22.10.09

S. PEDRO DE VIR-A-CORÇA



No sopé de Monsanto, no barrocal, fica a ermida de S. Pedro de Vir-a-Corça. Neste terreiro realizaram-se, a partir de 1308, as Feiras de Monsanto, autorizadas por Carta outorgado por D. Dinis. Aqui existiria um santuário romano e as lendas associam o local à divina corça, animal mítico para os lusitanos. Estamos assim perante um daqueles sítios onde os antigos sempre sentiram a força telúrica da natureza e nele foram, sucessivamente, construindo locais de culto. Na verdade a força sente-se. O local é mágico. A actual eremida é românica e data do séc. XIII, tendo sido recuperada já no séc. XX. Destaque para a rosácea frontal. Toda a eremida funcionaria como um relógio-marcador de tempo, através da entrada da luz pelas frestas laterais e frontais.

O PENHASCO DE MONSANTO

BRANCO

21.10.09

EPHEDRA - CONCERTO NA COSTA DA CAPARICA

No Sábado 24/10 venham conhecer um espaço novo. O "Live Act Cafe" fica no Hotel da Costa da Caparica, na marginal renovada. A quinze minutos de Lisboa. A antiga discoteca "Cat's" está transformada num clube para música, teatro, happenings. O "Ephedra" toca a partir das 23h com a nova formação. É o nosso primeiro concerto depois da morte do Xico Zé. Quem levar este cartaz impresso tem direito a uma bebida extra (www.myspace.com/ephedralx).

20.10.09

MONSANTO - ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL

Num polémico concurso lançado pelo regime salazarista nos anos 40, Monsanto foi eleita a "Aldeia Mais Portuguesa de Portugal". Ganhou um galo de prata, da autoria de Abel Pereira da Silva, cuja réplica está na Torre do Relógio (ou de Lucano). Com uma inclinação média de 15% só os lusitanos, a quem os romanos davam o interessante nome de pernix lusis ("ágeis lusitanos", daí derivando "perna" que não existe noutras línguas romanizadas), ali conseguem andar como cabritos. Os turistas arrastam-se com garrafinhas de água, bufando para cima e para baixo, esperando que o almoço não seja de granito. As ruas estreitas e encravadas entre penedios, confundem as casas com as rochas na textura mimética do feldspato. Logo em baixo o barrocal. Ao longe a charneca a perder de vista, enquadrada pela monumental Serra da Estrela. Paisagem brutal que nos tira a respiração e também o fôlego.
Interessante como neste ex-libris da Beira e do turismo do centro do país, os armários da EDP (Electicidade de Portugal) e os repartidores de telecomunicações se destacam no granito e quase nos dão choques só de olhar para eles. Interessante como para tirar um fotografia decente se têm de fazer verdadeiras acrobacias para não registar algum cabo pendurado. Eles espalham-se por todo lado tecendo teias eléctricas que rebentam com qualquer enquadramento. Fantásticas as portas e janelas de alumínio que substituíram a madeira e nos gelam o coração. Curiosa a forma como o lixo se acumula, tentando competir com a grandiosidade dos penedos e a poesia das ruas. Aldeia mais portuguesa de Portugal... sem dúvida!

MONSANTO - VISITANTES ILUSTRES



Destaco a última frase, do escritor Saramago, pela originalidade, criatividade e correcta pontuação. Uma frase digna de o elevar aos céus. Eu não consigo dizer mais e melhor em tão pouca escrita. De facto um prodigío.

MONSANTO - A ALDEIA