23.1.08

AFINAL TEMOS SORTE...

Ontem estava excessivamente pessimista...!
Imaginem que tínhamos o azar dos dinossauros. Há cerca de 65 milhões de anos um pedregulho de 9 km de largura veio pelo espaço fora e provocou a sua extinção e uma devastação inimaginável. A cratera está em Chicxulub, abaixo da península do Iucatão, no México e tem 193 km de largura, por 48 de profundidade.
Se fosse hoje, progredindo a uma velocidade de 400 vezes a velocidade do som, o asteróide não seria visível a olho nu até ter aquecido quando entrasse na atmosfera, isto é, 1 segundo antes do impacto com a terra! O ar por debaixo dele, comprimido pela sua entrada na atmosfera, atingiria temperaturas 10 vezes superiores à temperatura da superfície do Sol. Logo que chegasse à atmosfera, tudo o que estivesse no caminho do meteoro desapareceria como uma folha de celofane a arder. Um segundo depois colidiria com o solo com uma força de 6 milhões de megatoneladas (cerca de 75 vezes superior à potência de todo o armamento nuclear existente). Qualquer ser vivo, num raio de 250 km, que não tivesse morrido com o calor, seria morto pela explosão. A onda de choque irradiaria quase à velocidade da luz, arrasando tudo à sua frente. Um minuto depois, os que estivessem fora da zona de destruição imediata, veriam uma parede negra a erguer-se no ar até chegar aos céus, deslocando-se a milhares e quilómetros por hora sem qualquer ruído, uma vez que se moveria a uma velocidade muito superior à do som. Em poucos minutos, todas as pessoas que estivessem num raio de 1500 km seriam projectadas no ar e estilhaçadas por uma chuva de projécteis voando em todas as direcções. Seguir-se-iam uma série de terramotos devastadores. Os vulcões entrariam em actividade por todo o globo e haveria gigantescos maremotos a varrer as costas mais distantes. Uma nuvem negra cobriria todo o planeta e bocados de rocha escaldantes seriam projectados, fazendo arder a maior parte da Terra. Um biliâo e meio de pessoas teria morrido ao fim do primeiro dia. A nuvem negra taparia o Sol durante anos perturbando ou impedindo os ciclos de crescimento e alterando totalmente o clima. Seria impossível estimar o número de vítimas ou mesmo o nível de subsistência humana... E estamos só a falar de uma pedrita de 9 km de largura!!! Em abono da verdade tenho de dizer que a probabilidade de isto acontecer é de uma vez em cada milhão de anos, em média. Mas nunca se sabe...
Bom, com este cenário dantesco acabava a crise, a recessão, o Sr. Nunes, a urgência da Anadia, a queda dos condicionais "futuros" do NASDAQ. Até o governo caía... Afinal temos sorte. Ufff!
jp

3 comments:

astracan said...

Olá JP! Cá estou, de novo, no Além Tejo, para mais uma pausa junto da minha Maria.
Sem dúvida! Tomar o incerto por certo é um dos nossos desportos favoritos. E quando paramos para imaginar uma destas, ou d'outras, somos relembrados que viajamos no espaço, a uma gáspia do caraças, com "pedrinhas" dessas, sem condutor, por aí... chiça!
O perigo é a nossa profissão.
Keep on blogging!-diria o bárbaro.
Abraço!

Jorge Pinheiro said...

Viva, Astra! Andam por aí em contra-mão atrapalhando o trânsito.

Claire-Françoise Fressynet said...

Pernas a andar....