São sete tábuas de carvalho policromadas a óleo, de autoria do Mestre do Sardoal, atribuídas a dois artistas de Coimbra, Vicente Gil e Manuel Vicente, pai e filho. Naquela cidade, executaram trabalhos régios, por encomenda de D. Leonor. Pode causar estranheza, contudo é prática comum dar a autoria da localidade quando não se sabe o verdadeiro autor, pois nesta época, as obras não eram assinadas. Apesar de se saber os verdadeiros autores, continuará a ser designada como obra do Mestre do Sardoal. Não se sabe, ainda, como chegaram até ao Sardoal, mas naquela altura o Sardoal era muito procurado pela realeza. Além disso, o Bispo de Coimbra na altura era D. Jorge de Almeida, irmão de D. Francisco de Almeida, que viria a ser o primeiro vice-rei da Índia. A partir de 1505, sabe-se que D. Francisco de Almeida empregou os seus generosos rendimentos na beneficiação da igreja Matriz. Numa altura em que só a grande nobreza e o clero detinham poder económico para encomendas deste género, poderá ser esta a ligação da vinda de artistas desta envergadura à vila de Sardoal.
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22.8.12
21.8.12
SARDOAL - V (D. FRANCISCO DE ALMEIDA)
D. Francisco de Almeida foi o primeiro Vice-Rei da Índia. Filho de Lopo de Almeida, Conde de Abrantes e senhor do Sardoal. A vila sempre pertenceu à família Almeida. Está explicada arquitectura de palacetes provincianos e a harmonia geral de todo o conjunto.
20.8.12
SARDOAL - IV (IGREJA DA MISERICÓRDIA)
Se não sabiam, aprendam que é tudo muito simples. A imagem da Virgem da Misericórdia recua até ao século XV, altura de grandes maleitas, a peste e o horror às doenças empurraram os cristãos para a necessidade de proteção divina, será assim que aparecem as primeiras imagens de Nossa Senhora que protege sobre o seu manto das “flechas” da peste. Na Igreja da Misericórdia do Sardoal, destaca-se da fachada principal o pórtico renascentista, de pedra de Ançã, da oficina de João de Ruão. Na edícula do pórtico, sob a empena encontramos o grupo da Misericórdia. O manto é seguro por dois anjos, sob ele encontramos do lado esquerdo personagem do clero, podendo ser em primeiro plano a figura de um Papa, talvez Alexandre VI, o primeiro a confirmar o Compromisso da Santa Casa da Misericórdia e mais dois religiosos, enquanto que à direita da realeza, homenageando o rei, D. Manuel ou D. João III, possivelmente uma imagem feminina, homenageando a rainha D. Leonor, desconhecendo-se a terceira personagem. O grupo é ladeado por dois anjos orantes e rematado superiormente por uma edícula com a pomba do Santíssimo Sacramento, sobre esta um menino que segura nas mãos uma caveira. Nos extremos da cornija encontramos anjos músicos, um toca uma harpa, sobre os quais se encontram dois óculos, danificados. O pórtico de volta perfeita decorado com volutas, apresenta ao centro uma caveira com uma inscrição, MEME TORO, sendo ladeado por pilastras. O friso superior é decorado por fénix e outros animais fantásticos. Ao meio encontramos um medalhão com uma cabeça barbada de alguém que olha para quem entra. Ao cimo, um anjo toca flauta reta. Capitel compósito e entablamento com friso embutido, sobre o qual se encontram anjos orantes; nas enjuntas dois medalhões com bustos em relevo, sendo o do lado direito um homem barbado e o da esquerda uma mulher. A fachada lateral tem cimalha corrida, rasgando-se um portal com arco de volta perfeita, com decoração tipicamente manuelina. Como se pode ver tudo isto é triste, tudo isto é fado.
SARDOAL III
Na Igreja Matriz, merecem a atenção o Altar-Mor e os painéis cerâmicos, da autoria de Gabriel D’El Barco, datados de 1701. Não vimos porque estava absoluta e totalmente fechado, sem sequer horários à vista. Uma forma interessante de incentivar o turismo. Vamos lá todos os dias até que esteja aberto. Já agora, atentem nesta rosácea flamejante e nos capitéis manuelinos. Para completar a visita pode-se ainda visitar o Convento de Santa Maria da Caridade que, diga-se de passagem, também estava fechado, mas foi ampliado e reedificado em 1676, por iniciativa de D. Gaspar Barata de Mendonça, o primeiro Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil. Uma curiosidade importante, porque este arcebispo nunca sequer foi ao Brasil. Devia ser por video-conferência. Ainda havemos de descobrir qualquer coisa que bata certo no Sardoal.
19.8.12
SARDOAL - II
O Sardoal pertence ao Distrito de Santarém, na região região Centro de Portugal. Limitado a norte pelo município de Vila de Rei, a leste por Mação e a sul e oeste por Abrantes. As origens da Vila de Sardoal são muito antigas. É tradição que o Sardoal teve o seu primeiro foral, dado pela Rainha Santa Isabel, no ano de 1313. Tal facto não está confirmado. Certo e seguro, é que em 22 de Setembro de 1531, D. João III, elevou a povoação de Sardoal à categoria de Vila. Uma vila florida numa região de extremos climatéricos (calor e frio) é conhecida por Vila Jardim. Para quem só conhece Óbidos não sabe o que perde. Uma enorme vantagem é a quase total ausência de pessoas. Uma enorme dsvantagem é, precisamente, a quase total ausência de pessoas (espero ter sido claro). Quase tudo fechado num dia feriado, dia em que precisamente seria de esperar um ou outro tuista. E havia muito para ver. Ficam as imagens exteriores.
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