Deixamos a noite cair sobre os grandes pinhais de centro. Curvas, montes, vales, rios límpidos, horizontes sem fim... Uma zona cheia de potencialidades e, no entanto, cada vez mais desertificada. É bom para o turista ocidental, mas será bom para quem lá vive? Fica a sensação que tudo é paisagem. Que a vida parou. Que não há progresso. Num país em crise que contributo pode esta zona dar? Fica a pergunta...
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2.6.11
1.6.11
CONHOS
Não são de grande beleza. Surgem inopinadamente e parecem um monte de pedras. Na verdade, são amontoados de conhos (seixos) resultantes da exploração de ouro por aluvião, presumivelmente da época romana ou anterior.
ÁGUA FORMOSA - ALDEIAS DO XISTO
Água Formosa fica no concelho de Vila do Rei. Faz parte da rede "Aldeias do Xisto". Um projecto que tem vindo a recuperar aldeias da Região Centro. Um projecto fantástico que já deu vida a 27 aldeias. Aldeias que estavam completamente perdidas e despovoadas. Veja mais em www.aldeiasdoxisto.pt/
31.5.11
SOBREIROS
Isto são sobreiros. Estes eram centenários. Daqui sai a cortiça. Da cortiça fazem-se rolhas. Portugal é maior produtor de cortiça do mundo. Alguém me saberá explicar o que querem dizer estes sinais cabalísticos no tronco das árvores?
VANTAGENS DO CAMPO?
O sinal fugiu. Não há televisão. Não sei nada da campanha eleitoral. Assim não fico esclarecido. Passamos a noite a ver as nuvens, a chuva. A ouvir os pássaros nocturnos. A ler... Sinistro!
FOTOGRAFAR
Olho. Alcanço. Disparo. Foco de novo. Disparo outra vez. Um frémito no dedo. Retenho a respiração. A mão segue a vista. A luz que se ilumina. Perto, longe, infinito... Tenho o mundo no meu dedo. O universo no meu olhar. Fotografar é entrar na paisagem. A côr... A forma... A alma das coisas. Beleza. Angústia. Ser... Aprisionar a imagem no quadrado da moldura, sabendo que ela, lá fora, continua livre. Uma caçada sem morte. Uma captura sem sangue. Ver mais além. Estar para lá da vista. Ver para dentro do olhar... Quero fotografar tudo.
CONSTÂNCIA - A CELULOSE
Constância é um poema na conjunção do Tejo e do Zêzere. Está ali há centenas de anos. Um sítio idílico. Um poiso turístico. Terra de Camões. Por que razão fizeram uma celulose na outra margem, exactamente em frente?! Porra, porquê?! Não haveria mais espaço? Fica a noção de que o desenvolvimento é destruição. A sensação de que a indústria é cega e o poder autárquico tem bolsos largos.
30.5.11
CONSTÂNCIA - CAMÕES
No ano 100 a.C. a terra já existia. Terra de cheias. Um combate permanente com as águas do Tejo e do Zêzere. Os romanos deram-lhe o nome de Pugna Tagi (combate no Tejo). Um excelente nome para uma epopeia de Spilberg. No entanto, a tradução não saiu bem. Talvez tenha sido Gonçalo Mendes da Maia (o Lidador). Foi ele que conquistou o castelo aos mouros. Terá sido ele que lhe deu o nome medieval? Convenhamos, PUNHETE não era o ideal. Durante 400 anos os habitantes lutam pela mudança. Foi D. Maria II que, condoída, acedeu a mudar para Constância. Já antes aqui estivera Luís de Camões, o Poeta. Veio desterrado, cumprindo pena pela sua ligação com Catarina de Athayde. Aqui está imortalizado o amor adúltero de ambos. Um amor impetuoso, como as águas bravas do rio.
CONSTÂNCIA
Em Constância, o Tejo e o Zêzere juntam-se. Em cima, o Tejo começa a alargar. Em brece se expandirá pelas planícies ribatejanas. Acabará em Lisboa, num estuário que chega a ter 30 km de largura. O Zêzere corre pela margem direita do Tejo. Nasce na Serra da Estrela. Percorre um antigo vale glaciário. Duzentos quilómetros depois, entra pelo Tejo adentro, precisamente aqui (ver a primeira foto). O curioso é que faz isto há milhares de anos. E, no entanto, nunca é a mesma água. Pelo caminho alarga-se na Albufeira de Castelo de Bode, uma das principais bacias hidroeléctricas do país.
CENTRO GEODÉSICO DE PORTUGAL
Aqui bem perto de Vila do Rei, na Milriça (ou Melriça), a 600 metros de altura, fica o Centro Geodésico de Portugal. Para que fique claro, o centro geodésico de uma superfície é o ponto cuja máxima distância interna para qualquer ponto do perímetro de um polígono P é a mínima... Seguro de que todos entenderam, todos menos eu, dir-vos-ei (grande tempo verbal!), mais prosaicamente, que se dobrarem o mapa de Portugal em quatro, as dobras estão na Milriça.
29.5.11
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