
Amanhã, 22 de Dezembro, pelas 6 horas e 8 minutos, ocorre o solstício de Inverno.
Amanhã é o dia o menor dia do ano. Isto no hemisfério norte. No sul é exactamente ao contrário.
No hemisfério norte o Inverno começa com o solstício de Dezembro. No hemisfério sul é o Verão que desponta. Já vamos ver a confusão que isto dá!
Em várias culturas ancestrais o solstício de Inverno era festejado, comemorando-se a fertilidade e a fecundidade. A partir do solstício os dias começam a crescer, simbolizando-se, nesses festejos, a vitória da luz sobre a escuridão... Isto no hemisfério norte. No sul é exacta e novamente ao contrário.
A bem dizer, o Natal que nós comemoramos a 25 de Dezembro é o solstício, só que as comemorações foram atrasadas.
Embora objecto de intermináveis disputas teológico-astrológicas, Cristo terá nascido, segundo os melhores cálculos bíblicos, entre Agosto e Setembro de ano 7 antes dele próprio.
Porém, a partir do Concílio de Niceia (325d.C.), toda a história do cristianismo e, de certa forma, da nossa cultura, foi reescrita. Constantino converteu-se, provavelmente por razões políticas, e criou a religião católica apostólica romana como veículo unificador do seu império e das suas ambições. O livro sagrado foi então escrito, misturando e manipulando muitas informações.
No mundo pré-cristão era muito popular oculto da deusa Mitra, com origem provável na Índia ou Pérsia. Chamavam-na "Sol Vencedor". O nascimento de Mitra celebrava-se a 25 de Dezembro, data que os romanos consideravam, erroneamente, coincidir com o solstício. Na madrugada de 24 para 25 comemorava-se o Nascimento do Invicto (o alvorecer de um novo Sol), com o nascimento do Menino Mitra.
Em Niceia mais não se fez do que manipular e integrar este culto pagão, que ainda perdurava fortemente, no ritual cristão. Cristo representa a vida, a luz e a esperança. Então, em vez de festejar o Sol como antigamente, passar-se-ia a celebrar o nascimentode Cristo, absorvendo a festa pagã. Constantino, inteligentemente, viu a forma de consolidar o império e reconverteu o dia do Menino Mitra no dia do Menino Jesus.
Esclarecidos os embustes natalícios, falta dizer que a coisa funciona no hemisfério norte, mas para o sul...
Os povos sul-americanos não festejavam o solstício de Inverno em Dezembro, mas em Junho. Logo, o Natal Americano deveria ser em Junho por aplicação linear do raciocínio de Constantino. As comemorações natalícias foram exportadas à força para as Américas aquando da catequização. O Natal foi, assim, imposto. É mais do que um embuste. É o símbolo vivo do colonialismo que ainda não vi suficientemente combatido pelo inefável Hugo Chavéz.
Mesmo carregado de equívocos, aqui fica uma mensagem de bom Solstício para todos... o mesmo é dizer de bom Natal!
jp