27.2.10

TURISTA OCIDENTAL - NA TERRA DOS LUSITANOS (16)

A aldeia-santuário da Lapa, essa sim, é imperdível. A 800 metros de altitude, um notável conjunto granítico de lojas de artesanato à base de potes de mel, queijo tipo Serra, castanhas, nozes, figos secos e feijão manteiga. Lá em baixo a nascente do Vouga, na mesma direcção dos sanitários, o que muito contribui para o aumento do caudal. Camionetas de peregrinos, despejando povo para dentro da Igreja construída sobre uma enorme lapa labiríntica. Passagem obrigatória na claustrofobia de uma fenda divina, onde se entalam todos os pecados capitais. Preso ao tecto por cadeias de ferro, o famoso Lagarto da Lapa, simbolizando o Mal agrilhoado vencido pela Fé inabalável do povo, numa visão escatológica de maniqueísmo redutor.

Em Freixinho, podemos pernoitar no Recolhimento de Nossa Senhora do Carmo e comer as famosas “Cavacas de Freixinho”. O Recolhimento foi fundado no séc. XVII, por João Gouveia Couto e é hoje explorado por uma sua descendente, como Turismo Rural. O ambiente de clausura e intimismo mantém-se, permitindo-nos actualizar leituras de Aquilino Ribeiro. Recomendo Jardim das Tormentas; O Homem Que Matou o Diabo; Lápides Partidas; e Quando os Lobos Uivam (o homem não facilitava…!). Ao fim da tarde, suba-se ao torreão. Vista deslumbrante sobre a Barragem de Vilar, onde o Sol se deixa aprisionar no reflexo magenta dos raios poentes em fuga desordenada pelas “Terras do Demo”.
(a continuar)

2 comments:

Mar de Bem said...

Esta foto está demais!!!
Com que então o Rio Vouga nasce... directamente dos sanitários? Pelo caudal do rio devem ser uns sanitários muito concorridos!!!

Jorge Pinheiro said...

Esta tirei eu. A ironia tb. passa pelas fotos. A beleza pode esperar...