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1.6.13

TÓCANDAR EM TOURNÉE - CHAVES

Um pouco mais velhos, lá vamos cantando e rindo. Desta vez foi em Chaves, com intervalos curtos entre refeições para ver castelos e pedras, igrejas e barragens. A verdade é que apenas em três dias estivemos em Chaves, Monforte, Montalegre, Boticas,Vidago, Verin e Monterei (Galiza) e ainda acabámos a almoçar em Moreira de Cónegos, perto de Guimarães. Tudo visto e considerado, recomendo os restaurantes "Sol e Chuva", em Pisões, e "Pirâmide do Egipto", em Moreira de Cónegos. O resto é tudo à base de granito, que não se recomenda para quem tem problemas digestivos.

24.7.12

TEIDE - AGAROFOBIA

Felizmente sou hipocondríaco. Um estado de permanente paranóia que me faz ter a certeza de que todas as doenças são imaginárias. Tenho essa certeza porque não fora assim e há muito estaria morto. Contam-se pelas dúzias os ataques cardíacos, a taquicardia em ritmo acelerado, o pânico por falta de ar, as dores de cabeça à beira do aneurisma, as quebras de tensão esmagadoras, a claustrofobia de elevador, as vertigens no vão de escada. As doenças são muitas e todas elas residem em mim. Felizmente sou hipocondríaco e tudo fica logo muito relativo. Já sei que nada daquilo vai acontecer. Hei-de morrer numa qualquer originalidade indecifrável na leitura inclusa do panfleto médico...  Naquele dia estava um sol ofuscante. A falta de ar era intensa. O Teide está a três mil metros de altitude. A ilha de Tenerife, nas Canárias, é um vulcão em cone que ultrapassa o horizonte do Atlântico. Por baixo um deserto a perder de vista onde se gravaram os "Western Sparghetti" e a abertura do "2001 - Odisseia no Espaço". Estava feliz. Entrei inconsciente pelo deserto. Sozinho e descontraído.  Olhei o vazio a perder de vista... e esse foi o meu mal. Atirei-me de imediato em mergulho para o chão. Um pânico indescritível tirou-me a respiração e inibiu-me a razão. Agarrei todas as pedras que pude com força telúrica e mordi a terra com angústia visceral. Rastejei até à camioneta, sem nunca tirar os olhos do chão. Os outros olhavam-me espantados, acreditando que estava em estado antropológico de descoberta existencial. Adorei o Teide. Mais uma paranóia que descobri. Sou agarofóbico.

22.7.12

LANZAROTE - COOL AND CLEAN

Uma das coisas que mais me emocionou em Lanzarote foi o branco mediterrânico e o verde atlântico emoldurando as janelas. Um padrão constante, numa arquitectura simples e confortável, despojada e limpa. Não havia cabos à vista. Os telefones, a electricidade, o gás, tudo era obrigatoriamente enterrado. Tudo muito "clean". Admirei-me de tudo isto. Uma ilha perdida, pouco habitada, com poucos recursos... como era possível manter estes padrões? Onde esperava uma trapalhada de fios e um horror de barracas, encontrei um paraíso imagético. Só depois percebi que tudo se devia a Cesar Manrique.

21.7.12

LANZAROTE - CESAR MANRIQUE

Um dos habitantes mais ilustres de Lanzarote é César Manrique (Arrecife, 24 de Abril de 1919Teguise, 25 de Setembro de 1992). Ele foi pintor, escultor e activista do desenvolvimento sustentável da ilha. Combinou a produção de uma valiosa obra pictórica, escultórica e arquitectónica com a defesa dos valores ambientais e com a promoção do desenvolvimento turístico sustentável da sua ilha natal, que em boa parte graças à sua acção é hoje uma Reserva da Biosfera. Na sua obra procurou a harmonia entre a arte e a natureza como espaço criativo. Entre outros galardões, recebeu o Prémio Mundial de Ecologia e Turismo e o Prémio Europa Nostra.

20.7.12

CANÁRIAS - O GENOCÍDIO


Após inúmeras disputas sobre a posse das Canárias, em 1479 com a assinatura do Tratado das Alcáçovas e, depois, do Tratado de  Toledo (1480), pôs-se fim às guerras pela soberania sobre as Canárias. Portugal prescindiu das ilhas em troca de todo o comércio para sul daquele paralelo. Só a partir daqui a Espanha conseguiu vencer e exterminar os guanches, que deixaram de contar com o apoio português. Aquando do início da conquista castelhana estima-se que haveria entre 30.000 e 35.000 guanches em Tenerife e entre 30.000 e 40.000 na Gran Canária, populações muito consideráveis face às características do território.
Sem embarcações nem capacidade bélica comparáveis, os guanches foram progressivamente retirando para as partes mais altas e acidentadas das ilhas, deixando o litoral aberto à colonização castelhana. As populações que iam sendo submetidas eram baptizadas e assimiladas à força. Outro grave problema que afectou os guanche foi a sua falta de imunidade a doenças que foram trazidas pelos colonizadores. As epidemias foram-se sucedendo, provocando perdas irreparáveis no efectivo populacional. A resistência guanche acabou por se concentrar em Tenerife e Gran Canária, onde as populações eram maiores, apenas terminando com o extermínio das últimas forças refugiadas nas montanhas. A partir da derrota de Doramas, um caudilho guanche, e da exterminação da resistência em Orotava, a submissão era inelutável, com alguns dos últimos resistentes a cometerem suicídio ritual, saltando de falésias.
A partir daí os povos guanche foram rapidamente assimilados, já que depois da guerra e das doenças, as populações remanescentes não puderam impedir a rápida miscigenação. Em meados do século XVI já a memória guanche começava a desaparecer. Estava consumado o genocídio.
Hoje, dos guanche pouco resta, embora o nacionalismo canário tente esforçadamente reviver a sua memória. Mesmo o estudo das suas múmias e restos arqueológicos pouco avançou em comparação com o estudo de povos bem mais remotos.

Na imagem, estátua em Tenerife de Bencomo, o "Rei Grande", símbolo da resistência guanche.

19.7.12

CANÁRIAS - POVOS GUANCHES

Os europeus chamam guanches aos habitantes que encontraram nas ilhas Canárias quando lá chegaram no século XIV. A verdade é que não se sabe a sua origem, sendo a teoria mais consistente a que lhes atribui origem proto-berbere, incluindo-os no conjunto dos povos que colonizaram o norte de África há cerca de 15000 anos, num período em que a glaciação quase ligaria as Canárias ao continente africano, devido à descida do nível do mar. O nome guanche poderá  ser uma apropriação castelhana de guanchinet (guan significaria pessoa e Chinet seria o nome indígena para a ilha de Tenerife). Ou seja, guanchinet seria pessoa de Tenerife, designação que se generalizou a todos os habitantes indígenas de todas as ilhas, embora cada ilha tenha a sua especificidade, sendo mais correcto falar de povos guanches (no caso de Lanzarote, os seus habitantes são designados maxos).  Os guanches terão sido os últimos povos sobreviventes das "grandes culturas" que ocuparam a vasta região do Saara, antes de o deserto de apoderar das verdejantes planícies africanas. O genocídio dos guanches pelos castelhanos, no século XV, constitui uma perda irreparável para o estudo da "época da glaciação laurenciana". Já veremos como tudo se passou...

Na imagem, reconstituição de uma povoação guanche na ilha de Tenerife.

17.7.12

LANZAROTE

Algures em 1998 fui até Lanzarote (uma das 12 ilhas do arquipélago das Canárias, integrado na chamada macaronésia). Na altura ainda não havia câmeras digitais. As fotos que agora apresento são um scan dessas arcaicas fotos impressas no velho papel mate. O futuro prémio Nobel, José Saramago, já se tinha refugiado na ilha acompanhado pela sua amiga espanhola. A ilha surpreendeu-me em absoluto. A paisagem que vemos na foto anterior e nesta mesma são pequenos vulcões. Uns podem explodir, outros estão aparentemente adormecidos. Diferentemente de Tenerife ou da Ilha do Fogo (Cabo Verde), onde os vulcões se impõem como chaminés esmagando a ilha, aqui os vulcões são como borbulhas ou acne juvenil: muitos e prontos a rebentar. As águas saem quentes. Há geisers por todo o lado. Um perigo organizado e feito turismo, numa ilha impressionantemente limpa e carregada de arte pública. César Manrique é a referência. Uma referência pouco conhecida que vou procurar "revelar" em próximas posts.

25.6.12

TÓCANDAR

Há quase 20 anos que fazemos passeios em conjunto. Passeios em Portugal e no Mundo. Não estão aqui todos os amigos. Alguns andavam por ali tresmalhados, sabe-se lá a fazer o quê. Enquanto pudermos, tócandar...