6.9.13

CANDIDATO A NENHURES


 
Anuncio em primeira mão que vou ser candidato ao município de Nenhures. Nenhures é uma povoação simpática que fica na fronteira de coisa nenhuma, entre quase nada e muito pouco. A vila é habitada pela tribo dos Ninguém. Os Ninguém adoram fazer nada, dizer mal de tudo e querem continuar assim para todo o sempre.
Comecei por lhes dizer que a data das eleições não me dava de todo jeito porque já tinha quiroprático marcado para esse dia. Insistiram. Invoquei, então, o meu baixo nível cultural e até alguma iliteracia. A falta de experiência em “gamar” a coisa pública. A ausência de vontade em aceitar subornos. A dificuldade no tráfico de influências. Cheguei mesmo a refugiar-me nas três multas de estacionamento e num excesso de velocidade que, embora já prescritas, podiam eticamente comprometer. Nada. Lembrei-me que em puto tinha fumado uns charros. Acharam que só dava experiência para lidar com a juventude. Onde eu via defeitos eles viam qualidades. Fizeram um abaixo-assinado. Consideraram que ser magro, quase careca e usar óculos eram requisitos bastantes para a minha candidatura. Acabei por aceitar à falta de argumentos decisivos.
Anuncio, pois, formalmente a minha candidatura a Nenhures. Vai ser uma campanha totalmente electrónica. Não tenho pachorra para comícios, muito menos para febras com batatas fritas e bacalhau com natas. Detesto inaugurações. Abomino procissões. Odeio charangas e bandas populares. O meu lema será “Eu Voto Em Mim”. As minhas propostas serão avassaladoramente irrelevantes. Desafio a que outros façam o mesmo e no fim vamos a votos e que ganhe o pior. Quero as vossas opiniões, as vossas críticas, os vossos anseios. Nada será tido em conta, mas pelo menos desabafam. Votem em mim que eu também não.

AUTÁRQUICAS

Em Portugal estamos a entrar no período de campanha para as eleições autárquicas, que se realizarão a 29 de Setembro. Vou apresentar amanhã a minha recandidatura a Nenhures, usando exactamente os  mesmos argumentos de há quatro anos. Vamos ver se desta vez tenho mais sorte. 

4.9.13

DEUS É INCONSTITUCIONAL


Eu que não me confesso sinto-me invadido. Deus escuta-me. E parece que me escuta por todo o lado. Ao virar da esquina. Deitado na cama. Na casa de banho. Nos mais íntimos momentos da minha insalubre existência. Será legal? Primeiro eram as Finanças... Depois a Procuradoria... Chegou a suspeitar-se do Governo. Há quem diga que são os Estado Unidos. Mas não. É Deus! Deus quer saber tudo. Estar em todo o lado. Uma obsessão omnipresente que gera uma ubiquidade promíscua. Um dom duvidoso que pode ser criminalizado. Deus é inconstitucional. Não pode escutar sem mandato judicial. Vou recorrer.
Mais um post antigo para recordar...

3.9.13

POEMÍNIMOS - EDUARDO LUNARDELLI

Receber um livro de um amigo, mais que um prazer é uma expectativa. "Poemínimos" tem o mínimo de palavras para o máximo de poesia. Um livro de emoções em que a rima acontece sem querer. Sensual, sexual, pessoal, irónico. Desabafos e ânsias. Desejos e angústias. Sarcasmos e verdades. Um livro exclusivo. São flashes que o autor se apressa a  passar ao papel. Uma escrita quase automática sem revisão. E, se num caso ou noutro, uma segunda leitura poderia aperfeiçoar a ideia, na maioria dos casos é precisamente a espontaneidade que lhe dá força. Eduardo procura nos seus três últimos livros líricos uma forma nova de dissertação poética. E cada vez resulta mais comprimido. Mais minimalista. Mais absorvente, como se fosse a busca de um mantra ainda por inventar. Neste terceiro livro, Eduardo Lunardelli está à beira de o conseguir. Descreve o que pensa sem compromissos com o leitor. E o leitor, ao ler, compromete-se consigo próprio. Nada mais se exige. A forma é cada vez mais despojada. E se a mensagem penetra é porque tem mesmo de penetrar. É um livro esteticamente perfeito e inovador. Fácil de transportar. Um livro de bolso, no melhor sentido de intimidade literária. Talvez por isso Eduardo confesse:

Agora quero um livro leve
não precisa ser grosso e pesado
não precisa parar de pé
Deve ficar deitado
ao lado da cabeceira da cama
...
Agora quero um livro breve
para ser lido e anotado
páginas marcadas e texto grifado
Deve ficar deitado
anotado
grifado
Um livro simples
mas desejado

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2.9.13

SÍRIA - UM POUCO DE HISTÓRIA

A Síria, que na Antiguidade incluía também a Mesopotâmia (actual Iraque) e o Líbano, foi sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos.
Entre os séculos XII e VII  a.C., desenvolveu-se, na parte central de seu litoral, a Civilização Cananéia, conhecida, mais tarde, pelos gregos como Civilização Fenícia e que foi a primeira civilização mercantil do planeta e a origem daquilo a que se convencionou chamar de Civilização Ocidental.
Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323  a.C., o vasto Império formado por aquele conquistador foi dividido. A Síria tornou-se o centro do Império Selêucida, assim denominado por ser inicialmente chefiado por Seleuco, que fora um general de Alexandre. Um Império que se estendia até o oeste da Índia. Posteriormente, após as "guerras púnicas", a região passou a ser uma província do Império Romano, que já não incluía a parte oriental do antigo Império Selêucida, então dominada pelos partos (da região iraniana).
Em 636 d.C., o domínio da região passou do Império Bizantino para os árabes, liderados pelo califa Omar. Damasco passou a ser a capital do mais poderoso império da época, o Califado Omíada, que em 750 se transfere para Córdova (Espanha), acossado pelos Abássidas.
No século XI, no período das Cruzadas, a região é tomada  por uma pequena força cristã, uma ocupação que durou quase 200 anos.
Em 1175, Salah Al Din (Saladino) unifica o Egipto, Síria e Iraque, e estabelece capital novamente em Damasco.
No século XVI, a região passou a ser uma província do Império Otomano. Mas, em 1831, o quediva do Egito, Mehemet Ali, conquistou a região. Em 1840, a região voltou ao controle do Império Otomano, que permitiu a instalação de missões e escolas cristãs subsidiados pelos europeus.
Em 1858 começou o conflito entre maronitas (cristãos), drusos e muçulmanos, conflito que culminou com os chamados massacres de Junho de 1860. Um mês depois tropas francesas desembarcaram em Beirute para proteger os cristãos.
Essa intervenção forçou o Império Otomano a criar uma província separada, o "Pequeno Líbano", que deveria ser governado por um cristão nomeado pelo sultão otomano e aprovado pelas potências europeias.
Depois da queda do Império Otomano durante a primeira guerra mundial, a Síria foi administrada pela França até a independência em 1946, data em que a ONU ordenou a retirada das forças europeias e determinou o fim do domínio francês na região.
Em 1958, a Síria e o Egipto iniciaram uma experiência de unificação política por meio da  República Árabe Unida, um ambicioso projecto impulsionado por Gamal Abdel Nasser que teve curta duração. Em 1961 os dois países voltaram a ser estados distintos. Dez anos depois foi feita outra tentativa de unificação política dos países árabes, por meio da Federação das Repúblicas Árabes que concedia uma maior autonomia aos países membros e que, além do Egipto, incluía também a Líbia.
Em 1963, ocorreu uma revolução popular que levou ao poder o Partido Baath Árabe Socialista, que fora fundado em 1947 por Michel Aflaq, um militante nacionalista de origem cristã. E são eles que mantêm o poder.

1.9.13

LOUVA - A - DEUS (NOVA OEIRAS)




ENTÃO E OLIVENÇA?

Com o envio de uma Nota à ONU, da autoria da Missão Permanente de Espanha junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, datada de 5 de Julho reacendeu-se a disputa que, nas últimas décadas, tem levado as autoridades espanholas a porem em causa a dimensão da Zona Económica Exclusiva de Portugal em redor das Selvagens (Madeira) pelo facto de, afirmam os espanhóis, as mesmas não deverem ser classificadas como ilhas, mas sim como “rochas” e, consequentemente, com direito unicamente a "mar territorial”, ou seja, à diminuição da ZEE de Portugal em redor das Selvagens das actuais 200 para, apenas, 12 milhas marítimas.