4.6.13

JUNHO NA ALEMANHA

Ouvi dizer que alguém ia passar férias a Berlim. Quem será o louco?

3.6.13

JUNHO EM LISBOA




DEPOIS DA MORTE

E depois há outra coisa. Suponhamos, por mero exercício intelectual, que a gente morre mesmo. Coloca-se, então, aquela questão chata do enterro. Vem logo o cara da funerária com um data de opções.  Um catálogo de caixões em pinho, mogno, sicupira, pau de Cabinda... Os preços, os rebites, os dourados. O forro branco ou escalate. Entram coroas de assucenas que enjoam mortos e vivos. Mas a dúvida está em sermos queimados ou apenas apodrecidos. Aqueles dois dias de exposição pública são o resto da vida que nos dão. Um extra. Um bónus para curtir o derradeiro adeus com os amigos. Estamos ali para que nos toquem debaixo do paninho; digam, "coitadinho era bom rapaz"; "estava tão bem, ainda ontem o vi"; "ainda tinha tanto para dar"... Pois é,  mas temos de decidir rápido. Ou somos enterrados ou somos incinerados. No primeiro caso seremos venerados numa campa. Ficamos para lá à espera que as larvas acabem de limpar o tutano, por séculos e séculos, até, finalmente, podermos ser considerados um esqueleto digno de estudo. Mas são poucos a atingir esta fama. A maioria desfaz em pó. Nada que entusiasme muito. A hipótese de incineração, porém, mete medo ao susto. Exposição a altíssimas temperaturas. Entramos lá dentro. Para dentro de uma fornalha a mais de 1000 graus. Entramos vestidos e tudo. Sai uma massa cinzenta, pequenina, ainda quente, metida na urna dourada. Já não se distinguem as pernas, nem a cabeça, nada. O problema, depois, é o que fazer com ela. Deita-se ao mar? Espalha-se ao vento? Deixa-se ficar no armário ou debaixo da cama? Por cima da televisão? A verdade é que neste caso tem de se tomar uma iniciativa, no outro caso não, a natureza resolve. Mas o que ressalta e irrita é não haver mais alternativas comerciais. Sei lá, dar o corpo a comer aos leões. Atirá-lo aos jacarés. Comê-lo estufado com cebolas. Metê-lo no gelo por cinco mil anos. Despachá-lo para Marte. Assim a opção seria maior e o cliente não tinha tanta paranóia.

2.6.13

MORRER É DEIXAR DE SER VISTO

À medida que se aproxima a idade de morrer interrogo-me qual a melhor forma de o fazer. Um acidente?  Muito traumático. Um carro esmagado. Pernas e braços partidos. Fracturas expostas. Ambulâncias uivando. Ruído ensurdecedor. Urgências hospitalares. Sangue e transfusões... Um ataque bombista? Bem sei que está muito na moda, mas não me apetece nada ficar todo esparramado no chão oleoso, o olho esquerdo a rebolar no alcatrão encardido, a mão direita decepada espezinhada por pés descalços na fuga caótica, metade do cérebro derramado nos intestinos de um qualquer desconhecido... Dentro da chamada "morte natural" temos, basicamente, a morte súbita e a morte por doença prolongada. E aqui a  escolha é verdadeiramente complicada. A morte súbita é demasiado súbita. Sem pré-aviso. Dramática. Num segundo estamos cá. Noutro estamos lá. Caímos redondos sem dar por coisa alguma. Talvez não se chegue a sofrer. A ideia até parece interessante, mas na prática é revoltante. Não temos tempo para nada. Ficam imensas coisas por fazer. Sem tempo para testamento. Família e amigos ficam em choque. Não nos chegamos a habituar à ideia. Tem-se a sensação de falhanço. Um motor que se recusa a trabalhar. Um defeito de fábrica... A doença prolongada trás o sofrimento. A deterioração física. O incómodo das camas articuladas. Das cadeiras de rodas. Cirurgias inúteis. Tubos, cateteres e soro. Máquinas respiratórias e ressonâncias magnéticas. Remédios sem fim. Pânico permanente. Enfermeiros por turnos e médicos infinitos. Mas ainda podemos ter uns meses de vida. Uma esperança mirifica. Um devaneio clínico. Ainda podemos falar derradeiramente com os amigos que tiverem a coragem de nos visitar. Prolongar a vida em últimas vontades diletantes. Matar saudades de tudo o que ficou por fazer... A dúvida instala-se. E fico sem saber. Ainda bem que não tenho de escolher. Se não ficaria eternamente hesitante e acabaria por ir adiando a morte até dia de São Nunca à Tarde.

1.6.13

TÓCANDAR EM TOURNÉE - CHAVES

Um pouco mais velhos, lá vamos cantando e rindo. Desta vez foi em Chaves, com intervalos curtos entre refeições para ver castelos e pedras, igrejas e barragens. A verdade é que apenas em três dias estivemos em Chaves, Monforte, Montalegre, Boticas,Vidago, Verin e Monterei (Galiza) e ainda acabámos a almoçar em Moreira de Cónegos, perto de Guimarães. Tudo visto e considerado, recomendo os restaurantes "Sol e Chuva", em Pisões, e "Pirâmide do Egipto", em Moreira de Cónegos. O resto é tudo à base de granito, que não se recomenda para quem tem problemas digestivos.

CHAPÉU