30.1.08

FILOMENA GRITA - TV RURAL


TV Rural. Lançamento do primeiro disco: "Filomena Grita". Dia 3 de Fevereiro (Domingo), às 19h na Fábrica do Braço de Prata. Come umas tapas e ouve um bom concerto, num espaço diferente. Os rapazes que ensaiam cá em casa são, na minha modesta opinião, uma das melhores bandas nacionais do momento. Como bónus poderão conhecer este vosso "blogger".
Entrada livre.

29.1.08

AS PROSTITUTAS DE ROMA

Roma deve a sua fundação a uma loba. Porém, subjacente a este mito haveria uma realidade muito mais trivial: os bebés abandonados não ficaram a dever a salvação ao leite de uma loba mas sim à caridade de uma mulher, a quem chamavam Lupa (loba) os pastores com quem ela se prostituía. Seja fantasia ou não, a prostituta continuou a ser, para os romanos, a loba à espreita da sua presa, no seu antro, o"lupanar".
As prostitutas romanas têm por função essencial a preservação da família, evitando aos homens o perigo do adultério e proporcionando-lhes prazeres sem consequências domésticas, garantidos por profissionais competentes. Eram uma instituição fundamental na sociedade. Séculos mais tarde, Stº Agostinho, não obstante os preconceitos da moral cristâ, não hesita em afirmar: "Se banires a prostituição da sociedade, reduzes esta sociedade ao caos, por causa da luxúria insatisfeita". As prostitutas de Roma são oficialmente associadas, uma vez por ano, a festividades em prol da salvaguarda do povo romano. Aquando das Florárias que, em Abril, celebravam a divindade da vegetação, Flora, o ponto máximo era o desfile das cortesãs da cidade, nuas e interpretando mimos eróticos.
A principal razão de queixa contra as cortesãs era a sua avidez insaciável, em relação à fortuna dos cidadãos. Por isso elas são denominadas "meretrix" (a que tira o dinheiro do seu corpo).
As meretrizes são, em princípio, escravas ou libertas (mulheres que receberam carta de alforria). Podem também ser mulheres livres, pois naquela sociedade uma mulher privada de pai, marido ou irmão quase não tem outras hipóteses.
Na época republicana as meretrizes estão proibidas de usar vestidos enfeitados na rua. Têm de envergar por cima uma toga castanha. Com o advento do Império deixa de ser assim. As cortesãs saem à rua requintadamente arranjadas e, a pouco e pouco (a partir do séc. I a.C), com a liberalização dos costumes femininos, quase não há diferença de aspecto entre as "marginais" e as esposas legítimas. A fronteira torna-se tão ténue que, por vezes, se cria a confusão. Algumas matronas tentadas pela grande liberdade sexual das meretrizes, chegam mesmo a inscrever-se nas listas de prostitutas estabelecidas pelas autoridades policiais.
Ainda hoje muitas mulheres gostam de se vestir como prostitutas e muitos homens gostam de as ver assim vestidas. A líbido é insondável. Felizmente já não há listas policiais!
jp

27.1.08

RISO INDUSTRIAL

Há uns anos éramos bombardeados por anedotas "cliché" entre garfadas de circunstância: "sabes aquela...". Tínhamos de simular um sorriso, enquanto suportávamos alarves gargalhadas dos restantes comensais.
Com os alvores da net, logo apareceram as incidiosas "piadolas em pirâmide", passadas e repassadas de reencaminhamento em reencaminhamento, até nos entupirem a caixa de correio, exigindo limpeza diária antes que se esgote a capacidade e a paciência.
Sempre achei fascinante saber como nascem estas piadolas. Quem no seu anonimato, se dá ao trabalho de inventar as histórias; de as trabalhar graficamente; de as divulgar. Quem será? Porque fazem isto? O que os move? Não cobram direitos de autor... Não recebem à peça...! São piores que "blogers". Nós ainda temos o "feed-back" dos visitantes ou dos comentários. Eles nada!
Agora, porém, a piada está por todo o lado. Nos anúncios, no You Tube, nas rádios, nas televisôes. Agora já não são piadolas esporádicas ou de salão. Piadas inventadas por um agente isolado. Agora a piada massificou-se. É obrigatória. Rimo-nos todos da mesma coisa. São piadas de autor, com produtor e receita infalível. Apareçeram as empresas da piadola. Surgiu a indústria do riso. Centenas de profissionais elaboram afanosa e diariamente aquilo com que os "palhaços ricos" nos vão intoxicar de riso. Tudo o que o patético Herman, os recém-institucionalizados Gatos ou o pseudo-irreverente Bruno Nogueira dizem, tem por trás uma máquina de planeamento, concepção e distribuição que nada deixa ao acaso... Nada, excepto a nossa espontâneidade! Pessoalmente, continuo a não me conseguir rir quando me dizem que esta é para rir!
jp

25.1.08

JANEIRO EM LISBOA

ROMA - UMA SOCIEDADE MACHISTA

Herdámos dos romanos o machismo puro, elitista e pedófilo.
A lei Scantia de 149 a. C, protege da violação o adolescente livre na mesma medida em que o faz relativamente à virgem de nascimento livre. O sexo nada tem a ver com o caso. O que conta é não ser escravo. Entre os romanos, a pretensa repressão legal da homossexualidade visava, na realidade, impedir que um cidadão fosse tratado como um escravo.
No mundo romano os comportamentos não eram classificados de acordo com o sexo (o amor pelas mulheres ou pelos rapazes), mas segundo a actividade ou a passividade: ser activo é ser um macho, seja qual fôr o sexo do parceiro dito passivo. A mulher é passiva por definição, a não ser que seja um monstro, e não é tida nem achada no assunto. As crianças não contam mais que as mulheres, desde que seja o adulto a tirar prazer disso (leia-se, a ser activo). Estas crianças são, como já vimos, escravos. As outras estão protegidas por lei. Em contrapartida, abatia-se um desprezo colossal sobre o adulto macho e livre que fosse homófilo passivo ("impudicus").
A moral romana variava de acordo com o estatuto social. Conforme escreveu Séneca "o Velho": "a impudícia (isto é, a passividade) é um aviltamento num homem livre; num escravo, é o seu dever mais absoluto para com o seu amo; num liberto, permanece como um dever moral de condescendência".
jp

24.1.08

ALVES REIS - UMA HISTÓRIA PORTUGUESA

Hoje lançado na FNAC, com chancela da "Oficina do Livro", este livro do meu amigo Francisco Teixeira da Mota explica como resolver a crise.
Artur Virgílio Alves Reis nasceu em Lisboa, em 1898. De origens modestas e com problemas financeiros, ele tem uma enorme vontade de vencer na vida e uma fantástica capacidade de sonhar.
Consegue forjar um diploma falso de engenharia, emitido por uma faculdade de Oxford. Com apenas 22 anos consegue o lugar de director na Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes. No regresso a Lisboa compra uma empresa ferroviária em Angola com um cheque sem cobertura. Preso por dois meses, engendra a maior burla que Portugal conheceu: a falsificação de dois milhões de notas de 500$00 que serão injectadas em Angola!
Perceba porque é que um burlão é um sedutor e um manipulador. Perceba que uma burla é a forma mais elevada e inteligente de crime. Perceba porque a burla se distingue do violento roubo ou do boçal furto ou, ainda, do traiçoeiro abuso de confiança. Perceba, finalmente, porque o dinheiro é imaterial e mesmo ilegal.
Uma verdadeira receita para a crise actual. Absolutamente imperdível.
jp

23.1.08

AFINAL TEMOS SORTE...

Ontem estava excessivamente pessimista...!
Imaginem que tínhamos o azar dos dinossauros. Há cerca de 65 milhões de anos um pedregulho de 9 km de largura veio pelo espaço fora e provocou a sua extinção e uma devastação inimaginável. A cratera está em Chicxulub, abaixo da península do Iucatão, no México e tem 193 km de largura, por 48 de profundidade.
Se fosse hoje, progredindo a uma velocidade de 400 vezes a velocidade do som, o asteróide não seria visível a olho nu até ter aquecido quando entrasse na atmosfera, isto é, 1 segundo antes do impacto com a terra! O ar por debaixo dele, comprimido pela sua entrada na atmosfera, atingiria temperaturas 10 vezes superiores à temperatura da superfície do Sol. Logo que chegasse à atmosfera, tudo o que estivesse no caminho do meteoro desapareceria como uma folha de celofane a arder. Um segundo depois colidiria com o solo com uma força de 6 milhões de megatoneladas (cerca de 75 vezes superior à potência de todo o armamento nuclear existente). Qualquer ser vivo, num raio de 250 km, que não tivesse morrido com o calor, seria morto pela explosão. A onda de choque irradiaria quase à velocidade da luz, arrasando tudo à sua frente. Um minuto depois, os que estivessem fora da zona de destruição imediata, veriam uma parede negra a erguer-se no ar até chegar aos céus, deslocando-se a milhares e quilómetros por hora sem qualquer ruído, uma vez que se moveria a uma velocidade muito superior à do som. Em poucos minutos, todas as pessoas que estivessem num raio de 1500 km seriam projectadas no ar e estilhaçadas por uma chuva de projécteis voando em todas as direcções. Seguir-se-iam uma série de terramotos devastadores. Os vulcões entrariam em actividade por todo o globo e haveria gigantescos maremotos a varrer as costas mais distantes. Uma nuvem negra cobriria todo o planeta e bocados de rocha escaldantes seriam projectados, fazendo arder a maior parte da Terra. Um biliâo e meio de pessoas teria morrido ao fim do primeiro dia. A nuvem negra taparia o Sol durante anos perturbando ou impedindo os ciclos de crescimento e alterando totalmente o clima. Seria impossível estimar o número de vítimas ou mesmo o nível de subsistência humana... E estamos só a falar de uma pedrita de 9 km de largura!!! Em abono da verdade tenho de dizer que a probabilidade de isto acontecer é de uma vez em cada milhão de anos, em média. Mas nunca se sabe...
Bom, com este cenário dantesco acabava a crise, a recessão, o Sr. Nunes, a urgência da Anadia, a queda dos condicionais "futuros" do NASDAQ. Até o governo caía... Afinal temos sorte. Ufff!
jp