1.1.10

TURISTA OCIDENTAL - DE LISBOA A SINTRA: UMA PERSPECTIVA SALOIA (10)

O núcleo central do Castelo de São Jorge, o castelejo, assenta na antiga construção mourisca que Afonso Henriques tomou em 1147, quando Lisboa era Ashbouna, capital do Alto Gharb. É um polígono quandrangular com muralhas de dez metros e uma dezena de torres. Do lado noroeste, a muralha prolonga-se num esporão que desce a encosta até à Torre de São Lourenço, cuja base se apoia na Rua Costa do Castelo.
Como dizia Jaime Cortesão, nas Páginas Olissiponenses: “... De todos os pontos do Castelo se desfruta um panorama empolgante... Desde o extremo leste, sobre o rio, seguindo para norte, a cidade é cercada por uma série de eminências. Na primeira, à direita alveja São Vicente, mole enorme coroada por duas torres... Sobre a esquerda, erguem-se depois em acastelamentos cerrados de pequenos prédios, os altos da Graça e essa linha de cimos e daí a Campolide cava-se uma funda depressão onde o olhar se abisma. Em baixo, uma toalha revolta de telhados, dum tom queimado de tijolo, encardido do tempo, e sulcado pelo labirinto das ruelas íngremes... Seguindo depois para o poente da cidade eleva-se de novo, o olhar repousa na vasta massa verde-escura do Jardim Botânico, abraça ao longe a silhueta oblonga do Palácio da Ajuda. Voltando agora os olhos para o vale, avista-se, por uma larga brecha, o tabuleiro do Rossio com a coluna alva e o bronze da estátua de D. Pedro. Um pouco para a esquerda, a ábside do Carmo, erguida a prumo dum tom de ossada lívida e, à direita, retalhando o tumulto escuro da cidade, a longa fita verde da Avenida...
Da Baixa Pombalina apertada entre montes, na direita, a velha e pitoresca Alfama que se desmancha encosta abaixo, fecha-se a curva panorâmica com que a cidade ondeia em torno do Castelo... Mas para lá deste tumulto de formas e de cores, rasga-se em frente a enseada azul do Tejo, tão ampla e tamisada de tons que funde tudo o mais em seu esplendor e vastidão...”
(a continuar)

1 comment:

Li Ferreira Nhan said...

Esplendoroso Tejo
imponente, manso cheio de segredos.
"Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,..."