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23.6.12

UCANHA E OS DIREITOS DE PASSAGEM




A Fernanda arisca-se a não passar. Vai-lhe ser pedido tributo para cima de um tomate e não têm multibanco. De um lado estão os maus e do outro os ainda piores. São todos padres. E, como se sabe, os padres só perdoam depois do óbulo completo e em casos raros de extrema unção devidamente testamentada. A Fernanda arrisca-se a ficar debaixo da ponte ou nas celas húmidas da Torre, rezando por mais cabidela. Foi isso que me disse o erudito José Leite de Vasconcelos, nascido ali em Ucanha: era a defesa do couto monástico de Salzedas; a ostentação senhorial, bem patente na alta torre; e a da cobrança fiscal, pelo valor económico que tal representaria para o mosteiro cisterciense erguido próximo. Aqui tens de pagar. E ainda hoje se paga. Paga-se a visão da fronteira das terras do Ordem de Cister. Vai tudo para compotas.

22.6.12

SLOW MOTION

E afinal o que é o Gerês? Umas termas que ainda têm água. Um arroz de sarrabulho navegando na azia sanguinolenta da morcela  devastadora. Imenso verde e algum maduro. Cubas que são lagos de mosto. Trilhos cansativos na esperança do salvífico hotel. Curvas intermináveis em busca do eterno rojão... Não fosse a máquina fotográfica e nada disto teria interesse. Sim, a vida é uma fotografia estampada no FaceBook. Escrever anda difícil. A ortografia é periférica e a gramática esotérica. Somos descendentes analógicos da vida em pixel. Haverá um dia em as petingas são codificadas e o bacalhau em slow motion. Um dia em que as fotos são o resto que falta da nossa vida. 

COGUMELOS DA BOSTA


O BOI


ALDEIAS PERDIDAS


18.6.12

CARNÍVORAS NO GERÊS


No Gerês, perto do rio Arado, encontrámos a Orvalhinha (Drosera rotundifolia). Uma das raras espécies de plantas carnívoras do nosso país. Cresce em solos pobres em nutrientes mas ricos em humidade. As minúsculas gotícolas que se assemelham às gotas de orvalho são na realidade uma viscosidade adocicada e pegajosa que a planta segrega através dos pêlos que cobrem a superfície das folhas e que utiliza para capturar pequenos insectos tais como mosquitos, melgas, moscas, pequenas borboletas e libelinhas. Ao poisarem na planta, atraídos pela sua coloração vermelho vivo e pelo aroma adocicado das secreções, os insectos ficam enredados nesta viscosidade e, lentamente, a folha fecha-se sobre o incauto insecto. Os pêlos que revestem as folhas segregam também enzimas digestivas que dissolvem as presas e permitem à Orvalhinha alimentar-se... Mais carnívoras só as mulheres.
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17.6.12

ESPIGUEIROS

O conjunto dos Espigueiros de Soajo (Soajo, Arcos de Valdevez) compõem uma eira comunitária constituída por 24 espigueiros, todos em pedra e assentes num afloramento de granito. O mais antigo data de 1782. Alguns destes espigueiros são ainda hoje utilizados pela população. O espigueiro é uma estrutura normalmente de pedra e madeira, existindo no entanto alguns inteiramente de pedra, com a função de secar o milho grosso através das fissuras laterais, e ao mesmo tempo impedir a destruição do mesmo por roedores através da elevação deste. Como o milho requer que seja colhido no Outono, este precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o Inverno. No território de Portugal Continental, encontram-se principalmente a Norte, em particular na região do Minho. Na Galiza, em Espanha, existem espigueiros idênticos aos que existem em Portugal. Também há estruturas semelhantes nas regiões espanholas de Navarra, Astúrias, Cantábria e na província de León, onde recebem o nome de hórreo. Também existem construções muito semelhantes na Escandinávia, em especial na Noruega, onde são chamados stabbur e na Suécia, chamados härbre. Repare-se nas rodas de pedra para impedir a entrada de ratos. Em muitos casos, abria-se um buraco à volta dos pilares, permanentemente cheio de água para impedir o acesso de formigas.

ESPIGUEIROS DO SOAJO




16.6.12

ANTA GRANDE DO MEZIO

A Anta Grande insere-se na necrópole de Mezio, no Parque Nacional da Peneda Gerês. Anta ou dólmen vem do baixo bretão: tol=mesa e men=pedra. É um monumento funerário colectivo da época pré-histórica recente (3 a 4 mil anos antes de Cristo), constituído por uma câmara poligonal de sete esteios erectos adoçados entre si, sobre os quais assenta uma tampa ou mesa. O conjunto, posteriormente à sua utilização funerária, era coberto por um tumulum protector, formado por terra e pequenas pedras, constituindo a mamoa. Esta anta do Mezio nunca foi escavada cientificamente. É na Andaluzia e no Sul de Portugal que, no entender dos arqueólogos, se situa o centro de onde irradiou a chamada cultura dolménica ou megalítica. Curiosamente, no Brasil, mais precisamente na Bahia, há um dólmen na cidade de Paramirim, a 15km de Santana, conhecido como Pedra de Santana, e outro em Goias, na cidade de Anicuns, que fica a 74 km de distância da capital Goiânia.

ANTA É VOCÊ


Animal, espécie de paquiderme, da família dos tapirideos, originário da América e um dos maiores da fauna brasileira (Tapirus americanus), também conhecido como tapir. A anta é um animal bastante raro de se ver na natureza. Talvez devido ao seu baixo QI, tem gente no Brasil que pode ser equiparado a anta. Em Portugal as antas são dolmens. O resto são apenas burros. E tem muitos...

14.6.12

NA ANTA

Vou até ao Porto e volto Domingo. Fiquem bem. Depois explico o que é uma Anta.

13.6.12

GERÊS - OUTRO MUNDO


O Minho não tem planícies. As subidas são descidas e quanto mais se desce mais se sobe. Tudo é abrupto. Tão abrupto que a beleza se espanta por existir tão imensa. Foram 600 km de curvas apertadas, suportadas em GPS com voz de Katia Vanessa, em versão erótica. Quase nunca nos perdemos até que, finalmente, nos perdemos irremediavelmente. Só depois de desligar o GPS nos apercebemos que há um país real pronto a dar informações. São moças simpáticas de olhar celta e cintura estreita que perdidas se perdem de nós. Homens que nos solicitam o favor de virar à esquerda e três rotundas depois novamente à mesma esquerda, para de seguida enveredarmos decididamente à direita, ainda antes da rotunda que posteriormente nos leva à terceira estrada que desce para baixo, antes de subir para cima. Gente que agradece ter dado a informação e nós ficamos sem jeito no embaraço de tanta delicadeza. A comida é saudável e simples. O arroz de sarrabulho, no sangue da cabidela, acompanhados a fressura e rojões do redanho fritos no unto da matança. As morcelas de sangue e as belouras amassadas. As tripas aos molhos e queijo terrincho que nos eleva para lá do roquefort. Os verdes são tintos e a digestão pode ser eterna na eloquência do arroto profundo. A paisagem dá vontade de pastar. Os cavalos são garranhos e os bois são barrosãs. A vida parou no tempo e sentimos que o tempo foge da vida. O Gerês é um local absolutamente único. Não há cinema. Não há museus. Não há teatros. Não há shoppings. O Gerês tem árvores, pedras e rios. Coisas esquecidas que teimamos em recordar. 

PARQUE NACIONAL PENEDA-GERÊS


O Parque Nacional da Peneda-Gerês é o único parque nacional de Portugal e situa-se no extremo nordeste do Minho, estendendo-se até Trás-os-Montes, desde as terras da Serra da Peneda até a Serra do Gerês - daí a sua designação -, sendo recortado por dois grandes rios, o Rio Lima e Cávado. Fazendo fronteira com a Galiza, abrangendo os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelho de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre) numa área total de cerca de 70 290 hectares.O Parque Nacional da Peneda-Gerês é considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. É uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e etnográfico e pela variedade de fauna (corços, garranos, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos e várias plantas medicinais). Estende-se desde a serra do Gerês, a Sul, passando pela serra da Peneda até a fronteira espanhola. Inclui trechos da estrada romana que ligava Braga a Astorga, conhecida como Geira.