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Desgostoso e enojado com a comida usualmente servida na taberna que considerava pouco digna do Renascimento, resolveu "civilizar" as refeições. Inventou a "nouvelle cuisine". Servia pequenas quantidades de requintadas iguarias, artisticamente dispostas nos pratos. Revoltados, os clientes obrigaram-no a precipitada fuga e ao retorno forçado à pintura que, já então, era um sacrifício para ele. Mas não desistiu da restauração!
No Verão de 1478, em parceria com o colega Sandro Botticeli, abriu uma taberna "A Marca das Três Rãs de Sandro e Leonardo". A coisa voltou a não correr bem. A clientela não correspondeu. Preferia as habituais pernas de vaca cozida com polenta (papas de milho) a quatro rodelas de cenoura e uma anchova enrolada em folhas de manjericão.
Falhada a experiência, Leonardo, porém, nunca deixou de pensar em comida. Passou a imaginar aparelhos culinários revolucionários que permitissem poupar tempo e automatizassem funções. Os esboços desses aparelhos foram durante muito tempo confundidos com máquinas de guerra. Não eram. Apenas pretendiam descascar alhos ou esticar esparguete...!
Em 1482 retira-se para Milão e é nomeado por Ludovico Sforza "Mestre de Festas e Banquetes". É então que vai explorar todo o seu talento, remodelando as cozinhas do palácio com introdução de novos conceitos e de novos aparelhos e dando origem a uma verdadeira hecatombe no dia da inauguração. Como castigo, benigno, diga-se, foi destacado para Santa Maria Delle Grazie, onde nos três anos seguintes deveria pintar um graffiti na parede da igreja, mais uma vez dedicado à comida... a "Última Ceia".
Foi também neste período que Leonardo terá dado início aos apontamentos culinários inscritos nos cadernos que hoje constituem o Codex Romanoff.
Durante esta semana dar-vos-ei algumas sugestões, todas com assinatura Da Vinci. Não sejam tradicionalistas. Confiem no Leonardo e terão uma consoada inesquecível!
jp
1 comment:
Boa tarde Expresso,
Bela ideia. Já ofereci este livro em Natais passados e a amigos comuns.
Um abraço
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