3.1.10
TURISTA OCIDENTAL - DE LISBOA A SINTRA: UMA PERSPECTIVA SALOIA (12)
Vamos deslizando Rua da Saudade abaixo. As escavações do Teatro Romano continuam e prometem demorar mais que o império. Construído no sec. I a.C., na época do imperador Octávio e reconstruído em 57d.C., estava Nero no poder. Pedras ocres amontoadas, de que só os arqueólogos sabem o significado.Lá ao fundo, a Sé. A igreja ergue-se sobre a antiga Mesquita de Lisboa, uma mesquita de cinco naves, em tempos vermelha. No seu estilo romano-gótico, a Sé é um dos baluartes que resistiu à derrocada do terramoto de 1755, embora o claustro tenha ficado uma desgraça.
Entremos decididamente pelo nártex, passando a fachada normanda sobrepujada por duas torres laterais amuralhadas e confrontadas com um corpo central rasgado pelo arco de acesso ao portal principal, coroado por ampla rosácea, em direcção ao transepto. Luz baça, quase inexistente, que nos leva à introspecção divina.
Percorram as nove capelas ogivais do deambulatório, dedicadas a São Vicente pelo rei Afonso IV. Lá fora, na penumbra do claustro arruinado, acumulam-se cisternas mouras, túmulos visigóticos e banhos romanos, embora nunca se perceba de quem era o quê. Aliás, que importa... tudo isto é fado!
(a continuar)
2.1.10
TURISTA OCIDENTAL - DE LISBOA A SINTRA: UMA PERSPECTIVA SALOIA (11)
O núcleo central do Castelo de São Jorge, o castelejo, assenta na antiga construção mourisca que Afonso Henriques tomou em 1147, quando Lisboa era Ashbouna, capital do Alto Gharb. É um polígono quandrangular com muralhas de dez metros e uma dezena de torres. Do lado noroeste, a muralha prolonga-se num esporão que desce a encosta até à Torre de São Lourenço, cuja base se apoia na Rua Costa do Castelo.Como dizia Jaime Cortesão, nas Páginas Olissiponenses: “... De todos os pontos do Castelo se desfruta um panorama empolgante... Desde o extremo leste, sobre o rio, seguindo para norte, a cidade é cercada por uma série de eminências. Na primeira, à direita alveja São Vicente, mole enorme coroada por duas torres... Sobre a esquerda, erguem-se depois em acastelamentos cerrados de pequenos prédios, os altos da Graça e essa linha de cimos e daí a Campolide cava-se uma funda depressão onde o olhar se abisma. Em baixo, uma toalha revolta de telhados, dum tom queimado de tijolo, encardido do tempo, e sulcado pelo labirinto das ruelas íngremes... Seguindo depois para o poente da cidade eleva-se de novo, o olhar repousa na vasta massa verde-escura do Jardim Botânico, abraça ao longe a silhueta oblonga do Palácio da Ajuda. Voltando agora os olhos para o vale, avista-se, por uma larga brecha, o tabuleiro do Rossio com a coluna alva e o bronze da estátua de D. Pedro. Um pouco para a esquerda, a ábside do Carmo, erguida a prumo dum tom de ossada lívida e, à direita, retalhando o tumulto escuro da cidade, a longa fita verde da Avenida...
Da Baixa Pombalina apertada entre montes, na direita, a velha e pitoresca Alfama que se desmancha encosta abaixo, fecha-se a curva panorâmica com que a cidade ondeia em torno do Castelo... Mas para lá deste tumulto de formas e de cores, rasga-se em frente a enseada azul do Tejo, tão ampla e tamisada de tons que funde tudo o mais em seu esplendor e vastidão...”
(a continuar)
1.1.10
TURISTA OCIDENTAL - DE LISBOA A SINTRA: UMA PERSPECTIVA SALOIA (10)
O núcleo central do Castelo de São Jorge, o castelejo, assenta na antiga construção mourisca que Afonso Henriques tomou em 1147, quando Lisboa era Ashbouna, capital do Alto Gharb. É um polígono quandrangular com muralhas de dez metros e uma dezena de torres. Do lado noroeste, a muralha prolonga-se num esporão que desce a encosta até à Torre de São Lourenço, cuja base se apoia na Rua Costa do Castelo.Como dizia Jaime Cortesão, nas Páginas Olissiponenses: “... De todos os pontos do Castelo se desfruta um panorama empolgante... Desde o extremo leste, sobre o rio, seguindo para norte, a cidade é cercada por uma série de eminências. Na primeira, à direita alveja São Vicente, mole enorme coroada por duas torres... Sobre a esquerda, erguem-se depois em acastelamentos cerrados de pequenos prédios, os altos da Graça e essa linha de cimos e daí a Campolide cava-se uma funda depressão onde o olhar se abisma. Em baixo, uma toalha revolta de telhados, dum tom queimado de tijolo, encardido do tempo, e sulcado pelo labirinto das ruelas íngremes... Seguindo depois para o poente da cidade eleva-se de novo, o olhar repousa na vasta massa verde-escura do Jardim Botânico, abraça ao longe a silhueta oblonga do Palácio da Ajuda. Voltando agora os olhos para o vale, avista-se, por uma larga brecha, o tabuleiro do Rossio com a coluna alva e o bronze da estátua de D. Pedro. Um pouco para a esquerda, a ábside do Carmo, erguida a prumo dum tom de ossada lívida e, à direita, retalhando o tumulto escuro da cidade, a longa fita verde da Avenida...
Da Baixa Pombalina apertada entre montes, na direita, a velha e pitoresca Alfama que se desmancha encosta abaixo, fecha-se a curva panorâmica com que a cidade ondeia em torno do Castelo... Mas para lá deste tumulto de formas e de cores, rasga-se em frente a enseada azul do Tejo, tão ampla e tamisada de tons que funde tudo o mais em seu esplendor e vastidão...”
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