Em 12/12/2010, publiquei o episódio XXXI da biografia da pintora Myra Landau, amiga e comentadora habitual deste blogue. Aqui se revela como ela conheceu Francisco Brennand.
Em 1978, Myra expõe na Galeria de Arte Global,
em São Paulo. Uma exposição individual que a lança mediaticamente no Brasil.
Concede entrevistas para a Televisão. Nas ruas pedem-lhe autógrafos. Um
motorista de táxi reconhece-a. Não quer cobrar o serviço. Myra sente-se como
Picasso ou Sofia Loren. Talvez um misto dos dois…
Continua uma intensa actividade no Brasil.
Primeiro no Museu de Arte Moderna, em Salvador da Bahia. Depois na Casa da
Cultura, no Recife. Aqui conhece gente fabulosa: Alexandrino Rocha e a mulher;
João Câmara, talvez o melhor pintor brasileiro da actualidade; Raul Córdula, que
a leva a conhecer um "outro" Brasil. Um Brasil inexplorado, onde floresce uma
inteligência surpreendente. Um Brasil, simultaneamente, carregado de
sensualidade e erotismo. Um Brasil autêntico e único. Viaja até João Pessoa,
Olinda, Paraíba… Encontra poetas alcoólicos, militares dissidentes, personagens
de romance, gente perdida que se encontra num copo nocturno. É por essa altura
que conhece Francisco Brennand, uma personalidade esmagadora. Brennand tinha
herdado vários engenhos de açúcar na zona de Recife. Decidiu transformá-los em
oficinas de cerâmica. Passou a viver na fábrica. Produzia peças enormes. Peças à
escala da sua personalidade. Peças gigantescas e eróticas. A Fundação Brennand
está lá hoje, no Recife. Um terreno vasto, um pouco fora da cidade. As oficinas
continuam a produzir. Uma obra
absolutamente notável, absolutamente imperdível.