão dos arguidos, ou a ligação ao autor directo do
atentado, ou a ligação à compra de explosivos. Com Melzek morto e não se acreditando
na possibilidade de confissão dos arguidos, restava a ligação à compra dos
explosivos. E essa ligação chamava-se Valdemar.
(Continua)
2.2.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXVII
Valdemar levantou-se tarde. Eram quase dez horas da manhã. Estava
vagamente de ressaca, depois de uma noite de sexo e champanhe. O jet leg ainda
lhe baralhava os fusos horários. Tropeçou até à sala de refeições. Numa mesa
isolada a um canto da sala estava Moema, acabando o pequeno-almoço. Valdemar
tinha a sensação de já a ter visto em qualquer lado. Teria vindo no avião?
Seria actriz de cinema? Era uma mulheraça. Grande. Imponente. Vistosa. Valdemar
adorava aquele ar decidido, quase militar. A boca expressiva. O cabelo
arruivado. Peitos sólidos. Tudo na mulher era atraente. Valdemar sentia-se com
sorte. Resolveu arriscar. Dirigiu-se à mesa dela e perguntou em inglês: “Posso-me
sentar?”. Estranhou a resposta vir em português. E ainda mais estranhou o
convite ser aceite com tanta prontidão: “Claro, dois conterrâneos devem
confraternizar”, disse-lhe Moema. Ela era de São Paulo. Bióloga. Tinha
vindo a Macau para uma conferência sobre a poluição nas grandes metrópoles. Ele
inventou ser empresário e estar ali para fechar um negócio, o que não deixava
de ser verdade. Moema fingiu acreditar e foi conduzindo a conversa para a
geografia do Brasil. Confessou-lhe estar farta de São Paulo e estar a pensar
estabelecer-se num sítio mais calmo. Como detestava o nordeste, estava a pensar
ir para sul. Santa Catarina podia ser uma boa hipótese. Havia uma zona de que
ela gostava particularmente, ali para os lados da Lagoa de Ibiraquera. A Praia
do Rosa. A Praia da Barra. Garopaba... Nesta altura, Valdemar estava em estado
de sítio. Ia acenando com a cabeça, mas tudo nele era tensão. Moema observava
Valdemar e sabia que o tinha atingido. Ele estava alerta e desconfiado. Estava
onde ela o queria. De repente, e a vida tem destes repentes, saiu-lhe quase sem
querer: “Você conhecia um tal Octávio que foi assassinado em São Paulo no
mês passado?”. Valdemar não queria acreditar. Balbuciou uma negativa e
levantou-se para ir buscar mais dois croissants com queijo. Quem raio era
aquela mulher? Começava a perceber que se metera na boca do lobo. Ela sabia
tudo. Que ele mandara assassinar Octávio. Que vivia refugiado na Lagoa de
Ibiraquera. Tinha-o seguido até Macau. O mais certo era saber do negócio dos
explosivos. Era da polícia, com certeza absoluta. O que mais saberia ela?
Sentiu-se vigiado e, pela primeira vez na vida, sentiu-se indefeso. Não tinha
apoios em Macau. Não podia telefonar a Tsé-Lao e pedir-lhe ajuda. Era a
confissão da sua incompetência. Tentou raciocinar. Tudo levava a crer que a
mulher estava sozinha. Ela não podia ter qualquer apoio das autoridades de
Macau. Tsé-Lao tinha as suas protecções no território. E as autoridades
chinesas não eram conhecidas pela cooperação. Aquilo era China, que diabo! A
mulher estava a “pescar” por conta própria. Só havia uma coisa a fazer.
Fotografia de Roberto Barbosa
(Continua)
1.2.14
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