16.7.15

AS CURVAS DE MYRA LANDAU

Depois de décadas de rectas sobre rectas num infinito de rectas totalmente rectilíneas, Myra Landau rende-se às curvas. A percepção clara de que este é o ponto mais curto para agradar aos homens. Uma homenagem a todas as mulheres que existem nas curvas do nosso destino.

15.7.15

PORTO - ASCENSOR DE GUINDAIS

Entalados e amarrotados, bandos de turistas percorrem ruelas em subidas e descidas na busca do pitoresco instantâneo, da fotografia que redima as férias, da imagem que demonstre a vida para além da fronteira. Viagens enlatadas em low-cost. Comida fast-food em qualquer local da outra margem. Tawnys avermelhados com sabor a açúcar mascavado e azia garantida. Chanatas, bonés e calções. Invadem Portugal.  Deixam umas coroas e seguem destino. Estamos à beira do colapso turístico. Um momento de viragem em que qualquer estrangeiro vale mais que um cidadão.

14.7.15

PORTO - RIBEIRA

A zona ribeirinha do Porto está infestada de vendedores ambulantes. Todo o espaço entre a Ribeira e o Douro é uma feira de mau gosto que impede a passagem, estraga a fotografia e não acrescenta qualquer valor. Uma das paisagens mais bonitas de Portugal está entregue a barracas de bugigangas: canecas, porta-chaves, camisolas e bonés, artesanato do Senegal e canivetes Suíços. Esta fotografia não é fácil de fazer. Em baixo é só poluição ambulante. A Câmara do Porto deve tirar receitas das licenças, mas o custo de imagem é incalculável. Este problema não é só do Porto, mas aqui assume um nível escandaloso.

13.7.15

PORTO - PENTELHEIRA AZUL

Mais um exemplo de vanguardismo. Um edifício emblemático que se assume. Será gay, será apenas parvo... Provavelmente um misto de coisa com coiso. Como é fácil redecorar nesta profusão de azul em pentelhos descaídos sem ponta que se lhe pegue.

10.7.15

A BELEZA DO CABO

Há quem meta cabo só para meter. No Porto mete-se por arte. Como seriam monótonas estas portadas "art nouveau". O modernismo do cabo à solta dá um ar de Serralves, vagamente surreal, ligeiramente abstracto, totalmente dadaísta.

8.7.15

PORTO - NOITE

No Porto a noite é igual a qualquer noite em qualquer lado em qualquer sítio. O rio continua estreito e vagamente claustrofóbico. As luzes alargam o horizonte no reflexo da escuridão. Tudo ilusão de turista.

5.7.15

PORTO - LIVRARIA LELLO



De difícil penetração, a Livraria Lello abunda em turistas que querem fotografar rapidamente mais um ex-libris e seguir para o próximo monumento recomendado. Entram e saem sem sequer entender o que estão a ver. As escadas são tortuosas e pouco recomendadas para velhotes como eu. A livraria deve ser um tesouro, mas com tanta gente só pela internet. Parece que também há livros...

4.7.15

PORTO - PONTE LUÍS I



Blogger João Menéres said...
Três belas imagens.
Direi mais sem receio : Das melhores que conheço da Ponte Luis I !!!

Grande abraço e felicitações.

2.7.15

OPORTO


Uma cidade cheia de turistas que fotografam turistas para verem turistas só para dizer que os mesmos turistas estiveram lá. No meio fica um trânsito do carago e malta que sobe e desce as claustrofóbicas colinas do Douro até à Foz na esperança de obter o melhor ângulo. O melhor do Porto é a seta que indica Lisboa. Mas até isto está difícil. Muitas pontes sobre um rio pequeno e estreito, com indicações estapafúrdias e nomes pseudo-celtas impossíveis de identificar para um sulista normal. Rotundas, sobre rotundas, num puzzle de ruas a que faltou um bom terramoto para se conseguir urbanizar. Porto sentido?

1.7.15

IMAGINI - III

No Porto acaba sempre por haver nevoeiro. Sinal de que falta alguém. E quem faltou foi a Myra. O livro é também dela. Dela e do João. Eu fiz uns pequenos haikus. Poemas modernistas de majerico em Santos Populares. A minha primeira incursão pelo género. Amanhã meto um ou dois... a ver se gostam.