Em Cernache do Bonjardim, ali para os lados do Zêzere, anda tudo histérico com a canonização de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável de Portugal, ao tempo da crise de 1383-1385, que haveria de trazer ao poder o Mestre de Avis e os seus descendentes da ínclita geração. Nuno foi o homem que combateu os pretendentes castelhanos e lhes infligiu a célebre derrota na batalha de Aljubarrota. Uma batalha que o imortalizou, juntamente com a padeira do mesmo nome. Uma batalha que ainda hoje se estuda e discute, onde, ao que parece foi utilizada a banal táctica romana do quadrado contra uns bandos de espanhóis em excesso de confiança e um pouco ébrios. A canonização será no Domingo, dia 26 de Abril, em Roma e a Igreja, com aquela hipocrisia ecuménica de ironia secular que se lhe reconhece, chama-lhe Nuno Alvarez Pereira, na eterna confusão ibérica dos nomes. Não podia ser mais adequado!Em Cernache as imagens do Santo Condestável vendem-se em supermercados. Para obter milagres basta decepar uma mão bem decepada e escondê-la bem escondida. A mão tem de ficar num local onde o Santo não veja, questão que pressupõe desde logo a falta de ubiquidade dos santos e uma cegueira total, coisa que vai contra a noção de que eles estão por todo o lado e tudo vêem. Mas pronto, é um santo português. Não tem de obedecer à média europeia! Decepada e escondida a mão resta esperar pelo milagre. Quando a graça é concedida, volta-se a colocar a mão no bracito da imagem. Processo simples e, ao que parece, eficaz. O santo não pode empunhar a espada ou a cruz que, para o efeito, é o mesmo e, aflito, apressa-se a conceder a mercê, senão arrisca-se a ficar maneta. A mão é, depois, colada com “Super Cola 3” e, garantem-nos, nunca mais quebra por aquele sítio, o que equivale, à razão de dois braços por santo, a dois milagres por imagem. Pena não ter mais braços!
Nuno, após alguns feitos militares místico-lendários optou por se trancafiar na Ordem do Carmo, uma das mais exigentes. Ele é o fundador do Convento do Carmo, em Lisboa. Além disso é patrono da infantaria portuguesa e do movimento escutista católico. Foi promovido a beato em 1918, por Bento XV e é agora graduado em santo por outro Bento, o XVI. O prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Saraiva Martins que, por acaso é português, exultava. Ao fim de 90 anos foi facilmente atingido o objectivo. Havia sete milagres, mas bastou um. O de Guilhermina de Jesus, sexagenária de Vila Franca de Xira que estando pacientemente a fritar peixe, levou com uns salpicos de óleo a ferver na córnea do olho esquerdo. Cegou. De imediato pediu a intercepção do santo. Estávamos em Setembro de 2002, quase 700 anos após a morte do beato. Em Dezembro estava curada… Sem medicamentos! É esse olho que ela vai mostrar no Domingo a Bento XVI, quando for recebida em audiência privada.
Mas quem era este personagem místico e guerreiro; patriota e alucinado? Quem era Álvares Pereira? Vejam em próximas edições dedicadas ao “Santinho de Bonjardim” a verdadeira história do descendente de um dos assassinos de Inês de Castro e pai do fundador da Casa Ducal de Bragança.
jp
6 comments:
Amen...
Conhecia a hist´ria de um casal que tinha uma "santa" chinesa à qual tiravam a mãozinha...e só lha punham quando ela fazia o milagre... Os senhores eram ultra conservadores e um dia, a santa partiu-se ... e aconteceu o 25 de abril....ainda hoje, a nova santinha que compraram, não tema a mão colada... Portugal tá na moda, o cão da casa branca é português, o presidente da união europeia é português e o D.Nuno...é português...não há crise!
Por acaso assaltam-me as mesmas dúvidas apontadas. Estranho muito esta grande convicção da Igreja torná-lo santo...quando a própria equipa de médicos portugueses não considera milagre o episódio da senhora que se queima com azeite...
A ver vamos...
Susana: cheira a esturgido!
Bento: então há mais mãozinhas?!
Não conhecia esta "simpatia" de esconder a mão do santo...que nem era santo ainda!
Uma mãozinha marota!!!
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