3.12.09
TURISTA OCIDENTAL - COMPOSTELA (18)
Voltando a Compostela…O negócio estava montado. Faltava programar as excursões e construir infra-estruturas de acolhimento. Fundamental era ter um bom patrocinador. Carlos Magno não podia ser melhor!
A coisa chegou-lhe aos ouvidos no seu palácio de Aquisgrão. Santiago apareceu-lhe em sonhos, explicando o simbolismo da Via Láctea e recomendando que a seguisse para venerar as suas relíquias, libertando, simultaneamente, os caminhos do domínio sarraceno. O Imperador não hesita e vai por duas vezes a Compostela, dando origem à “peregrinação” e inaugurando oficialmente o chamado “Caminho Francês”.
Entre os séculos XI e XIII, mais de meio milhão de peregrinos vão até lá, dando à cidade uma importância que ela não tinha, passando a competir directa e ostensivamente com Braga que hoje não passa da cidade dos arcebispos.
Já agora e só por curiosidade, fiquem sabendo que, como explica Dante no “Vita Nuova”, peregrino, em sentido estricto, é o viajante para Compostela; romeiro, o que vai a Roma; palmeiro, o que se estafa até Jerusalém.
Na imagem, Carlos Magno retratado por Durer
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2.12.09
TURISTA OCIDENTAL - COMPOSTELA (17)
Ainda hoje se pode testemunhar esta saga épica no dia de Corpo e Deus, na vila de Monção, no Alto Minho, na deliciosa representação de S. Jorge e da Coca.
A Coca é uma espécie de lagarto-dragão com rodinhas, que vários homens empurram contra um único Cavaleiro de elmo e espada. A Coca representa o Mal. O Cavaleiro, o Bem. O Bem triunfa quando a espada de S. Jorge corta uma orelha à Coca. O Mal ganha se o cavalo e cavaleiro são derrubados. Não sei se há estatísticas…
Mas Santiago continuou a ter muita força. Mesmo com outro padroeiro o certo é que, seiscentos anos após a imposição de S. Jorge por tratado internacional, a mais alta condecoração nacional ainda continua a ser a “Comenda de Santiago e Espada”, hoje com carácter civilista e que distingue o mérito literário, científico e artístico.
Na imagem, a representação folclórica de S. Jorge e da Coca, em Monção.
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1.12.09
TURISTA OCIDENTAL - COMPOSTELA (16)
O monumento vai ficar abandonado durante séculos, até que, por volta de 813, o eremita Pelayo, um especialista de marketing e homem de grande visão estratégica que por ali andava, alegadamente a pregar aos visigodos, “redescobre” o túmulo no meio do bosque!Avisa de imediato o bispo, cujo avisa Afonso II, o Casto, rei das Astúrias e todos se precipitam com grande júbilo para o local. Encontram três sepulturas, com os ossos todos à molhada. Mesmo sem qualquer perícia forense, de imediato decidem ser o santo e seus discípulos, não pondo sequer a hipótese de ser também a própria rainha Lupa!
Para completar o golpe publicitário, logo em 844, na batalha de Clavijo, Santiago, montado no seu inseparável cavalo branco, aparece a combater ao lado de Ramiro I contra os muçulmanos, tendo os “infiéis” sido, definitivamente, impedidos de progredir para norte.
Santiago aparece, depois, nas batalhas de Simancas e Ourique (em Portugal). Sempre que era preciso transformar o assassínio em “guerra justa”, lá estava o santo para abençoar. Santiago torna-se, com naturalidade, no padroeiro das Espanhas.
Na imagem, Santiago Mata-Mouros.
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