18.11.09

CARETOS - I

Nos tempos pré-romanos, a região de Trás-os-Montes, no nordeste de Portugal, terá sido habitada pelos vacceos (de origem asturiana), vizinhos dos celtiberos a oriente e dos galaicos a ocidente. Tal como todos os outros povos autóctones, os vacceos acabariam celtizados. Bragança, capital de Trás-os-Montes, deriva de Brigantia, teónimo celta. O espírito comunitário dos vacceos é ancestral e destacado pelo historiador Diodoro. A cultura transmontana é fértil em tradições mítico-religiosas de origem arcaica. Destaca-se o culto o pão, da água e, sobretudo, do fogo, com presença obrigatória nas Fogueiras do Galo, no Natal.
Na época do Natal em que as pessoas estão recolhidas a trocar presentes, nas aldeias transmontanas o povo sai à rua, debaixo de temperaturas quase sempre negativas, dispõe-se em círculo à volta as fogueiras. Os jovens organizam-se, mascaram-se e ritualizam o caos que antecede a nova ordem cósmica – o Ano Novo - e começam a povoar a aldeia com “demónios” e figuras solsticiais.
Os rituais Solsticiais ocorrem nos doze dias que vão do Natal ao Dia de Reis. Vive-se o espírito das Saturnais, em Roma, que decorriam a partir de 17 de Dezembro, integrando, simultaneamente, ritos guerreiros e solares de fundo muito arcaico.
O Solstício de Verão marca o apogeu do visível, da Luz. Seis meses depois, surge o momento dramático: a noite aumentou e o reino as trevas parece tragar por completo o dia. No dia do Solstício de Inverno, porém, o Sol reage e começa, progressivamente, a manifestar-se aumentando os dias. A Luz venceu as Trevas. Por isso, este dia corresponde à data de nascimento dos grandes deuses solares: Agni; Horus; Mithra. Mas esta vitória passa-se no mundo oculto, por isso sempre foi motivo de rituais de cunho esotérico que estabelecem a ligação entre o mundo invisível, onde vivem os antepassados e os deuses, e o mundo visível, onde vivem os homens.
Com a ajuda bibliográfica de Paulo Alexandre Loução, vamos, em próximos posts, percorrer algumas dessas tradições, que ainda hoje ocorrem em Trás-os-Montes. As fotografias foram tiradas por mim, num momento de rara oportunidade.
(a continuar)

UMA POR DIA - PORTUGUESES

TURISTA OCIDENTAL - COMPOSTELA (3)

Paragem obrigatória em Baiona, onde “os primos do Porto” têm estacionado um iate, na respectiva marina. Como o mar não estava de feição e eu tenho a mania que enjoo, limitámo-nos a gastar um pouco de fuel na Ria de Vigo. Nem tivemos coragem para enfrentar as ilhas de Cíes que se avistavam logo à entrada da ria como três naves pétreas viradas ao oceano, por entre vagas alterosas de cerca de meio metro de altura.
A título de curiosidade, diga-se que em 1493 chegou a Baiona a caravela A Pinta, sob ordens de Pinzón e pilotada pelo galego Sarmento. Foi a primeira cidade europeia a ter conhecimento do achamento do Novo Mundo. No porto, está uma réplica comemorativa desse afortunado acaso naval.
Baiona chamava-se Erizana até ao tempo do rei Afonso VII e durante a Idade Média teve vida agitada, dada sua posição estratégica, com o seu porto fechado e defendido pelo Monte Ferro e as ilhotas Serralleiras e as Estelas. Nele chegou a estar concentrada uma frota para combater os piratas ingleses, comandados por Francis Drake, que não cessavam de atacar as costas galegas.
Destaque para a fortaleza Monterreal, situada no Monte do Boi, datando a sua actual construção do séc. XVI, já que o castelo anterior foi arrasado em 997 por Almansor. No seu interior, encontra-se hoje o Parador Conde de Gondomar, onde se dorme bastante melhor que no sufocante iate “dos primos”.
(a continuar)

UM DIA COM SENTIDO - DE I A X

Estação de Oeiras. Dia frio. A chuva parou. Hoje vamos ver o Palácio Pombal, em Lisboa, onde vai ser lançado o livro "Roberto Barbosa - Um Olhar de Fogo", a 11 de Dezembro. Vamos ver o local, as salas, distribuir as últimas tarefas. Vou de comboio que carro na "baixa" é complicado. Vejam as surpresas que uma simples deslocação nos pode proporcionar. Os momentos de beleza, prazer e convívio. Vejam...

UM DIA COM SENTIDO - II



À saída do comboio, no Cais do Sodré, somos surprendidos por bandos de estorninhos. Milhares de aves em movimentos delirantes, comandados por uma ordem imperceptível, entontecem o céu em manobras acrobáticas. São bandos em migração que agora procuram poiso para anoitecer...

UM DIA COM SENTIDO - III


E o Sol fugia pelo mar fora, deixando Lisboa sonhar a noite...

UM DIA COM SENTIDO - IV

À entrada do Palácio Pombal espera-nos a estátua de Eça de Queiroz voando "nas asas diáfanas do desejo"...