17.4.12

25 DE ABRIL - VII

Em Setembro Spínola convenceu-se que o povo era basicamente conservador. Convocou uma manifestação. Queria ser aclamado Presidente pela multidão. O MFA impediu. Os reaccionários são presos. Spínola demite-se. Costa Gomes sucede-lhe. A revolução dá um “salto em frente”. O 25 de Abril foi reescrito, para consolidar a “aliança Povo-MFA”. A revolução passaria ser uma “revolução de capitães”, logo uma “revolução popular”. A confusão política era total. O MFA liderava, divido em múltiplos órgãos, formais e informais. Ao mesmo tempo surgiram cerca de 50 partidos. O processo de democratização transformou-se em processo revolucionário, acompanhado da tentativa de tomada de poder antes das eleições para a Assembleia Constituinte, marcadas para Abril de 1975. Spínola, sempre ele, resolve, de novo intervir. É o “11 de Março”. Uma tentativa de golpe militar a partir de Tancos. Os militares golpistas e os militares revolucionários acabam a parlamentar no meio da rua, em directo para a televisão. Concluem estarem todos a ser enganados pelos respectivos chefes. A revolução deu novo “salto em frente”. Surge o PREC (Processo Revolucionário Em Curso). Nesse “Verão Quente” de 1975, Portugal esteve à beira do comunismo. Foram nacionalizadas 244 empresas. Todos os bancos. As seguradoras. Empresas de transportes, de energia, de cimentos, de celulose. A “reforma agrária” estabeleceu a “Zona de Intervenção”. Foram ocupadas 3111 herdades, equivalentes a 19% da área cultivada nacional. Muita gente fugiu para Espanha e Brasil.

REPÚBLICA BOLIVERIANA DA ARGENTINA

16.4.12

25 DE ABRIL - VI

 Os tanques tinham um ar gigantesco nas ruas da Baixa de Lisboa. Ninguém percebia bem o que se passava. “O que queriam eles?”. Retrospectivamente falou-se da “revolução popular”. Mas, no dia 25 de Abril não foi o povo que determinou os acontecimentos, mas o fracasso do regime. No primeiro momento Spínola apareceu ao leme. Presidente de uma Junta de Salvação Nacional, feita exclusivamente de militares. Acabara o Estado Novo. Liberdade. Partidos políticos. Mário Soares. Álvaro Cunhal. Sá Carneiro. Mas, a verdade é que os generais comandavam. Logo em Maio de 1974, 42 dos 85 oficiais-generais passam à reserva. A hierarquia militar fica na mão de Spínola. Em breve seria ultrapassado pelos acontecimentos. Greves, manifestações, agitação permanente. A extrema-esquerda toma conta das ruas. Golpes. Contra-golpes. Tentativas “bonapartistas”. Spínola perde terreno. O Movimento das Forças Armadas ressurge pela mão de Vasco Gonçalves e Melo Antunes. A necessidade de acabar com a guerra de África é uma prioridade. A descolonização foi uma trapalhada. Uma entrega. Uma demissão. Ausência de estratégia. Falta de comando político. Ninguém sabia o que queria. Todos queriam voltar a página. As colónias foram entregues ao desbarato. Os Movimentos de Libertação tomaram posse dos territórios. Com excepção de Cabo Verde, não houve eleições. A debandada dos colonos começou de imediato. No Verão de 1975 montou-se a maior operação de evacuação da História. Meio milhão de portugueses residentes no Ultramar, regressou a Portugal. Muitos “retornados” vieram em situação precária. Verdadeiros refugiados dentro do seu próprio país. A sua integração, porém, correu melhor do que o previsto. Das colónias restou Macau, que a China não quis receber imediatamente, e Timor, entretanto ocupada pela Indonésia. Uma causa diplomática que só se resolveria em 2002, com a independência.

DAMIEN HIRST - O PALHAÇO RICO

Em 25 anos, Hirst passou de jovem artista fala-barato a marca global, tornado-se o artista vivo mais rico do mundo (um artista rico-morto é pouco provável, mas vocês entendem). Na Tate Modern, em Londres, local onde Hirst dizia que só expunham artistas mortos, inaugurou a sua primeira retrospectiva.

NO WHERE

NINHO DE MELRO



Em frente da minha casa um ninho de melro. Não está muito alto e vê-se bem. Vamos tentar seguir a história. O melro é que já está chateado...

15.4.12

FUMAR - UMA QUESTÃO DE CIDADANIA

Não sei se fumar mata. Mas que chateia não tenho dúvidas. Um dos problemas dos fumadores é acharem que têm direitos. Direitos adquiridos, ainda por cima. Não lhes passa pela cabeça que, para um não-fumador, a simples visão de um cigarro afugenta o contacto. Que o cheiro do fumo é veneno puro. Um absurdo. A lei tem-se preocupado, essencialmente, com a saúde pública. E aqui concordo que existe uma enorme hipocrisia. O Estado que suporta a despesas de saúde pelo tratamento do tabagismo é o mesmo Estado que cobra 80% nos impostos num maço de cigarros. Hipocrisia pura! Coisa diferente é o incómodo brutal que o tabaco provoca em quem circula na rua, nos jardins, nos passeios. Nunca entendi porque proibiram o tabaco em recintos fechados e continuam a permitir na rua. O espaço público é de todos. Só vou a casa de quem fuma se quiser. Só vou a bares de fumadores se quiser. Agora na rua tenho de andar. Fumar devia ser absolutamente probido ao ar livre. Dentro das casas é com cada um. Um problema que não me diz respeito. Fumar é, mais do que um problema de saúde pública, uma questão de cidadania.