Vamos deslizando Rua da Saudade abaixo. As escavações do Teatro Romano continuam e prometem demorar mais que o império. Construído no sec. I a.C., na época do imperador Octávio e reconstruído em 57d.C., estava Nero no poder. Pedras ocres amontoadas, de que só os arqueólogos sabem o significado.Lá ao fundo, a Sé. A igreja ergue-se sobre a antiga Mesquita de Lisboa, uma mesquita de cinco naves, em tempos vermelha. No seu estilo romano-gótico, a Sé é um dos baluartes que resistiu à derrocada do terramoto de 1755, embora o claustro tenha ficado uma desgraça.
Entremos decididamente pelo nártex, passando a fachada normanda sobrepujada por duas torres laterais amuralhadas e confrontadas com um corpo central rasgado pelo arco de acesso ao portal principal, coroado por ampla rosácea, em direcção ao transepto. Luz baça, quase inexistente, que nos leva à introspecção divina.
Percorram as nove capelas ogivais do deambulatório, dedicadas a São Vicente pelo rei Afonso IV. Lá fora, na penumbra do claustro arruinado, acumulam-se cisternas mouras, túmulos visigóticos e banhos romanos, embora nunca se perceba de quem era o quê. Aliás, que importa... tudo isto é fado!
(a continuar)
3 comments:
Sempre que fui ao centro, passei por ela e nunca entrei.
Acho que sua aparencia não me encoraja.
Estou de acordo Li. Nãoé muitop a colhedora a Sé,mas são vestígios de um passado tumultoso que ali estão. Vale a pena.
Parece que uma das torres já caiu umas poucas vezes já depois do terremoto...
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