Acordei em estado de fissão nuclear. As têmporas em tsunami. Uma febre de grau nove. Dentro da cabeça uma bola de mercúrio invade-me o raciocínio. Olhos desorbitados procuram o ponto de focagem nas ramelas peganhosas da noite mal dormida. O nariz entra em erupção. Magmas esverdeados extravazam das cavidades internas. Escorrem pelas narinas fumegantes. A toxicidade aumenta nos lenços amarfanhados que povoam o chão do quarto. À minha volta bactérias e vírus convivem alegremente, enquanto aguardam pela pedrada do antibiótico. Ao longe, muito ao longe, a vida continua... Acordei mais burro do que normalmente. Estou constipado.
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17.3.11
16.11.09
SER HIPOCONDRÍACO
Todos os dias me doí qualquer coisa. Hoje são as costas. Amanhã uma enxaqueca. A colite não me larga. O Outono carregado de sinosite. Permanente aflição. Não dá para ouvir telejornais. Mortes súbitas, injecções pendentes, operações expostas, autópsias públicas. Tenho agarofobia, mas também partilho um tremenda claustrofobia. Muita acrofobia. Imensa batofobia. Tomo tudo o que me dão, mesmo que não sirva para nada. Nunca leio a literatutura inclusa. Safa! Aquilo é sádico. Só as contra-indicações provocam imediatos estados de paranóia sintomática com ataques cardíacos por simpatia. Nunca vou ao Hospital ou ao Centro e Saúde. O perigo espreita em cada bactéria hospitalar. Sinto os sintomas de toda a gente. Sou um "doente sem fronteiras". Um hipocondríaco militante. Antecipo as doenças. Há cinco anos que não tenho nada. Quero morrer com saúde.3.5.09
29.4.09
CRISE SUÍNA
Enquanto milhares de suínos morrem que nem porcos, as bolsas voltam a cair à conta da pandemia. Só ontem foi -1,2%. Até os preços do petróleo se contraíram. A economia volta a constipar-se. Só as acções das farmacêuticas sobem. “Tamiflu” é o remédio. Um nome tipo samurai que protege os mais incautos. O estado é de sítio. Qualquer espirro é suspeito. A tosse uma arma de arremesso. A diarreia fatal. Esta é mais uma epidemia. Uma de muitas a que a humanidade já sobreviveu.Ao longo dos séculos o homem foi vencendo pragas sucessivas. Pragas de micro-organismos. “Bichinhos” que a humanidade desconhecia, nem sequer sonhava. Imagine-se o que seria a compreensão medieval da peste? As pragas medievais foram a primeira grande manifestação da globalização. A sorte é que não havia televisão e ninguém se apercebeu.
A partir de amanhã publicarei uma série de posts dedicados à doença através da História. Não se assustem, até porque a gripe não se propaga pela blogoesfera.
jp
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