A polémica das gentes da terra é acesa. Argumentos políticos, outros técnicos, as obras são criticadas ao detalhe. Sempre reaccionários, os locais não vêem o potencial da futura frente ribeirinha lhes poder entrar pelo quintal dentro. A vantagem de saírem de gôndola directos ao “Pingo Doce”. Os empregos criados para arqueólogos alemães e serventes importados directamente da Ucrânia. Preferem reunir-se em tertúlias maldicentes. A verdade é que isto é terra de turismo. Do turismo vivem esses locais, quer queiram, quer não. A Meia-Praia vai ficar estragada? Sem dúvida. Mas ao menos que seja com projectos hoteleiros de qualidade, como os que lá estão a ser implantados. Ou preferiam aquelas urbanizações trapalhonas, cada uma de sua cor, com uma densidade insuportável? Ao menos assim é turista vem, turista vai… e a maioria nem tem carro! E a estrada vai ficar decente, finalmente! O Largo do Infante pareceu-me vir a ter condições para ser a sala de visitas da cidade, após as obras. Sem aqueles cafés abarracados que lá existiam, com mesas amontoadas e serviço demorado. Sem as bancas aciganadas de venda de camisolas do Ronaldo e galos de Barcelos. A Igreja de Santa Maria arranjada e o Edifício da Ribeira dos Touros recuperado. O Mercado de Escravos a merecer uma utilização decente, em vez das exposições inenarráveis que por lá passam. Dois parques de estacionamento com capacidade que retirem o trânsito das ruelas medievais. Há que assumir o que se quer estrategicamente de uma terra. Tudo isso parece estar a ser feito. É claro que para já é só pó e incómodo. Lagos está a mudar. Quando se muda, algo se perde e algo se ganha. Esperemos que o saldo seja positivo!
jp


