31.12.14
28.12.14
2015
Nunca pensei chegar aqui. Aqui é uma barreira temporal que passa todos os anos sem fazer previsões e sem futuro escrito nos astros. Morre quem morre. Vive quem vive. Todos os anos pensamos que pode ser o último e os anos passam sem chegar o fim. E o fim é um ano acidental, em qualquer mês do calendário, num dia de feira, a horas indeterminadas. Vivam o melhor que puderem nos minutos que faltam. Esqueçam a "crise", porque a Crise verdadeira é o fim de todas as crises.
27.12.14
26.12.14
23.12.14
SERRA D'OSSA - VII
Para os vegetarianos, verdes e outra gente sustentável, o Alentejo é um pesadelo. Não há saladas e até parece mal falar disso. Tudo são assassinatos em série perpetrados por indizíveis montanheiros que depois se desculpam ocultando as provas no meio de barros e tanhos, cozinhadas e disfarçadas com ervas aromáticas. E nós somos cúmplices involuntários dessa maldade primária que é matar para vender. E até nos viríamos embora enxofrados, não fora o "corpus delicti" estar absolutamente supimpa.
Entra primeiro o cozidinho de grão, bem apuradinho com carnes deliciosamente gordurosas e hortelã para cortar; a feijoada de lebre, polvilhada de cenoura, algum coentro e onde pontuavam favocas de sabor intenso, apresenta-se macia e com aquele sabor cinzento adocicado da caça corredora; vem por fim o guisadinho de javali, tenro como um bebé, com a cebola em ponto de pérola e tomate qb. Desengane-se quem pense que ficou caro. Com litros e litros de vinho, queijo e sobremesa, 20 euros por pessoa. Recomendo uma ida aos "Gémeos", em Santiago de Rio de Moinhos, para os lados de Bencatel.
O passeio estava terminado. Resta a sonolenta viagem de regresso a casa numa modorra doentia entre o sono e o traque. A fermentação do grão com o feijão e as favocas, laçam-nos para patamares de grande exigência na condução e dificulta a convivência dentro do habitáculo. Resta um passeio forçado por entre as vinhas para aliviar tensões e permitir exaustão dos gases mais nocivos antes do derradeiro esticão até Lisboa.
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22.12.14
SERRA D'OSSA - VI
A seguir à extinção das ordens religiosas, e no vazio de poder que se sucedeu, o saque do Convento de São Paulo durou 36 anos. A talha dourada que revestia a igreja foi queimada para retirar o ouro. Os azulejos, à falta de técnicas apropriadas, eram retirados a escopro e martelo. Partiram-se quase todos. As telhas, portas e janelas foram roubadas. O Convento ficou ao abandono e à intempérie.
Foi há apenas 21 anos que o Convento foi reaberto como hotel, após prolongada recuperação. São 40 quartos, alguns no chamado "núcleo museológico" (que inclui as celas dos monges). A loucura deste projecto deve-se à Fundação Henrique Leote. Sem ele, nunca seria possível ter rentabilidade turística para manter o Convento. O Estado em vez de ajudar, tem, ao que parece desajudado. É uma pena que as várias "capelinhas" do Estado possam dificultar a vida aos conventos, mesmo quando são Monumento Nacional. Continuamos a ser um país desorganizado e burocraticamente cego.
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BOAS FESTAS PARA TODOS
Corrida
ao Centro Comercial. Estaciono onde não posso. Saio por onde não devo. Entro
por qualquer sítio. Agarro um par de peúgas. São azuis ou pretas? Tanto faz?
Empurrão pelas costas. Sou atirado à secção de pijamas. Vai um para o pai. Sei
lá se é Large. Depois trocam? OK. Fixe. Lista, lista… Falta o bâton para a mãe.
Irra, não tem desta cor. Então pode ser mais escuro. Esse, esse serve. Bip…SMS.
“Para a família e tal, pois que o Natal, também para ti, o mundo melhor”. Não
vem assinado. Sei lá quem é. Olha, “Igualmente”. Segue! Lista, lista… Agora é a
secção infantil. “Não. Não quero embrulho”. E, a bem dizer também não quero
pagar! Gente e mais gente escorre pelas escadas rolantes. Sempre à última hora!
É pá, desisto. O resto fica para depois do Natal. Vou dar uns cupões em crédito
para compras. O melhor é mesmo dar dinheiro… Porque não me lembrei desta
antes!!! Alto… E o Bolo-Rei e as rabanadas! Volto a sair. Bip… Entra mais um SMS. “Família que se
cuidem p’ra pior já basta assim e 2009 também Santo para vocês”. Mais
“Igualmente”. Fiquei sem dinheiro. Multibanco. Filas. Telemóvel em modo
insistente. “Olá, estão bons?” Zás… Código. Carteira. Tudo no chão. “Só um
minuto!”. “Quem fala?”. Máquina engole cartão. Fila impaciente. “Está”. “Bom
Natal”. Pois…! Que se lixe o cartão. Não percebi quem era. Tarde passada em
visitas sucessivas na correria acelerada. “Boas Festas… Para todos… Sim…
Igualmente… Pois a crise… É a vida... Claro… A família… Tem de ser… É preciso é
saúde…”. Consoada pontual no bacalhau cozido com couves e alho. A lampreia de
ovos. Rabanadas. Bolo-Rei. Mesa em dourado. Prendas a despachar. Filhos da Fernanda.
Os meus filhos ficaram com a minha ex-mulher. Vem também a ex-sogra da minha
actual mulher. Os meus ex-sogros não vieram. Mas também porque haviam de vir? O
neto da Fernanda pode vir hoje. Amanhã está com a ex-mâe, perdão, com a
ex-mulher do filho que não é meu. O meu pai está no hospital. O meu futuro
sogro também. A minha mãe não quer consoada. A madrasta da Fernanda também
ficou por lá. Depois do jantar vamos lá a correr… Não sei fazer o quê! Dia 25,
almoço com os futuros ex-sogros. Já não sei! Jantar com os meus pais e com os
pais dos meus futuros netos. Enfim, filhos dos outros filhos que também são
meus filhos. Ah, mas a namorada do meu filho não vai. Tem de ir à mãe que ao
almoço esteve com o pai. Prendas despejadas à pressa, na pressa que o tempo
passe… Onde fica o Natal no meio disto tudo? Boas festas para todos.
(Texto incluído no meu livro Post It).
21.12.14
20.12.14
TEATRO IBÉRICO (LISBOA)
O mosteiro foi fundado no lugar onde terá existido o paço real de Enxobregas (segundo alguns autores, o Paço Real de Afonso III) , que entretanto tinha sido abandonado e se encontrava em ruínas.
Em 1455 foram as antiga ruínas doadas por D. Afonso V a D. Guiomar de Castro, condessa de Atouguia (viúva do 1º conde de Atouguia, D. Álvaro, Gonçalves de Ataíde), para que se procedesse à fundação de um convento, cujas obras se iniciaram-se ainda nesse ano, tendo por orago Santa Maria de Jesus.
O convento ficou concluído a 17 de Maio de 1460, data em que nele entraram os primeiros nove frades da Ordem de São Francisco, vindos da ilha Terceira, nos Açores, (ficando por tal motivo mais conhecido por convento de São Francisco de Xabregas).
O terramoto de 1755 destruiu o convento, obrigando os frades a viveram largos anos em barracas de madeira. A reconstrução levou à ampliação do convento, dotando-o de uma fachada monumental, que o imóvel ainda conserva, com o pórtico principal encimado pelo brasão de armas do rei D. José I de Portugal. A igreja do Convento ficou então com capacidade para receber cerca de mil fiéis.
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi encerrado e a igreja profanada, sendo neles aquatelado o Regimento de Infantaria Nº 1.
Depois de se terem gorado os projectos de instalar no convento uma penitenciária e um conservatório de artes e ofícios, o edifício foi arrendado em 1838 à Companhia de Fiação e Tecidos de Algodão Lisbonense, que utilizou o imóvel até 1844, ano em que um incêndio o destruiu, deixando apenas a igreja profanada e algumas dependências.
O imóvel foi reconstruído para nele se instalar, em 1845, a Fábrica de Tabacos Lisbonense, depois Companhia de Tabacos de Portugal e Companhia Portuguesa de Tabacos, empresa que ocupou o imóvel durante a a maior parte do século XX.
A partir de finais de novembro de 1980, a igreja foi destinada a actividades culturais albergando a companhia do Teatro Ibérico.http://www.teatroiberico.org/
19.12.14
SERRA D'OSSA - V
São Paulo "o Eremita" tinha 17 anos quando achou que se devia calar para sempre. Passavam uns 300 anos depois de Cristo. Nunca mais falou. Isolou-se no deserto, ou seja, num espaço sem shoppings nem lojas de chineses. Ficou debaixo da tamareira. Comia tâmaras e vestia-se folhas verdes que lhe cobriam as partes mais obscuras e lhe faziam uma azia divina, aquela que só passa com Omeoprazol concentrado.
Paulo tinha já 110 anos sem falar quando apareceu um "chato do deserto". Santo Antão achava que ninguém conseguia ficar calado tanto tempo. Achava que ele, Antão, era o mais mudo de todos no reino do silêncio. Seguindo a mensagem divina encontrou a tamareira e tanto chateou Paulo que o fez falar. Paulo morreu exausto à segunda frase. Hoje tem conventos na Calçada do Combro e na Arrábida. Hoje a vida é um barulho de avenida e todos queremos a ausência de ruído sem conseguir estar calados. Será este o primeiro ecologista?
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18.12.14
SERRA D'OSSA - IV
Sobe-se para cima como se desce para baixo. Dominus vobiscum das escadas rolantes. Verbo maior da epifania menor. Ficamos sem saber se fomos ou se existimos. Se subimos ou descemos. Se morremos ou se tanto faz. E entre o ser e o haver, escolhemos qualquer coisa que não faça azia. Ficamos a pensar como seria a vida antes do azul. A vida teria cores antes de Cristo? E Cristo era uma banda desenhada ou já haveria diaporamas ao vivo? Quem era afinal este ser exótico que morreu por querer e ressurrecionou-se sem querer?
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17.12.14
SERRA D'OSSA - III
Entramos e mandam-nos logo calar. Um voto de silêncio difícil de manter para as mulheres. Os homens aguentam-se porque, basicamente, nada têm para dizer. O Convento de São Paulo fica na Serra D'Ossa. Hoje é um hotel. Mas quando foi fundado, em 1182, era um Mosteiro. Aqui fica um dos paraísos do azulejo.
As paredes são uma banda desenhada, com legendas e tudo. Conta-se a azul e branco o Antigo e o Novo Testamento. Os azulejos são do século XVIII. Escaparam à pilhagem porque os monges entaiparam várias alas do Convento. A seguir à extinção das Ordens Religiosas, que começou ainda no período do Marquês de Pombal (Alvará de 1759), os bens foram incorporados na Fazenda Nacional e viriam a financiar os municípios. Mas o Convento de São Paulo seria disputado entre os municípios do Redondo e de Estremoz durante 36 anos. No vazio de poder, as pilhagens sucederam-se e o que resta é fruto de um enorme esforço privado.
Os corredores sucedem-se. Longos e sóbrios no requinte do azulejo. Nada está a mais. Tudo é simples e, no entanto, nada poderia ser mais complexo. Imaginem-se percorrer um filme. A atravessar a Bíblia. Deslumbramo-nos com a visão ultra-realista dos desenhos cozidos no forno dos mestres e pensamos quantos mãos aqui trabalharam. Quantos planos foram feitos. Quantos esboços foram necessários. Quem eram. Onde estão.
E cansados de tanta reflexão, entramos na cela. Um quarto austero e simples. Um quarto sem ruído, onde o silêncio reina. Cá fora não se ouvem passos. Não há gritos de crianças. Não passam carrinhos de limpeza. Tudo é discretamente monástico. Estamos no reino de São Paulo "O Eremita".
15.12.14
13.12.14
12.12.14
11.12.14
PESOS E MEDIDAS - REDONDO
Na foto de cima podem ver a vara e côvado. A vara, utilizada no Império Romano, chamada Pertica, valia 10 pés de comprimento, equivalente a, aproximadamente, 2,96 metros. Em Portugal e no Brasil, até à introdução do sistema métrico, a Vara era a unidade básica de medidas lineares, valendo 5 palmos de craveira, ou seja 1,1 metros. O côvado foi usada por diversas civilizações antigas. Era baseado no comprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo. Ninguém sabe quando esta medida entrou em uso. O côvado era usado regularmente por vários povos antigos, entre eles os babilônios, egípcios e hebreus. O côvado real dos antigos egípcios media 53cm. O dos romanos media 44,5cm. O côvado hebreu media 44,7cm.
Na foto do meio podem ver o ábaco, um antigo instrumento de cálculo, formado por uma moldura com bastões ou arames paralelos, dispostos no sentido vertical, correspondentes cada um a uma posição digital (unidades, dezenas,...) e nos quais estão os elementos de contagem (fichas, bolas, contas,...) que podem fazer-se deslizar livremente. Teve origem provavelmente na China e no Japão, há mais de 5.500 anos. O ábaco pode ser considerado como uma extensão do ato natural de se contar nos dedos. Emprega um processo de cálculo com sistema decimal, atribuindo a cada haste um múltiplo de dez. Ele é utilizado ainda hoje para ensinar às crianças as operações de somar e subtrair.
10.12.14
9.12.14
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