3.11.09

TURISTA OCIDENTAL - NO PAÍS DOS VÂNDALOS (7)

Foi a época áurea do islão na península. A época da expansão… Depois, novamente a decadência, novamente as divisões: os Reinos das Taifas, a partir de 1031; o império dos Almorávidas, com sede em Marraquexe (1086); os califados Almóadas (1130); e, finalmente, os Nasritas, de Granada, último reduto muçulmano. Em 1492, o adeus árabe à Ibéria!

Voltemos ao nosso passeio…
Manhã. Saída de Córdova. Direcção Guadix (que, estranhamente, se diz Guadi), onde parece que viveram os Trogloditas, em grutas que hoje têm chaminés brancas, número de polícia e código postal. Ficou-me a interrogação: quem seriam estes pobres trogloditas!
Foi muito giro… Só que a seguir, apanhámos com cerca de precisamente 1832 curvas para a direita e 1547 para a esquerda, Serra Nevada acima e abaixo. Três horas e meia mais tarde, à média alucinante de 35 Km/h, chegámos em coma profundo a Mecina Fondales, onde pernoitámos ainda aos SSS.
O vinho do jantar também não ajudou. Um tinto local, ali do Alpujarra, com 13,5 de febre e olhar negro de ardósia. Um verdadeiro purgante que me pôs a cagar cinzento para o resto da semana.
Só para quem não sabe, Alpujarra é a zona Sul da Serra Nevada, onde não se faz sky, virada ao Mediterrâneo, ali à distância de 30Km em linha de vista. Foi o último reduto dos guerrilheiros Nasritas depois da tomada de Granada pelos Reis Católicos. Ali resistiram até cerca de 1610, finalmente derrotados pelos capitães-mor de Filipe II (I de Portugal), no Valle de la Sangre, onde se diz que, depois da batalha, o sangue dos cristãos subia e o dos mouros descia, sem nunca se misturarem. Vasselássaber, digo eu outra vez!
Na imagem Guadix.
(a continuar)

2.11.09

MOSTEIRO DA BATALHA



O Convento de Santa Maria da Vitória (Mosteiro da Batalha) é dominicano e foi mandado construir por D. João I para agradecer à Virgem Maria a vitória em Aljubarrota, batalha que garantiu a independência sobre a Espanha. A sua construção começou em 1386 e terminou em 1517, ao longo dos reinados de sete reis. Estilo gótico tardio e manuelino, é Património Mundial da UNESCO. Continua inacabada, como, aliás, todo o Portugal.

TURISTA OCIDENTAL - NO PAÍS DOS VÂNDALOS (6)

Todos os Omíadas do mundo islâmico convergiram rapidamente para o al-Andalus. A pouco e pouco, os califas Abássidas da distante Bagdade deixaram de ser citados nas orações de sexta-feira… O emir pretendia estabelecer-se como governador independente!
Mas tudo é cíclico… Tudo é fugaz. O poder foi-se descentralizando, caindo nas mãos das famílias poderosas. O separatismo regional emergiu. O poder de facto passou para uma espécie de feudalismo islâmico, dominado pelos barões locais. Estaria o projecto omíada destinado a desaparecer, antes mesmo de viver o seu apogeu?
Não! Eis que em 16 de Outubro de 912, Abd al-Rahman n. Muhammad n. Abd Allah sucedeu no trono do “Emirato Omíada”. Seria o futuro Califa Abd al-Rahman III. O Islão pela primeira vez teria dois Califas.
Quando subiu ao trono, o seu poder estava praticamente confinado às fronteiras da cidade. Consegue novamente centralizar o poder, dominando paulatinamente os suseranos locais e integrando-os no seu novo governo. Introduziu a “jihad” (guerra santa) contra os cristãos, não tanto para os vencer, mas para se afirmar como governante legítimo de todos os muçulmanos do al-Andalus. Em 929, recebeu o título de “Comendador dos Crentes” ou Califa.
Por isso, quando forem a Córdova não sejam forretas. Comprem um bustozinho do Abd al-Rahman III, que podem encontrar em qualquer esquina, a preços de conveniência. Levem-no para casa e coloquem-no piedosamente na mesinha de cabeceira. Mal não faz e sempre nos pode proteger de qualquer “jihad”.
Na imagem, estátua de Abderramão, em Almuñécar (Espanha)
(a continuar)

CINEMATECA - À ESPERA DE UM MUSEU




Fotografias tiradas à má fila do acervo da Cinemateca Nacional. Continuamos à espera do Museu.

1.11.09

ALARME DEMOCRÁTICO

A proliferação de escândalos de corrupção e tráfico de influências em Portugal é assustador. Numa sucessão imparável, a Polícia Judiciária vai descobrindo todas as semanas casos de figuras públicas, gestores e políticos, em redes tentaculares de terrorismo institucional. A democracia está em perigo. Os cidadãos começam a não saber em quem confiar. Os honestos são a excepção, mas o povo não sabe quem são. De facto o verdadeiro problema está na descoberta e divulgação destes casos que abrem e fecham os telejornais. O que verdadeiramente assusta é o conhecimento das situações. Uma sensação de que tudo e todos metem a mão na massa. Se não soubessemos de nada, não andavamos preocupados. A culpa é, fundamentalmente, da Polícia Judiciária que, no seu afã investigador, está a dar cabo do regime. Ainda por cima, como os tribunais não funcionam e ainda vão funcionar pior porque a Judiciária vai descobrindo cada vez mais casos, a impunidade mantém-se e a regeneração política vem com nomeações na OCDE, na UE ou noutro desterro dourado. Em resumo, só há uma solução: acabar com a Polícia Judiciária, culpada de excesso de zelo e de lançar o alarmismo sobre cidadãos que apenas querem ver telenovelas e futebol sossegadamente.

TURISTA OCIDENTAL - NO PAÍS DOS VÂNDALOS (5)

Depois da profundidade desta reflexão, só mesmo um “tablao”, para desanuviar…
Mas antes, tropeçámos, numa grande tasca: a “Taberna Salinas”. Vejam-me só a ementa: puntillitas; sangre encebollada; rabo de toro; garbanzo com manitas; setas revueltas com salmon; berenjenas rillas; naranjas “picas” com bacalau e aceite… obviamente, antecedido de um "penalty" de gaspacho, para abrir o apetite. Piquei de tudo: 3.500 Ptas, tinto incluído… Imperdível!
Já o “tablao”… Depois de muita palma, pontapé e gritos, vou ali e já venho. Gritam bem, mas não me alegram. Vândalos!
Mas a noite não foi totalmente perdida. Olho à minha volta e vejo o omnipresente busto de Abd-al Rahman III sobrepujando tudo e todos, o que também não admira. Ele foi o primeiro Califa das Espanhas. Autonomizou definitivamente o poder… Ocidentalizou o Islão!
Estamos em Damasco. Estamos em 747, em pleno califado Omíada…
Os membros da família dos Omíadas pertenciam à tribo do profeta, os Quraysh, e eram primos afastados do próprio Maomé. Depois da conquista da Síria e do assassínio de Ali, genro do profeta e seu putativo descendente, os Omíadas tornaram-se califas. Com sede em Damasco dominaram todo o mundo islâmico durante meio século.
Embora primos, estes Omíadas nunca tinham sido grandes amigos do profeta e o assassinato de Ali não ajudou nada… A bem dizer, ainda hoje desajuda e muito. De facto, com esse assassínio, consolidou-se a divergência entre Sunitas, defensores da suna ou costume, e Xiitas ou legitimistas (à letra: o partido de Ali).
A eterna rivalidade entre os que contestavam a família Omíada, degenerou numa sublevação generalizada. Em 747 dá-se a revolução Abássida que afasta os Omíadas do poder e transfere a sede do califado para Bagdade.
Os Omíadas são quase todos dizimados, como manda a lógica e os bons costumes. Entre os poucos que se safam está o nosso pequenito Abd al-Rahman n. Muawiya, neto do Califa.
No Outono de 755, depois de mais de cinco anos em fuga por todo o Norte de África, Abd al-Rahman passa o “Estreito”, forma um exército com apoiantes omíadas e iemenitas e marcha sobre Córdova, onde é proclamado emir, em 14 de Maio de 756, uma sexta-feira!
Razão tinham Musa e Tariq ao dar a esta família porto seguro aqui nas Espanhas. Falta de visão tinha o tetravô de Abd al-Rahman, al-Malik ao repreendê-los pela diletante conquista.
(a continuar)

TV RURAL NA CAPARICA






De cima para baixo: Vasco Viana; David Santos; Gonçalo; David Jacinto; João Pinheiro.