Vamos então até Lisboa que ao Domingo é um descanso. Vamos apanhar o “Éléctrico dos Tótós”. Eléctrico turístico encarnado, que arranca do Terreiro do Paço. 16 euros e 14 colinas para fazer o mesmo trajecto do “28”, que custa apenas 1 euro e 7 colinas… Tótós! Ainda por cima, não dizem nada que lisboeta não saiba.O que talvez não saibam, é que em tempos remotos, depois do Grande Dilúvio que encheu o mar e destruiu a civilização atlante, o neto de Noé, Túbal, aportou a Setúbal, tendo-se tornado no mais poderoso rei da península ibérica. Com ele veio também o seu sobrinho Elysa, que terá fundado Lisboa e dado o nome aos celestiais Campos Elísios.
Passaram milénios e o Tejo sempre foi cobiçado... Os fenícios chamaram-lhe Allis Ubbo (enseada amena). Os romanos, Felicitas Julia. Muralhas não havia. Por isso, vândalos, suevos, alanos, visigodos e mesmo silingos, não deixaram de nos visitar.
Os mouros gostaram tanto disto que por cá se instalaram, em 714, e até fizeram castelo. Os vestígios estão na “Cerca Moura”. 15000 habitantes, 15 hectares, distribuídos pelas actuais freguesias de S. Tiago, S. Cristovão, Sé e parte da Madalena.
D. Afonso III faz de Lisboa capital do reino, em 1256. Logo a seguir, D. Fernando vê-se forçado a construir nova cerca para abranger os arrabaldes, que se estendiam já por 105 hectares. É a “Cerca Fernandina”. O terramoto de 1755 só nos deixou vestígios. Tinha 34 portas e 77 torres. Destacam-se as portas de Santa Catarina (no Chiado), S. Roque, Portas de Santo Antão e Mouraria (Arco do Marquês de Alegrete).
O actual “centro de Lisboa” nasce no sec. XV, num vale profundo onde antes vinham dar as águas do Tejo. Terreno pantanoso. Dois afluentes drenavam para o rio, por baixo das actuais Av. da Liberdade e da Almirante Reis. O Rossio era o ponto de confluência. Ainda hoje se ouvem águas correntes nas caves do teatro Dª Maria II.
Lisboa é uma cidade palafita, como muito bem percebeu o “pantanoso marquês”... Edis, engenheiros e outros eiros, não abram buracos que o rio aproveita logo!
Entre o sec. XV e o sec. XVII, Lisboa cresce de 50 000 para 100 000 habitantes. Em 2004 a “grande Lisboa” tem quase dois milhões de caramelos. A nova “cerca” teria de passar por Sintra, Cascais, Loures, Amadora, Oeiras, Almada, Seixal, Chelas, Sacavém e outros arrabaldes indescritíveis. Em 2100... é fazer as contas, que eu já devo ter emigrado para parte incerta!
(a continuar)
3 comments:
FELIZ 2010.
feliz TUDO.
Luiz,
Ao contrário dos anos anteriores, em 2009 eu pude fazer a melhor de todas as viagens... Sem lenço e sem documento, dispensando mala e cuia, eu fiz a viagem imóvel mais feliz e enriquecedora da minha vida. Agradeço a você e ao Eduardo e Jorge, da Tertúlia Virtual, por serem agentes desse passeio fantástico pelo mundo das ideias, da troca de informações e conhecimento. Um Feliz Ano Novo!
o bonde 28...
o motorista muito jovial passou-me uma cantada!
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