"Enquanto o Meio-Dia e o Sul colhem e pisam a pés de homem os cachos rúbidos e opados, no lagar aonde o mosto ferve, como num mistério dionisíaco, ao Norte, pelas encostas do Douro, sobranceiras ao rio, já se não oferece como outrora o espetáculo da verdura hilariando em vários tons esmeraldinos, e os esquisitos recortes das parras, dando a ilusão de pequenas faianças de esmalte maravilhoso.
Toda essa cultura panorâmica da vinha, deitada aos ombros de montes risonhamente acidentados; toda essa cultura expirou, súbito ferida nas exuberâncias da seiva: e em cada inverno as tristes populaças pedem esmola, lastimando a saudade dos dias fartos!"
Toda essa cultura panorâmica da vinha, deitada aos ombros de montes risonhamente acidentados; toda essa cultura expirou, súbito ferida nas exuberâncias da seiva: e em cada inverno as tristes populaças pedem esmola, lastimando a saudade dos dias fartos!"
In "O País das Uvas", de Fialho de Almeida, escritor nascido em Vila de Frades (Alentejo), em 1854.
4 comments:
Ainda bem que hoje se escreve um Portugues mais...digamos compreensivo...
Parece linearmente compreensível sem grande exegese que não esteja na hermenêutica da uva :))
Sempre actual...sempre actual!
maravilhoso! a imagem e o texto!
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