A performance é individual. O preço exorbitante. O espectáculo absolutamente exclusivo. A nossa participação essencial. Primeiro despem-nos. Enfiam uma bata até ficarmos com ar de cientista iraniano. Somos amarrados e introduzidos num túnel magnético. Intimam-nos a não respirar durante meia-hora. Na imobilidade total, a cúpula alucinógenea em azul espacial desce sobre nós em tensão claustrofóbica. O fundo musical ataca um binário minimal-repetitivo: tchq-trec-tchq-trec-tchq-trec. A comichão no nariz desenvolve-se em progressão geométrica. Não podemos coçar. Não temos como lá chegar. Em sobreposição desaba um vibrato profundo: brrr-tun-tun-tun-brrr-ta-ta-ta-brrr-tun-tun-tun. Sem qualquer pausa, segue-se de um uivo tenebroso que nos leva a esquecer momentaneamente a comichão: oiiiiiiiiiiiiiiinnnn. O susto faz-me abrir os olhos. Asneira! O túnel é baixo e apertado. A claustrofobia hesita entre a sensação de poço de mina e gaveta de morge. Em compensação o coração dispara em taquicardia incontrolável. Uma voz longínqua e reverberante anuncia uma nova remasterização sonora: zzz-uhmmm-zzz-uhmmm-bahmmm-zzz-bahmmm. Agora é o pé que entra em comichão. O coração insiste em taquicardia. Os pulmões gritam por oxigénio. Ao fundo mantém-se a base binária: tchq-trec-tchq-trec-tchq-trec-tchq... O ritmo avança subitamente para um agressivo compasso em 5x8: bum-bum-tra-bum-bum-tra. E acaba em "grande finale": brrrrroooazzztrtrtrtrnhéeeeeiiiiiii. Agradeço comovido. Os resultados da ressonância magnética estão prontos dia 17.jp





