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A praia de S. João liga com a do Estoril. No casario também não há quebra de continuidade. Apenas as tabuletas toponímicas e duas estações de comboio distinguem as duas localidades, na verdade uma só.
A minúscula praia da Azarujinha, a meio do povoado, servia os palacetes alcandorados, dos quais se desce por escadas talhadas na rocha. Hoje serve os condomínios fechados, quando a maré cheia permite.
A linha férrea corta a povoação. Para trás fica a parte mais modesta, aquela que já não teve direito a vista de mar e que só recentemente, graças a um novo fôlego urbanístico, recuperou vistas, conquistadas pelo aumento democrático da cércea dos prédios. Esta parte de S. João tem-se expandido brutalmente, absorvendo áreas em direcção à Alapraia e Livramento, numa continuidade muito pouco aristocrática.
Três fortes guarnecem a costa e S. João: o de Stº António da Barra, à entrada da povoação (o tal da cadeira armadilhada); o de S. João da Poça, por cima da praia; e, mais acima, já quase no Estoril, o chamado "Forte Velho", boite desde os anos 60, hoje muito popular junto da emigração de leste.
A 10 minutos de S. João, pela estrada de Caparide, encontramos a Alapraia, hoje repleta de construção e onde já no período eneolítico (à cerca de 4000 anos) habitavam trogloditas em quatro grutas descobertas a partir de 1932. Os vestígios encontrados fazem pensar na existência de uma antiga cultura, anterior aos íberos, que teria penetrado, por via marítima, pelos estuários do Tejo e do Sado. Um crescente lunar encontrado numa das grutas, semelhante ao descoberto nas grutas de Cascais, Trigache e Carenque, pode estar na origem do nome Monte da Lua dado pelos romanos à Serra de Sintra e pode ser o denominador comum desta ancestral cultura. Atlantes? Não sabemos!
O que sabemos é que S. João cresceu muito. Para trás da linha férrea, prédios "dormitório" de raiz burguesa. Para a frente, em direcção ao mar, os palacetes têm vindo a ser substituídos, paulatinamente, por condomínios de luxo. Os trogloditas de agora andam bronzeados nos BMW's que a Euribor permite. O bloqueio visual mantém-se... O mar é só para alguns!
Texto baseado no livro "Memórias da Linha de Cascais"
jp
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